Blog - Página da Beatrix

Sobre Clarice Lispector e as redes sociais



Sinceramente não entendo a vulgarização que fizeram da obra e da escritora Clarice Lispector. Alguns pseudo-intelectuais que nunca leram uma obra dela sequer, querem tratá-la como se fosse uma escritora de segunda categoria, que escreveu livros bobos de auto-ajuda. Quem acha isso é por que realmente não conhece nada a respeito de Clarice Lispector, e o que sabe a respeito dela é apenas o que dita a modinha das redes sociais em que uma frase atribuída mil vezes a um escritor se torna verdadeiramente dele, ainda que ele nunca a tenha dito ou escrito aquilo.

Pois bem, é exatamente isso que aconteceu com Clarice Lispector. As redes sociais lhe impingiram frases que ela nunca disse ou escreveu, e é difícil tirar essa informação errônea das pessoas. E alguns passaram a julgar a escritora pelo que ela nunca escreveu.

Lembro de uma escola onde eu trabalhei em que todo ano a professora de Português fazia um trabalho com os alunos, colando cartazes com frases de Clarice Lispector, frases que não eram dela mas que a professora achava que eram pois viu na internet. Ela enquanto professora de português propagava a ignorância. Daí como dizer aos alunos dela que aquilo estava incorreto?

Eu juro que aquilo doía em meus olhos, tanto quanto dói ver um pseudo-intelectual apedrejando Clarice Lispector pautado na ignorância das frases da internet e das redes sociais. “Clarice Lispector virou modinha, então vamos apedrejá-la” pois pseudo-intelectuais por praxe tem que odiar o que é “popular”. Mas será que Clarice Lispector ficou mesmo popular? Não, na verdade ela foi vulgarizada, e não popularizada. Tem uma diferença. O pior é que ela é julgada por coisas que nunca escreveu. Clarice Lispector não é autora de auto-ajuda, também não escreveu poesia como alguns acreditam.

Na verdade Clarice Lispector é uma excelente escritora, e os livros dela são maravilhosos e valem muito a pena serem lidos. Considero-a tão boa ou melhor do que Virginia Woolf. Clarice Lispector ousa mais e seus personagens vão além. Após as epifanias, os personagens de Virgínia voltam a mesma vidinha de sempre ou sequer ousam ao ponto de atingir epifanias; os de Clarice Lispector vão até as últimas consequências, e nunca mais são os mesmos.

Moser Benjamin chegou a compará-la a Kafka, apesar de que mesmo inspirando-se em Woolf, Kafka, Joyce e em Hesse, ela possui um estilo próprio e peculiar, nascido da sua vivência no Brasil e em especial no norte e nordeste.

Acho lamentável o que fizeram com a escritora, postando frases que ela nunca escreveu e ainda por cima vulgarizando a obra como se fosse algo ruim, uma espécie de manual de auto-ajuda. Clarice Lispector não é um “Lair Ribeiro de saias”.

A maioria das pessoas que publicam essas frases na internet não tem ideia do conteúdo da obra da escritora e nunca devem ter lido um livro sequer dela.

Eu amo a verdadeira obra de Clarice Lispector, e não vou deixar de gostar dela por que virou “modinha maldita” nas redes sociais e os tais pseudos passaram a pré-julgá-la. Danem-se os pseudos e danem-se as modinhas. Danem-se também as redes sociais de compartilhamento de desinformação.

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O Rei Sábio – Khalil Gibran



UMA VEZ, governava  a distante cidade  de Wirani um Rei, que era poderoso e sábio. E era temido por seu poder e amado por sua sabedoria.
Ora, no coração daquela cidade havia um poço cuja água era fria e cristalina, e dela bebiam todos os habitantes, até mesmo o Rei e seus cortesãos; porque não havia outro poço.
Uma noite,   quando   todos   dormiam,   uma feiticeira entrou na cidade e verteu no poço sete gotas de um líquido estranho e disse: “Doravante, quembeber desta água ficará louco”.
Na manhã seguinte, todos os habitantes, menos o Rei e seu lorde Camarista, beberam da água do poço e ficaram loucos, tal como a feiticeira tinha predito.
E durante aquele dia, os habitantes, nas ruas estreitas e nos mercados, não faziam senão sussurrar, uns aos outros: “O Rei está louco. Nosso Rei e seu Lorde Camarista perderam a razão. Naturalmente não podemos   ser   governados   por   um   Rei   louco. Precisamos destroná-lo”.
Naquela noite, o Rei mandou que enchessem com água do poço uma taça dourada. E quando lha trouxeram, dela bebeu copiosamente, e deu a beber ao seu Lorde Camarista.
E houve   grande   regozijo   naquela   distante cidade de Wirani, porque o Rei e o Lorde Camarista tinham recuperado a razão.

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O Viajante – Khalil Gibran



O Dia Internacional da Dança já passou faz tempo (29 de abril), mas nunca é tarde para fazer uma pequena homenagem às minhas amigas bailarinas, em especial à professora Juliana Chacon que está com um espetáculo de dança chamado Volta ao Mundo que vai estrear dia 03/06/2011 no Teatro de Araraquara; e também minha querida amiga, a professora Muriel Andréa, que tem um belo projeto de dança em Vitória, Espírito Santo, Ballerina Victoria.

Isso me faz lembrar de uma frase do filme perfume de mulher. “A vida é como a dança, se você erra um passo, continua dançando, não para”. Assim como nunca é tarde para viver, nunca é tarde para dançar.


