<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Página da Beatrix &#187; Biografia-Educação</title>
	<atom:link href="http://www.beatrix.pro.br/index.php/category/educacao/bio-educ/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.beatrix.pro.br</link>
	<description>Página da Beatrix</description>
	<lastBuildDate>Sun, 30 May 2010 15:33:18 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0</generator>
		<item>
		<title>René Descartes</title>
		<link>http://www.beatrix.pro.br/index.php/rene-descartes/</link>
		<comments>http://www.beatrix.pro.br/index.php/rene-descartes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatrix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia-Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://beatrix1.tempsite.ws/site/?p=51</guid>
		<description><![CDATA[Filósofo                  e matemático, René Descartes nasceu em La                  Haye, um povoado de Touraine, na França, em ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="imagens/descartes.jpg" border="0" alt="René Descartes" width="86" height="118" align="left" />Filósofo                  e matemático, <strong>René Descartes</strong> nasceu em La                  Haye, um povoado de Touraine, na França, em 1596, de família                  pertencente à pequena nobreza, herdou o título de                  senhor de Perron, pequeno domínio do Poitou, daí                  ser chamado de &#8220;fidalgo poitevino&#8221;. Aos dez anos entrou                  para o célebre Colégio de la Flèche, dos                  jesuítas, onde pemaneceu de 1604 a 1614. Foi excelente                  aluno, tendo se interessado sobretudo pela matemática,                  e onde veio a conhecer o Pe. Mersenne, com quem iria manter duradoura                  amizade.</p>
<p><span id="more-51"></span>
<p> </p>
<p align="justify"> Mas as matemáticas são uma exceção, uma vez que ainda não se tentou aplicar seu rigoroso método a outros domínios. Eis por que o jovem Descartes, decepcionado com a escola, parte à procura de novas fontes de conhecimento, a saber, longe dos livros e dos regentes de colégio, a experiência da vida e a reflexão pessoal: &#8220;Assim que a idade me permitiu sair da sujeição a meus preceptores, abandonei inteiramente o estudo das letras; e resolvendo não procurar outra ciência que aquela que poderia ser encontrada em mim mesmo ou no grande livro do mundo, empreguei o resto de minha juventude em viajar, em ver cortes e exércitos, conviver com pessoas de diversos temperamentos e condições&#8221;.</p>
<p> Após sair do colégio, Descartes viajou por diversos países da Europa, então mergulhada na Guerra dos Trinta Anos. Finalmente, em 10 de novembro de 1619, Descatres tem a revelação que nos narra no Discurso (2ª parte), descobrindo assim sua vocação filosófica e científica e decidindo dedicar-se a &#8220;descobrir os fundamentos desta ciência admirável&#8221;. Mas é preciso que essas idéias amadureçam. Após alguns meses de elegante lazer com sua família em Rennes, onde se ocupa com equitação e esgrima (chega mesmo a redigir um tratado de esgrima, hoje perdido), vamos encontrá-lo na Holanda engajado no exército do príncipe Maurício de Nassau. Mas é um estranho oficial que recusa qualquer soldo, que mantém seus equipamentos e suas despesas e que se declara menos um &#8220;ator&#8221; do que um &#8220;espectador&#8221;: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Prossegue em suas viagens pela Europa, estuda com o físico e matemático holandês Isaac Beeckman.<br /> É dessa época (tem cerca de 23 anos) que data sua misteriosa divisa &#8220;Larvatus prodeo&#8221;. Eu caminho mascarado. Segundo Pierre Frederix, Descartes quer apenas significar que é um jovem sábio disfarçado de soldado.</p>
<p> Em 1619, ei-lo a serviço do Duque de Baviera. Em virtude do inverno, aquartela-se às margens do Danúbio. Podemos facilmente imaginá-lo alojado &#8220;numa estufa&#8221;, isto é, num quarto bem aquecido por um desses fogareiros de porcelana cujo uso começa a se difundir, servido por um criado e inteiramente entregue à meditação. A 10 de novembro de 1619, sonhos maravilhosos advertem que está destinado a unificar todos os conhecimentos humanos por meio de uma &#8220;ciência admirável&#8221; da qual será o inventor.</p>
<p> Em 1626 fixa residência em Paris, onde passa a freqüentar os salões e as reuniões intelectuais. Em um desses encontros, o cardeal Bérulle o exorta a dedicar-se à filosofia e a construir um sistema em que exponha e defenda suas idéias. Resolve então retirar-se para a Holanda, em busca da tranquilidade que julga necessária para desenvolver seu pensamento. Mas ele aguardará até 1628 para escrever um pequeno livro em latim, as &#8220;Regras para a direção do espírito&#8221; (Regulae ad directionem ingenii). A idéia fundamental que aí se encontra é a de que a unidade do espírito humano (qualquer que seja a diversidade dos objetos da pesquisa) deve permitir a invenção de um método universal. Em seguida, Descartes prepara uma obra de física chamada <strong>Tratado do Mundo</strong>, que deveria ser uma exposição de sua física dentro da concepção mecanicista da época. Ao tomar conhecimento da condenação de Galileu, entretanto, Descartes recua, desistindo de publicar a obra. Essa cautela considerada excessiva para alguns, foi sempre um dos traços de seu caráter como pensador, marcando toda a sua obra, que em parte permanecerá inédita em sua vida (o <strong>Discurso do Método</strong> foi publicado pela primeira vez anonimamente). Em 1637 Descartes publicou, em francês, o que era uma inovação na época, seus tratados científicos: <strong>A Dióptrica</strong> (La Dioptrique), Os <strong>Meteoros</strong> (Les Météores) e <strong>A</strong> <strong>Geometria</strong> (La Geometrie), que tem como introdução o <strong>Discurso do Método</strong>, no qual pretende apresentar e defender o método aplicado nesses tratados.<br /> O La Dioptrique é um trabalho no sistema ótico e nele trata da lei da refração. Embora Descartes não cite cientistas precedentes para as idéias que apresenta; os fatos que apresenta não são novos. Entretanto sua aproximação através da observação e da experiência era uma contribuição nova muito importante.<br /> Les Météores é um trabalho de meteorologia e é importante por ser o primeiro trabalho que tenta colocar o estudo do tempo em bases científicas; busca uma explicação científica sobre o tempo, e inclui uma explicação do arco ires. Entretanto, muitas das colocações científicas de Descartes estão não somente erradas como também poderiam ser evitadas se ele tivesse feito algumas experiências simples. Por exemplo, Roger Bacon, o monge franciscano inventor da pólvora estável, já havia demonstrado o erro da crença de que a água fervida congela mais rapidamente. Entretanto Descartes reivindica ter comprovado, pela experiência que a água que foi levada ao fogo por algumas horas se congela mais rapidamente do que de outra maneira e dá a razão: suas partículas que podem ser mais facilmente dobradas são expulsas durante o aquecimento, deixando somente aquelas que são rígidos e facilitarão o congelamento. Após a publicação do Les Météores a obras de Boyle, Hooke e Halley se encarregaram de contestar e corrigir suas postulações falsas.<br /> O terceiro, La Geometrie, talvez cientifica e historicamente o mais importante, introduz as famosas &#8220;coordenadas cartesianas&#8221;, &#8211; que teriam sido assim batizadas por G. W. Leibniz -, e lança os fundamentos da moderna geometria analítica usando a notação algébrica para tratar os problemas geométricos.</p>
<p> Em 1641 publicou as <strong>Meditações</strong>, acompanhadas das objeções formuladas por filósofos e teólogos aos manuscritos, bem como suas respostas a essas objeções. Seu pensamento tornou-se a partir de então bastante conhecido, e Descartes adquiriu fama. Imediatamente surgiram adversários e sua obra foi condenada, embora ele tenha sido defendido por amigos politicamente influentes. Em 1644 publicou seus <strong>Princípios da filosofia</strong> (Principia Philosophiae), que deveriam completar e sintetizar a exposição de seu sistema, um livro em grande parte dedicado à física, especialmente às leis do movimento e à teoria dos vórtices.<br /> O reboliço causado pelo &#8220;Princípios&#8221; foi tão grande que, em 1645, a universidade de Utrecht criou um armistício proibindo a publicação de qualquer trabalho a favor ou contra a doutrina cartesiana.<br /> Em Leyden, em 1647, outro ataque incluindo uma acusação de pelagianismo &#8211; a crença de que a vontade é igualmente livre para escolher fazer o bem ou o mal &#8211; produz um decreto semelhante de censura neutra. Na França os jesuítas, algumas exceções entre os padres mais jovens, deram acolhimento frio ao trabalho do antigo aluno.<br /> <strong>Princípios da Filosofia</strong> apareceu traduzido do latim para o francês em 1647, enquanto Descartes estava numa visita curta à França, Ele esperava que um relato mais formalizado da totalidade do seu pensamento ci<br />
entífico poderia receber o apoio dos círculos católicos especialmente entre os jesuítas. Mas sua esperança foi vã. Os jesuítas inicialmente rejeitaram o cartesianismo. Seu trabalho foi colocado no índex, lista católica dos livros proibidos. Apesar de tudo recebeu do rei, por iniciativa do ministro Mazarino, regente na menoridade de Luís XIII, uma pensão vitalícia em honra de suas descobertas matemáticas, a qual ele não se empenhou em receber.</p>
<p align="justify">O mais abrangente dos trabalhos de Descartes, Principia Philosophiae, foi publicado em quatro partes: As suas doutrinas filosóficas são formalmente repetidas na primeira parte, &#8220;Os princípios do conhecimento humano&#8221;. As outras três partes são uma ampla tentativa de dar uma explicação lógica dos fenômenos naturais em um único sistema de princípios mecânicos, através de todo o campo da física, da química, e da fisiologia: &#8220;Os princípios das coisas materiais&#8221;, &#8220;Do mundo visível&#8221; e &#8220;A Terra&#8221;, como tentativa de, finalmente, por todo o universo sobre fundamentos matemáticos reduzindo o seu estudo à Mecânica.</p>
<p align="justify">As doutrinas do Principia foram recebidas com desconfiança. Mesmo os adeptos de sua filosofia natural, como o metafísico e teólogo Henry More (ind. Henry), encontraram objeções. Certamente More admirava Descartes. Entretanto, entre 1648 e 1649 trocaram um certo número de cartas em que More fez várias objeções a suas afirmações. Descartes entretanto, não fez nenhuma concessão aos pontos de vista de More em suas respostas.<br /> Historicamente, a importância do <strong>Princípios de Filosofia</strong> está na total rejeição de toda noção qualitativa ou espiritual nas explanações científicas. A determinação expressa de explicar todo fenômeno físico em termos mecânicos e relacionar esses termos a idéias geométricas e o uso de hipóteses para ajudar generalizações, abriu caminho para a abordagem moderna da teoria científica.</p>
<p> Manteve então correspondência, como era comum na época, com diversos pensadores euroeus eminentes como Gassendi, Hobess, Mersenne, Arnauld, Huygens, Fermat e Henri More, dentre outros.. Essa vasta correspondência é uma fonte importante de apresentação e discussão de muitas de suas idéias, destacando-se sobretudo a correspondência com a princesa Elizabeth da Boêmia, que o motivou a escrever seu tratado <strong>As paixões da alma</strong> (1648), contendo em grande parte a sua moral. Sua fama fez com que a rainha Cristina da Suécia o convidasse para a corte de Estocolmo. No clima rigoroso, onde, nas palavras de Descartes, &#8220;os pensamentos do homem congelam-se durante os meses de inverno&#8221;, sua saúde deteriorou. Em Fevereiro de 1650, ele pegou um resfriado que transformou-se em pneumonia. Dez dias depois, após receber os últimos sacramentos, faleceu.</p>
<p> Seu ataúde, alguns anos mais tarde, será transportado para a França. Luís XIV havia proibido os funerais solenes e o elogio público do defunto: desde 1662 a Igreja Católica Romana, à qual ele parece ter-se submetido sempre e com humildade, havia colocado todas as suas obras no Index. <br /> Homem de sua época, Descartes foi, ao mesmo tempo, viajante contumaz e homem retirado, soldado engajado em exércitos na guerra, e homem em busca de tranqüilidade, aliado de católicos e protestantes, homem da corte e habitante da província, pensador isolado e correspondente da intelectualidade européia, autor de um manual prático de esgrima e de uma das mais prfundas obras de metafísica racionalista, homem de ciência e interessado em magia e nos mistérios dos rosacruzes, a cuja ordem talvez tenha pertencido. É a diversidade dessas experiência que forma a matéria a partir da qual Descartes desenvolve o seu pensamento, e é por insistência do próprio Descartes que devemos compreender o pensamento filosófico como resultado da reflexão sobre a experiência de vida.</p>
<hr title="Obras" alt="Obras" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong><span class="link1">Obras:</span></strong></p>
<p> Obras filosóficas</p>
<p>O mundo: Tratado da luz</p>
<p>Regras para a direção da mente</p>
<p>Regras para a diração do espírito</p>
<p>Os princípios da filosofia</p>
<p>Discurso do Método</p>
<p>Meditações metafísicas com objeções e respostas</p>
<p>Tratado do homem</p>
<p> Tratado do mundo</p>
<p>As paixões da alma</p>
<p>Du foetus</p>
<p> Explicação da mente humana e da alma racional<br /> Geometria</p>
<p>Regulae ad directionem ingenii</p>
<p>Regles utiles et claires pour la direction de l&#8217;esprit en la recherche de la vérité</p>
<p>A Dióptrica</p>
<p> Os Meteoros</p>
<hr title="Método" alt="Método" class="system-pagebreak" />
<p> </p>
<p align="justify"><strong><a name="metodo" title="metodo"></a><span class="link1">Método:</span></strong></p>
<p> René Descartes escreveu o famoso Discurso do Método (1637) mostrando os passos para o estudo e a pesquisa; criticou o ensino humanista e propôs a matemática como modelo da ciência perfeita. Descartes assentou em posição dualista a questão ontológica da filosofia: a relação entre o pensamento e o ser. Convencido do potencial da razão humana , propôs-se a criar um método novo, científico, de conhecimento do mundo e a substituir a fé pela razão e pela ciência. Tornou-se assim o pai do racionalismo. Sua filosofia esforçou-se por conciliar a religião e a ciência. Sofreu a influência da ideologia bruguesa do século XVII, que refletia, ao lado das tendências progressistas da classe em ascenção na França, o temor das classes populares. No Discurso do Método, Descatres apresenta assim os quatro grandes princípios do seu método científico. </p>
<p> 1 &#8211; A primeira regra é a evidência: não admitir &#8220;nenhuma coisa como verdadeira se não a reconheço evidentemente como tal&#8221;. Em outras palavras, evitar toda &#8220;precipitação&#8221; e toda &#8220;prevenção&#8221; (preconceitos) e só ter por verdadeiro o que for claro e distinto, isto é, o que &#8220;eu não tenho a menor oportunidade de duvidar&#8221;. Por conseguinte, a evidência é o que salta aos olhos, é aquilo de que não posso duvidar, apesar de todos os meus esforços, é o que resiste a todos os assaltos da dúvida, apesar de todos os resíduos, o produto do espírito crítico. Não, como diz bem Jankélévitch, &#8220;uma evidência juvenil, mas quadragenária&#8221;.</p>
<p align="justify">2 &#8211; A segunda, é a regra da análise: &#8220;dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis&#8221;.</p>
<p align="justify">3 &#8211; A terceira, é a regra da síntese: &#8220;concluir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer para, aos poucos, ascender, como que por meio de degraus, aos mais complexos&#8221;.</p>
<p align="justify">4 &#8211; A última á a dos &#8220;desmembramentos tão complexos&#8230; a ponto de estar certo de nada ter omitido&#8221;.</p>
<p align="justify">Se esse método tornou-se muito célebre, foi porque os séculos posteriores viram nele uma manifestação do livre exame e do racionalismo.</p>
<p align="justify">a) Ele não afirma a independência da razão e a rejeição de qualquer autoridade? &#8220;Aristóteles disse&#8221; não é mais um argumento sem réplica! Só contam a clareza e a distinção das idéias. Os filósofos do século XVIII estenderão esse método a dois domínios de que Descartes, é importante ressaltar, o excluiu expressamente: o político e o religioso (Descartes é conservador em política e coloca as &#8220;verdades da fé&#8221; ao abrigo de seu método).</p>
<p align="justify">b) O método é racionalista porque a evidência de que Descartes parte não é, de modo algum, a evidência sensível e empírica. Os sentidos nos enganam, suas indicações são confusas e obscuras, só as idéias da razão são claras e distintas. O ato da razão que percebe diretamente os primeiros princípios é a intuição. A dedução limita-se a veicular, ao longo das belas cadeias da razão, a evidência intuitiva das &#8220;naturezas simples&#8221;. A dedução nada mais é do que uma intuição continuada.</p>
<p align="justify<br />
">Descartes, o pai da filosofia moderna, escreveu sua obra principal em francês, língua popular, possibilitando o acesso de maior número de pessoas. Até então, o latim medieval representava a língua da religião, da filosofia, da diplomacia, da literatura. O comércio já se utilizava das novas línguas vernáculas (italiano, francês, espanhol, holandês, alemâo, inglês, etc.). O século XVI assitiu a uma grande revolução lingüística: exigia-se dos educadores o bilinguísmo: o latim como língua culta e o vernáculo como língua popular. A Igraja logo percebeu a importância desse conflito, exigindo através do Concílio de Trento (1562), que as pregações ocorressem em vernáculo. </p>
<hr title="Filosofia" alt="Filosofia" class="system-pagebreak" />
<p align="justify">
<p> <strong><a name="filosofia" title="filosofia"></a><span class="link1">Filosofia:</span></strong></p>
<p> A maior parte da obra de Descartes é consagrada às ciências (domínios da matemática e da ótica) mas o que ele mais quer é conseguir um modo de chegar a verdades concretas. Sua filosofia, exposta principalmente em o &#8220;Discurso sobre o Método&#8221;, o mais amplamente lido de todos os seus trabalhos, é a proposta de meios para tal.</p>
<p align="justify">Descartes parte da dúvida chamada metódica, porque ela é proposta como uma via para se chegar à certeza e não é dúvida sistemática, sem outro fim que o próprio duvidar, como para os céticos. Argumenta que as idéias em geral são incertas e instáveis, sujeitas à imperfeição dos sentidos. Algumas, porém, se apresentam ao espírito com nitidez e estabilidade, e ocorrem a todas as pessoas da mesma maneira, independentes das experiências dos sentidos, e isto significa que residem na mente de todas as pessoas e são inatas. Descartes vai, por etapas, nomear as idéias que ele inclui nessa categoria de claras, distintas, e inatas e vai demonstrar que essas são idéias verdadeiras, não podem ser idéias falsas.</p>
<p align="justify">A primeira idéia que examina é a do próprio Eu. Desta idéia, diz êle que não pode duvidar. É a idéia do próprio Eu pensante, enquanto pensante. E então conclui com sua célebre frase: &#8220;Penso, logo existo&#8221;. Este dito, talvez o mais famoso na história da filosofia, aparece primeiro na quarta seção do &#8220;Discurso sobre o método&#8221;, de 1637, em francês, Je pense donc je suis, e depois na primeira parte do &#8220;Princípios de Filosofia&#8221; (1644) que é praticamente a versão latina do &#8220;Discurso&#8221;, Cogito ergo sum.</p>
<p align="justify">É considerado muito provável que Campanella tenha inspirado a Descartes sua célebre frase. Campanella foi o primeiro filósofo moderno a estabelecer a dúvida universal como ponto de partida de todo pensar verdadeiro, e a tomar a autoconsciência como base do conhecimento e da certeza. Apesar de que a Metafísica de Campanella saiu em 1638, e o Discurso sobre o método saiu antes, o próprio Descartes diz em sua correspondência que havia lido obras de Campanella nas quais este deduzira da autoconsciência a certeza da própria realidade: De sensu rerum (1623), por exemplo. Mas, Descartes pondera, a idéia de minha existência &#8220;como coisa pensante&#8221; (&#8220;Penso, logo existo&#8221;) não me traz nenhuma certeza sobre qualquer idéia do mundo físico.</p>
<p align="justify">Mas, de todo esse raciocínio Descartes saiu com apenas uma única verdade, a de que ele existe, e isto não basta para encontrar a verdade sobre o universo. O mundo existe ou é uma ilusão, apenas imaginação? Tenho várias idéias com grande nitidez e estabilidade, e delas compartilho com muitas pessoas, mas nada me garante que não estejamos todos enganados. Uma delas é a idéia da &#8220;extensão&#8221;. Esta é uma idéia que Descartes considera inata, clara e evidente, e que é exigida pelo mundo físico. Essa idéia existe no espírito humano como a idéia de algo dotado de grandeza e forma: é fundamental à geometria e torna provável a existência dos corpos, a existência dos objetos e do mundo. Porém, apesar de clara e distinta, a idéia de extensão não é garantia de que os objetos correspondam às idéias que deles fazemos.</p>
<p align="justify"><strong>Deus verdadeiro</strong></p>
<p align="justify">O problema está em encontrar uma garantia de que a tais idéias de objetos correspondam efetivamente algo real.. Tenho também a idéia de Deus. Mas agora sim, tenho uma garantia. Não é a mesma garantia que me dá o pensar, do qual concluo que se penso, então existo com certeza. A garantia que Descartes dá para a existência de Deus é que nenhum ser imperfeito ou finito, sendo igual ao homem, poderia ter produzido a idéia de um ser infinito e perfeito; somente Deus poderia ter revelado isto ao homem, como &#8220;a marca do artista impressa em sua obra&#8221;. Portanto, conclui no &#8220;Discurso sobre o Método&#8221;, a idéia de Deus implica a real existência de Deus.</p>
<p align="justify">Voltemos então à idéia clara, distinta e inata da extensão. Se a percepção que tenho da extensão não correspondesse a uma realidade extensa, isso significaria que o espírito humano estaria sempre errado, e então essa idéia de extensão seria obra de um gênio maligno, incompatível com a idéia de um Deus bom e verdadeiro. Se Deus existe como ser perfeitíssimo, Ele é bom e verdadeiro; não pode permitir o erro sistemático do espírito humano. Porque Deus é perfeito, Ele é bom, e então a imagem do mundo exterior não é uma ficção. Eu tenho a certeza de que penso, e de que indubitavelmente existo porque sou essa coisa que pensa e Deus é a garantia de que aquilo que penso deveras existe como coisa física. Portanto, as idéias claras e distintas correspondem de fato à realidade &#8211; elas não são a armadilha de um gênio enganador e perverso.</p>
<p align="justify"><strong>Dualismo</strong></p>
<p align="justify">Outro aspecto importante da filosofia de Descartes é sua concepção do homem em uma dualidade corpo-espírito. O universo consiste de duas diferentes substâncias: as mentes, ou substância pensante, e a matéria, a última sendo basicamente quantitativa, teoreticamente explicável em leis científicas e fórmulas matemáticas. Só no homem as duas substâncias se juntaram em uma união substancial, unidas porém delimitadas, e assim Descartes inaugura um dualismo radical, oposto da consubstancialidade ensinada pela escolástica tomista.</p>
<p align="justify">Ele também rejeita a visão escolástica de que existe uma distinção entre vários tipos de conhecimento baseados na diversidade dos objetos conhecíveis, cada um com seu conceito fixo. Para ele o &#8220;poder de conhecer&#8221; é sempre o mesmo, qualquer que seja o objeto ao qual seja aplicado. Bem aplicado pode chegar à verdade e à certeza, mal aplicado vai cair no erro ou dúvida. A mente, em muitas de suas atividades, é dependente do corpo: a paixão, ou seja, aquilo que é sentido, é uma ação sobre o corpo. Fisiologicamente, Descartes colocou o centro da interação entre as duas substâncias na glândula pineal, convencido de que o aspecto geométrico de sua posição anatômica, &#8211; um pequeno corpo localizado centralmente na base do cérebro -, indicava uma função nobre, porém sem nada saber de sua atividade fisiológica por muito tempo desconhecida pela ciência.</p>
<p align="justify">Alguns dão a Descartes a distinção de haver fundado a psicologia fisiológica, porque foi ele que explicou o comportamento de animais inteiramente em bases de funções mecânicas do sistema nervoso, negando que tivessem &#8220;almas&#8221;. Ele também propôs uma teoria que explicava a percepção visual de distancia, forma e tamanho, em termos de indicações secundárias.</p>
<hr title="Moral" alt="Moral" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong><span class="link1">Moral:</span></p>
<p> </strong>Descartes reconhece o corpo humano como a mais perfeita das máquinas; trabalha por impulsos naturais, &#8211; o que é hoje chamado reflexos condicionados -, mas os efeitos destes instintos automáticos e desejos podem ser controlados ou modificados pela mente, pelo poder de vontade rac<br />
ional. A higiene do corpo é importante, mas há igualmente a necessidade de uma higiene mental, a qual é baseada no conhecimento verdadeiro dos fatores psicológicos que condicionam o comportamento. A mente necessita do treinamento do &#8220;bom senso&#8221; e a aquisição de sabedoria, o que por sua vez depende do conhecimento das verdades da metafísica a qual, por seu turno, inclui o conhecimento de Deus. Descartes assim conclui que a atividade moral está baseada no conhecimento verdadeiro dos valores, ou seja, em idéias claras e distintas garantidas por Deus, do valor relativo das coisas.</p>
<p> 1.° &#8211; No Discurso dobre o Método, Descartes adota uma moral provisória &#8211; pois a ação não pode esperar que a filosofia cartesiana engendre uma nova moral. Defende três preceitos básicos:</p>
<p align="justify">a) Submeter-se aos usos e costumes de seu país.</p>
<p align="justify">b) Antes mudar os próprios desejos que a ordem do mundo e vencer-se a si próprio do que à fortuna.</p>
<p align="justify">c) Ser sempre firme e resoluto em suas ações; saber decidir-se mesmo na ausência de toda evidência, à semelhança do viajante perdido na floresta que, ao invés de ficar fazendo voltas, adota uma direção qualquer e nela se mantém! (O cartesianismo, antes de ser uma filosofia da inteligência, é uma filosofia da vontade).</p>
<p align="justify">2.° &#8211; É certo que a moral definitiva de Descartes não apresenta uma unidade perfeita. Influências estóicas, epicuristas e cristãs estão presentes nela. Mas, na realidade, essa complexidade reflete a própria complexidade da condição humana. Na plano das idéias claras e distintas, Descartes separa claramente as duas substâncias, alma e corpo: a essência da alma é pensar; a do corpo é ser um objeto no espaço. E no entanto, o pensamento está preso a esse fragmento de extensão. A alma age sobre o corpo e este age sobre ela. (Para Descartes, o ponto de aplicação da alma ao corpo é a glândula pineal, isto é, a epífise.) Mas isso não esclarece a união da alma e do corpo, que é um fato de experiência, puramente vivido e ininteligível.</p>
<p align="justify">Na medida em que Descartes considera o homem no que ele tem de essencial, enquanto espírito, ou quando se ocupa do composto humano, sua moral assume aspectos diferentes:</p>
<p align="justify">a) Consideremos o homem enquanto espírito, enquanto liberdade: o valor supremo é a generosidade. &#8220;A verdadeira generosidade que faz com que um homem se estime, no ponto máximo em que ele pode legitimamente estimar-se, consiste, em parte, na consciência de que nada lhe pertence verdadeiramente, exceto essa livre disposição de suas vontades&#8230; e em parte no sentimento de uma firme e constante resolução de bem usá-la, isto é, de nunca lhe faltar vontade para empreender e executar todas as coisas que julgar melhores, o que é seguir a virtude perfeitamente&#8221;.</p>
<p align="justify">b) Se considerarmos o homem enquanto espírito unido a um corpo, somos obrigados a levar em conta as paixões, isto é, a afetividade em sentido amplo. Paixão é, para Descartes, tudo o que o corpo determina na alma. E Ele, que nada tem de asceta, acha que devemos antes dominá-las do que desenvolvê-las. Isso porque ele se coloca do ponto de vista da felicidade. O bom funcionamento do corpo, as ligações harmoniosas entre os espíritos animais e os pensamentos humanos são altamente desejáveis. A moral surge, então, como uma técnica de felicidade e, nessa técnica, a medicina desempenha importante papel. A moral surge aqui como uma aplicação direta ao mecanicismo cartesiano.</p>
<hr title="Fontes" alt="Fontes" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"><strong><a name="textos" title="textos"></a></strong></p>
<p align="justify"><strong><a name="fontes" title="fontes"></a><span class="link1">Fontes:</span></strong></p>
<p align="justify"><strong>Internet:</strong><br /> <a class="link1" href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/descartes.htm" target="_blank">http://www.mundodosfilosofos.com.br/descartes.htm</a><br /> <a class="link1" href="http://www.antroposmoderno.com/biografias/Descartes.html%20" target="_blank">http://www.antroposmoderno.com/biografias/Descartes.html</a></p>
<p align="justify"><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p> ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p align="justify">ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.</p>
<p align="justify">ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2002.</p>
<p>CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995.</p>
<p> COTTINGHAM, John. Discionário Descartes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.</p>
<p> DESCARTES. Discurso do Método. São Paulo/Brasília: Ática/UNB, 1989.</p>
<p align="justify">MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.</p>
<p> MARQUES, Jordino. Descartes e sua concepção de homem. São Paulo: Loyola, 1993.</p>
<p align="justify">ROSA, Maria da Gloria de. A história da educação através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1999.</p>
<div id="pfButton"><a href="http://www.beatrix.pro.br/index.php/rene-descartes/?pfstyle=wp" title="Print an optimized version of this web page" style="text-decoration: none;"><img id="printfriendly" style="border:none; padding:0;" src="http://cdn.printfriendly.com/pf-print-icon.gif" alt="Print"/><span style="font-size: 12px; color: #55750c;"> Print <img src="http://cdn.printfriendly.com/pf-pdf-icon.gif" alt="Get a PDF version of this webpage" /> PDF </span></a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.beatrix.pro.br/index.php/rene-descartes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Santo Tomás de Aquino</title>
		<link>http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-tomas-de-aquino/</link>
		<comments>http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-tomas-de-aquino/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatrix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia-Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://beatrix1.tempsite.ws/site/?p=50</guid>
		<description><![CDATA[Ao romper com a linhagem tradicional da Igreja Católica medieval, ancorada no pensamento platônico, santo Tomás de Aquino situou-se na vanguarda de seu tempo. Sua obra, baseada nas idéias aristotélicas, contribuiu para a adaptação e sobrevivência da fé cristã paralelamente à nova mentalidade racionalista que se tornaria, nos séculos seguintes, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="imagens/aquino.jpg" border="0" alt="Santo Tomás de Aquino" width="115" height="169" align="left" />Ao romper com a linhagem tradicional da Igreja Católica medieval, ancorada no pensamento platônico, santo Tomás de Aquino situou-se na vanguarda de seu tempo. Sua obra, baseada nas idéias aristotélicas, contribuiu para a adaptação e sobrevivência da fé cristã paralelamente à nova mentalidade racionalista que se tornaria, nos séculos seguintes, o fio condutor da civilização ocidental. Após uma longa preparação e um desenvolvimento promissor, a escolástica chega ao seu ápice com Tomás de Aquino. Adquire plena consciência dos poderes da razão, e proporciona finalmente ao pensamento cristão uma filosofia. Assim, converge para Tomás de Aquino não apenas o pensamento escolástico, mas também o pensamento patrístico, que culminou com Agostinho, rico de elementos helenistas e neoplatônicos, além do patrimônio de revelação judaico-cristã, bem mais importante.<br /><span id="more-50"></span>
<p align="justify"><span class="link1"><strong>Vida e Obra</strong></span> </p>
<p align="justify"> Para Tomás de Aquino, porém, converge diretamente o pensamento helênico, na sistematização imponente de Aristóteles. O pensamento de Aristóteles, pois, chega a Tomás de Aquino enriquecido com os comentários pormenorizados, especialmente árabes.</p>
<p align="justify"> São Tomás de Aquino,em italiano Tommaso d&#8217;Aquino, (1227-1274) nasceu em um castelo próximo à cidade de Aquino, Itália, de uma família nobre. Entrou cedo para a ordem Dominicana. Não se sabe com precisão os acontecimentos da sua vida. As universidades surgem no século XII, e elas começam a ter forte atuação e influência. Cria-se um ambiente cultural, nas capitais, em que irão atuar Alberto Magno e seu discípulo, São Tomás de Aquino. Há uma miscigenação cultural, pois os Sábios da Arábia vem para a Europa. São Tomás de Aquino entrou para a universidade de Nápoles, onde estudou filosofia. Sabia, falava e escrevia em latim fluentemente.<br /> Escreveu um opúsculo quando ainda era jovem, O ente e a Essência, entre os anos de 1252 e 1253. Aborda questões metafísicas, explicando o percurso da consciência humana entre a sensação e a concepção . Diz, o que cai imediatamente no alcance do saber humano é composto. O homem se eleva do composto ao simples, do posterior ao anterior. A essência existe no intelecto. A substância composta é matéria e forma. A forma e matéria, quando tomadas em si, ou seja sem o aparato do entendimento racional considerando-as, é incognoscível, mas existem caminhos para a investigação das possibilidades. O intelecto quando está isento da materialidade, desvela que nada pode ser mais perfeito do que aquilo que confere o ser. São Tomás é famoso por ter cristianizado Aristóteles, à semelhança do que fez Agostinho com Platão, ele transformou o pensamento desse sábio num padrão aceitável pela igreja católica, Apesar de Aristóteles não ter conhecido a revelação cristã, como diz Tomás, e de sua obra ser original, autônoma e independente de dogmas, ele está em harmonia com o saber contido na Bíblia. E Tomás aplica o pensamento de Aristóteles na teologia. No Ente e a Essência, ele comenta obras como a Física e a Metafísica. E as observações sobre Aristóteles vão permanecer em todas as suas obras. Além dessa influência podemos citar os padres da Igreja, o pseudo-dioníseo (mais cultura grega), Boécio e os árabes e judeus como influência. Tomás de Aquino afirma que podemos conhecer Deus pelos seus efeitos, ele é o último em uma escala evolutiva, a causa de todas as coisas. Antes de Deus vem os anjos, e antes desses, os homens. Ele comenta o gênero e a espécie, que pertencem à essência, pois o todo está no indivíduo. A essência tem dois modos, um é dela própria, nada é verdadeiramente dela, senão o que lhe cabe como ela própria. Por exemplo o homem, por ser homem, será sempre racional. Mas o branco e o preto não são noções exclusivas da humanidade. No outro modo, algo se predica da essência, por acidente daquilo que é específico, como o homem ser de cor branca. As formas são inteligidas na medida em que estão separadas da matéria e suas condições. A diferença da essência da substância compostas e simples é que a composta é forma e matéria, e a simples é apenas forma. A inteligência possui potência e ato. Santo Tomás de Aquino é mais um que fala (como o fez mais tarde Espinosa) que a essência de Deus é o seu próprio ser. Concluindo, ele diz que há essência nas substâncias e nos acidentes.<br /> <img src="imagens/tomasdeaquino.jpg" border="0" width="205" height="350" align="left" />Oriundo de uma família da pequena nobreza que pretendia beneficiar-se das vantagens de ter um filho abade, aos cinco anos foi oferecido como oblato &#8212; leigo a serviço de ordem monástica &#8212; à abadia de Monte Cassino. Em 1239 foi obrigado a voltar ao convívio da família, quando os monges foram expulsos pelo imperador. Enviado à Universidade de Nápoles, em 1244 ingressou na ordem mendicante dos dominicanos, criada cerca de trinta anos antes, que criticava a vida monástica tradicional em favor de uma prática de pregação e ensino. <br /> Para subtraí-lo à influência da família, que desaprovava seu ingresso na ordem, e ao mesmo tempo possibilitar que continuasse os estudos universitários, seus superiores enviaram-no a Paris. Seqüestrado durante a viagem por seus irmãos, Tomás de Aquino foi encerrado por um ano no castelo de Roccasecca. Tendo resistido a todas as pressões para que abandonasse seus propósitos, foi finalmente libertado e rumou para Paris em 1245. <br /> Na capital francesa, a ciência árabe-aristotélica, totalmente nova para o homem ocidental, chocava os cristãos e provocava forte reação das autoridades da igreja, que adotavam medidas de censura e proibição. Alberto Magno, de quem Tomás de Aquino tornou-se discípulo, estava entre os que não temiam a nova filosofia. Consagrava-se à interpretação dos textos de Aristóteles e à incorporação de suas idéias à doutrina da igreja. Em 1248, ambos seguiram para Colônia e, em 1252, Tomás de Aquino retornou a Paris, onde se formou em teologia. A partir de 1256, tornou-se mestre na matéria, que passou a lecionar numa das escolas dominicanas incorporadas à Universidade de Paris. Nomeado mestre da cúria pontifical, entre 1259 e 1268 lecionou em Anagni, Ovieto, Roma e Viterbo.</p>
<p align="justify">Mais uma vez de volta a Paris, Tomás de Aquino opôs-se simultaneamente, em notável polêmica, aos averroístas, que afirmavam que a verdade da fé pode entrar em contradição com a verdade racional e propunham uma teoria dualista; e aos agostinianos, detratores do pensamento aristotélico em favor do dogma cristão. A condenação do averroísmo radical, em 1270, e o subseqüente descrédito face ao pensamento aristotélico prejudicaram o prestígio de Tomás de Aquino. <br /> Em 1272, o filósofo seguiu para Nápoles, onde fundou um núcleo dominicano de estudos na universidade. Ali, as divergências com os agostinianos acentuaram-se. A idéia tomista segundo a qual o homem situa-se na fronteira entre dois universos, o material e o espiritual, era para os agostinianos fruto de uma valorização excessiva da natureza e da matéria, em detrimento da transcendência e superioridade da alma imortal sobre o plano físico. <br /> De maneira geral, a obra de Tomás de Aquino pode ser organizada da seguinte forma: (1) comentários ao Antigo e ao Novo Testamento, assim como às obras de vários pensadores, principalmente Aristóteles; (2) cursos e polêmicas, que incluem o material de suas aulas; e (3) duas sínteses teológicas, a Suma teológica e a Suma contra os gentios. <br /> Em 1274, Tomás de Aquino foi pessoalmente convocado pelo papa Gregório X a participar do II Concílio de Lyon, cujo principal objetivo era remediar a cisão entre as igrejas grega e romana. Adoeceu durante a viagem e morreu no mosteiro cisterciense de Fossanova,<br />
em 7 de março de 1274. Três anos depois, os mestres de Paris, que representavam a maior autoridade teológica da igreja, condenaram 219 proposições, entre as quais 12 eram de autoria do dominicano. Na Idade Média, nenhuma condenação poderia ser mais séria que essa e sua repercussão representou, durante séculos, um obstáculo à difusão do tomismo. Canonizado em 1323, Tomás de Aquino passou a ser festejado no aniversário de sua morte e, mais tarde, no dia 18 de julho. Foi reconhecido como doutor da igreja em 1567 e, no final do século XIX, a corrente ortodoxa fez-se representar pelo tomismo.</p>
<p align="justify"> A obra de São Aquino é imensa, alguns de seus trabalhos foram escritos por ele mesmo, outros ditados e outros ainda reportados. Aristóteles disse, e isso foi comentado por São Tomás, que o homem tem a sensação em comum com os animais, que sentem de maneira perfeita. A memória nasce pelo acúmulo de lembranças, e a lembrança nasce da experiência. Mas o homem se eleva ao raciocínio e produz a arte. A filosofia é um conhecimento das causas dos fenômenos. Assim a filosofia deve considerar o senso comum e tem um aspecto coincidente com a teologia: seu saber provém da Sabedoria divina. Então, em menor grau o saber popular também. Mas a sabedoria divina deve ser procurada através da fé, dizia Tomás, e isso é comum entre os teólogos. Ele distingue na natureza o ser real e o ser da razão (Espinoza nos Pensamentos metafísicos também o faz, mais uma vez.). O ser real existe independente de qualquer consideração da razão. O ser da razão é aquele que apesar de existir em representação, não pode ser independente do pensamento de quem o concebe. Assim a lógica humana só existiria no conceito, e não na realidade. Por outro lado, a alma é imortal, pois é imaterial, e tudo que é imaterial é imortal. Esse argumento como outras verdades teológicas pode ser agora combatido, mas durante séculos ele fundamentou o pensamento em que a Igreja se apoia.</p>
<p align="justify">Para Tomás, o conhecimento passa por vários graus de abstração cujo objetivo é conhecer a imaterialidade. O primeiro esforço da existência abstrativa consiste em considerar as coisas independentemente dos sentidos e da noção que tiramos dele. O segundo esforço consiste em considerar as coisas independentes das qualidades sensíveis. No terceiro esforço tem que se consideraras coisas independentes do seu valor material. Assim chega-se ao objeto metafísico, que é imaterial, espiritual.</p>
<p align="justify">Na Suma contra os Gentios faz uma exposição completa da religião católica, identificando o que há de verdade nela. Gentios eram os pagãos e os maometanos. Essa suma trata de Deus e suas obras, da fé no mistério da santíssima trindade, da encarnação, dos sacramentos e da vida eterna. Deus é a verdade pura, sem falsidade vontade que existe em si e para si e neste processo estende sua vontade para o que não é a sua essência. O que não é sua essência seriam só as coisas percebidas, pois Deus é tudo. Não tem ódio, não quer o mal, sua potência indica-se com a sua ação, mas ele não pode tudo. Santo Tomás de Aquino faz a distinção entre a filosofia e teologia. E as criaturas não existem desde sempre. Ele descreve o momento em que se inicia uma vida, quando mostra como a alma se junta ao corpo. É uma grande obra, que influenciou e influencia até hoje todos os que se querem católicos, além de filósofos e outros estudiosos.</p>
<p align="justify"> Também Alberto, filho da nobre família de duques de Bollstädt (1207-1280), abandonou o mundo e entrou na ordem dominicana. Ensinou em Colônia, Friburgo, Estrasburgo, lecionou teologia na universidade de Paris, onde teve entre os seus discípulos também Tomás de Aquino, que o acompanhou a Colônia, aonde Alberto foi chamado para lecionar no estudo geral de sua ordem. A atividade científica de Alberto Magno é vastíssima: trinta e oito volumes tratando dos assuntos mais variados &#8211; ciências naturais, filosofia, teologia, exegese, ascética.</p>
<p align="justify"> Em 1252 Tomás voltou para a universidade de Paris, onde ensinou até 1269, quando regressou à Itália, chamado à corte papal. Em 1269 foi de novo à universidade de Paris, onde lutou contra o averroísmo de Siger de Brabante; em 1272, voltou a Nápoles, onde lecionou teologia. Dois anos depois, em 1274, viajando para tomar parte no Concílio de Lião, por ordem de Gregório X, faleceu no mosteiro de Fossanova, entre Nápoles e Roma. Tinha apenas quarenta e nove anos de idade.</p>
<p align="justify"> As obras do Aquinate podem-se dividir em quatro grupos:</p>
<p align="justify"> 1. Comentários: à lógica, à física, à metafísica, à ética de Aristóteles; à Sagrada Escritura; a Dionísio pseudo-areopagita; aos quatro livros das sentenças de Pedro Lombardo.</p>
<p align="justify"> 2. Sumas: Suma Contra os Gentios, baseada substancialmente em demonstrações racionais; Suma Teológica, começada em 1265, ficando inacabada devido à morte prematura do autor.</p>
<p align="justify"> 3. Questões: Questões Disputadas (Da verdade, Da alma, Do mal, etc.); Questões várias.</p>
<p align="justify"> 4. Opúsculos: Da Unidade do Intelecto Contra os Averroístas; Da Eternidade do Mundo, etc.</p>
<hr title="Pensamento" alt="Pensamento" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> <strong><span class="link1">O Pensamento: A Gnosiologia</span></strong></p>
<p align="justify"> Diversamente do agostinianismo, e em harmonia com o pensamento aristotélico, Tomás considera a filosofia como uma disciplina essencialmente teorética, para resolver o problema do mundo. Considera também a filosofia como absolutamente distinta da teologia, &#8211; não oposta &#8211; visto ser o conteúdo da teologia arcano e revelado, o da filosofia evidente e racional.</p>
<p align="justify"> A gnosiologia tomista &#8211; diversamente da agostiniana e em harmonia com a aristotélica &#8211; é empírica e racional, sem inatismos e iluminações divinas. O conhecimento humano tem dois momentos, sensível e intelectual, e o segundo pressupõe o primeiro. O conhecimento sensível do objeto, que está fora de nós, realiza-se mediante a assim chamada espécie sensível. Esta é a impressão, a imagem, a forma do objeto material na alma, isto é, o objeto sem a matéria: como a impressão do sinete na cera, sem a materialidade do sinete; a cor do ouro percebido pelo olho, sem a materialidade do ouro.</p>
<p align="justify"> O conhecimento intelectual depende do conhecimento sensível, mas transcende-o. O intelecto vê em a natureza das coisas &#8211; intus legit &#8211; mais profundamente do que os sentidos, sobre os quais exerce a sua atividade. Na espécie sensível &#8211; que representa o objeto material na sua individualidade, temporalidade, espacialidade, etc., mas sem a matéria &#8211; o inteligível, o universal, a essência das coisas é contida apenas implicitamente, potencialmente. Para que tal inteligível se torne explícito, atual, é preciso extraí-lo, abstraí-lo, isto é, desindividualizá-lo das condições materiais. Tem-se, deste modo, a espécie inteligível, representando precisamente o elemento essencial, a forma universal das coisas.</p>
<p align="justify"> Pelo fato de que o inteligível é contido apenas potencialmente no sensível, é mister um intelecto agente que abstraia, desmaterialize, desindividualize o inteligível do fantasma ou representação sensível. Este intelecto agente é como que uma luz espiritual da alma, mediante a qual ilumina ela o mundo sensível para conhecê-lo; no entanto, é absolutamente desprovido de conteúdo ideal, sem conceitos diferentemente de quanto pretendia o inatismo agostiniano. E, ademais, é uma faculdade da alma individual, e não noa advém de fora, como pretendiam ainda i iluminismo agostiniano e o panteísmo averroísta. O intelecto que propriamente entende o inteligível, a essência, a idéia, feita explícita, desindividualizada pelo intelecto agente, é o intelecto passivo, a que pertencem as operações racionais h<br />
umanas: conceber, julgar, raciocinar, elaborar as ciências até à filosofia.</p>
<p align="justify"> Como no conhecimento sensível, a coisa sentida e o sujeito que sente, formam uma unidade mediante a espécie sensível, do mesmo modo e ainda mais perfeitamente, acontece no conhecimento intelectual, mediante a espécie inteligível, entre o objeto conhecido e o sujeito que conhece. Compreendendo as coisas, o espírito se torna todas as coisas, possui em si, tem em si mesmo imanentes todas as coisas, compreendendo-lhes as essências, as formas.</p>
<p align="justify"> É preciso claramente salientar que, na filosofia de Tomás de Aquino, a espécie inteligível não é a coisa entendida, quer dizer, a representação da coisa (id quod intelligitur), pois, neste caso, conheceríamos não as coisas, mas os conhecimentos das coisas, acabando, destarte, no fenomenismo. Mas, a espécie inteligível é o meio pelo qual a mente entende as coisas extramentais (é, logo, id quo intelligitur). E isto corresponde perfeitamente aos dados do conhecimento, que nos garante conhecermos coisas e não idéias; mas as coisas podem ser conhecidas apenas através das espécies e das imagens, e não podem entrar fisicamente no nosso cérebro.</p>
<p align="justify"> O conceito tomista de verdade é perfeitamente harmonizado com esta concepção realista do mundo, e é justificado experimentalmente e racionalmente. A verdade lógica não está nas coisas e nem sequer no mero intelecto, mas na adequação entre a coisa e o intelecto: veritas est adaequatio speculativa mentis et rei. E tal adequação é possível pela semelhança entre o intelecto e as coisas, que contêm um elemento inteligível, a essência, a forma, a idéia. O sinal pelo qual a verdade se manifesta à nossa mente, é a evidência; e, visto que muitos conhecimentos nossos não são evidentes, intuitivos, tornam-se verdadeiros quando levados à evidência mediante a demonstração.</p>
<p align="justify"> Todos os conhecimentos sensíveis são evidentes, intuitivos, e, por conseqüência, todos os conhecimentos sensíveis são, por si, verdadeiros. Os chamados erros dos sentidos nada mais são que falsas interpretações dos dados sensíveis, devidas ao intelecto. Pelo contrário, no campo intelectual, poucos são os nossos conhecimentos evidentes. São certamente evidentes os princípios primeiros (identidade, contradição, etc.). Os conhecimentos não evidentes são reconduzidos à evidência mediante a demonstração, como já dissemos. É neste processo demonstrativo que se pode insinuar o erro, consistindo em uma falsa passagem na demonstração, e levando, destarte, à discrepância entre o intelecto e as coisas.</p>
<p align="justify"> A demonstração é um processo dedutivo, isto é, uma passagem necessária do universal para o particular. No entanto, os universais, os conceitos, as idéias, não são inatas na mente humana, como pretendia o agostinianismo, e nem sequer são inatas suas relações lógicas, mas se tiram fundamentalmente da experiência, mediante a indução, que colhe a essência das coisas. A ciência tem como objeto esta essência das coisas, universal e necessária.</p>
<hr title="Metafísica" alt="Metafísica" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"><span class="link1"><strong>Metafísica</strong></span></p>
<p align="justify"> A metafísica tomista pode-se dividir em geral e especial. A metafísica geral &#8211; ou ontologia &#8211; tem como objeto o ser em geral e as atribuições e leis relativas. A metafísica especial estuda o ser em suas grandes especificações: Deus, o espírito, o mundo. Daí temos a teologia racional &#8211; assim chamada, para distingui-la da teologia revelada; a psicologia racional (racional, porquanto é filosofia e se deve distinguir da moderna psicologia empírica, que é ciência experimental); a cosmologia ou filosofia da natureza (que estuda a natureza em suas causas primeiras, ao passo que a ciência experimental estuda a natureza em suas causas segundas).</p>
<p align="justify"> O princípio básico da ontologia tomista é a especificação do ser em potência e ato. Ato significa realidade, perfeição; potência quer dizer não-realidade, imperfeição. Não significa, porém, irrealidade absoluta, mas imperfeição relativa de mente e capacidade de conseguir uma determinada perfeição, capacidade de concretizar-se. Tal passagem da potência ao ato é o vir-a-ser, que depende do ser que é ato puro; este não muda e faz com que tudo exista e venha-a-ser. Opõe-se ao ato puro a potência pura que, de per si, naturalmente é irreal, é nada, mas pode tornar-se todas as coisas, e chama-se matéria.</p>
<p align="justify"> <strong>Natureza</strong></p>
<p align="justify"> Uma determinação, especificação do princípio de potência e ato, válida para toda a realidade, é o princípio da matéria e de forma. Este princípio vale unicamente para a realidade material, para o mundo físico, e interessa portanto especialmente à cosmologia tomista. A matéria não é absoluto, não-ente; é, porém, irreal sem a forma, pela qual é determinada, como a potência é determinada, como a potência é determinada pelo ato. É necessária para a forma, a fim de que possa existir um ser completo e real (substância). A forma é a essência das coisas (água, ouro, vidro) e é universal. A individuação, a concretização da forma, essência, em vários indivíduos, que só realmente existem (esta água, este ouro, este vidro), depende da matéria, que portanto representa o princípio de individuação no mundo físico. Resume claramente Maritain esta doutrina com as palavras seguintes: &#8220;Na filosofia de Aristóteles e Tomás de Aquino, toda substância corpórea é um composto de duas partes substanciais complementares, uma passiva e em si mesma absolutamente indeterminada (a matéria), outra ativa e determinante (a forma)&#8221;.</p>
<p align="justify"> Além destas duas causas constitutivas (matéria e forma), os seres materiais têm outras duas causas: a causa eficiente e a causa final. A causa eficiente é a que faz surgir um determinado ser na realidade, é a que realiza o sínolo, a saber, a síntese daquela determinada matéria com a forma que a especifica. A causa final é o fim para que opera a causa eficiente; é esta causa final que determina a ordem observada no universo. Em conclusão: todo ser material existe pelo concurso de quatro causas &#8211; material, formal, eficiente, final; estas causas constituem todo ser na realidade e na ordem com os demais seres do universo físico.</p>
<p align="justify"> <strong>Espírito</strong></p>
<p align="justify"> Quando a forma é princípio da vida, que é uma atividade cuja origem está dentro do ser, chama-se alma. Portanto, têm uma alma as plantas (alma vegetativa: que se alimenta, cresce e se reproduz), e os animais (alma sensitiva: que, a mais da alma vegetativa, sente e se move). Entretanto, a psicologia racional, que diz respeito ao homem, interessa apenas a alma racional. Além de desempenhar as funções da alma vegetativa e sensitiva, a alma racional entende e quer, pois segundo Tomás de Aquino, existe uma forma só e, por conseguinte, uma alma só em cada indivíduo; e a alma superior cumpre as funções da alma inferior, como a mais contém o menos.</p>
<p align="justify"> No homem existe uma alma espiritual &#8211; unida com o corpo, mas transcendendo-o &#8211; porquanto além das atividades vegetativa e sensitiva, que são materiais, se manifestam nele também atividades espirituais, como o ato do intelecto e o ato da vontade. A atividade intelectiva é orientada para entidades imateriais, como os conceitos; e, por conseqüência, esta atividade tem que depender de um princípio imaterial, espiritual, que é precisamente a alma racional. Assim, a vontade humana é livre, indeterminada &#8211; ao passo que o mundo material é regido por leis necessárias. E, portanto, a vontade não pode ser senão a faculdade de um princípio imaterial, espiritual, ou seja, da alma racional, que pelo fato de ser imaterial, isto é, espiritual, não é<br />