O VIAJANTE

Certa vez, vieram para corte do príncipe de Birkasha uma bailarina e seus músicos. Tendo sido admitida na corte, ela dançou a música da flauta, do alaúde e da cítara. Executou a dança das chamas e do fogo e a da espada e das lanças. Dançou as estrelas e o espaço e então, ela dançou a dança das flores ao vento. Quando terminou, aproximou-se do príncipe e curvou o corpo, em reverência, diante dele. O príncipe ordenou que ela se aproximasse e perguntou-lhe: – Bela mulher, filha da graça e do encanto, de onde vem sua arte e o que é este seu poder ao comandar todos os elementos em seus ritmos e versos? E a bailarina, aproximando-se, curvou mais uma vez o corpo em reverência e respondeu: – Sua alteza, sereníssimo senhor, eu não sei a resposta para suas perguntas. Somente isto eu sei: a alma do filósofo habita sua mente, a alma do poeta habita seu coração, a alma do cantor habita sua garganta, mas a alma da bailarina habita todo o seu corpo.


Fonte:  O viajante, Khalil Gilbran

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O descaso com a educação no Brasil



Tem verdades que precisam ser ditas e repetidas. Todos sabem que é verdade mas fingem esquecer. O discurso da professora Amanda Gurgel contempla a realidade da educação brasileira e não apenas no Rio Grande do Norte ou no Nordeste. Infelizmente, em nenhum momento a educação foi prioridade em nosso país, e assim continua no momento atual.

Aqui no Maranhão os professores da rede estadual voltaram às salas de aula após a greve de setenta dias,  mas nada mudou.

httpv://www.youtube.com/watch?v=yFkt0O7lceA

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Cécile Corbel – La fille damnee



Conheci essa cantora por conta de uma oficina de Música e Cultura Celta que participei ano passado em outubro, quando aconteceu em São Luís o IV Simpósio Nacional e III Internacional de Estudos Celtas e Germânicos. A oficina foi ministrada pelo professor Carlos Simas que é de Curitiba. O nome dele não me era estranho, e depois me lembrei que a minha antiga professora de flauta doce, Lisiane Nina, me falara que já havia feito alguma oficina com ele. Achei uma pena não ter participado da oficina completa, mas o dia que participei foi maravilhoso. Toquei flauta doce, coisa que não fazia há muito tempo e também consegui várias partituras novas além de textos sobre o assunto.

Alguns dos músicos que o professor Simas apresentou no evento já eram de meu conhecimento como Chieftains, The Dubliners e Cappercaillie, outros não. Ele mostrou uma coletânea de músicas celtas interpretadas por mulheres chamada Celtic Woman. Em uma dessas coletâneas havia uma faixa da cantora e harpista  Cécile Corbel, era uma música tradicional chamada Siúil A Rúin. Foi o suficiente para que eu quisesse conhecer mais sobre o trabalho dessa cantora bretã. Sua música me fez lembrar de Brocéliande, a floresta misteriosa, das lendas de Arthur, de Merlin, da Dama do Lago, e que inclusive é citada na obra Chrétien de Troyes. Sua Font Des Pleures já me inspirou uma ou outra história, e ao menos uma narrativa de RPG que se situava em uma região próxima.

Em Broceliande, Merlin estaria encerrado em sua prisão, enganado pela fada, castigado por sua luxúria.

Por sinal, Cécile nasceu próximo a chamada Brocéliande moderna, ou ao menos ao que os historiadores consideram ter sido a localização de Brocéliande, já que nunca se teve certeza sobre o local exato da floresta mística das lendas mencionadas na obra de Troyes.

Procurando por mais músicas de Cécile Corbel na internet me deparei com vários vídeos dela no youtube, entre esses me encantei com La Fille Damnee.

A música fala de uma história trágica, em que o espírito de uma moça que foi assassinada pelo seu amante, procura travar contato com o pai para pedir-lhe um último favor. O espírito se comunica através de um cavalo que pede ao pai  dela que ele queime o corpo da moça e espalhe suas cinzas ao vento, para que assim, o espírito dela possa ter finalmente paz e que nunca mais possa ser trazido de volta da morte por nenhum encantamento.

httpv://www.youtube.com/watch?v=oPCXFC1pmnc

Dis moi combien, combien de deniers
Forgeron, pour ferrer mon coursier
C’est cinq sols, pour vous mon prince
Seulement cinq sols et un dernier

J’etends chanter, j’entends chanter
La fille damnée, j’entends chanter
A la lune montante, j’etends l’oiseau chanter
Ma jolie, ma si jolie, file dans la nuit

Au premier fer que tu mettras
Mon bon père, il va t’appeler
Au premier clou que tu poseras
Il va t’appeler “mon père”

Qui est ce diable qui m’appelle père
Dis moi qui est-il sur le champ
C’est ta fille, ta chère fille Jeanne
Ta fille, morte et enterrée

Dis moi, ma fille, qui t’a damnée
Là bas sur la lande et les blés
C’est cet homme le long de la mer
Chaque jour Il venait me trouver

Prenez mon corps mon coeur et ma robe
Sous la lune il faut les brûler
A la brune vous jetterez mes cendres
Au vent, au vent vous les jetterez

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Editora limita número de empréstimos de ebooks em bibliotecas



O grupo editorial HarperCollins, um dos maiores do mundo, anunciou que vai limitar o empréstimo de ebooks em bibliotecas a um máximo de 26 empréstimos, numa medida que se estende a serviços como o OverDrive ou outros que fornecem ebooks a bibliotecas com possibilidade de empréstimo.

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Mais RPG e Educação



Para quem deseja fontes para pesquisar a respeito.