 composta de partes e, por conseguinte, é imortal.</p>
<p align="justify"> Como a alma espiritual transcende a vida do corpo depois da morte deste, isto é, é imortal, assim transcende a origem material do corpo e é criada imediatamente por Deus, com relação ao respectivo corpo já formado, que a individualiza. Mas, diversamente do dualismo platônico-agostiniano, Tomás sustenta que a alma, espiritual embora, é unida substancialmente ao corpo material, de que é a forma. Desse modo o corpo não pode existir sem a alma, nem viver, e também a alma, por sua vez, ainda que imortal, não tem uma vida plena sem o corpo, que é o seu instrumento indispensável.</p>
<p align="justify"> <strong>Deus</strong></p>
<p align="justify"> Como a cosmologia e a psicologia tomistas dependem da doutrina fundamental da potência e do ato, mediante a doutrina da matéria e da forma, assim a teologia racional tomista depende &#8211; e mais intimamente ainda &#8211; da doutrina da potência e do ato. Contrariamente à doutrina agostiniana que pretendia ser Deus conhecido imediatamente por intuição, Tomás sustenta que Deus não é conhecido por intuição, mas é cognoscível unicamente por demonstração; entretanto esta demonstração é sólida e racional, não recorre a argumentações a priori, mas unicamente a posteriori, partindo da experiência, que sem Deus seria contraditória.</p>
<p align="justify"> As provas tomistas da experiência de Deus são cinco: mas todas têm em comum a característica de se firmar em evidência (sensível e racional), para proceder à demonstração, como a lógica exige. E a primeira dessas provas &#8211; que é fundamental e como que norma para as outras &#8211; baseia-se diretamente na doutrina da potência e do ato. &#8220;Cada uma delas se firma em dois elementos, cuja solidez e evidência são igualmente incontestáveis: uma experiência sensível, que pode ser a constatação do movimento, das causas, do contingente, dos graus de perfeição das coisas ou da ordem que entre elas reina; e uma aplicação do princípio de causalidade, que suspende o movimento ao imóvel, as causas segundas à causa primeira, o contingente ao necessário, o imperfeito ao perfeito, a ordem à inteligência ordenadora&#8221;.</p>
<p align="justify"> Se conhecermos apenas indiretamente, pelas provas, a existência de Deus, ainda mais limitado é o conhecimento que temos da essência divina, como sendo a que transcende infinitamente o intelecto humano. Segundo o Aquinate, antes de tudo sabemos o que Deus não é (teologia negativa), entretanto conhecemos também algo de positivo em torno da natureza de Deus, graças precisamente à famosa doutrina da analogia. Esta doutrina é solidamente baseada no fato de que o conhecimento certo de Deus se deve realizar partindo das criaturas, porquanto o efeito deve Ter semelhança com a causa. A doutrina da analogia consiste precisamente em atribuir a Deus as perfeições criadas positivas, tirando, porém, as imperfeições, isto é, toda limitação e toda potencialidade. O que conhecemos a respeito de Deus é, portanto, um conjunto de negações e de analogias; e não é falso, mas apenas incompleto.</p>
<p align="justify"> Quanto ao problemas das relações entre Deus e o mundo, é resolvido com base no conceito de criação, que consiste numa produção do mundo por parte de Deus, total, livre e do nada.</p>
<hr title="Moral" alt="Moral" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong><span class="link1">Moral</span></strong></p>
<p align="justify"> Também no campo da moral, Tomás se distingue do agostinianismo, pois a moral tomista é essencialmente intelectualista, ao passo que a moral agostiniana é voluntarista, quer dizer, a vontade não é condição de conhecimento, mas tem como fim o conhecimento. A ordem moral, pois, não depende da vontade arbitrária de Deus, e sim da necessidade racional da divina essência, isto é, a ordem moral é imanente, essencial, inseparável da natureza humana, que é uma determinada imagem da essência divina, que Deus quis realizar no mundo. Desta sorte, agir moralmente significa agir racionalmente, em harmonia com a natureza racional do homem.</p>
<p align="justify"> Entretanto, se a vontade não determina a ordem moral, é a vontade todavia que executa livremente esta ordem moral. Tomás afirma e demonstra a liberdade da vontade, recorrendo a um argumento metafísico fundamental. A vontade tende necessariamente para o bem em geral. Se o intelecto tivesse a intuição do bem absoluto, isto é, de Deus, a vontade seria determinada por este bem infinito, conhecido intuitivamente pelo intelecto. Ao invés, no mundo a vontade está em relação imediata apenas com seres e bens finitos que, portanto, não podem determinar a sua infinita capacidade de bem; logo, é livre. Não é mister acrescentar que, para a integridade do ato moral, são necessários dois elementos: o elemento objetivo, a lei, que se atinge mediante a razão; e o elemento subjetivo, a intenção, que depende da vontade.</p>
<p align="justify"> Analisando a natureza humana, resulta que o homem é um animal social (político) e portanto forçado a viver em sociedade com os outros homens. A primeira forma da sociedade humana é a família, de que depende a conservação do gênero humano; a Segunda forma é o estado, de que depende o bem comum dos indivíduos. Sendo que apenas o indivíduo tem realidade substancial e transcendente, se compreende como o indivíduo não é um meio para o estado, mas o estado um meio para o indivíduo. Segundo Tomás de Aquino, o estado não tem apenas função negativa (repressiva) e material (econômica), mas também positiva (organizadora) e espiritual (moral). Embora o estado seja completo em seu gênero, fica, porém, subordinado, em tudo quanto diz respeito à religião e à moral, à Igreja, que tem como escopo o bem eterno das almas, ao passo que o estado tem apenas como escopo o bem temporal dos indivíduos.</p>
<hr title="Filosofia e Teologia" alt="Filosofia e Teologia" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> <strong><span class="link1">Filosofia e Teologia</span></strong></p>
<p align="justify"> Em torno do problema das relações entre filosofia e teologia, ciência e fé, razão e revelação, e mais precisamente em torno do problema da função da razão no âmbito da fé, Tomás de Aquino dá uma solução precisa e definitiva mediante uma distinção clara entre as duas ordens. Com base no sólido sistema aristotélico, é eliminada a doutrina da iluminação, agostiniana, que levava inevitavelmente a uma confusão da teologia com a filosofia. Destarte, é finalmente conquistada a consciência do que é conhecimento racional e demonstração racional, ciência e filosofia: é um lógico procedimento de princípios evidentes para conclusões inteligíveis. E compreende-se, portanto, que não é possível demonstração racional em matéria de fé, onde os princípios são, para nós, não evidentes, transcendentes à razão, mistérios, e igualmente ininteligíveis suas condições lógicas.</p>
<p align="justify"> Em todo caso, segundo o sistema tomista, a razão não é estranha à fé, porquanto procede da mesma Verdade eterna. E, com relação à fé, deve a razão desempenhar os papéis seguintes:</p>
<p align="justify"> 1. A demonstração da fé, não com argumentos intrínsecos, de evidência, o que é impossível, mas com argumentos extrínsecos, de credibilidade (profecias, milagres, etc.), que garantem a autenticidade divina da Revelação.</p>
<p align="justify"> 2. A demonstração da não irracionalidade do mistério e da sua conveniência, mediante argumentos prováveis.</p>
<p align="justify"> 3. A determinação, enucleação e sistematização das verdades de fé, pelo que a sacra teologia é ciência, e ciência em grau eminente, porquanto essencialmente especulativa, ao passo que, para os agostinianos, é essencialmente prática.</p>
<p align="justify"> Tomás, portanto, não confunde &#8211; como faz o agostinianismo &#8211; nem opõe &#8211; como faz o<br />
 averroísmo &#8211; razão e fé, mas distingue-as e as harmoniza. De modo que nasce uma unidade dialética profunda entre a razão e a fé; tal unidade dialética nasce da determinação tomista do conceito metafísico de natureza humana; esta determinação tomista do conceito metafísico de natureza humana tornou possível a averiguação das reais, efetivas vulnerações da natureza humana; estas vulnerações são filosoficamente, racionalmente, inexplicáveis. E demandam, por conseguinte, a Revelação e, precisamente, os dogmas do pecado original e da redenção pela cruz.</p>
<p align="justify"> <strong><span class="link1">O Tomismo</span></strong></p>
<p align="justify"> O tomismo afirma-se e caracteriza-se como uma crítica que valoriza a orientação do pensamento platônico-agostiniano em nome do racionalismo aristotélico, que pareceu um escândalo, no campo católico, ao misticismo agostiniano. Ademais, o tomismo se afirma e se caracteriza como o início da filosofia no pensamento cristão e, por conseguinte, como o início do pensamento moderno, enquanto a filosofia é concebida qual construção autônoma e crítica da razão humana.</p>
<p align="justify"> Sabemos que, segundo a concepção platônico-agostiniana, o conhecimento humano depende de uma particular iluminação divina; segundo esta doutrina, portanto, o espírito humano está em relação imediata com o inteligível, e tem, de certo modo, intuição do inteligível. A esta gnosiologia inatista, Tomás opõe francamente a gnosiologia empírica aristotélica, em virtude da qual o campo do conhecimento humano verdadeiro e próprio é limitado ao mundo sensível. Acima do sentido há, sim, no homem, um intelecto; este intelecto atinge, sim, um inteligível; mas é um intelecto concebido como uma faculdade vazia, sem idéias inatas &#8211; é uma tabula rasa, segundo a famosa expressão &#8211; ; e o inteligível nada mais é que a forma imanente às coisas materiais. Essa forma é enucleada, abstraída pelo intelecto das coisas materiais sensíveis.</p>
<p align="justify"> Essa gnosiologia é naturalmente conexa a uma metafísica e, em especial, a uma antropologia, assim como a gnosiologia platônico-agostiniana era conexa a uma correspondente metafísica e antropologia. Por isso a alma era concebida quase como um ser autônomo, uma espécie de natureza angélica, unida extrinsecamente a um corpo, e a materialidade do corpo era-lhe mais de obstáculo do que instrumento. Por conseguinte, o conhecimento humano se realizava não através dos sentidos, mas ao lado e acima dos sentidos, mediante contato direto com o mundo inteligível; precisamente como as inteligências angélicas, que conhecem mediante as espécies impressas, idéias inatas. Vice-versa, segundo a antropologia aristotélico-tomista, sobre a base metafísica geral da grande doutrina da forma, a alma é concebida como a forma substancial do corpo. A alma é, portanto, incompleta sem o corpo, ainda que destinada a sobreviver-lhe pela sua natureza racional; logo, o corpo é um instrumento indispensável ao conhecimento humano, que, por conseqüência, tem o seu ponto de partida nos sentidos.</p>
<p align="justify"> Terceira característica do agostinianismo é o assim chamado voluntarismo, com todas as conseqüências de correntes da primazia da vontade sobre o intelecto. A característica do tomismo, ao contrário, é o intelectualismo, com a primazia do intelecto sobre a vontade, com todas as relativas conseqüências. O conhecimento, pois, é mais perfeito do que a ação, porquanto o intelecto possui o próprio objeto, ao passo que a vontade o persegue sem conquistá-lo. Esta doutrina é aplicada tanto na ordem natural como na ordem sobrenatural, de sorte que a bem-aventurança não consiste no gozo afetivo de Deus, mas na visão beatífica da Essência divina.</p>
<p align="justify"> A Existência de Deus é Evidente?</p>
<p align="justify"> Sobre a existência de Deus, três questões se colocam:</p>
<p align="justify"> 1. A existência de Deus é uma verdade evidente?</p>
<p align="justify"> 2. Ela pode ser demonstrada?</p>
<p align="justify"> 3. Deus existe?</p>
<p align="justify"> 1. &#8211; Parece que a existência de Deus é evidente. Com efeito, chamamos verdades evidentes aquelas cujo conhecimento está em nós naturalmente, como é o caso dos primeiros princípios. Ora, de acordo com o que diz Damasceno: &#8220;O conhecimento da existência de Deus é inato em todos&#8221;. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.</p>
<p align="justify"> 2. &#8211; Por outro lado, são ditas evidentes as verdades que conhecemos desde que compreendamos os termos que as exprimem. É o que o Filósofo (Últimos Analíticos, I, 3) atribui aos primeiros princípios da demonstração. De fato, quando sabemos o significado de todo o significado da parte, sabemos, de imediato, que o todo é maior que a parte. Ora, desde que tenhamos compreendido o sentido da palavra &#8220;Deus&#8221;, estabelece-se, de imediato, que Deus existe. De fato, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber algo que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Daí resulta que o objeto designado pela palavra Deus, que existe no pensamento, desde que se compreenda a palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.</p>
<p align="justify"> 3. &#8211; Além disso, a existência da verdade é evidente. Pois, aquele que nega a existência da verdade, concorda que a verdade não existe. Mas se a verdade não existe, a não-existência da verdade é uma afirmação verdadeira. E se alguma coisa há de verdadeira, a verdade existe. Ora, Deus é a própria verdade, segundo o que diz São João, 14, 6: &#8220;Eu sou o caminho, a verdade e a vida&#8221;. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.</p>
<p align="justify"> Mas, em compensação, ninguém pode pensar o oposto do que é evidente, conforme nos mostra o Filósofo (Metafísica, 4 e Últimos Analíticos, I, 10), a propósito dos primeiros princípios da demonstração. Ora, o oposto da existência de Deus pode ser pensado, conforme diz o salmo 52, 1: &#8220;O insensato diz em seu coração que não há Deus&#8221;. Logo, a existência de Deus não é evidente.</p>
<p align="justify"> Resposta &#8211; Temos duas maneiras para dizer que uma coisa é evidente. Ela o pode ser em si mesma e não por nós; ela o pode ser em si mesma e por nós. De fato, uma proposição é evidente quanto o atributo está incluído no sujeito, por exemplo: o homem é um animal. Animal, de fato, pertence à noção de homem. Se, portanto, todos sabem o que são o sujeito e o atributo de uma proposição, essa proposição será conhecida de todos. É verdadeiro, pelos princípios das demonstrações, que os termos são coisas gerais que todos conhecem, como o ser e o não-ser, o todo e a parte, etc. Mas, se alguns não sabem o que são o atributo e o sujeito de uma proposição, é certo que a proposição será evidente em si mesma, mas não para aqueles que ignoram o que são sujeito e atributo. É por isso que Boécio diz: &#8220;Certos juízos só são conhecidos pelos sábios, por exemplo, aquele segundo o qual os seres incorpóreos não estão num mesmo lugar&#8221;. Por conseguinte, eu afirmo que a proposição &#8220;Deus é&#8221;, considerada em si mesma, é evidente por si mesma, uma vez que o atributo é idêntico ao sujeito. Deus, de fato, é seu ser. Mas como não sabemos o que é Deus, ela não é evidente para nós; tem necessidade de ser demonstrada pelas coisas que, menos conhecidas na realidade, o são mais para nós, isto é, pelos efeitos.</p>
<p align="justify"> À primeira objeção devemos responder que, em estado vago e confuso, o conhecimento da existência é naturalmente inato em nós, uma vez que Deus é a felicidade do homem. De fato, o homem deseja naturalmente a felicidade e, aquilo que ele deseja naturalmente, ele conhece naturalmente. Mas isto não é, propriamente falando, conhecer a existência de Deus; exatamente como se pudéssemos saber que alguém chega,<br />
sem conhecer Pedro, quando é o próprio Pedro que chega. Muitos, de fato, colocam o supremo bem do homem nas riquezas, outros o colocam nos prazeres, outros alhures.</p>
<p align="justify"> À segunda, podemos responder que aquele que ouve pronunciar a palavra Deus pode ignorar que essa palavra designa uma coisa tal que não se possa conceber algo que lhe seja maior. Alguns, com efeito, acreditaram que Deus fosse um corpo. Mesmo que sustentemos que todos entendem a palavra Deus nesse sentido, isto é, no sentido de uma coisa tal que não se possa conceber algo que lhe seja maior, isto não significa que todos representam a existência dessa coisa como real e não como representação da inteligência. E não se pode concluir sua existência real salvo se se admite que essa coisa existe realmente. Ora, isso não é admitido por aqueles que rejeitam a existência de Deus.</p>
<p align="justify"> À terceira, devemos responder que a existência da verdade indeterminada é evidente por si mesma, mas que a existência da primeira verdade não é evidente em si mesma para nós.</p>
<p align="justify"> A Vontade Quer Necessariamente Tudo o Que Deseja?</p>
<p align="justify"> Dificuldades: Isso parece exato; de fato Dionísio diz que o mal está fora do objeto da vontade. Por conseguinte, ela tende necessariamente para o bem que lhe é proposto.</p>
<p align="justify"> O objeto está para a vontade assim como o motor está para o móvel. Ora, o movimento do móvel segue, necessariamente, o impulso do motor. Por conseguinte, o objeto da vontade move-a necessariamente. Assim como o que é conhecido pelos sentidos é objeto da afetividade sensível, assim o que é conhecido pela inteligência é objeto do apetite intelectual ou vontade. Mas o objeto dos sentidos move, necessariamente, a afetividade sensível; segundo Santo Agostinho, os animais são arrastados pelo que vêem. Por conseguinte, parece que o objeto conhecido pela inteligência move a vontade necessariamente.</p>
<p align="justify"> Entretanto: Santo Agostinho diz que a vontade é a faculdade pela qual pecamos ou vivemos segundo a justiça. Desse modo, ela é capaz de desejar coisas contrárias. Por conseguinte, ela não quer, por necessidade, tudo o que deseja.</p>
<p align="justify"> Conclusão: Eis como podemos prová-lo. Assim como a inteligência adere, necessária e naturalmente, aos primeiros princípios, assim a vontade adere ao fim último. Ora, existem verdades que não possuem relação necessária com os primeiros princípios; tais são as proposições contingentes cuja negação não implica na negação desses princípios. A inteligência não concede, necessariamente, seu assentimento a tais verdades. Mas existem proposições necessárias que possuem esta relação necessária; tais são as conclusões demonstrativas cuja negação significa a negação dos princípios. A estas últimas a inteligência concede seu assentimento necessariamente, na medida em que reconhece a conexão das conclusões com os princípios por meio de uma demonstração. Faltando isto, o assentimento não é necessário.</p>
<p align="justify"> O mesmo acontece com relação à vontade. Existem bens particulares que não possuem relação necessária com a felicidade, visto que se pode ser feliz sem eles. A tais bens, a vontade não adere necessariamente. Mas existem outros bens que implicam nessa relação; são aqueles pelos quais o homem adere a Deus, pois é só nele que se acha a verdadeira felicidade. Todavia, antes que essa conexão seja demonstrada como necessária pela certeza da visão divina, a vontade não adere necessariamente a Deus nem aos bens que a ele se relacionam. Mas a vontade daquele que vê Deus em sua essência adere necessariamente a Ele, do mesmo modo como agora nós queremos, necessariamente, ser felizes. Por conseguinte, é evidente que a vontade não quer, por necessidade, tudo o que deseja.</p>
<p align="justify"> Solução: A vontade não pode tender para nenhum objeto, se este não se lhe apresenta como um bem. Mas como existe uma infinidade de bens, ela não é necessariamente determinada por um só.</p>
<p align="justify"> A causa motora produz, necessariamente, o movimento do móvel, no caso em que a força dessa causa ultrapassa de tal maneira o móvel que toda capacidade que este tem de agir fica submetida à causa. Mas a capacidade da vontade, na medida em que se dirige para o bem universal e perfeito, não pode estar inteiramente subordinada a qualquer bem particular. Desse modo, ela não é, necessariamente, acionada por ele.</p>
<hr title="Educação" alt="Educação" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> <strong><span class="link1">Educação</span></strong></p>
<p align="justify"><strong>A Escolástica</strong></p>
<p> A Escolástica é a mais alta expressão da filosofia cristã medieval. Desenvolveu-se desde o século IX, tendo seu apogeu no século XIII e começo do século XIV, entrando em decadência até o renascimento. Chama-se <em>Escolástica</em> por ser a filosofia ensinada nas escolas. <em>Escholasticus</em> é o professor das artes liberais e mais tarde também o professor de teologia e filosofia, oficialmente chamado <em>magister</em>.</p>
<p> A Escolástica representa também o último período do pensamento cristão, que vai do começo do século IX até o fim do século XVI, isto é, da constituição do sacro romano império bárbaro, ao fim da Idade Média, que se assinala geralmente com a descoberta da América (1492). Este período do pensamento cristão se designa com o nome de escolástica, porquanto era a filosofia ensinada nas escolas da época, pelos mestres, chamados, por isso, escolásticos. As matérias ensinadas nas escolas medievais eram representadas pelas chamadas artes liberais, divididas em trívio &#8211; gramática, retórica, dialética &#8211; e quadrívio &#8211; aritmética, geometria, astronomia, música. A escolástica surge, historicamente, do especial desenvolvimento da dialética.</p>
<p> A falta dessa distinção &#8211; específica do pensamento agostiniano &#8211; manifesta-se não apenas na corrente chamada mística, mas também na orientação denominada dialética do pensamento medieval pré-tomista. Misticismo e dialeticismo, todavia, se diferenciam profundamente entre si. O segundo, com efeito, embora parta da revelação e do sobrenatural, toma-os como dados e pretende penetrá-los mediante a filosofia, até procurar as razões necessárias dos mistérios, finalizando uma espécie de racionalismo (Anselmo de Aosta e <strong><span class="link1">Pedro Abelardo</span></strong>). É, porém, um racionalismo inconsciente, proveniente da ignorância da verdadeira natureza e dos verdadeiros limites da razão. E, mesmo que os resultados lógicos pudessem ser os mesmos do racionalismo verdadeiro e próprio, o escopo não era reduzir a religião aos limites da razão humana, mas levantar esta à compreensão do supra-inteligível, a uma espécie de intuição mística.</p>
<p align="justify"> A tendência mística, pelo contrário, (São Pedro Damião e São Bernardo de Claraval) põe, acima e contra a razão e o intelecto, uma outra forma de conhecimento, de experiência do Divino: o sentimento, a fé, a vontade, o amor, culminando na união mística, no êxtase.</p>
<p align="justify"> Depois destas premissas, podemos dividir a escolástica em quatro períodos, colocando o período central da escolástica a figura soberana de Tomás de Aquino. Teremos, assim, um período pré-tomista em que persiste a tendência teológica-agostiniana. Este primeiro período da escolástica vai do começo do século IX (Carlos Magno) até à metade do século XIII (Tomás de Aquino), e pode ser assim dividido: séculos IX e X (Scoto Erígena e a questão dos universais); séculos XI e XII (místicos e dialéticos); século XIII (o triunfo do aristotelismo).</p>
<p align="justify"> O segundo período da escolástica é dominado pela figura soberana de Tomás de Aquino, o Aristóteles do pensamento filosófico cristão; este período coincide com a Segunda me<br />
tade do século XIII.</p>
<p align="justify"> Depois de Tomás de Aquino, a escolástica declina como metafísica (séculos XIV e XV), devido a um anacrônico e ilógico retorno ao agostinianismo. Afirmam-se, entretanto, ao mesmo tempo, tendências novas para a experiência e a concretidade, representando como que o prelúdio do pensamento moderno. Tal desenvolvimento da escolástica no sentido da experiência e da concretidade, é devido em especial aos franciscanos ingleses de Osford &#8211; Rogério Bacon, Duns Scoto, Guilherme de Occam -, em conformidade com as tendências positivas e práticas do espírito anglo-saxônio.</p>
<p> Os parâmetros da Educação na Idade Média se fundam na concepção do homem como criatura divina, de passagem pela Terra e que deve cuidar, em primeiro lugar, da salvação da alma e da vida eterna. Tendo em vista as possíveis contradições entre fé e razão, recomenda-se respeitar sempre o &#8220;princípio da autoridade&#8221;, que exige humildade para consultar os grandes sábios e intérpretes, autorizados pela Igreja, sobre a leitura dos clássicos e dos textos sagrados. Evita-se assim, a pluralidade de interpretações e se mantém a coesão da Igreja.</p>
<p> Após o trabalho enciclopédico dos sábios da primeira parte da Idade Média, a Escolástica inicia a sistematização da doutrina, recorrendo cada vez mais ao concurso da razão. Enquanto na Alta Idade Média predomina um misticismo de certa forma sereno, na Baixa Idade Média, com a urbanização, a sociedade se torna mais complexa e as heresias aumentam, prenunciando as rupturas na unidade secular da Igreja. Até entre os fiéis, mesmo quando não se despreza a religiosidade, o gosto pelo racional se torna evidente. As universidades serão o foco por excelência, dessa fermentação intelectual.</p>
<p> <strong>O Método Escolástico</strong></p>
<p> Consiste de três etapas: a leitura (lectio), o comentário (glossa), as questões (quaestio) e a discussão (disputatio). É um método que traduz um extremo formalismo utilizando com máximo rigor da lógica aristotélica. É importante destacar que as discussões do método escolástico não alçam voos muito altos por acharem-se vinculadas às verdades reveladas e ao estrito controle da ortodoxia religiosa.</p>
<p align="justify"><strong>As quatro fases da Escolástica</strong></p>
<p> <strong>A)A Escolástica Pré-Tomista &#8211; </strong><strong>Os Séculos IX e X &#8211; </strong><strong>Scoto Erígena e o Problema dos Universais</strong></p>
<p align="justify"> A história da filosofia escolástica começa propriamente com o nome de Scoto Erígena. João Scoto Erígena nasceu na Irlanda, dita Scotia maior, Eriu em língua céltica, donde o nome de Scoto Erígena. Pelo ano de 874 é chamado à corte culta e brilhante de Carlos o Calvo, para presidir e lecionar na escola palatina. Parece Ter falecido em França pelo ano 877. A sua obra principal é Da Divisão da Natureza (847), em cinco livros; é um diálogo entre mestre e discípulo e se inspira no neoplatonismo do pseudo Dionísio Areopagita, que Erígena traduziu do grego para o latim. Foi condenada pela Igreja (1225), e pode-se dizer que representa a falência definitiva das tentativas de síntese entre neoplatonismo emanatista e criacionismo cristão.</p>
<p align="justify"> Erígena parte da revelação divina para, depois, penetrar os mistérios mediante a razão iluminada por Deus. Tal pretensão de penetrar racionalmente os mistérios revelados devia acabar logicamente no racionalismo e, por conseqüência, na supressão do sobrenatural, por mais ortodoxa que fosse a intenção do autor.</p>
<p align="justify"> Eminentemente neoplatônico é o esquema especulativo de Da Divisão da Natureza: a descida da Unidade à multiplicidade, e retorno da multiplicidade à Unidade. De Deus desce-se às idéias supremas, aos gêneros, às espécies, aos indivíduos, e vice-versa. Deste modo, a divisão da natureza, da realidade, fica assim configurada:</p>
<p align="justify"> 1°. &#8211; A natureza que não é criada e cria (Deus Padre);</p>
<p align="justify"> 2°. &#8211; A natureza que é criada e cria (o Verbo de Deus, em que são contidas as idéias eternas, exemplares e causas das coisas);</p>
<p align="justify"> 3°. &#8211; A natureza que é criada e não cria (as coisas, realizadas mediante o Espírito de Deus);</p>
<p align="justify"> 4°. &#8211; A natureza que não é criada e não cria (isto é, Deus, concebido, porém, como ômega, termo, fim da realidade, e não como alfa, princípio). Como se vê, as fases primeira e Quarta coincidem (Deus = não criado), bem como coincidem as fases Segunda e terceira (mundo = criado).</p>
<p align="justify"> O problema dos universais, isto é, do valor dos conceitos, das idéias, problema que tão cedo e tão longamente interessou a escolástica, teve uma solução radical no pensamento escotista. Que valor têm os conceitos, que são universais, em relação e enquanto representativos das coisas, que são, ao contrário, particulares? O problema tem uma importância fundamental filosófica, não apenas lógica e dialética, mas também gnosiológica e metafísica.</p>
<p align="justify"> As soluções desse problema oferecidas pela escolástica são substancialmente, três: a solução chamada do realismo transcendente (platônica); a solução do realismo moderado, imanente (aristotélica); a solução nominalista.</p>
<p align="justify"> Segundo a solução do realismo transcendente, o universal, a idéia de uma realidade em si, não existe apenas fora da mente, mas também fora do objeto (universal ante rem): &#8211; é a solução platônica, geralmente adotada pela escolástica incipiente. Segundo a solução do realismo moderado, imanente, o universal tem em si uma realidade objetiva, fora da mente, mas é imanente nos objetos singulares de que é essência, forma, princípio ativo (universal in re): &#8211; corresponde à posição aristotélica, com a doutrina da forma que determina a matéria. A solução conceptualista-nominalista sustenta que o universal não tem nenhuma existência objetiva, mas apenas mental (universal post rem), ou até puramente nominal (nominalismo) &#8211; no mundo clássico esta posição é defendida pelos sofistas, estóicos, epicuristas, céticos, isto é, pelas gnosiologias empirista e sensitista.</p>
<p align="justify"> <strong>B)A Escolástica Pré-Tomista- Os Séculos XI e XII &#8211; </strong><strong>Místicos e Dialéticos</strong></p>
<p align="justify"> Depois da decadência cultural que se seguiu à renascença carolíngia, começa e se manifesta nos séculos XI e XII um renascimento especulativo. E isto não obstante a luta dos teólogos, dos místicos, contra a ciência (a filosofia) por eles considerada um resíduo pagão, uma distração mundana, vaidade e orgulho; e, portanto, contra os filósofos, e os dialéticos que a cultivavam. Os maiores representantes da corrente mística são: São Pedro Damião no século XI, São Bernardo de Claraval no século XII; da corrente dialética os maiores expoentes são: Santo Anselmo de Aosta no século XI e Pedro Abelardo (<span class="link1"><strong>clique aqui</strong> e saiba mais sobre Pedro Abelardo</span>) no século XII.</p>
<p align="justify"> São Pedro Damião, cardeal e arcebispo ostiense, conselheiro do monge Hildebrando, mais tarde Papa Gregório VII, escreveu Da Divina Onipotência. Nesta obra enaltece a onipotência de Deus, até colocá-la acima de toda lei racional, inclusive o princípio de contradição; daí a vaidade da ciência, da filosofia para entender Deus e as suas obras. São Bernardo de Claraval rejeita, asceticamente, o saber profano como um perigo e um luxo. A verdadeira sabedoria consiste no conhecimento da própria miséria, na compaixão para com a miséria do próximo, na contemplação de Deus, dos divinos mistérios, de Cristo crucificado, e culmina no êxtase. O caminho da sabedoria é a humildade.</p>
<p align="justify"> Santo Anselmo (1033-1109) nasceu em Aosta; foi monge prior e abade do mosteiro beneditino de Bec na Normandia e,<br />
depois, arcebispo de Canterbury na Inglaterra. As suas obras principais são: O Monologium, onde se propõe demonstrar a existência de Deus com um argumento simples e evidente, capaz de convencer imediatamente o ateu. Anselmo de Aosta é o primeiro grande filósofo medieval, após Scoto Erígena. Também ele é um platônico-agostiniano. O seu lema é: creio para compreender, o que significa partir da revelação divina, da fé e não da razão; mas é preciso penetrar depois a fé mediante a razão.</p>
<p align="justify"> O nome de Anselmo de Aosta é ligado ao famoso argumento ontológico, a priori, para demonstrar a existência de Deus; este argumento é contido no Proslogium. Pretende ele demonstrar a existência de Deus, partindo do mero conceito de Deus. O conceito que temos de Deus é o de um ser perfeitíssimo e, logo, Deus deve também existir realmente, do contrário não mais seria perfeitíssimo, faltando-lhe a existência. Em realidade, o argumento ontológico não vale: porquanto não podemos, no nosso conhecimento, passar da ordem lógica para a ordem ontológica, das idéias aos fatos, mas deve-se passar das coisas às idéias, da ordem real à ordem ideal.</p>
<p align="justify"> Pedro Abelardo (1097-1142), natural de Bretanha, estudante e, mais tarde, professor famoso em Paris, centro cultural do mundo católico, tornou-se religioso e foi peregrinando por muitos mosteiros e cátedras, após uma aventura amorosa com Heloísa, que lhe acarretou trágicas conseqüências. Acusado de heresia, foi condenado por dois concílios. Abelardo é uma das mais originais figuras do mundo medieval, mesmo faltando-lhe a profundidade e a capacidade sistemática de Santo Anselmo. Em conclusão, Abelardo é, ao mesmo tempo, filósofo e teólogo, grego e cristão, cético e sistemático, com um grande pendor para a crítica e a dialética.</p>
<p align="justify"> Escreveu as obras seguintes: História das Desventuras, conto biográfico da sua aventura com Heloísa; Dialética; Conhece-te a ti mesmo; Sic et non. No ensaio ético Conhece-te a ti mesmo valoriza, na vida moral, o elemento subjetivo, intencional, &#8211; elemento descurado na Idade Média &#8211; em confronto com o elemento objetivo, legal. Reconhecendo embora que são necessários os dois elementos, a fim de que haja ação pleidnte moral, Abelardo sustenta ser mais moral um ato executado com reta intenção, ainda que objetivamente mau, do que um ato executado conforme a lei, mas com intenção má. Também interessante é a sua posição crítica na pesquisa filosófica: a dúvida nos leva para a investigação, a investigação nos leva à ciência. Na obra Sic et non &#8211; coleção de sentenças contrastantes dos padres sobre assuntos da Escritura e da teologia &#8211; Abelardo se integra nas fileiras dos sentenciários, isto é, dos autores dos libri sententiarum entre os quais o mais famoso é Pedro Lombardo, (século XII), chamado precisamente magister sententiarum. Os livros das sentenças eram coleções sistemáticas &#8211; mais ou menos críticas &#8211; das doutrinas dos Padres, ordenadas segundo o esquema: Deus, criação, queda, redenção, meios de salvação. Preparam as grandes sumas medievais, especialmente as tomistas, que são construções sistemáticas elaboradas criticamente.</p>
<p align="justify"><strong>C) Escolástica Tomista &#8211; Apogeu e decadência &#8211; Século XIII &#8211; XIV</strong></p>
<p> A atividade filosófica da escolástica pré-tomista foi essencialmente lógico-dialética e, logo, formal. Esta atividade formal, intensa e penetrante, esperava um conteúdo adequado, racional, filosófico. E tal conteúdo lhe foi proporcionado pela descoberta do sistema aristotélico integral, que representa o ápice do pensamento helênico. O mundo latino-cristão, escolástico, depois de conhecido Aristóteles através da cultura árabe, apaixonou-se pela filosofia aristotélica, que estudou intensamente. Este movimento cultural e filosófico se desenvolveu especialmente no âmbito das universidades, então surgidas e organizadas eficientemente, graças aos pensadores pertencentes às ordens religiosas, os quais a tudo renunciaram, salvo à ciência e à caridade.</p>
<p align="justify"> A atitude do mundo latino-cristão perante Aristóteles foi tríplice: uma decidida aversão à filosofia que queria constituir-se unicamente com meios racionais, e um retorno ao agostianismo (São Boaventura); um culto idolátrico para com o Estagirita, que foi identificado com a própria razão humana e preferido, no fundo, à revelação cristã, quando não concordava com a razão (averroísmo latino); uma aceitação e valorização do sistema aristotélico, mas crítica e racional, pelo qual se chegou à construção de uma filosofia distinta e autônoma, mas em harmonia hierárquica com a fé (Tomás de Aquino).</p>
<p align="justify"> Como dissemos, foram os árabes &#8211; e secundariamente os hebreus &#8211; que levaram ao conhecimento do mundo latino-cristão a filosofia de Aristóteles. Os árabes, após terem conquistado o oriente helenista, entraram em contato com a cultura grega, especialmente na Síria. Em seguida, estendendo suas conquistas até o ocidente europeu, trouxeram-lhe a própria cultura impregnada de aristotelismo. Os árabes foram admiradores de Aristóteles e da sua filosofia, que salvaram das invasões bárbaras durante as trevas medievais do Ocidente latino. E assim, originariamente bárbaros eles mesmos, os árabes, por sua vez, foram civilizados pelo pensamento grego, aristotélico. Os maiores filósofos árabes conhecedores de Aristóteles e que influíram profundamente sobre o Ocidente latino-cristão, foram Avicena e Averroés. Avicena tentou harmonizar a filosofia aristotélica com a religião islâmica. Averroés, &#8211; o famoso comentador de Aristóteles &#8211; afirmava ao invés a subordinação da religião a filosofia quando as argumentações delas fossem contrastantes, e considerava a religião como uma filosofia simbólica para o vulgo.</p>
<p align="justify"> Era preciso traduzir do árabe para o latim as obras de Aristóteles e os comentários árabes. Foi o que fez, nos meados do século XII, uma sociedade de homens cultos surgida em Toledo, na Espanha. Mais tarde sentiu-se a necessidade de traduzir diretamente do grego as obras de Aristóteles, e, por conselho de Tomás de Aquino, Guilherme de Maerbeke (falecido em 1286) fez essa tradução, que proporcionou aos latinos o conhecimento do genuíno pensamento do Estagirita.</p>
<p align="justify"> Ao mesmo tempo se desenvolveram as universidades, as grandes universidades medievais, surgidas geralmente das escolas episcopais; famosas mais que todas as outras, foram as universidades de Paris e de Oxford. A universidade de Paris, a mais ilustre universidade da Idade Média, desenvolveu especialmente a filosofia e a teologia, inspirando-se na mentalidade aristotélica, ao passo que a universidade de Oxford dedicou-se especialmente às ciências naturais, inspirando-se na mentalidade agostiniana. O conjunto dos professores e dos alunos da universidade de Paris, em princípios do século XII, constituiu um corpo único, uma universitas única, e obteve das autoridades civis e religiosas reconhecimento jurídico e grandes privilégios. Especialmente os papas protegeram a universidade de Paris, devido à importância que tinha naquele estabelecimento do ensino superior universitário a teologia. Desta sorte, tal universidade se tornou como que a cidadela cultural da ortodoxia católica, o seminário dos filósofos e dos teólogos de todo mundo.</p>
<p align="justify"> Nessas universidades recém-organizadas, bem cedo, contra a vontade dos leigos e por desejo dos papas, entraram e tiveram preponderância professores pertencentes as duas ordens religiosas surgidas no século XIII: os Dominicanos, fundados por São Domingos de Gusmão, espanhol, e os Franciscanos, fundados por São Francisco de Assis, italiano. A característica nova e comum destas duas ordens religiosas foi a pobreza individual e coletiva, donde o nome de mendicantes a elas atribuído, e também certa liberdade a respeito das obriga<br />
ções conventuais, para melhor facultar o cultivo do estudo e a pregação apostólica entre o povo. Os dominicanos dedicaram-se mais ao estudo, à ciência, inspirando-se no pensamento aristotélico, exercendo, destarte, sua maior influência entre as classes sociais elevadas; os franciscanos, ao contrário, propuseram-se como finalidade principal a caridade ativa e tiveram uma enorme influência sobre o povo, inspirando-se</p>
<p> No século XIII, apogeu da escolástica, seu principal expoente é o dominicano Santo Tomás de Aquino, discípulo de Alberto Magno, que continua o esforço do mestre na divulgação e comentário da obra de Aristóteles.<br /> A respeito da pedagogia, Santo Tomás de Aquino escreveu o De Magistro, obra homonima à de Santo Agostinho, da qual buscou retomar alguns conceitos. Um desses pontos diz respeito à famosa questão: &#8220;Parece que só Deus ensina e deve ser chamado de Mestre&#8221;. Para Santo Tomás de Aquino a educação é uma atividade que torna realidade aquilo que é potencial. Assim seria nada mais do que uma atualização das potencialidades da criança., processo que o próprio educando desenvolve com o auxílio do mestre. A idéia da atualização das potencialidades se sustenta também na teoria aristotélica da matéria e da forma, dois princípios indissociáveis.<br /> apesar da importância da vontade humana nesse processo, o ensino depende das Satas Escrituras e da graça da Providência divina, já que o homem tem natureza corrompida. A educação não é mais do que um meio para atingir o ideal da verdade e do bem, superando as dificuldades interpostas pelas tentações do pecado.<br /> A idéia de um princípio divino ordenador do mundo é o cerne do pensamento tomista. Desse modo todas aas criaturas de Deus só podem aspirar por Ele. Assim como o anim é da natureza do animal realizar seu instinto, o homem por possuir inteligência deve aprender e discernir dentre os diversos bens aquele que é o Bem supremo. E nesse momento está sujeito ao erro e ao pecado., quando escolhe um bem menor, como o prazer sensual por exemplo. Assim, a metafísica de Santo Tomás de Aquino busca acima de tudo a ética, sendo esta que fornece os elementos para uma pedagogia, como instrumento para realizar no homem o que pede a sua natureza., e para ele o único bem capaz de proporcionar a felicidade à natureza humana é Deus. </p>
<p> <strong>O Monaquismo &#8211; A Educação nos Mosteiros &#8211; Os Filósofos Franciscanos</strong></p>
<p align="justify"> Os filósofos franciscanos julgaram fosse mister dar uma forma teórica à atitude prática, afetiva, sentimental do Pobrezinho de Assis que entrevia Deus e Jesus Cristo em todas as coisas. E julgaram os filósofos franciscanos que, para tanto, se prestasse o agostinianismo, com o seu misticismo e voluntarismo &#8211; julgando inapto para esse fim o racionalismo, o empirismo e o intelectualismo aristotélicos.</p>
<p align="justify"> O maior representante do agostinianismo antiaristotélico foi São Boaventura (1221-1274); nasceu na Itália, estudou em Paris e, mais tarde, foi geral da sua ordem e depois cardeal de Albano. Suas obras principais são: os Comentários a Pedro Lombardo, o Itinerário da Mente para Deus, sobre a Redução das Artes à Teologia.</p>
<p align="justify"> Segundo São Boaventura, a tarefa da filosofia não é teórica e racional, mas prática e religiosa, isto é, a filosofia deve levar a Deus, que se atinge imediatamente em todas as coisas e se possui pela união mística, como ele descreve no Itinerário. A gnosiologia de Boaventura inspira-se no iluminismo agostiniano, que lhe sugeriu a prova intuitiva da existência de Deus, enquanto ele é imediatamente presente ao espírito humano. A metafísica de Boaventura, pois, afirma três princípios diretamente opostos ao aristotelismo tomista: a existência de uma matéria geral sem as formas específicas; a pluralidade das formas em um mesmo ser, tantas quantas são as suas propriedades essenciais; a universalidade da matéria fora de Deus, porque todos os seres são compostos de matéria e de forma, inclusive as essências angélicas e as almas humanas. A psicologia de Boaventura, pois, sustenta que a alma humana é uma substância completa independentemente do corpo, composta de forma e matéria, auto-suficiente.</p>
<p align="justify"> Diametralmente oposto a este aristotelismo agostiniano, é o aristotelismo exagerado averroísta, que aceita o sistema aristotélico sem crítica nenhuma, e, por conseqüência, será inteiramente infecundo. Esta orientação filosófica é chamada averroísta, porquanto admite &#8211; como admitia Averroés &#8211; que haja teses filosóficas em contraste com o teísmo da religião, ainda que pareça limitar-se a sustentar a existência de duas verdades paralelas e contrastantes, e não chegar até subordinar a religião à filosofia. O maior representante do averroísmo latino é Siger de Brabante (falecido pelo ano de 1284), professor na universidade parisiense, condenado mais tarde pela Igreja. A sua obra principal é Da Alma Intelectiva. As teses mais notáveis de Siger em contraste com o cristianismo são: a negação da providência divina; a afirmação da eternidade do mundo; a afirmação da unidade do intelecto na espécie humana e a conseqüente negação da imortalidade pessoal do homem. Entre estas duas posições extremadas &#8211; de idolatria ou de irredutível hostilidade &#8211; a respeito de Aristóteles, medeia Tomás de Aquino, que realizará a justificação da filosofia e da teologia.</p>
<p align="justify"> <strong>D) A Escolástica Pós-Tomista</strong></p>
<p align="justify"> O tomismo era, talvez, um movimento excessivamente novo e arrojado, para poder súbita e definitivamente impor-se no âmbito do pensamento cristão medieval. Houve, portanto, no mesmo século XIII, logo depois de uma reação violenta contra o tomismo, um retorno especulativo ao agostinianismo, que julgou encobrir o seu anacronismo, tentando uma superação do racionalismo tomista. Entretanto esse movimento terminará nas posições fideístas do pré-tomismo, acentuadas e tornadas piores após a poderosa construção crítica e racional do Aquinate; e terminará, consequentemente, na ruína da metafísica, da filosofia, da ciência. A escolástica pós-tomista, contudo, sentiu profundamente o problema da concretidade e da experiência, indubitavelmente negligenciado pela escolástica clássica, donde surgirão a história e a ciência modernas &#8211; com suas técnicas &#8211; que constituem o valor do pensamento moderno.</p>
<p align="justify"> O centro desta escolástica pós-tomista é a universidade de Oxford, na Inglaterra, cujas características tendências empiristas, experimentais, positivas, práticas, são conhecidas.</p>
<hr title="Filosofos pós-tomistas" alt="Filosofos pós-tomistas" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong>Filósofos pós-tomistas </strong></p>
<p align="justify"> <strong>Roger Bacon</strong></p>
<p align="justify"> Roger Bacon (1210-1294), nascido na Inglaterra, entrou na ordem franciscana e estudou nas universidades de Oxford e de Paris. Após Ter lecionado algum tempo em Oxford, foi obrigado a deixar a cátedra. Estabeleceu-se então em Paris, onde levou uma vida agitada e foi condenado à prisão pelos próprios superiores da sua ordem. Crítico agressivo das maiores autoridades da sua época, foi um temperamento genial e original, enciclopédico e místico, cientista e supersticioso. A sua obra mais importante é a chamada Obra Maior; publicou ainda a Obra Menor e a Terceira Obra.</p>
<p align="justify"> Segundo Bacon, três são as fontes do saber: a autoridade, a razão, a experiência. A autoridade dá-nos a crença, a fé não porém a ciência, porquanto não nos fornece a compreensão das coisas que formam o objeto da crença. A razão proporciona essa compreensão, quer dizer, a ciência; no entanto, não consegue distinguir o sofisma da demonstração verdadeira, se não achar fundamento e confirmação na experiência. A ciência experimental constitui a fonte mais<br />
sólida da certeza. Conforme Bacon, todavia, deve-se entender por experiência não apenas a que se alcança pelos sentidos externos e nos oferece o mundo corpóreo, mas também a experiência proporcionada pela iluminação interior de Deus. É, como se vê, um vestígio do agostinianismo tradicional. Do agostinianismo, Bacon aceita também a unidade entre filosofia e teologia, que Tomás tinha distinguido.</p>
<p align="justify"> <strong>João Duns Scoto</strong></p>
<p align="justify"> O maior expoente da escolástica pós-tomista é, sem dúvida, João Duns Scoto, o doutor sutil. Também ele, inglês e franciscano, foi aluno e professor nas universidades de Oxford e de Paris. Faleceu em 1308. Suas obras principais são: a Obra Oxoniense, isto é, o tradicional comentário das sentenças de Pedro Lombardo; os Teoremas Sutilíssimos, as Questões Várias, a Obra Parisiense. Nestas obras revela-se um crítico e um pensador de muito superior a São Boaventura.</p>
<p align="justify"> O agostinianismo de Scoto manifesta-se, antes de tudo, no conceito de filosofia, entendida como instrumento para entender a fé e não como obra autônoma do espírito, como julga Tomás de Aquino. E, por sua vez, a teologia não é &#8211; segundo Scoto &#8211; disciplina essencialmente especulativa &#8211; como julga Aquinate &#8211; mas unicamente prática, em conformidade com o espírito do voluntarismo agostiniano.</p>
<p align="justify"> A gnosiologia iluminista-intuicionista agostiniana firma-se no escotismo não tanto como participação da inteligência humana na luz divina, quanto como sendo a espontaneidade e a independência do intelecto com respeito ao sentido. Em todo caso, está contra o chamado empirismo aristotélico-tomista, conforme o qual o nosso conhecimento começa pela sensibilidade. Scoto concede, em linha de fato, o empirismo do nosso conhecimento; não o admite em linha de direito, como exige o tomismo. E isso seria devido &#8211; segundo o doutor sutil &#8211; à escravidão da alma com respeito ao corpo, decorrente do pecado. Pelo contrário, deveria a alma, por sua natureza, conhecer diretamente as essências, não só as materiais mas também as espirituais.</p>
<p align="justify"> Na teodicéia, Scoto (contra a corrente agostiniana e em harmonia com o tomismo) ensina que Deus não é conhecido por intuição; a existência de Deus é demonstrável apenas com argumentos a posteriori, embora procure também combinar esta demonstração com o argumento ontológico, a priori. Quanto à natureza divina, o atributo essencial de Deus seria a infinidade.</p>
<p align="justify"> Na psicologia escotista aparece ainda uma doutrina inspirada no agostinianismo. É a doutrina do conhecimento intuitivo da essência da alma, princípio de todos os demais conhecimentos. E também inspira-se no agostinianismo a doutrina de certa independência da alma com respeito ao corpo; seria a alma, por natureza, uma substância completa.</p>
<p align="justify"> Com efeito, segundo Scoto, todos os seres, mesmos os espirituais, são compostos de matéria e de forma. A matéria não é mera potência, inexistente sem a forma, mas tem uma realidade sua própria; a forma não é única, mas há multiplicidade de formas em cada indivíduo. A individuação não depende da matéria (pelo que o indivíduo fica incognoscível intelectualmente), mas de um elemento formal individual, chamado haecceitas (que se sobrepõe à matéria por si subsistente e à hierarquia das formas); destarte, o indivíduo se tornaria intelectualmente cognoscível.</p>
<p align="justify"> Contra o intelectualismo tomista, Scoto sustenta a primazia da vontade: a vontade não depende do intelecto, mas o intelecto depende da vontade. A tarefa do homem é conhecer para querer e amar; na vida eterna, Deus seria atingido, na visão beatífica, pela vontade, pelo amor e não pelo intelecto. Scoto põe também em Deus esse primado de vontade sobre o intelecto. Desse modo, as coisas criadas por Deus não dependem fundamentalmente da razão divina, e sim da vontade divina. E a própria ordem ética não é intrinsecamente boa por motivo racional, mas unicamente porquanto é querida por Deus, que poderia impor uma ordem moral oposta, em que, por exemplo, a mentira, o adultério, o furto, o homicídio, etc., seriam ações morais, e imorais as ações opostas.</p>
<p align="justify"><strong><br /> Guilherme de Occam</strong></p>
<p align="justify"> Guilherme de Occam é, ao mesmo tempo, um opositor e um discípulo de Scoto: discípulo, no sentido de que desenvolve o individualismo de haecceitas escotista no nominalismo, que ele fez reviver no ambiente experimental da universidade de Oxford, depois do realismo imanente aristotélico-tomista. Guilherme nasceu em Occam na Inglaterra pouco antes do ano de 1300; fez-se franciscano, estudou e lecionou na Universidade de Oxford. Processado por heresia pela Santa Sé, refugiou-se junto do Imperador, então em luta contra o Papa, e escreveu várias obras para defender o imperador contra a Santa Sé. Faleceu pelo ano 1350. Suas obras especulativas são, além do Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo: Sete Várias Questões, Suma de Toda a Lógica, Centilóquio Teológico.</p>
<p align="justify"> Segundo Occam, o conhecimento sensível é superior ao conhecimento intelectual, porquanto o primeiro é intuitivo, ao passo que o segundo é abstrato; o primeiro dá-nos a realidade, concreta e individual, ao passo que o segundo nos dá apenas as semelhanças entre seres reais (as idéias gerais), e, por conseguinte, um conhecimento vago e confuso deles, que não nos permite distingui-los um do outro. O conhecimento sensível dá-nos as relações reais entre as coisas reais (o nexo causal, que se conhece só pela experiência), ao passo que o conhecimento intelectual nos proporciona conhecer as relações lógicas entre conceitos abstratos, sem nada nos dizer em torno da realidade das coisas. Em conclusão, a sensação é o sinal de um objeto na alma; o conceito é sinal de mais objetos percebidos como semelhantes. O conceito, pois, é um sinal natural, representado pelo nome que é, porém, um sinal artificial, variável segundo as diversas línguas.</p>
<p align="justify"> Estamos na linha do experimentalismo inglês da Universidade de Oxford; desse experimentalismo deriva o empirismo, e deste deriva logicamente a ruína do conceito e, conseqüentemente, da ciência, da filosofia, da moral, etc. E deriva também a ruína das próprias noções de substância e causa, indispensáveis à própria ciência natural, porquanto essas noções de substância e causa não são experimentáveis. Pelo fato de a alma e Deus não serem sensíveis, segue-se que não são cognoscíveis. Deus não se pode provar a posteriori mediante o princípio de causalidade, válido empiricamente; e também não se pode provar &#8211; pela via de causalidade &#8211; a alma, de que é impossível demonstrar cientificamente a imortalidade.</p>
<p align="justify"> Dado que em torno de Deus nada conhecemos filosoficamente, e dado outrossim o voluntarismo divino escotista, a vontade de Deus é absolutamente livre para criar uma moral mesmo oposta à presente, e para estabelecer uma outra ordem sobrenatural (por exemplo, se Deus quisesse, o Verbo poderia Ter-se encarnado num burro). Destarte, a ciência humana reduz-se à física, que nos faz conhecer os seres materiais, sensíveis, a lógica que nos ilustra as relações entre os conceitos. Portanto, nenhuma metafísica: o conhecimento de Deus, da alma, da moral, etc., é abandonado inteiramente à Revelação, à fé (fideísmo). Esta absoluta divisão entre a razão e a fé, coloca o ocamismo em uma posição afim à do averroísmo da dupla verdade. Com o diminuir da fé medieval e com o firmar-se do humanismo moderno, bem cedo a razão se porá contra a fé e a substituirá. O ocamismo tem um êxito vasto e imediato nos séculos XIV e XV; mas logo declina, degenerando num formalismo lógico. Com ele declina e, historicamente, termina a escolástica medieval.</p>
<p align="justify"><strong><br /></strong></p>
<p><strong><span<br />