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Entrevista com Clarice Lispector



É com prazer que volto novamente a disponibilizar o link para o arquivo da entrevista que Clarice Lispector concedeu ao programa Panorama, na TV Cultura, em fevereiro de 1977, ano de sua morte.
Sempre que assisto me dá um certo desconforto, pois a presença de Clarice na tela, a forma como ela responde as perguntas do entrevistador são desconcertantes. O final então é indescritível.

Link Entrevista Clarice Lispector

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Cocteau Twins ao vivo



Dizem que o Cocteau Twins não é tão bom ao vivo quanto em estúdio. Eu nunca tive o prazer de conferir um show deles para poder fazer uma comparação. Mas essa apresentação aqui está realmente ótima. Tudo bem que não é exatamente um show ao vivo mas sim uma apresentação em um programa de TV. Contudo imagino que em um local mais intimista com uma boa estrutura de som ia ficar muito bom.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Xo-vh_q1xQQ

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Mais Clarice Lispector



"Minha alegria é áspera e eficaz, e não se compraz em si mesma, é revolucionária. Todas as pessoas poderiam ter essa alegria, mas estão ocupadas demais em ser cordeiros de Deuses."

Em breve vou estar disponibilizando novamente os vídeos da entrevista com a Clarice.

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Vídeo – Morrissey – “The Youngest Was The Most Loved”



Enquanto os chatos, cricris da RIA, Hollywood e companhia não entopem o Youtube de processos aproveito para curtir os vídeos legais do novo disco do Morrissey. Esse têm umas cenas muito divertidas do Morrissey algemado e sendo fotografado. Parece até que ele é algum serial killer.

httpv://www.youtube.com/watch?v=ITN95xHRBn8

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Vídeo com entrevista de Clarice Lispector



Agradeço ao internauta Marcos Vinicius por ter disponibilizado na internet algo que eu queria há muito tempo. A famosa última entrevista que a escritora Clarice Lispector deu à televisão.
Consegui esses links em uma comunidade dedicada a Clarice, e disponibilizo aqui para quem tiver interesse.
Esse programa foi ao ar na semana do dia internacional da mulher, março de 2005, exibindo, além da entrevista, trechos de debates entre o apresentador Gastão Moreira e a escritora Nadia Gotlieb, depoimentos da cineasta Suzana Amaral (autora da adaptação de “A hora da estrela” para o cinema) e a cantora Maria Bethânia declamando poesias de Clarice.
Confesso a vocês que essas partes acrescentadas à entrevista foram puladas por mim sem remorso.

parte 01

parte 02

parte 03

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Sobre os terços profanos



Sobre os terços profanos – texto publicado na revista eletrônica Carcasse .
Autoria de Shirley Massapust

“Em julho de 2005, logo que estourou o escândalo do mensalão, ficamos a saber que a verba de publicidade do Centro Cultural Banco do Brasil ia para a DNA, a agência de propaganda do Marcos Valério (tesouraria dos assuntos ilícitos da bancada evangélica da Igreja Universal do Reino de Deus – instituição notória, entre outras coisas, pelo empenho infatigável de boicotar e comprar cinemas com o intuito de transformá-los em igrejas ou revendê-los para particulares que façam ali qualquer coisa, menos exibição de filmes). Posteriormente, vimos a intolerante coibição da interatividade do público na instalação audiovisual apresentada na exposição da artista Dora Longo Bahia durante os últimos meses. Essas atitudes marcam uma lastimável mudança na relação de cordialidade e no acompanhamento do CCBB com a classe artística, expressa no não-cumprimento das funções primeiras da instituição perante a população e a própria criação contemporânea.

O caso dos terços profanos

As mais antigas cruzes conhecidas foram gravadas em pinturas ruprestes que datam de dez mil anos a.C. Aparentemente, elas estariam ligadas a uma espécie de culto da fertilidade. Terços também são utilizados por povos orientais (não são exclusivos da fé cristã) e sua invenção sequer é devida à espécie homo sapiens, visto que achados de um determinado sítio arqueológico revelaram que um grupo de homo erectus, de quinhentos mil anos atrás, chegou a confeccionar colares de contas. Por tudo isso, não deveria haver espanto perante o trabalho da artista plástica brasileira Márcia Pinheiro de Oliveira (1959-2005), mais conhecida como Márcia X.

Márcia X. na Casa Petrópolis (jul. 2002) Ela não trabalhava exclusivamente, mas principalmente com terços. Márcia X desenvolveu seu padrão iconográfico nas modalidades “performance” e “fotograma”. Na performance, como desenvolvimento da proposta “desenhando com terços”, usava os objetos para realizar desenhos de pênis no chão, ocupando um grande espaço físico. O público acompanhava o desenvolvimento do trabalho, que poderia consumir vários dias (até um mês) para ser executado. A extensão do desenho evidenciaria a abstração resultante da trama dos terços e o caráter obsessivo do processo. Já no fotograma – cuja técnica, Rayograph, inventada por Man Ray no início do século XX, não produz negativos – utilizava-se uma ou poucas peças. Os desenhos de pênis são realizados com terços diretamente sobre o papel fotográfico e revelados.

Em abril de 2006, sua obra Desenhando com terços foi retirada da exposição Erótica – Os sentidos da arte, promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil, após denúncia do empresário Carlos Dias Filho, que registrou uma queixa-crime no 1º Distrito Policial do Rio, por entender que a obra ofende o catolicismo. Houve uma manifestação indignada de artistas, que organizaram um protesto no CCBB. A mídia deu ampla cobertura ao caso – inclusive em jornais como O Globo, Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo – e o próprio ministro Gilberto Gil publicou uma nota no site do Ministério da Cultura contra a retirada do fotograma. Porém, o cardeal-arcebispo, Dom Eusébio Scheid, ficou indignado ao tomar conhecimento do conteúdo da mostra e, como a Igreja manda mais que o Ministério Público, o conselho diretor do Banco do Brasil, em Brasília, informou que preferiu retirar a obra, não tendo a intenção de ferir a religião católica ou de atingir a Igreja com a exposição. Por fim, a direção do Banco decidiu cancelar toda a mostra – com obras de 53 artistas brasileiros e estrangeiros, vindas de diversos países e confeccionadas em diferentes épocas da história –, por apresentar ameaças à marca e aos negócios (alguns manifestantes ameaçaram retirar suas contas, como se a programação do CCBB devesse ser desenvolvida para agradar àqueles que possuem aplicações financeiras no Banco do Brasil). Com esse tipo de atitude, e sendo o Banco do Brasil um órgão federal, presenciamos a implementação tácita no país de uma arte oficial, nos moldes da moral cristã.

Epílogo

Tadeu Chiarelli, curador da exposição, será ouvido pelo delegado Marcus Drucker, da 1ª DP (Praça Mauá), que investiga o caso. As imagens do circuito interno de TV do CCBB ainda devem ser entregues ao delegado. Com isso, será possível verificar se crianças compareceram à exposição nas últimas semanas (como se o curador devesse ser imputado pela falta de responsáveis que levam suas crianças a uma mostra de arte erótica). Ele poderá vir a responder por vilipêndio público de objeto de culto religioso (art. 208 do Código Penal) e exposição de objeto obsceno (art. 234 do mesmo código). Se for condenado, tal homem será sujeitado a até meio ano de prisão, cumulado com multa, – fato que implicará na perda de seu emprego público. Tudo por ser um livre pensador amante das artes, acima de qualquer preconceito. ”

Mais informações sobre a obra de Márcia X visite o site pessoal da artistahttp://marciax.uol.com.br/mxText.asp?sMenu=1&sText=47

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Clarice Lispector



Clarice Lispector Infelizmente só tenho em casa quatro livros da Clarice Lispector: “A hora da Estrela “, “A paixão segundo G. H.”, “Laços de Família” e “A Via Crucis do Corpo”. Pode parecer muito, mas queria na verdade ter todos. Ela é sem dúvida a escritora que eu mais admiro. Podem afirmar o contrário, mas na minha modesta opinião prefiro mil vezes ela à Virginia Woolf . Clarice não tem medo nem pudor de levar seus personagens até as últimas consequências, enquanto a Virginia Woolf tem medo, ou melhor seus personagens tem medo e desistem mesmo antes de tentar. Os personagens da Clarice mesmo tendo medo vão em frente e seguem até o fim, e ela vai até o fim com eles. Não que Clarice seja cruel, mas é a própria humanidade que traz em si essa característica. Ninguém é inocente, nos textos da Clarice tudo é nú e cru, ou nem tanto, pois o mal habita as entrelinhas…E é nas entrelinhas onde na verdade ela mais se revela.
Há uma frase da Clarice Lispector que exprime bem o que ando sentindo ultimamente:

Às vezes me dá enjôo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E é só.

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O poder das palavras II



Uma coisa é a famosa “Questão dos Universais”, e a maneira inteiramente mística como os pensadores medievais lidavam com as palavras e seu poder; agora outra totalmente diferente mas que denota uma mistificação do mesmo modo, é a maneira como certos profissionais lidam com o vocabulário específico da sua área. Esses abusos são mais sentidos em certas áreas como Economia, Administração, Jornalismo e Publicidade (ou Marketing como eles preferem).

O que me levou a escrever sobre isso é que mesmo não pertencendo a nenhuma dessas áreas sou constantemente bombardeada com expressões cunhadas por tais profissionais, que em vez de facilitar a comunicação e mesmo a compreensão em torno de algo, só servem para mostrar pedantismo e até desrespeito pela língua portuguesa.

Uma das mais detestáveis que estou ouvindo muito ultimamente é “stand by”. Você marcou uma reunião com uma pessoa, chegou no horário. Então, assim que você chega na portaria a secretária te informa: “A senhora terá que ficar em stand by enquanto o senhor fulano termina de atender a um cliente.”
Após ouvir isso me senti uma torradeira elétrica, um forno de micro-ondas. Não seria mais simples e educado dizer “aguarde um momento”?
Os profissionais do ramo da administração são campeões desse tipo de aberração, transformam Central de Atendimento em “Call Center”, como se a simples troca de termos tornasse o segundo mais eficiente que o primeiro. Há um culto quase místico em torno dessas expressões estrangeiras e termos daí advindos.

Uma famosa revista de informática insiste em afirmar que as impressoras “printam”. Se a minha imprimir eu fico mais que satisfeita…

Será que um empresário com formação em Administração, MBA em “business não sei das quantas”, realmente acredita que um sujeito que recebeu um bilhete informando que seu cargo foi descontinuado vai ficar menos infeliz do que um que recebeu outro bilhete afirmando que foi demitido? Acredito que para o senhorio a quem ele deve o aluguel não vai fazer a menor diferença se ele foi demitido ou descontinuado…

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O poder das palavras



“A morte e a vida estão no poder da língua, e aquele que a ama comerá do seu fruto”.

“…no princípio era o verbo…”

O título deste texto faz alusão a chamada Questão dos Universais – que implica na grande questão medieval – qual a relação entre as palavras e as coisas?

Sobre esse assunto gostaria de comentar sobre um filme que aborda não só esse aspecto mais também o contexto histórico da Baixa Idade Média de maneira impecável: “O nome da Rosa” (Jean-Jacques Annaud, Der Name Der Rose, 1986).