class="link1">Fontes:</span></strong></p>
<p><strong>Na internet:</strong></p>
<p><strong>Consciência: Estudos sobre a consciência</strong><br /> <a class="link1" href="http://www.consciencia.org/medieval/aquino.shtml" target="_blank">http://www.consciencia.org/medieval/aquino.shtml</a><br /> <strong>Hyeros </strong><br /> <a class="link1" href="http://orbita.starmedia.com/%7Ehyeros/index.html" target="_blank">http://orbita.starmedia.com/~hyeros/index.html</a><br /> <strong>O Mundo dos Filósofos: Tomás de Aquino</strong><br /> <a class="link1" href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/aquino.htm" target="_blank">http://www.mundodosfilosofos.com.br/aquino.htm</a><br /> <strong>O Mundo dos Filósofos: Escolástica</strong><br /> <a class="link1" href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/escolastica.htm" target="_blank">http://www.mundodosfilosofos.com.br/escolastica.htm</a><br /> <strong>THOMAE AQUINATIS OPERA OMNIA </strong>(em espanhol)<br /> <a class="link1" href="http://www.tacalumni.org/aquinas/%20" target="_blank">http://www.tacalumni.org/aquinas/ </a><br /> <strong>Portal Santo Tomas</strong> (em espanhol)<br /> <a class="link1" href="http://www.thomas-d-aquin.com/%20" target="_blank">http://www.thomas-d-aquin.com/ </a><br /> <strong>Aquinas Online</strong> (em espanhol)<br /> <a class="link1" href="http://www.aquinasonline.com/%20" target="_blank">http://www.aquinasonline.com/ </a><br /> <strong>Ciência Tomista</strong> (em espanhol)<br /> <a class="link1" href="http://edsanesteban.dominicos.org/PORCT.HTM%20" target="_blank">http://edsanesteban.dominicos.org/PORCT.HTM </a><br /> <strong>Estudos Filosóficos</strong> (em espanhol)<br /> <a class="link1" href="http://estudiosfilosoficos.dominicos.org/" target="_blank">http://estudiosfilosoficos.dominicos.org</a><br /> <strong>THE THOMIST </strong>(em inglês)<br /> <a class="link1" href="http://www.thomist.org/%20" target="_blank">http://www.thomist.org/ </a><br /> <strong>REVUE THOMISTE </strong>(em francês) <br /> <a class="link1" href="http://panoramix.univ-paris1.fr/CHPE/Textes/Thomas/Somme/%20" target="_blank">http://www.tradere.org/thomiste/ </a><br /> <strong>Suma Teológica </strong>(em francês) <br /> <a class="link1" href="http://panoramix.univ-paris1.fr/CHPE/Textes/Thomas/Somme/%20" target="_blank">http://panoramix.univ-paris1.fr/CHPE/Textes/Thomas/Somme/ </a><br /> <strong>Suma Teológica </strong>(em inglês)<br /> <a class="link1" href="http://www.ccel.org/a/aquinas/summa/home.html%20" target="_blank">http://www.ccel.org/a/aquinas/summa/home.html </a><br /> <strong>Perfil Biografico</strong> (em espanhol)<br /> http://www.dominicos.org/op/hagiografia/aquino.htm<br /> <strong>Breves Textos Escolhidos</strong> (em espanhol)<br /> <a class="link1" href="http://www.dominicos.org/op/textosdo%20" target="_blank">http://www.dominicos.org/op/textosdo </a></p>
<p> <strong>Bibliografia:</p>
<p> </strong>ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
<p align="justify">ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.</p>
<p align="justify">ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2002.</p>
<p> AGOSTINHO, Santo, Tradução de J. Oliveira Santos, S.J., e A. Ambrósio de Pina. S.J., Confissões, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo, Brasil, 1999.</p>
<p> SANTO Agostinho. &#8220;De Magistro&#8221;. In: Santo Agostinho, São Paulo: Abril Cultural, 1973, Coleção Os Pensadores.</p>
<p>CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995.</p>
<p align="justify">MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.</p>
<p align="justify">ROSA, Maria da Gloria de. A história da educação através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1999.</p>
<div id="pfButton"><a href="http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-tomas-de-aquino/?pfstyle=wp" title="Print an optimized version of this web page" style="text-decoration: none;"><img id="printfriendly" style="border:none; padding:0;" src="http://cdn.printfriendly.com/pf-print-icon.gif" alt="Print"/><span style="font-size: 12px; color: #55750c;"> Print <img src="http://cdn.printfriendly.com/pf-pdf-icon.gif" alt="Get a PDF version of this webpage" /> PDF </span></a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-tomas-de-aquino/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Santo Agostinho</title>
		<link>http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-agostinho/</link>
		<comments>http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-agostinho/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:09:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatrix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia-Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://beatrix1.tempsite.ws/site/?p=49</guid>
		<description><![CDATA[Santo Agostinho (354-430) é considerado o último dos pensadores antigos, já que cronologicamente e tematicamente se situa no contexto do pensamento antigo, e o primeiro dos medievais, já que sua obra, de grande originalidade influencia fortemente os rumos que tomaria o pensamento medieval em seus primeiros séculos. Durante esse período, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="imagens/agosafricano.jpg" border="0" width="124" height="173" align="left" />Santo Agostinho (354-430) é considerado o último dos pensadores antigos, já que cronologicamente e tematicamente se situa no contexto do pensamento antigo, e o primeiro dos medievais, já que sua obra, de grande originalidade influencia fortemente os rumos que tomaria o pensamento medieval em seus primeiros séculos. Durante esse período, a Igreja foi a única instituição estável, e a principal, e quase exclusivamente responsável, pela educação e pela cultura. Foi nas bibliotecas dos mosteiros que se preservaram textos da Antigüidade Clássica greco-romana. É claro que de forma altamente seletiva, já que foram preservados essencialmente textos considerados compatíveis com o cristianismo, bem como textos de pensadores dos primeiros séculos da era cristã.</p>
<p><span id="more-49"></span>
<p align="justify"> Em 410, Roma, absolutamente fragilizada, foi saqueada pelos godos. Os pagãos &#8211; nome com que a Igreja designava os não-cristãos &#8211; atribuíram a invasão ao fato de os romanos terem abandonado os deuses antigos. De acordo com eles, enquanto fora adorado, Júpiter protegera a cidade; ao ser &#8220;trocado&#8221; pelo cristianismo, deixara de fazê-lo.</p>
<p align="justify">Entre 412 e 427, Santo Agostinho escreveu &#8220;A Cidade de Deus&#8221;, um livro cuja base era a filosofia grega e que exerceria forte influência nos tempos medievais. Nele respondeu a tais acusações, argumentando que coisas piores haviam ocorrido em tempos pré-cristãos. Que os deuses pagãos eram perversos. Ele não negava a existência de entidades como Baco, Netuno e Júpiter, considerados demônios.</p>
<p align="justify">Demônios que ordenavam aos homens, por exemplo, que criassem peças teatrais, definidas por Santo Agostinho como &#8220;espetáculos da imundície&#8221;. Em razão desses deuses, Roma sempre fora perversa e pecaminosa.</p>
<p align="justify">Com o cristianismo, ela se salvaria. E, se a cidade dos homens fora invadida, pouco importava, já que o objetivo maior dos homens era a salvação por meio da bondade para atingir a cidade de Deus, a sociedade dos eleitos.</p>
<p align="justify">A busca central não era a cidadania na sociedade dos homens, mas a salvação no reino de Deus.</p>
<p align="justify">Para falar sobre o mal que habitaria os homens, Santo Agostinho relatou, em suas &#8220;Confissões&#8221; &#8211; história apaixonada de sua descoberta de Deus &#8211; , que na infância roubara pêras da árvore de um vizinho, embora não estivesse com fome e na casa de seus pais houvesse melhores. Fizera-o por maldade e considerava tal ato um de seus maiores pecados. O pecado para ele habitava todos os homens. E, se os bebês são inocentes, não é porque lhes falte o desejo de fazerem o mal, mas por carecerem de força. Assim era Santo Agostinho.</p>
<hr title="Vida e Obra" alt="Vida e Obra" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p><strong><span class="link1">Vida e Obra</span></strong></p>
<p align="justify"> <img src="imagens/santo_agostinho.jpg" border="0" width="143" height="205" align="left" />Aurélio Agostinho destacava-se entre os Patrísticos assim como Tomás de Aquino se destacou entre os Escolásticos. E, como Tomás de Aquino se inspirou na filosofia de Aristóteles, e foi o maior vulto da filosofia metafísica cristã, Agostinho inspirou-se em Platão, ou melhor, no neoplatonismo. Agostinho, pela profundidade do seu sentir e pelo seu gênio compreensivo, fundiu em si mesmo o caráter especulativo da <em>paidéia</em> grega com o caráter prático da <em>humanitas</em> latina, ainda que os problemas que fundamentalmente o preocupavam fossem sempre os problemas práticos e morais: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação.</p>
<p align="justify"> Santo Agostinho escreveu mais de 400 sermões, 270 cartas que se assemelham a tratados doutrinários e 150 livros, mas muito pouco de sua obra foi convertida para o português.</p>
<p align="justify">Aurelius Augustinus, mais conhecido como Santo Agostinho, nasce em Tagaste de Numídia, província romana ao norte da África, em 13 de novembro de 354. Primogênito do pagão Patrício e da fervorosa cristã Mônica. Criança alegre, buliçosa, entusiasta do jogo, travessa e amante da amizade, não gostava muito de estudar porque os mestres usavam métodos agressivos, e, não eram para ele, sinceros. Ante os adultos se revelou como &#8220;um menino de grandes esperanças&#8221;, com inteligência clara e coração inquieto.</p>
<p align="justify">Africano pela lei do solo, romano pela cultura e língua, e cristão por educação. Agostinho, jovem, de temperamento impulsivo, se entregou com afinco ao estudo e aprendeu toda a ciência do seu tempo. Chegou a ser brilhante professor de retórica em Cartago, Roma e Milão. Em sua busca afanosa viveu longos anos com ânimo disperso. Vazio de Deus e agarrado pelo pecado, a vontade &#8220;sequestrada&#8221;, errante e peregrina, &#8220;enganado e enganador&#8221;. Mas, seu coração, sempre aberto à verdade, chegou ao encontro da graça pelo caminho da interioridade, apoiado pelas orações de sua mãe, que na infância lhe havia marcado com o sinal da cruz.</p>
<p align="justify">Deixando a docência, retira-se a Cassicíaco, recinto de paz e silêncio, e põe em prática o Evangelho em profunda amizade compartida: vida de quietude, animada somente pela paixão à verdade. Assim se preparou para ser batizado na primavera de 387 por Santo Ambrósio.</p>
<p align="justify">De novo em Tagaste, a mãe morreu no porto de Roma, vendeu suas posses e projetou seu programa de vida comum: pobreza, oração e trabalho. Por seus dotes naturais e títulos de graça, cresceu em torno dele um grupo de amizade e fundou para a história o Monacato Agostiniano.</p>
<p align="justify">No ano de 391 é proclamado sacerdote pelo povo, e cinco anos mais tarde, os cristãos de Hipona o apresentaram para o Episcopado. Consagrado Bispo de Hipona, título de serviço e não de honra, converte a sua residência em casa de oração e tribunal de causas. Inspirador da vida religiosa, pastor de almas, administrador de justiça, defensor da fé e da verdade. Prega e escreve de forma infatigável e condensa o pensamento do seu tempo.</p>
<p align="justify">Foi Santo Agostinho quem inaugurou a literatura confessional, e o seu livro Confissões tem no mundo ocidental medieval importância talvez tão grande quanto a que é dada a Odisséia ou a Divina Comédia na Antiguidade Clássica. Em Confissões, escrito quando ele ainda tinha 43 anos de idade, Agostinho narra sua vida, contada com suavidade, parece a história de uma alma, &#8220;onde se revelam os prodígios da graça em uma natureza rebelde e decaída&#8221;.</p>
<p align="justify">A despeito de ter recebido na infância uma educação cristã da mãe, Santa Mônica, em nenhum momento de sua juventude Agostinho ardeu de entusiasmo pelo cristianismo. Foi a busca de um caminho para uma vida mais elevada, da qual não desistiu enquanto não se deu por satisfeito em responder as perguntas que o incomodavam. E esta busca o elevou ao mais alto grau da capacidade intelectual da mente humana.</p>
<p align="justify">Em outra obra &#8220;Livre Arbítrio&#8221; Agostinho dialoga com Evódio, e esta obra tem como tema o problema da liberdade humana e da origem do mal moral, problema com o qual ele se preocupava desde a adolescência. Agostinho não podia suportar a idéia de que Deus fosse a causa do pecado e nessa obra deixa claro que Deus não nos induz a cometer o mal, mas nos dá a liberdade para escolher ou o bem ou o mal.</p>
<p align="justify">Santo Agostinho não era um homem feliz o que, segundo ele, lhe inspirava a filosofar. Em seu livro &#8220;A Cidade de Deus&#8221; afirma que &#8220;o homem não tem razão para filosofar, exceto para atingir a felicidade&#8221;. Neste livro Agostinho tem como base a história de Adão e Eva e visa o pecado e grandes oposições como bem e mal, carne e alma. Aqueles que aderem ao bem e têm como força a graça divina edificam a Cidade de Deus e vivem em bem-aventurança eterna. Abel, o episódio da arca de Noé, Abraão, Moisés, a época dos profetas e ainda a vinda de Jesu<br />
s, são manifestações da Cidade de Deus. Já os que aderem ao pecado constroem a cidade humana, terrena, e recebem apenas castigos. Caim, o dilúvio, a servidão dos hebreus aos egípcios, são exemplos dessa cidade humana.</p>
<p align="justify">Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual.</p>
<p align="justify"> Entrementes &#8211; depois de maduro exame crítico &#8211; abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal. Destarte chegara a uma concepção cristã da vida &#8211; no começo do ano 386. Entretanto a conversão moral demorou ainda, por razões de luxúria. Finalmente, como por uma fulguração do céu, sobreveio a conversão moral e absoluta, no mês de setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e dalguns discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cuja doutrina e eloqüência muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade.</p>
<p align="justify"> Depois da conversão, Agostinho abandona Milão, e, falecida a mãe em Óstia, volta para Tagasta. Aí vendeu todos os haveres e, distribuído o dinheiro entre os pobres, funda um mosteiro numa das suas propriedades alienadas. Ordenado padre em 391, e consagrado bispo em 395, governou a igreja de Hipona até à morte, que se deu durante o assédio da cidade pelos vândalos, a 28 de agosto do ano 430. Tinha setenta e cinco anos de idade.</p>
<p align="justify"> Após a sua conversão, Agostinho dedicou-se inteiramente ao estudo da Sagrada Escritura, da teologia revelada, e à redação de suas obras, entre as quais têm lugar de destaque as filosóficas. As obras de Agostinho que apresentam interesse filosófico são, sobretudo, os diálogos filosóficos: Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma, Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música. Interessam também à filosofia os escritos contra os maniqueus: Sobre os costumes, Do livre arbítrio, Sobre as duas almas, Da natureza do bem.</p>
<p align="justify"> Dada, porém, a mentalidade agostiniana, em que a filosofia e a teologia andam juntas, compreende-se que interessam à filosofia também as obras teológicas e religiosas, especialmente: Da Verdadeira Religião, As Confissões, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.</p>
<hr title="Pensamento" alt="Pensamento" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> <strong><span class="link1">Pensamento</span></strong></p>
<p align="justify"> Agostinho considera a filosofia praticamente, platonicamente, como solucionadora do problema da vida, ao qual só o cristianismo pode dar uma solução integral. Todo o seu interesse central está portanto, circunscrito aos problemas de Deus e da alma, visto serem os mais importantes e os mais imediatos para a solução integral do problema da vida.</p>
<p align="justify"> O problema gnosiológico é profundamente sentido por Agostinho, que o resolve, superando o ceticismo acadêmico mediante o iluminismo platônico. Inicialmente, ele conquista uma certeza: a certeza da própria existência espiritual; daí tira uma verdade superior, imutável, condição e origem de toda verdade particular. Embora desvalorizando, platonicamente, o conhecimento sensível em relação ao conhecimento intelectual, admite Agostinho que os sentidos, como o intelecto, são fontes de conhecimento. E como para a visão sensível além do olho e da coisa, é necessária a luz física, do mesmo modo, para o conhecimento intelectual, seria necessária uma luz espiritual. Esta vem de Deus, é a Verdade de Deus, o Verbo de Deus, para o qual são transferidas as idéias platônicas. No Verbo de Deus existem as verdades eternas, as idéias, as espécies, os princípios formais das coisas, e são os modelos dos seres criados; e conhecemos as verdades eternas e as idéias das coisas reais por meio da luz intelectual a nós participada pelo Verbo de Deus. Como se vê, é a transformação do inatismo, da reminiscência platônica, em sentido teísta e cristão. Permanece, porém, a característica fundamental, que distingue a gnosiologia platônica da aristotélica e tomista, pois, segundo a gnosiologia platônica-agostiniana, não bastam, para que se realize o conhecimento intelectual humano, as forças naturais do espírito, mas é mister uma particular e direta iluminação de Deus.</p>
<hr title="Metafísica" alt="Metafísica" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> <strong><span class="link1">Metafísica</span></strong></p>
<p align="justify"> Em relação com esta gnosiologia, e dependente dela, a existência de Deus é provada, fundamentalmente, a priori, enquanto no espírito humano haveria uma presença particular de Deus. Ao lado desta prova a priori, não nega Agostinho as provas a posteriori da existência de Deus, em especial a que se afirma sobre a mudança e a imperfeição de todas as coisas. Quanto à natureza de Deus, Agostinho possui uma noção exata, ortodoxa, cristã: Deus é poder racional infinito, eterno, imutável, simples, espírito, pessoa, consciência, o que era excluído pelo platonismo. Deus é ainda ser, saber, amor. Quanto, enfim, às relações com o mundo, Deus é concebido exatamente como livre criador. No pensamento clássico grego, tínhamos um dualismo metafísico; no pensamento cristão &#8211; agostiniano &#8211; temos ainda um dualismo, porém moral, pelo pecado dos espíritos livres, insurgidos orgulhosamente contra Deus e, portanto, preferindo o mundo a Deus. No cristianismo, o mal é, metafisicamente, negação, privação; moralmente, porém, tem uma realidade na vontade má, aberrante de Deus. O problema que Agostinho tratou, em especial, é o das relações entre Deus e o tempo. Deus não é no tempo, o qual é uma criatura de Deus: o tempo começa com a criação. Antes da criação não há tempo, dependendo o tempo da existência de coisas que vem-a-ser e são, portanto, criadas.</p>
<p align="justify"> Também a psicologia agostiniana harmonizou-se com o seu platonismo cristão. Por certo, o corpo não é mau por natureza, porquanto a matéria não pode ser essencialmente má, sendo criada por Deus, que fez boas todas as coisas. Mas a união do corpo com a alma é, de certo modo, extrínseca, acidental: alma e corpo não formam aquela unidade metafísica, substancial, como na concepção aristotélico-tomista, em virtude da doutrina da forma e da matéria. A alma nasce com o indivíduo humano e, absolutamente, é uma específica criatura divina, como todas as demais. Entretanto, Agostinho fica indeciso entre o criacionismo e o traducionismo, isto é, se a alma é criada diretamente por Deus, ou provém da alma dos pais. Certo é que a alma é imortal, pela sua simplicidade. Agostinho, pois, distingue, platonicamente, a alma em vegetativa, sensitiva e intelectiva, mas afirma que elas são fundidas em uma substância humana. A inteligência é divina em intelec<br />
to intuitivo e razão discursiva; e é atribuída a primazia à vontade. No homem a vontade é amor, no animal é instinto, nos seres inferiores cego apetite.</p>
<p align="justify"> Quanto à cosmologia, pouco temos a dizer. Como já mais acima se salientou, a natureza não entra nos interesses filosóficos de Agostinho, preso pelos problemas éticos, religiosos, Deus e a alma. Mencionaremos a sua famosa doutrina dos germes específicos dos seres &#8211; rationes seminales. Deus, a princípio, criou alguns seres já completamente realizados; de outros criou as causas que, mais tarde, desenvolvendo-se, deram origem às existências dos seres específicos. Esta concepção nada tem que ver com o moderno evolucionismo, como alguns erroneamente pensaram, porquanto Agostinho admite a imutabilidade das espécies, negada pelo moderno evolucionismo.</p>
<hr title="Moral" alt="Moral" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> <strong><span class="link1">A Moral</span></strong></p>
<p align="justify"> Evidentemente, a moral agostiniana é teísta e cristã e, logo, transcendente e ascética. Nota característica da sua moral é o voluntarismo, a saber, a primazia do prático, da ação &#8211; própria do pensamento latino &#8211; , contrariamente ao primado do teorético, do conhecimento &#8211; próprio do pensamento grego. A vontade não é determinada pelo intelecto, mas precede-o. Não obstante, Agostinho tem também atitudes teoréticas como, por exemplo, quando afirma que Deus, fim último das criaturas, é possuído por um ato de inteligência. A virtude não é uma ordem de razão, hábito conforme à razão, como dizia Aristóteles, mas uma ordem do amor.</p>
<p align="justify"> Entretanto a vontade é livre, e pode querer o mal, pois é um ser limitado, podendo agir desordenadamente, imoralmente, contra a vontade de Deus. E deve-se considerar não causa eficiente, mas deficiente da sua ação viciosa, porquanto o mal não tem realidade metafísica. O pecado, pois, tem em si mesmo imanente a pena da sua desordem, porquanto a criatura, não podendo lesar a Deus, prejudica a si mesma, determinando a dilaceração da sua natureza. A fórmula agostiniana em torno da liberdade em Adão &#8211; antes do pecado original &#8211; é: poder não pecar; depois do pecado original é: não poder não pecar; nos bem-aventurados será: não poder pecar. A vontade humana, portanto, já é impotente sem a graça. O problema da graça &#8211; que tanto preocupa Agostinho &#8211; tem, além de um interesse teológico, também um interesse filosófico, porquanto se trata de conciliar a causalidade absoluta de Deus com o livre arbítrio do homem. Como é sabido, Agostinho, para salvar o primeiro elemento, tende a descurar o segundo.</p>
<p align="justify"> Quanto à família, Agostinho, como Paulo apóstolo, considera o celibato superior ao matrimônio; se o mundo terminasse por causa do celibato, ele alegrar-se-ia, como da passagem do tempo para a eternidade. Quanto à política, ele tem uma concepção negativa da função estatal; se não houvesse pecado e os homens fossem todos justos, o Estado seria inútil. Consoante Agostinho, a propriedade seria de direito positivo, e não natural. Nem a escravidão é de direito natural, mas conseqüência do pecado original, que perturbou a natureza humana, individual e social. Ela não pode ser superada naturalmente, racionalmente, porquanto a natureza humana já é corrompida; pode ser superada sobrenaturalmente, asceticamente, mediante a conformação cristã de quem é escravo e a caridade de quem é amo.</p>
<p align="justify"> <strong><span class="link1">O Mal</span></strong></p>
<p align="justify"> Agostinho foi profundamente impressionado pelo problema do mal &#8211; de que dá uma vasta e viva fenomenologia. Foi também longamente desviado pela solução dualista dos maniqueus, que lhe impediu o conhecimento do justo conceito de Deus e da possibilidade da vida moral. A solução deste problema por ele achada foi a sua libertação e a sua grande descoberta filosófico-teológica, e marca uma diferença fundamental entre o pensamento grego e o pensamento cristão. Antes de tudo, nega a realidade metafísica do mal. O mal não é ser, mas privação de ser, como a obscuridade é ausência de luz. Tal privação é imprescindível em todo ser que não seja Deus, enquanto criado, limitado. Destarte é explicado o assim chamado mal metafísico, que não é verdadeiro mal, porquanto não tira aos seres o lhes é devido por natureza. Quanto ao mal físico, que atinge também a perfeição natural dos seres, Agostinho procura justificá-lo mediante um velho argumento, digamos assim, estético: o contraste dos seres contribuiria para a harmonia do conjunto. Mas é esta a parte menos afortunada da doutrina agostiniana do mal.</p>
<p align="justify"> Quanto ao mal moral, finalmente existe realmente a má vontade que livremente faz o mal; ela, porém, não é causa eficiente, mas deficiente, sendo o mal não-ser. Este não-ser pode unicamente provir do homem, livre e limitado, e não de Deus, que é puro ser e produz unicamente o ser. O mal moral entrou no mundo humano pelo pecado original e atual; por isso, a humanidade foi punida com o sofrimento, físico e moral, além de o ter sido com a perda dos dons gratuitos de Deus. Como se vê, o mal físico tem, deste modo, uma outra explicação mais profunda. Remediou este mal moral a redenção de Cristo, Homem-Deus, que restituiu à humanidade os dons sobrenaturais e a possibilidade do bem moral; mas deixou permanecer o sofrimento, conseqüência do pecado, como meio de purificação e expiação. E a explicação última de tudo isso &#8211; do mal moral e de suas conseqüências &#8211; estaria no fato de que é mais glorioso para Deus tirar o bem do mal, do que não permitir o mal. Resumindo a doutrina agostiniana a respeito do mal, diremos: o mal é, fundamentalmente, privação de bem (de ser); este bem pode ser não devido (mal metafísico) ou devido (mal físico e moral) a uma determinada natureza; se o bem é devido nasce o verdadeiro problema do mal; a solução deste problema é estética para o mal físico, moral (pecado original e Redenção) para o mal moral (e físico).</p>
<p align="justify"><span class="link1"><br /> </span><span class="link1"><strong>A História</strong></span></p>
<p align="justify"> Como é notório, Agostinho trata do problema da história na Cidade de Deus, e resolve-o ainda com os conceitos de criação, de pecado original e de Redenção. A Cidade de Deus representa, talvez, o maior monumento da antigüidade cristã e, certamente, a obra prima de Agostinho. Nesta obra é contida a metafísica original do cristianismo, que é uma visão orgânica e inteligível da história humana. O conceito de criação é indispensável para o conceito de providência, que é o governo divino do mundo; este conceito de providência é, por sua vez, necessário, a fim de que a história seja suscetível de racionalidade. O conceito de providência era impossível no pensamento clássico, por causa do basilar dualismo metafísico. Entretanto, para entender realmente, plenamente, o plano da história, é mister a Redenção, graças aos quais é explicado o enigma da existência do mal no mundo e a sua função. Cristo tornara-se o centro sobrenatural da história: o seu reino, a cidade de Deus, é representada pelo povo de Israel antes da sua vinda sobre a terra, e pela Igreja depois de seu advento. Contra este cidade se ergue a cidade terrena, mundana, satânica, que será absolutamente separada e eternamente punida nos fins dos tempos.</p>