Umberto Eco Já tive o prazer de comentar anteriormente sobre um bom filme que aborda o período da Baixa Idade Média chamado “Em nome de Deus”. Seria injustiça não dar a mesma atenção a “O nome da Rosa”, que inspirado no premiado livro de Umberto Eco é um dos raros filmes que consegue competir em pé de igualdade com a qualidade do livro em que se inspirou. Claro que o filme não é tão detalhista como o romance, e não haveria como sê-lo, pois certas idéias que funcionam bem no livro não encontram uma acolhida comparável em um filme de apenas 130 minutos. A obra de Annaud é sem dúvida um triller de suspense que prende a atenção do espectador, merecem destaque o apuro histórico, a ambientação e a excelente atuação de Sean Connery como Guilherme de Baskerville.

Guilherme de Baskerville e Bernardo Gui
A expressão “O nome da Rosa” vem de um antigo poema medieval que faz alusão ao infinito poder das palavras. Da rosa subsiste seu nome, apenas; mesmo que não esteja presente e nem sequer exista mais o objeto. A ” rosa de então” , centro real desse romance, é a antiga biblioteca de um convento beneditino, na qual estavam guardados, em grande número, códigos preciosos: parte importante da sabedoria grega e latina que os monges conservaram através dos séculos.

Poster do filme “Em ‘O nome da Rosa’ estranhas mortes começam a ocorrer num mosteiro beneditino medieval localizado na Itália, onde as vítimas aparecem sempre com os dedos e a língua roxos. O mosteiro guarda uma imensa biblioteca, onde poucos monges tem acesso às publicações sacras e profanas. A chegada de um monge franciscano (Sean Conery), incumbido de investigar os casos, irá mostrar o verdadeiro motivo dos crimes, resultando na instalação do tribunal da santa inquisição.

A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Ocorrem assim, nesse período, transformações na esfera econômica (crescimento do comércio monetário), social (projeção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas pelos reis absolutistas) e até religiosas, que culminarão com o cisma do ocidente, através do protestantismo iniciado por Martinho Lutero na Alemanha em 1517.

Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da antigüidade greco-romana os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja.

No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista, que com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes cometidos no mosteiro.”
fonte: Anchieta

Muitos consideram a Idade Média como a “Noite dos mil anos”, “Idade das trevas” e outros epitetos não muito elogiosos que afloram em nossos livros de História, e que refletem uma concepção muitas vezes errônea sobre esse controverso período histórico.

É importante destacar que mesmo o termo Idade Média é uma invenção surgida somente no século XVII, e que procurava expressar a idéia de que entre esta época e a Antiguidade Clássica (Grego e Romana) tinha havido uma obscura fase intermediária. Assim os humanistas ressaltaram apenas os aspectos negativos do período, marcado pelo obscurantismo, pela Inquisição em oposição aos valores da antiguidade clássica que teriam lugar novamente apenas no Renascimento.

No entanto, entre 500 e 1500, datas que aproximadamente marcam o início e o fim da Idade Média, ocorreram vários fatos importantes tanto no nível socio-político econômico, quanto nas artes e na literatura. Trata-se portanto de uma visão simplista e homogênea que não corresponde a complexidade do período englobado.

A Idade Média teve escritores como Dante e Petrarca, pintores como Giotto, e pensadores como Santo Anselmo, Pedro Abelardo, Roger Bacon e Guillherme de Occam.
Nesse período o gênero lírico se desenvolveu através do trovadorismo. Na arquitetura, a arte bizantina, românica e gótica mostram um grande desenvolvimento e apuro estético. O mesmo pode-se dizer da pintura e da escultura. Durante a Idade Média muito da arte e da cultura greco-romanas permaneceram vivas durante o Império de Bizâncio e mesmo através da presença da influência árabe na Europa.

Sobre o conceito de renascimento o historiador François Chatelet já afirmou:

“Com efeito, aquilo a que chamamos ‘Renascimento’ é apenas a radicalização brutal de uma série de progressos consumados ao longo dos séculos anteriores. De uma só vez, todos esses progressos, que, por razões e causas múltiplas, se tinham acumulado de maneira bastante secreta e sem entrarem em contacto uns com os outros, começam a interagir subitamente. Isso cria o acontecimento de primeira grandeza a que é costume dar-se o nome de ‘Renascimento’. Talvez fosse mais justo chamar-lhe ‘aparecimento’ ou ‘afloramento’ da modernidade. Porque antes não era o sono. Havia uma vida intensa, de onde resultou, por cristalização brusca, essa forma particularmente original e reveladora.”

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Arte Tumular



Recentemente na seção Arte Cemiterial da Página da Beatrix resolvi abrir um espaço para falar e divulgar informações sobre alguns cemitérios antigos, tanto do Brasil como do mundo, e que tem em comum o fato de possuir um acervo riquíssimo tanto em arte quanto em história. Na verdade já havia no site um texto dedicado ao famoso Cemitério Père Lachaise de Paris, em que constam também algumas fotos e comentários sobre seus ilustres “moradores”.

Nunca visitei o Père Lachaise, e talvez nunca o faça, mas não é segredo que a internet hoje em dia nos permite fazer “viagens” inimagináveis. Assim, foi possível conhecer um pouco da história e das lendas que cercam um dos mais falados cemitérios do mundo.
Entretanto, foi com prazer muito maior que escrevi sobre o Cemitério da Consolação, de São Paulo. Lugar que pude de fato conhecer e visitar durante o tempo em que morei nesta cidade.