<p align="justify"> Agostinho distingue em três grandes seções a história antes de Cristo. A primeira concerne à história das duas cidades, após o pecado original, até que ficaram confundidas em um único caos humano, e chega até a Abraão, época em que começou a separação. Na Segunda descreve Agostinho a história da cidade de Deus, recolhida e configurada em Israel, de Abraão até Cristo. A terceira retoma, em separado, a narrativa do ponto em que começa a história da Cidade de Deus separada, isto é,<br />
desde Abraão, para tratar paralela e separadamente da Cidade do mundo, que culmina no império romano. Esta história, pois, fragmentária e dividida, onde parece que Satanás e o mal têm o seu reino, representa, no fundo, uma unidade e um progresso. É o progresso para Cristo, sempre mais claramente, conscientemente e divinamente esperado e profetizado em Israel; e profetizado também, a seu modo, pelos povos pagãos, que, consciente ou inconscientemente, lhe preparavam diretamente o caminho. Depois de Cristo cessa a divisão política entre as duas cidades; elas se confundem como nos primeiros tempos da humanidade, com a diferença, porém, de que já não é mais união caótica, mas configurada na unidade da Igreja. Esta não é limitada por nenhuma divisão política, mas supera todas as sociedades políticas na universal unidade dos homens e na unidade dos homens com Deus. A Igreja, pois, é acessível, invisivelmente, também às almas de boa vontade que, exteriormente, dela não podem participar. A Igreja transcende, ainda, os confins do mundo terreno, além do qual está a pátria verdadeira. Entretanto, visto que todos, predestinados e ímpios, se encontram empiricamente confundidos na Igreja &#8211; ainda que só na unidade dialética das duas cidades, para o triunfo da Cidade de Deus &#8211; a divisão definitiva, eterna, absoluta, justíssima, realizar-se-á nos fins dos tempos, depois da morte, depois do juízo universal, no paraíso e no inferno. É uma grande visão unitária da história, não é uma visão filosófica, mas teológica: é uma teologia, não uma filosofia da história.</p>
<hr title="Educação" alt="Educação" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p><strong><span class="link1">Educação</span></strong></p>
<p align="justify">Agostinho foi grande pensador e sutil psicólogo. Mas destacou-se sobretudo como o mais importante filósofo e teólogo, no limiar entre a Antiguidade e a Idade Média. É igualmente o principal representante da educação patrística, que perdurou do século I ao VII depois de Cristo. Esse modelo de educação que teve sua origem no chamado período decadente do Império Romano, mas que influenciou um longo período da Idade Média, se caracterizava pela intenção apologética, isso é, de defesa da fé e conversão dos não-cristãos. A exposição da doutrina religiosa tenta harmonizar fé e razão., a fim de compreender a natureza de Deus e da alma e os valores da vida moral. Os primeiros teólogos da educação patrística, ao retornar à filosofia platônica, dão destaque a alguns temas, adaptando-os à ótica cristã de valorização do supra sensível, a fim de fundamentar uma moral rigorosa, que defende a abdicação do mundo e o controle racional das paixões. Em sua busca de conciliação entre a fé cristã e as doutrinas greco-romanas difundiu escolas catequéticas por todo o império.<br /> Os estudo medievais compreendiam o <em>trivium</em> (gramática, dialética e retórica) e o <em>quadrivium</em> (aritmética, geometria, astronomia e música).<br /> Durante muito tempo Agostinho deu aulas de retórica em Tagaste, sua cidade natal, e depois em Roma e Milão, onde entrou em contato com a filosofia neoplatônica. Após a sua conversão ao cristianismo dedicou-se a elaboração da filosofia cristã. Seu trabalho específico sobre educação é o pequeno livro De Magistro (Do Mestre), que também ficou conhecido como &#8220;O Livro da Revolta&#8221;. A obra adota uma forma platônica de diálogo entre Agostinho e seu filho, Adeodato, que época estava com 16 anos. Nesse livro desenvolveu a idéia de que, como toda necessidade humana, inclusive a aprendizagem, em última instância só pode ser satisfeita por Deus. Em sua pedagogia recomendou aos educadores jovialidade, alegria, paz no coração e às vezes também alguma brincadeira. Procurou investigar os aspectos fundamentais de uma pedagogia de estatuto religioso e deu-lhe soluções realmente exemplares: pela espessura cultural, pelo vigos teórico e também pelo significado espiritual.<br /> Concentrado na questão da origem e natureza do conhecimento, como Platão Agostinho distingue dois tipos: um, imperfeito, mutável, advém dos sentidos, e o outro que é o perfeito conhecimento das essências imutáveis, de onde provém? Sabemos que Platão começa explicando-o pela alegoria da caverna e em seguida chega a teoria da reminescência. O cristão Agostinho adapta essa explicação à teoria da iluminação. O homem receberia de Deus o conhecimento das verdades eternas, o que não significa desprezar o próprio intelecto, pois, como o sol, Deus ilumina a razão e torna possível o pensar correto. A verdade vem de DEus, de quem aalma humana carrega diretamente a marca criadora, já que é feita a sua imagem e semelhança. O saber portanto não seria transmitido do mestre ao aluno, já que a posse da verdade é uma experiência que não vem do exterior, mas de dentro e cada um. Isso é possível porque Cristo habita o homem interior. Toda educação é dessa forma uma auto-educação, possibilitada pela iluminação divina. As Confissões mostram &#8211; de forma autobiográfica &#8211; o cmplexo itinerário da alma cristã que deve se afastar do pecado e se dirigir a Deus, através do arrependimento e da ascese, mas tornando-se cosnciente de sua própria fragilidade e da luta dramática que deve animá-la e que deve ser guiada pela razão. A ascensão a Deus é um processo de auto-educação, de crescimento interior que deve se realizar sob a direção do próprio indivíduo e da sua racionalidade, capaz de desafiar e corrigir o erro e o pecado.<br /> Mas o cristão deve também adquirir conhecimentos, que enquanto universais e eternos superam o próprio indivíduo e se colocam além da linguagem que é instrumento: tais verdades devem ser descobertas e despertadas; o mestre é, portanto, sobretudo um mestre interior, do qual Cristo é o símbolo. Aprender é operar esse despertar, seguindo o mestre espiritual, que ilumina com a verdade dos universais.</p>
<hr title="Fontes" alt="Fontes" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> <strong><span class="link1">Fontes</span></strong></p>
<p> <strong>Internet:</strong></p>
<p> <strong><a class="link1" href="educacao/www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm" target="_blank">Mundo dos Filósofos</a>:</strong> www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm<br /> <strong><a class="link1" href="http://www.sandraelisa.pop.com.br/academico/agostinho.htm" target="_blank">Santo Agostinho:</a></strong> site de autoria de Sandra Elisa que traz uma série de trabalhos acadêmicos dedicados à literatura.<br /> <strong><a class="link1" href="http://www.osa.org.br/" target="_blank">OSA (Ordem de Santo Agostinho)</a></strong></p>
<p align="justify"><strong>Bibliografia: </strong></p>
<p> ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p align="justify">ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.</p>
<p align="justify">ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2002.</p>
<p> AGOSTINHO, Santo, Tradução de J. Oliveira Santos, S.J., e A. Ambrósio de Pina. S.J., Confissões, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo, Brasil, 1999.</p>
<p> SANTO Agostinho. &#8220;De Magistro&#8221;. In: Santo Agostinho, São Paulo: Abril Cultural, 1973, Coleção Os Pensadores.</p>
<p>CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995.</p>
<p align="justify">MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.</p>
<p align="justify">ROSA, Maria da Gloria de. A história da educação através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1999.</p>
<div id="pfButton"><a href="http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-agostinho/?pfstyle=wp" title="Print an optimized version of this web page" style="text-decoration: none;"><img id="printfriendly" style="border:none; padding:0;" src="http://cdn.printfriendly.com/pf-print-icon.gif" alt="Print"/><span style="font-size: 12px; color: #55750c;"> Print <img src="http://cdn.printfriendly.com/pf-pdf-icon.gif" alt="Get a PDF version of this webpage" /> PDF </span></a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.beatrix.pro.br/index.php/santo-agostinho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Aristóteles</title>
		<link>http://www.beatrix.pro.br/index.php/aristoteles/</link>
		<comments>http://www.beatrix.pro.br/index.php/aristoteles/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 04:03:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatrix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia-Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://beatrix1.tempsite.ws/site/?p=48</guid>
		<description><![CDATA[Biografia do Filósofo Aristóteles]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border: 0pt none;" src="http://www.beatrix.pro.br/imagens/aristoteles2.jpg" border="0" alt="Aristóteles (gravura medieval)" align="left" />Este grande filósofo grego, filho de Nicômaco, médico de Amintas, rei da Macedônia, nasceu em Estagira, colônia grega da Trácia, no litoral setentrional do mar Egeu, em 384 a.C.<br />
Por volta do 17 ou 18 anos mudou-se para Atenas, onde estudou sob a orientação de um dos mais famosos filósofos de todos os tempos: Platão.</p>
<p align="justify">A escola dirigida por Platão denominava-se Academia, e Aristóteles nela permaneceu por cerca de vinte anos. Nesse período estudou também os filósofos pré-platônicos, que lhe foram úteis na construção do seu grande sistema. Com a morte do mestre, preferiu deixá-la, dizendo-se insatisfeito com a pouca importância que ali vinha sendo dada ao estudo da natureza.</p>
<p><span id="more-48"></span></p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong><span class="link1">Vida e Obras</span></strong></p>
<p align="justify">Viajou então por várias partes do mundo grego, alcançando, entre outras regiões, o sul da Itália e a Ásia Menor. Foi nesta última região que Aristóteles se fixou por alguns anos. Ali ele se casou e se pôde dedicar aos seus estudos preferidos, até ser chamado de volta à sua terra natal.</p>
<p align="justify">O novo rei da Macedónia queria que ele cuidasse da educação do seu filho mais velho, tarefa que Aristóteles desempenhou por muitos anos. Só deixou a Macedónia quando o seu aluno já tinha sido aclamado rei. Futuramente, ele passaria à história como Alexandre, o Grande, devido às suas conquistas territoriais, que incluiriam não só a própria Atenas, mas também a Pérsia.</p>
<p>Em 343 foi convidado pelo Rei Filipe para a corte de Macedônia, como preceptor do Príncipe Alexandre, então jovem de treze anos. Aí ficou três anos, até à famosa expedição asiática, conseguindo um êxito na sua missão educativo-política, que Platão não conseguiu, por certo, em Siracusa. De volta a Atenas, em 335, treze anos depois da morte de Platão, Aristóteles fundava, perto do templo de Apolo Lício, a sua escola. Daí o nome de Liceu dado à sua escola, também chamada peripatética devido ao costume de dar lições, em amena palestra, passeando nos umbrosos caminhos do ginásio de Apolo. Esta escola seria a grande rival e a verdadeira herdeira da velha e gloriosa academia platônica. Morto Alexandre em 323, desfez-se politicamente o seu grande império e despertaram-se em Atenas os desejos de independência, estourando uma reação nacional, chefiada por Demóstenes. Aristóteles, malvisto pelos atenienses, foi acusado de ateísmo. Preveniu ele a condenação, retirando-se voluntariamente para Eubéia, Aristóteles faleceu, após enfermidade, no ano seguinte, no verão de 322. Tinha pouco mais de 60 anos de idade. A respeito do caráter de Aristóteles, inteiramente recolhido na elaboração crítica do seu sistema filosófico, sem se deixar distrair por motivos práticos ou sentimentais, temos naturalmente muito menos a revelar do que em torno do caráter de Platão, em que, ao contrário, os motivos políticos, éticos, estéticos e místicos tiveram grande influência. Do diferente caráter dos dois filósofos, dependem também as vicissitudes exteriores das duas vidas, mais uniforme e linear a de Aristóteles, variada e romanesca a de Platão. Aristóteles foi essencialmente um homem de cultura, de estudo, de pesquisas, de pensamento, que se foi isolando da vida prática, social e política, para se dedicar à investigação científica. A atividade literária de Aristóteles foi vasta e intensa, como a sua cultura e seu gênio universal. &#8220;Assimilou Aristóteles escreve magistralmente Leonel Franca todos os conhecimentos anteriores e acrescentou-lhes o trabalho próprio, fruto de muita observação e de profundas meditações. Escreveu sobre todas as ciências, constituindo algumas desde os primeiros fundamentos, organizando outras em corpo coerente de doutrinas e sobre todas espalhando as luzes de sua admirável inteligência. Não lhe faltou nenhum dos dotes e requisitos que constituem o verdadeiro filósofo: profundidade e firmeza de inteligência, agudeza de penetração, vigor de raciocínio, poder admirável de síntese, faculdade de criação e invenção aliados a uma vasta erudição histórica e universalidade de conhecimentos científicos. O grande estagirita explorou o mundo do pensamento em todas as suas direções. Pelo elenco dos principais escritos que dele ainda nos restam, poder-se-á avaliar a sua prodigiosa atividade literária&#8221;. A primeira edição completa das obras de Aristóteles é a de Andronico de Rodes pela metade do último século a.C. substancialmente autêntica, salvo uns apócrifos e umas interpolações. Aqui classificamos as obras doutrinais de Aristóteles do modo seguinte, tendo presente a edição de Andronico de Rodes.</p>
<p align="justify">I. Escritos lógicos: cujo conjunto foi denominado Órganon mais tarde, não por Aristóteles. O nome, entretanto, corresponde muito bem à intenção do autor, que considerava a lógica instrumento da ciência.</p>
<p align="justify">II. Escritos sobre a física: abrangendo a hodierna cosmologia e a antropologia, e pertencentes à filosofia teorética, juntamente com a metafísica.</p>
<p align="justify">III. Escritos metafísicos: a Metafísica famosa, em catorze livros. É uma compilação feita depois da morte de Aristóteles mediante seus apontamentos manuscritos, referentes à metafísica geral e à teologia. O nome de metafísica é devido ao lugar que ela ocupa na coleção de Andrônico, que a colocou depois da física.</p>
<p align="justify">IV. Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dez livros, provavelmente publicada por Nicômaco, seu filho, ao qual é dedicada; a Ética a Eudemo, inacabada, refazimento da ética de Aristóteles, devido a Eudemo; a Grande Ética, compêndio das duas precedentes, em especial da segunda; a Política, em oito livros, incompleta.</p>
<p align="justify">V. Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em três livros; a Poética, em dois livros, que, no seu estado atual, é apenas uma parte da obra de Aristóteles. As obras de Aristóteles as doutrinas que nos restam &#8211; manifestam um grande rigor científico, sem enfeites míticos ou poéticos, exposição e expressão breve e aguda, clara e ordenada, perfeição maravilhosa da terminologia filosófica, de que foi ele o criador.</p>
<hr class="system-pagebreak" title="Pensamento" />
<p align="justify">
<p align="justify">
<div id="pfButton"><a href="http://www.beatrix.pro.br/index.php/aristoteles/?pfstyle=wp" title="Print an optimized version of this web page" style="text-decoration: none;"><img id="printfriendly" style="border:none; padding:0;" src="http://cdn.printfriendly.com/pf-print-icon.gif" alt="Print"/><span style="font-size: 12px; color: #55750c;"> Print <img src="http://cdn.printfriendly.com/pf-pdf-icon.gif" alt="Get a PDF version of this webpage" /> PDF </span></a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.beatrix.pro.br/index.php/aristoteles/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Platão</title>
		<link>http://www.beatrix.pro.br/index.php/platao/</link>
		<comments>http://www.beatrix.pro.br/index.php/platao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 03:54:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatrix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia-Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://beatrix1.tempsite.ws/site/?p=47</guid>
		<description><![CDATA[Diversamente                  de Sócrates, que era filho do povo, Platão nasceu                  em Atenas, em 428 ou 427 ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify"><strong><img src="imagens/platao.jpg" border="0" alt="Platão" width="103" height="148" align="left" /></strong>Diversamente                  de Sócrates, que era filho do povo, Platão nasceu                  em Atenas, em 428 ou 427 a.C., de pais aristocráticos e                  abastados, de antiga e nobre prosápia. Temperamento artístico                  e dialético &#8211; manifestação característica                  e suma do gênio grego &#8211; deu, na mocidade, livre curso ao                  seu talento poético, que o acompanhou durante a vida toda,                  manifestando-se na expressão estética de seus escritos;                  entretanto isto prejudicou sem dúvida a precisão                  e a ordem do seu pensamento, tanto assim que várias partes                  de suas obras não têm verdadeira importância                  e valor filosófico.</div>
<p align="justify"> </p>
<p><span id="more-47"></span>
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong><strong><span class="link1">Vida e Obra</span></strong></strong> </p>
<p align="justify">Aos vinte anos, Platão travou relação                  com Sócrates &#8211; mais velho do que ele quarenta anos &#8211; e                  gozou por oito anos do ensinamento e da amizade do mestre. Quando                  discípulo de Sócrates e ainda depois, Platão                  estudou também os maiores pré-socráticos.                  Depois da morte do mestre, Platão retirou-se com outros                  socráticos para junto de Euclides, em Mégara.</p>
<p align="justify">Daí deu início a suas viagens, e                  fez um vasto giro pelo mundo para se instruir (390-388). Visitou                  o Egito, de que admirou a veneranda antigüidade e estabilidade                  política; a Itália meridional, onde teve ocasião                  de travar relações com os pitagóricos (tal                  contato será fecundo para o desenvolvimento do seu pensamento);                  a Sicília, onde conheceu Dionísio o Antigo, tirano                  de Siracusa e travou amizade profunda com Dion, cunhado daquele.                  Caído, porém, na desgraça do tirano pela                  sua fraqueza, foi vendido como escravo. Libertado graças                  a um amigo, voltou a Atenas.</p>
<p align="justify">Em Atenas, pelo ano de 387, Platão fundava                  a sua célebre escola, que, dos jardins de Academo, onde                  surgiu, tomou o nome famoso de Academia. Adquiriu, perto de Colona,                  povoado da Ática, uma herdade, onde levantou um templo                  às Musas, que se tornou propriedade coletiva da escola                  e foi por ela conservada durante quase um milênio, até                  o tempo do imperador Justiniano (529 d.C.).</p>
<p align="justify">Platão, ao contrário de Sócrates,                  interessou-se vivamente pela política e pela filosofia                  política. Foi assim que o filósofo, após                  a morte de Dionísio o Antigo, voltou duas vezes &#8211; em 366                  e em 361 &#8211; à Dion, esperando poder experimentar o seu ideal                  político e realizar a sua política utopista. Estas                  duas viagens políticas a Siracusa, porém, não                  tiveram melhor êxito do que a precedente: a primeira viagem                  terminou com desterro de Dion; na segunda, Platão foi preso                  por Dionísio, e foi libertado por Arquitas e pelos seus                  amigos, estando, então, Arquistas no governo do poderoso                  estado de Tarento.</p>
<p align="justify">Voltando para Atenas, Platão dedicou-se                  inteiramente à especulação metafísica,                  ao ensino filosófico e à redação de                  suas obras, atividade que não foi interrompida a não                  ser pela morte. Esta veio operar aquela libertação                  definitiva do cárcere do corpo, da qual a filosofia &#8211; como                  lemos no Fédon &#8211; não é senão uma assídua                  preparação e realização no tempo.                  Morreu o grande Platão em 348 ou 347 a.C., com oitenta                  anos de idade.</p>
<p align="justify">Platão é o primeiro filósofo                  antigo de quem possuímos as obras completas. Dos 35 diálogos,                  porém, que correm sob o seu nome, muitos são apócrifos,                  outros de autenticidade duvidosa.</p>
<p align="justify">A forma dos escritos platônicos é                  o diálogo, transição espontânea entre                  o ensinamento oral e fragmentário de Sócrates e                  o método estritamente didático de Aristóteles.                  No fundador da Academia, o mito e a poesia confundem-se muitas                  vezes com os elementos puramente racionais do sistema. Faltam-lhe                  ainda o rigor, a precisão, o método, a terminologia                  científica que tanto caracterizam os escritos do sábio                  estagirita.</p>
<p align="justify">A atividade literária de Platão abrange                  mais de cinqüenta anos da sua vida: desde a morte de Sócrates                  , até a sua morte. A parte mais importante da atividade                  literária de Platão é representada pelos                  diálogos &#8211; em três grupos principais, segundo certa                  ordem cronológica, lógica e formal, que representa                  a evolução do pensamento platônico, do socratismo                  ao aristotelism.</p>
<hr title="Gnosiologia" alt="Gnosiologia" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p>               <strong>
<p align="justify"><strong><span class="link1">O                  Pensamento: A Gnosiologia</span></strong></p>
<p>               </strong>
<p align="justify"><strong><img src="imagens/platao_aristoteles.jpg" border="0" width="220" height="314" align="left" /></strong>Como                  já em Sócrates, assim em Platão a filosofia                  tem um fim prático, moral; é a grande ciência                  que resolve o problema da vida. Este fim prático realiza-se,                  no entanto, intelectualmente, através da especulação,                  do conhecimento da ciência. Mas &#8211; diversamente de Sócrates,                  que limitava a pesquisa filosófica, conceptual, ao campo                  antropológico e moral &#8211; Platão estende tal indagação                  ao campo metafísico e cosmológico, isto é,                  a toda a realidade.</p>
<p align="justify">Este caráter íntimo, humano, religioso                  da filosofia, em Platão é tornado especialmente                  vivo, angustioso, pela viva sensibilidade do filósofo em                  face do universal vir-a-ser, nascer e perecer de todas as coisas;                  em face do mal, da desordem que se manifesta em especial no homem,                  onde o corpo é inimigo do espírito, o sentido se                  opõe ao intelecto, a paixão contrasta com a razão.                  Assim, considera Platão o espírito humano peregrino                  neste mundo e prisioneiro na caverna do corpo. Deve, pois, transpor                  este mundo e libertar-se do corpo para realizar o seu fim, isto                  é, chegar à contemplação do inteligível,                  para o qual é atraído por um amor nostálgico,                  pelo eros platônico.</p>
<p align="justify">Platão como Sócrates, parte do conhecimento                  empírico, sensível, da opinião do vulgo e                  dos sofistas, para chegar ao conhecimento intelectual, conceptual,                  universal e imutável. A gnosiologia platônica, porém,                  tem o caráter científico, filosófico, que                  falta a gnosiologia socrática, ainda que a<br />
s conclusões                  sejam, mais ou menos, idênticas. O conhecimento sensível                  deve ser superado por um outro conhecimento, o conhecimento conceptual,                  porquanto no conhecimento humano, como efetivamente, apresentam-se                  elementos que não se podem explicar mediante a sensação.                  O conhecimento sensível, particular, mutável e relativo,                  não pode explicar o conhecimento intelectual, que tem por                  sua característica a universalidade, a imutabilidade, o                  absoluto (do conceito); e ainda menos pode o conhecimento sensível                  explicar o dever ser, os valores de beleza, verdade e bondade,                  que estão efetivamente presentes no espírito humano,                  e se distinguem diametralmente de seus opostos, fealdade, erro                  e mal-posição e distinção que o sentido                  não pode operar por si mesmo.</p>
<p align="justify">Segundo Platão, o conhecimento humano integral                  fica nitidamente dividido em dois graus: o conhecimento sensível,                  particular, mutável e relativo, e o conhecimento intelectual,                  universal, imutável, absoluto, que ilumina o primeiro conhecimento,                  mas que dele não se pode derivar. A diferença essencial                  entre o conhecimento sensível, a opinião verdadeira                  e o conhecimento intelectual, racional em geral, está nisto:                  o conhecimento sensível, embora verdadeiro, não                  sabe que o é, donde pode passar indiferentemente o conhecimento                  diverso, cair no erro sem o saber; ao passo que o segundo, além                  de ser um conhecimento verdadeiro, sabe que o é, não                  podendo de modo algum ser substituído por um conhecimento                  diverso, errôneo. Poder-se-ia também dizer que o                  primeiro sabe que as coisas estão assim, sem saber porque                  o estão, ao passo que o segundo sabe que as coisas devem                  estar necessariamente assim como estão, precisamente porque                  é ciência, isto é, conhecimento das coisas                  pelas causas.</p>
<p align="justify">Sócrates estava convencido, como também                  Platão, de que o saber intelectual transcende, no seu valor,                  o saber sensível, mas julgava, todavia, poder construir                  indutivamente o conceito da sensação, da opinião;                  Platão, ao contrário, não admite que da sensação                  &#8211; particular, mutável, relativa &#8211; se possa de algum modo                  tirar o conceito universal, imutável, absoluto. E, desenvolvendo,                  exagerando, exasperando a doutrina da maiêutica socrática,                  diz que os conceitos são a priori, inatos no espírito                  humano, donde têm de ser oportunamente tirados, e sustenta                  que as sensações correspondentes aos conceitos não                  lhes constituem a origem, e sim a ocasião para fazê-los                  reviver, relembrar conforme a lei da associação.</p>
<p align="justify">Aqui devemos lembrar que Platão, diversamente                  de Sócrates, dá ao conhecimento racional, conceptual,                  científico, uma base real, um objeto próprio: as                  idéias eternas e universais, que são os conceitos,                  ou alguns conceitos da mente, personalizados. Do mesmo modo, dá                  ao conhecimento empírico, sensível, à opinião                  verdadeira, uma base e um fundamento reais, um objeto próprio:                  as coisas particulares e mutáveis, como as concebiam Heráclito                  e os sofistas . Deste mundo material e contigente, portanto, não                  há ciência, devido à sua natureza inferior,                  mas apenas é possível, no máximo, um conhecimento                  sensível verdadeiro &#8211; opinião verdadeira &#8211; que é                  precisamente o conhecimento adequado à sua natureza inferior.                  Pode haver conhecimento apenas do mundo imaterial e racional das                  idéias pela sua natureza superior. Este mundo ideal, racional                  &#8211; no dizer de Platão &#8211; transcende inteiramente o mundo                  empírico, material, em que vivemos.</p>
<hr title="Teoria da Idéias" alt="Teoria da Idéias" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p>               <strong>
<p align="justify"><strong><span class="link1">Teoria                  das Idéias</span></strong></p>
<p>               </strong>
<p align="justify">Sócrates mostrara no conceito o verdadeiro                  objeto da ciência. Platão aprofunda-lhe a teoria                  e procura determinar a relação entre o conceito                  e a realidade fazendo deste problema o ponto de partida da sua                  filosofia.</p>
<p align="justify">A ciência é objetiva; ao conhecimento                  certo deve corresponder a realidade. Ora, de um lado, os nossos                  conceitos são universais, necessários, imutáveis                  e eternos (Sócrates), do outro, tudo no mundo é                  individual, contigente e transitório (Heráclito).                  Deve, logo, existir, além do fenomenal, um outro mundo                  de realidades, objetivamente dotadas dos mesmos atributos dos                  conceitos subjetivos que as representam. Estas realidades chamam-se                  Idéias. As idéias não são, pois, no                  sentido platônico, representações intelectuais,                  formas abstratas do pensamento, são realidades objetivas,                  modelos e arquétipos eternos de que as coisas visíveis                  são cópias imperfeitas e fugazes. Assim a idéia                  de homem é o homem abstrato perfeito e universal de que                  os indivíduos humanos são imitações                  transitórias e defeituosas.</p>
<p align="justify">Todas as idéias existem num mundo separado,                  o mundo dos inteligíveis, situado na esfera celeste. A                  certeza da sua existência funda-a Platão na necessidade                  de salvar o valor objetivo dos nossos conhecimentos e na importância                  de explicar os atributos do ente de Parmênides , sem, com                  ele, negar a existência do fieri. Tal a célebre teoria                  das idéias, alma de toda filosofia platônica, centro                  em torno do qual gravita todo o seu sistema.</p>
<hr title="A Metafísica" alt="A Metafísica" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p>               <strong>
<p align="justify"><strong><span class="link1">A                  Metafísica</span></strong></p>
<p>               </strong>
<p align="justify">O sistema metafísico de Platão centraliza-se                  e culmina no mundo divino das idéias; e estas contrapõe-se                  a matéria obscura e incriada. Entre as idéias e                  a matéria estão o Demiurgo e as almas, através                  de que desce das idéias à matéria aquilo                  de racionalidade que nesta matéria aparece.</p>
<p align="justify">O divino platônico é representado                  pelo mundo das idéias e especialmente pela idéia                  do Bem, que está no vértice. A existência                  desse mundo ideal seria provada pela necessidade de estabelecer                  uma base ontológica, um objeto adequado ao conhecimento                  conceptual. Esse conhecimento, aliás, se impõe ao                  lado e acima do conhecimento sensível, para poder explicar                  verdadeiramente o conhecimento humano na sua efetiva realidade.                  E, em geral, o mundo ideal é provado<br />
pela necessidade de                  justificar os valores, o dever ser, de que este nosso mundo imperfeito                  participa e a que aspira.</p>
<p align="justify">Visto serem as idéias conceitos personalizados,                  transferidos da ordem lógica à ontológica,                  terão consequentemente as características dos próprios                  conceitos: transcenderão a experiência, serão                  universais, imutáveis. Além disso, as idéias                  terão aquela mesma ordem lógica dos conceitos, que                  se obtém mediante a divisão e a classificação,                  isto é, são ordenadas em sistema hierárquico,                  estando no vértice a idéia do Bem, que é                  papel da dialética (lógica real, ontológica)                  esclarecer. Como a multiplicidade dos indivíduos é                  unificada nas idéias respectivas, assim a multiplicidade                  das idéias é unificada na idéia do Bem. Logo,                  a idéia do Bem, no sistema platônico, é a                  realidade suprema, donde dependem todas as demais idéias,                  e todos os valores (éticos, lógicos e estéticos)                  que se manifestam no mundo sensível; é o ser sem                  o qual não se explica o vir-a-ser. Portanto, deveria representar                  o verdadeiro Deus platônico. No entanto, para ser verdadeiramente                  tal, falta-lhe a personalidade e a atividade criadora. Desta personalidade                  e atividade criadora &#8211; ou, melhor, ordenadora &#8211; é, pelo                  contrário, dotado o Demiurgo o qual, embora superior à                  matéria, é inferior às idéias, de                  cujo modelo se serve para ordenar a matéria e transformar                  o caos em cosmos.</p>
<p>               <strong>
<p align="justify">As Almas</p>
<p>               </strong>
<p align="justify">A alma, assim como o Demiurgo, desempenha papel                  de mediador entre as idéias e a matéria, à                  qual comunica o movimento e a vida, a ordem e a harmonia, em dependência                  de uma ação do Demiurgo sobre a alma. Assim, deveria                  ser, tanto no homem como nos outros seres, porquanto Platão                  é um pampsiquista, quer dizer, anima toda a realidade.                  Ele, todavia, dá à alma humana um lugar e um tratamento                  à parte, de superioridade, em vista dos seus impelentes                  interesses morais e ascéticos, religiosos e místicos.                  Assim é que considera ele a alma humana como um ser eterno                  (coeterno às idéias, ao Demiurgo e à matéria),                  de natureza espiritual, inteligível, caído no mundo                  material como que por uma espécie de queda original, de                  um mal radical. Deve portanto, a alma humana, libertar-se do corpo,                  como de um cárcere; esta libertação, durante                  a vida terrena, começa e progride mediante a filosofia,                  que é separação espiritual da alma do corpo,                  e se realiza com a morte, separando-se, então, na realidade,                  a alma do corpo.</p>
<p align="justify">A faculdade principal, essencial da alma é                  a de conhecer o mundo ideal, transcendental: contemplação                  em que se realiza a natureza humana, e da qual depende totalmente                  a ação moral. Entretanto, sendo que a alma racional                  é, de fato, unida a um corpo, dotado de atividade sensitiva                  e vegetativa, deve existir um princípio de uma e outra.                  Segundo Platão, tais funções seriam desempenhadas                  por outras duas almas &#8211; ou partes da alma: a irascível                  (ímpeto), que residiria no peito, e a concupiscível                  (apetite), que residiria no abdome &#8211; assim como a alma racional                  residiria na cabeça. Naturalmente a alma sensitiva e a                  vegetativa são subordinadas à alma racional.</p>
<p align="justify">Logo, segundo Platão, a união da                  alma espiritual com o corpo é extrínseca, até                  violenta. A alma não encontra no corpo o seu complemento,                  o seu instrumento adequado. Mas a alma está no corpo como                  num cárcere, o intelecto é impedido pelo sentido                  da visão das idéias, que devem ser trabalhosamente                  relembradas. E diga-se o mesmo da vontade a respeito das tendências.                  E, apenas mediante uma disciplina ascética do corpo, que                  o mortifica inteiramente, e mediante a morte libertadora, que                  desvencilha para sempre a alma do corpo, o homem realiza a sua                  verdadeira natureza: a contemplação intuitiva do                  mundo ideal.</p>
<p>               <strong>
<p align="justify"><strong><span class="link1">O                  Mundo</span></strong></p>
<p>               </strong>
<p align="justify">O mundo material, o cosmos platônico, resulta                  da síntese de dois princípios opostos, as idéias                  e a matéria. O Demiurgo plasma o caos da matéria                  no modelo das idéias eternas, introduzindo no caos a alma,                  princípio de movimento e de ordem. O mundo, pois, está                  entre o ser (idéia) e o não-ser (matéria),                  e é o devir ordenado, como o adequado conhecimento sensível                  está entre o saber e o não-saber, e é a opinião                  verdadeira. Conforme a cosmologia pampsiquista platônica,                  haveria, antes de tudo, uma alma do mundo e, depois, partes da                  alma, dependentes e inferiores, a saber, as almas dos astros,                  dos homens, etc.</p>
<p align="justify">O dualismo dos elementos constitutivos do mundo                  material resulta do ser e do não-ser, da ordem e da desordem,                  do bem e do mal, que aparecem no mundo. Da idéia &#8211; ser,                  verdade, bondade, beleza &#8211; depende tudo quanto há de positivo,                  de racional no vir-a-ser da experiência. Da matéria                  &#8211; indeterminada, informe, mutável, irracional, passiva,                  espacial &#8211; depende, ao contrário, tudo que há de                  negativo na experiência.</p>
<p align="justify">Consoante a astronomia platônica, o mundo,                  o universo sensível, são esféricos. A terra                  está no centro, em forma de esfera e, ao redor, os astros,                  as estrelas e os planetas, cravados em esferas ou anéis                  rodantes, transparentes, explicando-se deste modo o movimento                  circular deles.</p>
<p align="justify">No seu conjunto, o mundo físico percorre                  uma grande evolução, um ciclo de dez mil anos, não                  no sentido do progresso, mas no da decadência, terminados                  os quais, chegado o grande ano do mundo, tudo recomeça                  de novo. É a clássica concepção grega                  do eterno retorno, conexa ao clássico dualismo grego, que                  domina também a grande concepção platônica.                 </p>
<hr title="Educação" alt="Educação" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"><strong>                 <span class="link1">Educação</span></strong></p>
<p align="justify"><strong><img src="imagens/academia_mosaico.jpg" border="0" alt="Mosaico representando a Academia de Platão" width="236" height="240" align="left" /></strong>Através                  dos programas descritos em duas das grandes obras de Platão,                  a República e as Leis, sabemos o que Platão pensava                  que deveria ser a educação.<br<br />
/>                 Platão, o mais famoso discípulo de Sócrates,                  divergiu do mestre num aspecto: não acreditava na difusão                  ampla, democrática da sabedoria. Para ele, ela só                  poderia ser alcançada pelo confinamento voluntário                  de aprendiz, da separação do iniciado do restante                  da sociedade. Nada de andar caminhando em meio a ágora                  (agora) tentando converter a gente comum às grandes idéias,                  embaraçando-as com exercício dialéticos como                  Sócrates costumava fazer. O conhecimento, episteme (episteme),                  era apanágio de alguns poucos, mantendo-se no alto, afastado                  do comum, como a acrópole encontra-se em relação                  à cidade. A fortaleza do saber demandava uma arte especial                  para conquistá-la, uma técnica que requeria o domínio                  da geometria, do raciocínio, da meditação                  e da reflexão disciplinada.</p>
<p align="justify">Na sociedade que Platão idealizou existem                  três classes: a classe dos artífices e comerciantes,                  cuja virtude é a temperança; a classe dos guerreiros,                  cuja virtude é a coragem e a classe dos filósofos                  cuja virtude é a sabedoria. Se a classe dos filósofos                  governar, se a classe dos guerreiros se encarregar da defesa e                  a classe dos artífices e comerciantes mantiver as duas                  outras classes, existirá harmonia e equilíbrio e                  a justiça poderá ser alcançada.</p>
<p>                 Na República e nas Leis, para além de desenhar o                  seu estado ideal, Platão também define o sistema                  educacional que o manterá, apresentando assim as suas ideias                  sobre a educação, o valor da poesia e da música,                  a utilidade das ciências, da filosofia e do filósofo.</p>
<p align="justify">Platão começa por defender uma sólida                  formação básica que evolui até elevados                  estudos filosóficos, considerando que só indivíduos                  especialmente dotados poderiam chegar à filosofia.</p>
<p align="justify">Para se chegar a este nível de educação                  é necessário passar por um nível de formação                  básica, à qual terá dado o nome de educação                  preparatória. Esta terá por função                  desenvolver de forma harmoniosa o espírito e o corpo.</p>
<p align="justify">Segundo Platão, Atenas negligenciava a educação                  da juventude, desinteressava-se e deixava-a nas mãos dos                  particulares. O estado deveria preocupar com a formação                  daqueles que seriam os futuros cidadãos.</p>
<p align="justify">Para ele, a educação deveria tornar-se                  algo público, os mestres deveriam ser escolhidos pela cidade                  e controlados por magistrados especiais. Platão defendia                  ainda que a educação deveria ser igual para rapazes                  e raparigas, mas só até aos seis anos. A partir                  desta idade teriam mestres e classes diferentes.</p>
<p align="justify">Platão defendia que o ensino deveria durar                  50 anos.<br />                 Nos primeiros anos de vida, dos 3 aos 6 anos, as crianças                  deveriam participar em jogos educativos, em jardins especialmente                  concebidos para elas e sob atenta vigilância.</p>
<p align="justify">No entanto, para Platão, como para todos                  os gregos, a educação propriamente dita, só                  começaria aos 7 anos.</p>
<p align="justify">Como formação inicial, Platão                  conservou a antiga Paidéia grega, escolha que se revestiu de enorme                  importância para o desenvolvimento da tradição                  clássica, permitindo a sua continuidade e o seu enriquecimento                  com a cultura filosófica.</p>
<p align="justify">A educação antiga da Grécia,                  era constituída por duas partes: gymnastiké (ginástica)                  para o corpo e mousiké para alma. Em relação                  à ginástica, Platão recrimina a função                  de competição que lhe fora atribuída ao longo                  dos tempos. Segundo ele, a ginástica deveria regressar                  à sua forma original, incidindo exclusivamente em exercícios                  de caráter militar, desempenhados tanto por rapazes como                  por raparigas, preparando-os para o combate. O seu programa de                  jogos incluía a luta, as corridas a pé, os combates de                  esgrima, os combates de infantaria pesada e de infantaria leve,                  o arremesso de flecha com arco, a funda, marcha e manobras tácticas,                  a prática do acampamento e a caça.</p>
<p align="justify">Esta preparação militar deveria ocorrer                  nos ginásios e nos estádios públicos, sob                  a direção de monitores profissionais cujos honorários                  seriam pagos pelo Estado.</p>
<p align="justify">A ginástica seria iniciada neste nível                  mais elementar e continuaria até à idade adulta.                  A sua finalidade não era alcançar a força                  física de um atleta, mas contribuir para a formação                  do caráter e da personalidade. Platão considerava                  que os homens que se dedicavam exclusivamente à ginástica,                  acabavam por se tornar insensíveis à cultura e eram                  pouco mais do que selvagens.</p>
<p align="justify">Ainda em relação à ginástica,                  refira-se que Platão inclui nela todo o domínio                  da higiene, as indicações em relação                  ao regime de vida e especialmente ao regime alimentar, assunto                  intensamente tratado na literatura médica do tempo.</p>
<p align="justify">À ginástica Platão acrescentava                  ainda a dança, insistindo bastante na sua prática                  e ensino, pois considerava-a um meio de disciplinar a espontaneidade                  dos jovens, contribuindo para a disciplina moral.</p>
<p align="justify">No ciclo entre os 10 e os 13 anos, a criança                  deveria aprender a ler e a escrever, iniciando em seguida o estudo                  dos autores clássicos, integralmente ou em antologias (trechos                  escolhidos). Para além dos poetas, Platão defende                  também o estudo de autores em prosa.</p>
<p align="justify">Platão criticava o ensino dos poetas como                  Homero pois considerava que os mitos pervertiam a criança                  e não lhe ensinavam a virtude. Assim, para ele, as obras                  de poetas como Homero e Hesíodo davam uma ideia maliciosa                  das divindades. </p>
<p>                 No período dos 13 aos 16 anos, a música ocupa um                  lugar de distinção. Para Platão a pessoa                  rectamente educada pela música, pelo facto de a assimilar                  espiritualmente, sente desabrochar dentro de si, desde a sua mocidade                  e numa fase ainda recuada do seu desenvolvimento, uma certeza                  infalível de satisfação pelo belo e de repugnância                  pelo feio, a qual o habilita mais tarde a saudar alegremente,                  como algo que lhe é afim, o conhecimento da verdade, quanto                  ele se apresentar.</p>
<p align="justify">A música contribui, assim, para a formação                  harmoniosa da alma. Segundo P<br />
latão, ela não abrange                  apenas o que se refere ao tom e ao ritmo, mas também, e                  até em primeiro lugar, a palavra falada, o logos.</p>
<p align="justify">O estudo das matemáticas foi sempre reservado                  a um grau superior do ensino. Para Platão, no entanto,                  as matemáticas deveriam encontrar o seu lugar em todos                  os níveis, começando pelo mais elementar, sendo                  aprofundada a partir dos 16 anos e prolongada nos estudos superiores.</p>
<p align="justify">Esta inovação de Platão inspira-se                  provavelmente nas práticas egípcias a que a ele                  teve acesso. Assim, à aritmética, acrescentou a                  prática dos exercícios de cálculo ligados                  a problemas concretos da vida e dos negócios. Estes primeiros                  exercícios possuíam já uma virtude formadora,                  sendo seu objectivo a aplicação da matemática                  à vida prática, à arte militar, ao comércio,                  à agricultura e à navegação.</p>
<p align="justify">Para além da geometria, a que dava a maior                  importância, Platão defende também o ensino                  uma ciência totalmente nova, a estereometria (cálculo                  do volume de sólidos). Prevê o estudo da astronomia                  que deveria permitir adquirir os conhecimentos mínimos                  para o uso do calendário. Segundo Platão, são                  precisamente as matemáticas que servem como meio de pôr                  à prova os espíritos mais aptos a tornarem-se um                  dia dignos da filosofia. Ao mesmo tempo que seleccionam os futuros                  filósofos, formam-nos e preparam-nos para os seus futuros                  trabalhos.</p>
<p align="justify">Aos 17 e aos 18 anos os estudos intelectuais interrompem-se                  por dois ou três anos porque aos jovens era imposto o serviço                  militar. Neste período, segundo Platão, a fadiga                  e o sono impedem qualquer estudo.</p>
<p align="justify">Aos 20 anos realiza-se uma selecção                  por meio da qual os menos dotados eram destinados ao exército;                  numa segunda selecção, levada a efeito mais tarde,                  a maioria dos jovens era encaminhada para diversas profissões                  e ofícios civis e só os mais dotados iniciariam                  os estudos superiores, mas não directamente para a filosofia.                  Durante ainda 10 anos, continuam o estudo das ciências,                  mas agora a um nível superior.</p>
<p align="justify">O programa é a aritmética, a astronomia                  e a música, a geometria (plana e no espaço). Todas                  estas ciências devem eliminar qualquer experiência                  prática tornando-se totalmente racionais, por exemplo,                  a astronomia deve ser uma ciência matemática e não                  uma ciência da observação.</p>
<p align="justify">As matemáticas são o instrumento                  da formação dos filósofos, que através                  dos problemas elementares de cálculo, devem ser encaminhados                  para um grau superior de abstracção. Platão                  diz que as matemáticas não devem preencher a memória                  com conhecimentos úteis, mas formar um espírito                  capaz de receber a verdade inteligível.</p>
<p align="justify">É interessante verificar que Platão                  não esquece o papel da educação literária,                  artística e física na personalidade e na harmonia                  do todo, mas este papel não tem comparação                  com o desempenho pela matemática na iniciação                  da cultura que leva à busca da verdade.</p>
<p align="justify">Somente aos 30 anos, no fim de um ciclo de matemáticas                  transcendentes e depois de um última selecção,                  se inicia o método propriamente filosófico, a dialéctica,                  discussão do problema do bem e do mal, do justo e do injusto,                  caminho para o conhecimento e a verdade.</p>
<p align="justify">                 Passados cinco anos os estudantes estarão na plena posse                  deste instrumento, o único que conduz à verdade.                  Os que chegarem a esta fase devem ser capazes de ultrapassar a                  percepção dos sentidos e penetrar o próprio                  Ser.</p>
<p align="justify">Durante quinze anos ainda, o homem já assim                  formado deve adquirir experiência participando na vida activa                  da cidade.</p>
<p align="justify">Aos cinqüenta anos, estará completa a sua                  educação, se tiver sobrevivido e superado todas                  as provas. Ele reconhecerá a possibilidade de atingir a                  meta suprema que é a idéia do Bem. Poderá então                  exercer um cargo na direção do estado, não                  como uma honra mas como um dever.</p>
<p align="justify">Este plano de Platão, que abarca a vida                  inteira, tem unicamente como objectivo formar um pequeno grupo                  de governantes &#8211; filósofos, aptos a tomar as rédeas                  do governo para o bem do estado.</p>
<p align="justify">                 Em suma, todo o sistema educativo de Platão se baseia na                  procura da Verdade cuja posse definirá o verdadeiro filósofo                  e também o verdadeiro político.</p>
<p align="justify">O curso de estudos, para Platão deveria                  ser de cinco períodos:</p>
<p align="justify">1º- dos 3 aos 6 anos:<br />                 Prática do pentatlo (Nome colectivo de cinco exercícios                  que constituíam os jogos da Grécia, em que entravam                  os atletas: salto, carreira, luta, pugilato e disco. Dança                  e música para ambos os sexos).</p>
<p align="justify">2º- dos 7 aos 13 anos:<br />                 Introdução paulatina da cultura intelectual e acentuação                  dos exercícios físicos. A partir dos 10 anos, aprendizagem                  da leitura e escrita e cálculo por processos práticos.                  Afasta-se assim dos costumes atenienses que começavam a                  educação intelectual antes dos 10anos.</p>
<p align="justify">3º- dos 13 aos 16 anos:<br />                 Período da educação musical. O programa é                  dividido em duas secções: uma literária,                  compreendendo gramática e aritmética; outra musical,                  compreendendo poesia e música. Ensina-se a tocar a cítara                  e prefere-se a música dórica, enérgica e                  viril.</p>
<p align="justify">4º- dos 17 aos 20 anos:<br />                 Período da educação militar. Os jovens deverão                  adquirir resistência e uma saúde a toda a prova.                  Será preciso harmonizar a música à ginástica,                  faziam-se os homens ferozes. Somente com a música, produzir-se-iam                  os afeminados.</p>
<p align="justify">5º- dos 21 anos em diante:<br />                 Apenas os jovens mais capazes devem continuar a educação                  já com caráter superior e baseada nas Matemáticas                  e Filosofia. Entre eles, selecionam-se os futuros governantes,                  prosseguindo sua educação até os 50 anos.</p>