Mas a minha paixão por arte cemiterial ou tumular, como a maioria prefere, não surgiu contemplando os mármores de Brecheret presentes no cemitério paulista, nem as fotos e histórias do Père Lachaise. Surgiu talvez em Fortaleza minha cidade natal, quando acompanhei o sepultamento de meu avô, em um lugar tranquilo, e numa época em que a infância ainda está livre de certos medos e preconceitos. Ou talvez tenha surgido mesmo em São Luís, onde durante um período trabalhei em uma escola que praticamente dividia os muros com o Cemitério do Gavião. Que entre outras curiosidades trás o fato de em sua entrada haver um dístico quase tão macabro quanto aquele que Dante leu nos portões do inferno. No Gavião embaixo de uma caveira com tíbias cruzadas está escrito: “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. Esta frase segundo me informei, é de autoria de Willian Shakespeare.

Enfim, não lembro ao certo quando comecei a me interessar por arte tumular, mas uma coisa é certa, se o cemitério da Consolação não não foi o responsável pelo seu início, pode ser sem dúvida culpabilizado pelo seu desenvolvimento. O visitei logo na primeira semana quando cheguei a cidade e jamais esqueci a impressão que me deixou. Na segunda visita tratei de levar uma máquina fotográfica para registrar essa impressão de forma mais fiel.

Entretanto uma curiosidade, nunca consegui encontrar novamente as esculturas que me encantaram da primeira vez, como por exemplo um anjo em tamanho natural de traços masculinos que com sua espada em punho parecia que a qualquer momento iria levantar dali e expulsar os grupos de visitantes que teimavam em perturbar a paz local.

Também não me esqueço do esforço que fiz para fotografar umas das obras que mais me tocou em minhas visitas ao Consolação: “Lenda Grega: Orfeu e Eurídice”.

Eu fiquei muito tempo dando voltas esperando que o visitante que havia ido lá para deixar flores, fosse embora. E ele ficou horas…E claro era um direito dele…eu é que era a invasora.

Era um senhor de meia idade, bem vestido que se ajoelhou e chorou por um tempo. Quando voltei depois de um tempo ele ainda estava lá, mas procurei desviar, seria muito constrangedor flagrá-lo com lágrimas no rosto.

O conjunto escultural que estava no túmulo, e que tanto me impressionou, tanto pela sua beleza quanto pela expressão dos sentimentos do visitante, é de autoria do artista Nicolla Rollo, e representa a tragédia do casal Orfeu e Eurídice.

Orfeu era o músico lendário filho da musa Calíope que enternecia até as feras com a sua música, um cantor maravilhoso e que tocava divinamente a lira e a cítara, instrumento este cuja invenção lhe é atribuída. Ao ouví-lo cantar as feras o seguiam, as árvores se inclinavam em sua direção e até os homens mais irascíveis se acalmavam.

Orfeu participou da famosa expedição dos Argonautas. Durante a viagem, apaziguava as ondas com sua música e, com ela, conseguiu até anular o efeito do hipnótico canto das sereias e salvar o navio.

A cena esculpida por Nicolla Rollo mostra Orfeu tangendo a sua lira, com a qual encantava os animais e as plantas, tentando trazer à vida a esposa, tudo isso em vão…

…Um tempo depois quando voltei o visitante havia ido embora e pude tirar quantas fotos eu quis…Mesmo assim, minhas sinceras desculpas ao visitante, da parte dessa importunadora amante da arte…

Orfeu e Eurídice

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Livraria Pirata



Depois de uma discussão sobre os chamados livros virtuais ou ebooks e a pirataria em uma lista da qual participo, pensei em colocar aqui no blog o meu ponto de vista sobre essa questão muito discutida hoje em dia. Em primeiro lugar começo a me questionar se a moral da pirataria de livros é a mesma do MP3, porque se quem condena o livro distribuido na internet de forma livre (desrespeitando os direitos autorais quando os mesmos existiram) depois baixa MP3 no Kazaa é no mínimo contraditório.

No caso do livro ainda se tem os seguintes desabonadores (alguns similares ao caso do MP3):

1- Você de fato não tem o produto, apenas uma imagem virtual dele. O livro de papel é bem mais confortável de ler, além de este verdadeiramente constituir materialmente o produto. Enfim, se com um livro em formato PDF você resolver criar um de papel imprimindo e encapando saí mais caro do que comprar um original (fora o trabalho que dá digitalizar tudo, as vezes digitando mesmo, ou usando aqueles programas OCR que não são muito exatos).

Ou seja pelo menos para mim e milhares de pessoas, o livro digital não substitui o de papel. Assim você pode adquirir um livro digital de algo que você quer ter uma idéia se é bom e que talvez você de fato nunca compre porque não gostou tanto assim.

2- O livro ao contrário do CD é passível de empréstimo. Existem, país afora, bibliotecas que se prestam a isso. Você fica com o livro algumas semanas e depois devolve após ter lido, e isso não torna os autores nem mais pobres nem mais ricos. No caso da edição virtual pirateada é quase a mesma coisa. Você fica algumas semana, lê depois deleta o arquivo.

3- A maioria dos livros que são pirateados já foram bestsellers e venderam adoidado, como o caso de alguns livros da Anne Ricce, Paulo Coelho e do Sydney Sheldon (que sinceramente nem de graça eu quero). Assim o autor já ganhou milhões com ele, e a venda em países periféricos como o Brasil não aumenta nem diminui consideravelmente esse montante.

4 – Se eu admiro um autor de fato eu não gostaria de pirateá-lo pois quero ter o livro dele na minha estante, mas infelizmente o preço do livro no Brasil é muito caro, mesmo livros de domínio público não saem por menos de 30 reais. Felizmente algumas edições estão surgindo tentando tornar esses livros mais acessíveis economizando entretanto na qualidade da impressão, mesmo assim fica em torno de 15 reais, o que eu ainda considero inaceitável.

5- Quanto aos autores, sinceramente, faz décadas que as nossas editoras não investem em novos escritores de qualidade, pois fica mais barato viver a custa de livros imbecis de auto-ajuda que vendem como água e bestsellers americanos com cérebro de ameba. E reclamam que nesse país não se lê. Assim pudera, nê.

Enquanto isso a Argentina mesmo falida consome 4 vezes mais livros do que o Brasil, têm 10 vezes mais livrarias que aqui e produz 10 vezes mais filmes (e de melhor qualidade do que nós).

Mas não é só por falta de mercado que as editoras cobram caro e publicam pouco, simplesmente elas seguem a lógica Tostines (não investimos porque não tem mercado, não tem mercado porque não investimos) e nós achamos que iremos resolver com a lógica FMI (eu vou encher, vou encher até sair…). Fora os livros hoje em dia há outras formas de entretenimento e informação como DVD, CD-Rom, internet etc. As próprias editoras também trabalham com esses artigos. Mas em vez de adotarem um diferencial pela qualidade e profundidade os meios de comunicação impressos resolveram adotar a mesmo linguagem diluida e superficial da grande rede, e a coisa está como está.

Quando algumas pessoas me dizem, “então porque você não vai a sebos” dá vontade de rir, para não chorar. Pois infelizmente em uma cidade como São Luís (que ao contrário do que se possa imaginar tem quase 1 milhão de habitantes e portanto não é pequena) só existe um único sebo que aliás tem o acervo muito restrito.

E iniciativas de publicação em formatos mais baratos são muito raras. Mas convenhamos já é um começo. Esses livros de banca são um exemplo disso. Houve até o lançamento de um livro da Virgina Woolf inédito em português em uma dessas coleções (se bem que o filme “As horas” ajudou muito nisso).

Entretanto a maioria das editoras prefere simplesmente ignorar o consumidor e oferecer qualquer coisa ou nada e nós que nos contentemos com os restos que nos são oferecidos.

Em outras palavras, querem que eu seja roubada enganada e ainda goste disso.

Se eu acho que a pirataria é a solução? Não, não acho, mas ela é o reflexo de uma politica de exclusão cultural que nos atinge.

Aliás muitos dos livros que eu quero são edições portuguesas que nem aqui são publicadas, algumas só acho em inglês, e mesmo sem impostos de importação saí muito caro. Ou seja o livro não paga imposto, mas como teria que pagar em libras ou dólares e somado ao preço do frete fica proibitivo. Assim se o produto não é oferecido em condições decentes (de preço e formato) o jeito é apelar para soluções alternativas. Mesmo assim prefiro comprar os livros na livraria, entretanto, como não posso ter todos os que preciso vou fazendo opções.

Mesmo longe dessa rixa de direitos autorais acho os ebooks uma boa opção principalmente no caso dos livros de domínio público que estão aí aos montes. Também é um bom começo para os novos escritores que são desprezados pelas grande editoras.

Aliás deixo com vocês o endereços de alguns sites que oferecem isso:

http://www.dominiopublico.gov.br/

http://virtualbooks.terra.com.br/

http://www.culturabrasil.pro.br/download.htm

http://www.librairie.hpg.ig.com.br/index.html

http://www.ebookcult.com.br/

http://cultvox.locaweb.com.br/inicio.asp

http://www.ateus.net/ebooks/

http://www.bibliotecavirtual.org.br/

http://bve.cibec.inep.gov.br/default.asp

http://www.prossiga.br/pacc/bvl/

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Em nome de Deus



O título do filme ao contrário do que vocês possam pensar não tem nada a ver com aquela produção sobre as irmãs madalenas que foi lançado há pouco tempo, e que segundo li em algumas críticas parece ser muito bom. Esse filme do qual estou falando é mais antigo, é de 1988.

E também mostra que o pessoal aqui não tem muita imaginação para pôr nome em filme, o que vai me dar mais algum trabalho quando for a locadora. Em Nome de Deus, cujo nome original é Stealing Heaven (do diretor Clive Donner), conta a história do amor de Abelardo e Heloise, que viveram na Paris medieval do século XII. Abelardo era professor da primeira Universidade livre da França, numa época em que a Igreja Católica dominava a educação e a política no mundo.

Feito originalmente para a TV, trata-se de uma produção bastante precária quanto à ambientação de época figurino e outros detalhes, contudo a histórica continua cativante até os dias atuais.

O filme não fala praticamente nada da biografia de Abelard, pois além de ter sido o amante de Heloise e um grande professor Pierre Abelard era também um renomado filósofo e deixou algumas obras de importância, principalmente na área de teologia, ética e lógica. Chegou a sofrer séria perseguição da Igreja por seus escritos e talvez só não tenha ido parar na fogueira (devido as suas idéias polêmicas) graças a sua grandeza enquanto mestre e a proteção de Pedro, o venerável de Cluny.

Quanto a Heloise, segundo o historiador francês George Duby, foi uma das mulheres mais extraordinárias de sua época, o que pode ser percebido através da leitura da memorável correpondência que os “eternos amantes” trocaram.

Existe uma edição dessas cartas lançada pela editora Martins Fontes e garanto a vocês, como disse a Heloise de Stealing Heaven, é realmente uma “prosa memorável”, principalmente as respostas dela aos argumentos de fria lógica de Abélard.

Entretanto não dá para confiar piamente no conteúdo das cartas, pois há sinais de que houve algumas adulterações, talvez pelo seu conteúdo erótico e extremamente desafiador para os padrões da época. Afinal, em um período em que o sexo e o prazer eram vistos como terríveis pecados da carne e abominação; ambos se entregam a uma paixão tórrida e sensual. O filme aliás deixa isso bem claro e não economiza nas cenas de sexo, que mostra até uma posição que a igreja considerava inaceitável e condenável em uma relação sexual: a da mulher por cima, buscando também o prazer.

Para a igreja só valia o “papai-mamãe” e com fins meramente reprodutivos, nada de pensar em orgasmo, satisfação sexual e coisas do tipo, principalmente para a mulher.

Sobre esse aspecto aliás, a Heloise das cartas é desconcertante, já uma freira ela afirma: “Os prazeres amorosos que juntos experimentamos têm para mim tanta doçura que não consigo detestá-los, nem mesmo expulsá-los de minha memória. Para onde quer que eu me volte, eles se apresentam a  meus olhos e despertam meus desejos. Sua ilusão não poupa meu sono. Até durante as solenidades da missa, em que a prece deveria ser mais pura ainda, imagens obscenas assaltam minha pobre alma e a ocupam bem mais do que o ofício. Longe de gemer as faltas que cometi, penso suspirando naquelas que não pude cometer”.

Quanto a Stealing Heaven é um filme que com certeza vale a pena ser visto. Os meus alunos e alunas de Pedagogia adoraram, aliás nunca os vi tão animados vendo um filme. Minto, eles também ficaram felizes com “O nome da rosa”, mas isso é uma outra história.

Para mais informações sobre o filme visitem o site não oficial do ator Derek de Lint, que faz o papel de Abelard.
Nele há uma série de informações, links e muitas fotos.
http://derekdelintfansite.com/stealingheaven/

Para os interessados em adquirir o filme, felizmente uma boa notícia. Recentemente o vídeo foi lançado em DVD em uma dessas coleções de banca e pode ser encontrado inclusive nas Lojas Americanas. Então, aos interessados agora o filme está bastante acessível.

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Sociedade da Terra Redonda



Para quem não conhece, essa sociedade têm o intuito de combater o charlatanismo e o obscurantismo místico e religioso com muita racionalidade, inteligência e também acreditem, muito bom humor.

Até porque mesmo a sabedoria sem uma pitada de humor se leva a sério demais e enlouquece.

Vale à pena a visita não só pelos artigos e comentários sobre muitas falsidades e mentiras que circulam na grande mídia, mas também para rir adoidado com as piadas religiosas que fazem parte do acervo do site.

Lá achei essa piada que é genial.

A vida do Papa
O cara está no metrô, sentado próximo a um padre. Sua camisa está manchada de batom vermelho, o nó da gravata desapertado e uma garrafa de gim pela metade sobressai do bolso do seu paletó. Ele abre um jornal e começa a ler.
Após alguns minutos, volta-se para o padre e pergunta: “Diga-me, padre, o que causa artrite?”
“Vida desregrada, mulheres de vida fácil, muito álcool e pouca fé”, responde o sacerdote.
“Puxa vida…”, diz o homem cabisbaixo, estou desconsolado…

O padre, arrependido de ter sido tão duro, começa a desculpar-se: “Eu sinto muito, filho… não queria ser rude… há quanto tempo você tem artrite?”

“Não sou eu, padre… Eu li no jornal que o Papa tem artrite!”

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Notícias de longe



Ontem tive notícias de uma amiga muito querida com quem não falava há um tempo, mais ou menos dois meses. É uma pessoa muito legal que curtiu junto comigo parte do stresse da minha tese, afinal foi no apartamento dela, em Marília São Paulo, que eu me hospedei quando fui fazer a minha qualificação e depois a minha defesa de mestrado, ou seja, aqueles momentos críticos em que eu estava uma pilha de nervos.

Felizmente são notícias boas e como sempre um tanto divertidas. Fiquei sabendo que nesse carnaval ela vai desfilar na escola de samba paulista Rosas de Ouro. Ela está toda animada pois nunca colocou o pé na passarela do samba. Acho que com toda essa animação ela vai arrasar.

Espero também que mande umas fotinhos para eu colocar aqui no blog.Estou até imaginando a Sandra sambando em frente a ala da bateria, mostrando toda a ginga e o suingue da mulher gaúcha tchê! Olha a Sandra aí gente! chora cavaco!Aqui uma foto minha em Marília, com Joelma, Sandra e Iara (da esquerda para a direita, a Sandra está com um sorrisão e uma blusa branca de alças pretas).

Amigas em Marília

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Aventuras natalinas



Como passei muito tempo sem postar no blog deixei de registrar muitas coisas que aconteceram nos últimos meses. Uma foi o Concerto de Natal da Escola de Música. Participei de quatro apresentações, três em São Luís e uma em São José de Ribamar. Apesar de no primeiro dia do concerto o palco ter desabado antes do gran finale, aliás esse foi o gran finale…Só nesse que teve problemas mais sérios, apesar de ninguém ter se machucado. No segundo dia a luz faltou na hora do coral se apresentar, lá pela segunda música.Como eu estava no coral nesse dia, até dei uma entrevista para um jornal local sobre a emoção de cantar no escuro:razz:

Felizmente nos dois últimos concertos não aconteceu nada para atrapalhar a festa.

Ficam aqui para vocês algumas fotos para a posteridade.
Eu e meu marido na Lagoa da Jansen

Aqui eu e meu marido, Rubens, posando na Lagoa da Jansen, antes do primeiro concerto (aquele em que o palanque caiu). O Rubens tinha ficado encarregado de tirar umas fotos durante as apresentações, mas ele ficou tão nervoso quando o palco caiu que mesmo sendo jornalista não registrou o momento.

Aqui eu posando com meu instrumento musical, antes da apresentação do concerto em São José de Ribamar.

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