<p align="justify">Essa educação pode ser distribuída                  da seguinte forma:<br />                 · Dos 21 aos 30 anos: estuda-se com profundidade: aritmética,<br />
   geometria e astronomia.<br />                 · Dos 31 aos 35 anos: predomínio da formação                  filosófica e dialéctica, sem prejuízo dos                  estudos matemáticos.<br />                 · Dos 35 aos 50 anos: O magistrado será incumbido                  de uma função pública e empregará                  os seus talentos para a prosperidade do Estado. Ninguém                  será admitido ao governo, antes dos 50 anos de idade.                 </p>
<hr title="A academia" alt="A academia" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"><strong>                 A Academia</p>
<p>                 </strong>A Academia estava organizada como uma comunidade constituída                  pelos membros mais avançados e pelos jovens estudantes.                  Não se tratava de modo algum de um grupo em que um era                  o sábio e os outros se encontravam à procura das                  doutrinas ou dos serviços do mestre mas de uma comunidade                  de estudiosos com diferentes graus de desenvolvimento. Embora                  Platão fosse o fundador da escola (scholarchos), parece                  ter desenvolvido em relação aos membros mais avançados                  da sua escola uma relação do tipo &#8220;primeiro                  entre iguais&#8221;, sem nenhum lugar de destaque.<br />                 Diz-se por vezes que o contacto de Platão com a irmandade                  Pitagórica da Itália Meridional, imediatamente antes                  da fundação da Academia, lhe teria sugerido as linhas                  gerais de organização da sua escola. Pode haver                  alguma verdade nisto mas não há nenhuma evidência                  que o garanta. O que se sabe é que a Academia tinha uma                  sólida estrutura institucional. Era uma comunidade cujos                  membros se achavam estreitamente unidos pela amizade, por um forte                  vínculo afetivo, senão passional, entre mestres                  e alunos.</p>
<p align="justify">No que diz respeito a aspectos econômicos, parece que Platão não cobrava                  honorários. No entanto, apenas aqueles que tinham possibilidades                  materiais para se sustentarem por um número considerável                  de anos podiam ser membros da escola de Platão.</p>
<p align="justify">Acerca da regulamentação para os                  alunos da academia, não existem muitas certezas. Talvez                  houvesse horas de reunião, horas de discussão e                  horas de silêncio, a par com normas de convívio,                  de trabalho e de civilidade. Não havia exames mas pensa-se                  que havia provas de maturidade. Platão parece ter sido                  o primeiro a utilizá-las na indagação das                  qualidades de estudo e de reflexão dos seus discípulos                  e ouvintes.</p>
<p>                 A escola de Platão foi a primeira a reunir todas as características                  de uma verdadeira escola:</p>
<p align="justify">ao contrário das palestras dos gramatistés                  onde se ensinava a ler e a escrever, na Academia veiculavam-se                  novos saberes,</p>
<p align="justify">ao contrário dos sofistas que se dedicavam,                  cada um, ao ensino dos temas da sua preferência ou especialidade,                  na academia era ensinado um corpo organizado de conhecimentos</p>
<p align="justify">ao contrário dos sofistas e de Sócrates,                  a academia constituía um espaço próprio para                  o ensino dentro da cidade</p>
<p align="justify">ao contrário da escola de Isócrates,                  a academia possuía um regulamento interno que previa a                  sua continuidade para além da morte do seu fundador. </p>
<p>                 Platão ensinava em duas áreas distintas: o ginásio                  e o jardim que era efetivamente propriedade de Platão                  e não fazia parte do espaço público.</p>
<p>               <strong>                               </strong>
<p align="justify">Platão dava lições aos principiantes                  num dos halls de pilares do gymnasium ou na êxedra (sala                  delimitada por três paredes, sendo a quarta completamente                  aberta e mobilada apenas com bancos), e guardava o seu jardim                  para discussões com os alunos mais avançados.</p>
<p>                 Chegavam indivíduos de toda a Grécia para assistir                  às aulas de Platão na Academia. Após a sua                  saída da Academia, muitos dos discípulos de Platão                  contribuíram para espalhar um pouco por toda a parte, as idéias do mestre, em especial as suas idéias políticas.</p>
<p align="justify">Os estudantes ouviam Platão no gymnasium                  e nos jardins e, por vezes, as discussões continuavam enquanto                  se apreciava um banquete agradável e moderado. De facto,                  as refeições eram conduzidas de acordo com um elaborado                  conjunto de regras e Platão organizava estes festins para                  honrar os deuses, partilhar da companhia dos seus companheiros                  e criar condições favoráveis ao estabelecimento                  de sábias discussões.</p>
<p align="justify">                 Muitas vezes encontraríamos Platão com os seus companheiros                  da Academia contemplando definições matemáticas                  ou discutindo questões metafísicas. Por vezes, Platão                  formularia problemas matemáticos que vários companheiros                  tentavam resolver. Frequentemente, liam-se e discutiam-se os próprios                  diálogos de Platão comprometendo-se os estudantes                  a tentar escrever por si próprios diálogos nos mesmos                  moldes.</p>
<p align="justify">Através dos Diálogos, conseguimos                  adivinhar o método de ensino de Platão. Estes mostram-nos                  um mestre hábil no manejo da dialéctica que, longe                  de inculcar nos seus discípulos o resultado obtido pelo                  seu esforço, os fazia trabalhar, levando-os a descobrir,                  por si mesmos, as dificuldades e, posteriormente, a encontrar,                  à custa de aprofundamentos progressivos, o meio de as superar.</p>
<hr title="A academia depois de Platão" alt="A academia depois de Platão" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p>               <strong>
<p align="justify"><strong>A Academia depois de Platão</strong>               </p>
<p>               </strong>
<p align="justify">Quando Platão faleceu, cerca de 347/348                  a.C., a Academia foi herdada por seu sobrinho Speusipo, que sucedeu                  como escolarca durante oito anos (347 &#8211; 339 a.C.). Tal facto entristeceu                  Aristóteles que, aquando da morte de Platão, pensou                  poder vir ser o novo escolarca da Academia.</p>
<p align="justify">Quando Speusipo faleceu, os membros da Academia                  elegeram Xenócrates (400 &#8211; 314 a.C.) como escolarca, cargo                  que ocupou durante vinte e cinco anos, desde 339 a.C. até                  à sua morte. Xenócrates, que juntamente com Aristóteles,                  era um dos discípulos preferidos de Platão, teve                  uma certa influência no desenvolvimento da escola, acentuando-se                  com ele a tendência para o pitagorismo.</p>
<p align="justify">&#8220;O ensino de Xenócrates terá                  sido um lógico prolongamento do que nessa escola havia                  de mais fundo e acroamático: o ensino da matemática&#8221;</p>
<p align="justi<br />
fy">Sant&#8217;Ana Dionísio, Pedagogia Culminante                  dos Gregos, 1962               </p>
<p align="justify">O sucessor de Xenócrates na Academia foi                  Pólemon de Atenas que permaneceu à frente dos destinos                  da Academia durante quarenta e quatro anos (314 -270 a.C.).</p>
<p align="justify">Crates de Atenas foi quem sucedeu a Pólemon,                  de quem era amigo, na direcção da academia entre                  270 e 265 a.C.. Sucedeu-lhe Arcesilau (316 240 a.C.), entre 265                  e 240 a.C. com quem a Academia entra numa fase céptica.                  Arcesilau defende a inexistência de um critério de                  verdade, negando a possibilidade do conhecimento e argumentando                  que o homem sábio não deve emitir juízos.</p>
<p align="justify">A corrente céptica mantem-se na Academia                  e atinge o seu auge com o sucessor de Arcesilau, Carneiades (215                  &#8211; 129 a.C.). segue-se Antíloco que vai pôr definitivamente                  de parte o cepticismo em favor de um ecletismo que resulta da                  assimilação de elementos estóicos, platônicos                  e mesmo aristotélicos.</p>
<p align="justify">Entre os séculos III e VI d.C., a escola                  entra na fase do neoplatonismo, inaugurada por Plotino (204 &#8211;                  270 d.C.). A sua filosofia é muito mais do que uma síntese                  do platonismo, podendo mesmo considerar-se uma recapitulação                  de quase toda a filosofia grega. Plotino ensinou até quase                  ao fim da sua vida e teve várias figuras ilustres entre                  os seus discípulos. Escreveu cinqüenta e quatro tratados,                  editados por Porfírio (234 &#8211; 305 a.C.), seu principal discípulo                  e biógrafo.</p>
<p align="justify">Depois de Plotino, seguiram-se ainda Porfírio,                  Amélio e Damáscio à frente dos destinos da                  Academia.</p>
<p align="justify">A Academia manteve-se em atividade durante cerca                  de nove séculos, tendo sido encerrada quando Damáscio                  era o escolarca, em 529 d.C., pelo imperador bizantino Justiniano                  I, que considerava que esta administrava ensinamentos pagãos.</p>
<p align="justify">A primeira escola é ainda aquela que, até                  hoje, teve uma vida mais longa.</p>
<p align="justify">Diversos autores distinguem diferentes períodos                  na história da Academia depois de Platão.</p>
<p align="justify">Sexto Empírico (sec. II &#8211; sec. III a.C.)                  enumera cinco momentos e, com eles, cinco Academias: a primeira                  fundada por Platão; Arcesilau seria o fundador da Segunda,                  Carnéades o da Terceira, Fílon e Cármides                  da Quarta e Antíoco da quinta Academia.</p>
<p align="justify">Outro ponto de vista é defendido por Cícero                  (106 &#8211; 43 a.C.) que reconhece apenas duas academias: a Velha Academia,                  de Platão e de seus seguidores fiéis e a Nova Academia,                  que começa com Arcesilau.</p>
<p align="justify">Por seu lado, Diógenes Laércio (sec.                  III d.C.), considera três períodos na vida da instituição:</p>
<p align="justify">* a Velha Academia iniciada por Platão e                  continuada pelos seguidores que ensinaram estritamente a doutrina                  do mestre sem qualquer mistura ou corrupção;</p>
<p align="justify">* a Média Academia abarcando todos aqueles                  que, como Arcesilau, com certas inovações relativamente                  ao sistema platônico, não o abandonaram completamente;</p>
<p align="justify">* a Nova Academia que se inicia com Carneiades                  e se caracteriza pelo cepticismo dos seus ensinamentos.</p>
<p align="justify"> </p>
<hr title="Textos" alt="Textos" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"><strong>Principais textos</strong></p>
<p>Apologia de Sócrates<br />O Banquete<br />O Mito da Caverna<br />Criton<br />Fédon<br />Filebo<br />Górgias<br />Parmênides<br />O Sofista<br />Teeteto<br /><strong>
<p align="justify"><strong><br /></strong></p>
<p></strong>               <strong>                </strong><br />
<hr title="Fontes" alt="Fontes" class="system-pagebreak" /><strong>
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong><span class="link1">Fontes:</span></p>
<p>                 Bibliografia:</strong></p>
<p>               </strong>
<p>ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São                  Paulo: Martins Fontes, 2000.</p>
<p>ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação.                  São Paulo: Moderna, 1996.</p>
<p>ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: Introdução                  à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2002.</p>
<p>CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São                  Paulo: Ática, 1995.</p>
<p>MARCONDES, Danilo. Iniciação à História                  da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein.                  Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.</p>
<p>ROSA, Maria da Gloria de. A história da educação                  através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1999.</p>
<p align="left"><a class="link1" href="http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/academia/academia.htm" target="_blank"><strong>Na                  Internet:</strong></p>
<p>                 A Academia de Platão</a><br />                 O mundo dos Filsósofos: <a class="link1" href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/" target="_blank">http://www.mundodosfilosofos.com.br</a><br />                 Navegando na Filosofia: <a class="link1" href="http://afilosofia.no.sapo.pt/referencias.htm" target="_blank">http://afilosofia.no.sapo.pt/referencias.htm</a>                                   </p>
<div id="pfButton"><a href="http://www.beatrix.pro.br/index.php/platao/?pfstyle=wp" title="Print an optimized version of this web page" style="text-decoration: none;"><img id="printfriendly" style="border:none; padding:0;" src="http://cdn.printfriendly.com/pf-print-icon.gif" alt="Print"/><span style="font-size: 12px; color: #55750c;"> Print <img src="http://cdn.printfriendly.com/pf-pdf-icon.gif" alt="Get a PDF version of this webpage" /> PDF </span></a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.beatrix.pro.br/index.php/platao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sócrates</title>
		<link>http://www.beatrix.pro.br/index.php/socrates/</link>
		<comments>http://www.beatrix.pro.br/index.php/socrates/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 20:16:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Beatrix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografia-Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://beatrix1.tempsite.ws/site/?p=42</guid>
		<description><![CDATA[A VIDAA                  sua vida continua a ser um enigma, o que não o impede de                  ser ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><strong>A VIDA</strong><br /><img src="imagens/socrates_educador.jpg" border="0" alt="Estátua de Sócrates" width="62" height="146" align="left" />A                  sua vida continua a ser um enigma, o que não o impede de                  ser considerado o símbolo por excelência do filósofo.                  Sócrates nasceu em Atenas, filho de Sofronisco, escultor,                  e de Fenáreta (Fenarete), de ofício parteira. Terá                  recebido uma educação tradicional, isto é,                  ginástica e música. Parece que exerceu por algum                  tempo o ofício de seu pai. No princípio, interessou-se                  pelas doutrinas físicas dos filósofos jônios.                  Parece certo que tenha participado nas guerras do Peloponeso (431-404),                  como soldado hoplita (guerreiro a pé), o que correspondia                  a um cidadão de nível médio. Salvou Alcibíades,                  ferido, durante o cerco de Potidéia (429), participou na                  batalha de Delion (424), na Boécia, e já com cerca                  de 50 anos, na de Anfipolis (421), na Trácia. Fez parte                  do Senado dos quinhetos, opondo-se sempre às medidas que                  considerava injustas. Enfrentou a morte desobedecendo a uma ordem                  dada pelo governo dos Trinta Tiranos (404).                 </p>
<p><span id="more-42"></span><br /> 
<p align="justify">Em algum momento da sua vida começou a se                  interessar pelo conhecimento de si e do homem, em geral. À                  sua volta começam a formar-se um grupo de discípulos                  e amigos, entre os quais se destacam Platão, Alcibíades,                  Xenofonte, Antístenes, Critias, Aristipo, Euclides de Megara                  e Fédon. Depois de uma vida inteira dedicada a interrogar                  os seus concidadãos, em obediência a uma voz interior                  (daimon). É acusado de corromper os jovens contra a religião                  e as leis da cidade. A acusação é feita por                  Anito, em nome dos artesãos e políticos, por Meleto,                  em nome dos poetas, e por Licón pelos oradores. Condenado                  por um tribunal popular a beber cicuta, e após ter recusado                  os planos de fuga de Critón, morre numa prisão em                  Atenas, rodeado de amigos e discípulos.</p>
<p align="justify">Sócrates rapidamente se torna na figura                  emblemática do filósofo, imortalizado em inúmeras                  obras. Platão, discípulo de Sócrates desde                  os vinte anos, transforma-o no personagem central dos seus diálogos,                  em particular na Apologia de Sócrates, Fedón e Critón.                  Nesta obras é ressaltada sobretudo a sua dimensão                  moral. Aristófanes, comediógrafo e crítico                  do seu tempo, na comédia As Nuvens apresenta-nos um Sócrates                  sofista apenas interessado no que cobrava pelas aulas de retórica                  e oratória, misturando discursos sobre a natureza e a moral.</p>
<p align="justify"> Xenofonte, militar e historiador, foi o autor                  de uma série de obras biográficas onde exalta a                  figura moral de Sócrates: Memoráveis, Recordações                  Socráticas, O Banquete e Apologia de Sócrates. Estas                  obras foram escritas depois de regressar da expedição                  à Mesopotâmia dos dez mil mercenários gregos,                  e de ter conhecimento da morte de Sócrates. Embora Aristóteles                  não o tenha conhecido diretamente, não deixa de                  citá-lo nas suas obras, cerca de 40 vezes.</p>
<p align="justify">Não escreveu nenhuma obra, porque atribuía pouco importância à escrita. A única coisa em que acreditava era no diálogo, através de perguntas e respostas como meio de atingir a verdade, o bem e a justiça.</p>
<p>                 Combateu na Potidéia, onde salvou a vida de Alcebíades                  e em Delium, onde carregou aos ombros a Xenofonte, gravemente                  ferido. Formou a sua instrução sobretudo através                  da reflexão pessoal, na moldura da alta cultura ateniense                  da época, em contato com o que de mais ilustre houve na                  cidade de Péricles. </p>
<p align="justify"> Inteiramente absorvido pela sua vocação,                  não se deixou distrair pelas preocupações                  domésticas nem pelos interesses políticos. Quanto                  à família, podemos dizer que Sócrates não                  teve, por certo, uma mulher ideal na briguenta Xantipa; mas ela,                  também, não teve um marido ideal no filósofo,                  ocupado com outros cuidados que não os domésticos.</p>
<p align="justify"> Quanto à política, foi ele valoroso                  soldado e rígido magistrado. Mas, em geral, conservou-se                  afastado da vida pública e da política contemporânea,                  que contrastavam com o seu temperamento crítico e com o                  seu juízo reto. Julgava que devia servir a pátria                  conforme suas atitudes, vivendo justamente e formando cidadãos                  sábios, honestos, temperados &#8211; diversamente dos sofistas,                  que agiam para o próprio proveito e formavam grandes egoístas,                  capazes unicamente de se acometerem uns contra os outros e escravizar                  o próximo.</p>
<hr title="O daimon socrático" alt="O daimon socrático" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong>O &#8220;DAIMON&#8221; SOCRÁTICO</strong></p>
<p align="justify">Entre as acusações contra Sócrates estava                  a de que ele estava introduzindo novos daimonions, novas entidades                  divinas. Em sua Apologia, Sócrates diz: &#8220;A razão                  (&#8230;) são aquelas acusações que muitas vezes                  e em diversas circunstâncias ouvistes dizer, ou seja, que                  em mim se verifica algo de divino ou demoníaco (&#8230;) uma                  voz que se faz ouvir dentro de mim desde que eu era menino e que,                  quando se faz ouvir, sempre me detém de fazer aquilo que                  é perigoso e que estou a ponto de fazer, mas que nunca                  me exortou a fazer nada&#8221;. Ou seja, o daimonion socrático                  era &#8220;uma voz&#8221; que lhe vetava determinadas coisas, o                  que o salvou várias vezes de perigos e experiências                  negativas (Reale &#038; Antiseri, 1990, p. 95). Ela não                  lhe revelava nada, apenas vetava algumas coisas que lhe eram perigosas.                 </p>
<p align="justify"> O daimonion socrático é algo muito                  específico que diz respeito muito particularmente à                  excepcional personalidade de Sócrates, colocando-se no                  mesmo plano de um tipo de mediunismo que se fazia presente em                  certos momentos de concentração muito intensa e                  em momentos de reflexão bastante próximos aos arrebatamentos                  de êxtase em que Sócrates (assim como ocorria com                  Buda, Plotino, Joana D&#8217;Arc, etc) mergulhava algumas vezes e que                  duravam longamente, coisa da qual tanto Platão quanto Xenofonte                  falam expressamente.</p>
<p align="justify">Jostein Gaarder fala que as pessoas ainda hoje                  se perguntam por que Sócrates teve de morrer. Então                  ele faz um paralelo entre Jesus e Sócrates: ambos eram                  pessoas carismáticas e eram consideradas pessoas enigmáticas                  ainda em vida. Nenhum dos dois deixou qualquer escrito, e precisamos                  confiar na imagem e impressões que eles<br />
deixaram em seus                  discípulos e contemporâneos. Ambos eram mestres da                  retórica e tinham tanta autoconfiança no que falavam                  que podiam tanto arrebatar quanto irritar seus ouvintes. E ambos                  acreditavam falar em nome de uma coisa que era maior do que eles                  mesmos. Ambos desafiavam agudamente os que detinham o poder na                  sociedade, apontando sem piedade as hipocrisias e falsos fundamentos                  em que se assentavam para cometer toda sorte de abusos e injustiças.                  Foi isto que, no fim, lhes custou a vida. Afinal, os que questionam                  são sempre perigosos para os poderosos e pseudo-sábios                  de todas as épocas.</p>
<p align="justify">A maneira como Sócrates fazia as pessoas                  conhecerem-se a si mesmas também estava ligada à                  sua descoberta de que o homem, em sua essência, é                  a sua psyché. Em seu método, chamado de                  maiêutica, ele tendia a despojar a pessoa da sua falsa ilusão                  do saber, fragilizando a sua vaidade e permitindo, assim, que                  a pessoa estivesse mais livre de falsas crenças e mais                  suscetível a extrair a verdade lógica, que também                  estava dentro de si. Sendo filho de uma parteira, Sócrates                  costumava comparar a sua atividade com a de trazer ao mundo a                  verdade que há dentro de cada um. Ele nada ensinava, apenas                  ajudava as pessoas a tirarem de si mesmas opiniões próprias                  e limpas de falsos valores, pois o verdadeiro conhecimento tem                  de vir de dentro, de acordo com a consciência, e que não                  se pode obter espremendo-se os outros. Até mesmo na atividade                  de aprender uma disciplina qualquer, o professor nada mais pode                  fazer que orientar e esclarecer dúvidas, como um lapidador                  tira o excesso de entulho do diamante, não fazendo o próprio                  diamante. O processo de aprender é um processo interno,                  e tanto mais eficaz quanto maior for o interesse de aprender.                  Só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar                  o verdadeiro discernimento. Em certo sentido, dizemos que quando                  uma pessoa &#8220;toma juízo&#8221;, ela simplesmente traz                  à consciência algo muito claro que já estava                  &#8220;dentro&#8221; de si. Assim, as finalidades do diálogo                  socrático são a catarse e a educação                  para o autoconhecimento. Dialogar com Sócrates era se submeter                  a uma &#8220;lavagem da alma&#8221; e a uma prestação                  de contas da própria vida. Como disse Platão: &#8220;quem                  quer que esteja próximo a Sócrates e, em contato                  com ele, põe-se a raciocinar, qualquer que seja o assunto                  tratado, é arrastado pelas espirais do diálogo e                  inevitavelmente é forçado a seguir adiante, até                  que, surpreendentemente, ver-se a prestar contas de si mesmo e                  do modo como vive e pensa&#8221;.</p>
<p align="justify">Em seu método, ao iniciar uma conversa,                  Sócrates sempre adotava a posição de uma                  pessoa ignorante, que apenas &#8220;sabe que nada sabe&#8221;. E                  justamente por usar esta afirmativa, ele forçava as pessoas                  a usarem a razão. Ele entrava de tal forma na conversa,                  e de tal forma a dominava, que era capaz de aparentar uma maior                  ignorância ou de mostrar-se mais tolo do que realmente era.                  Seus discípulos mais fiéis já sabiam que                  quando o opositor caía nesta jogada, logo levaria um tombo                  tremendo quando o quadro se invertesse. E esta era a principal                  técnica do método de Sócrates: usar a ironia.                  Foi assim que ele expôs muito das fraquezas do pensamento                  ateniense. Um encontro com Sócrates podia signifcar o risco                  de expôr-se ao ridículo. Mas as pessoas que passaram                  por isto e conseguiram superar o choque do orgulho ferido, indo                  até o fim no processo cartático, acabavam por extrair                  de si mesmo a resposta em tudo lógica e compatível                  com os problemas expostos, dando-lhe a solução.                  O resultado é que o indivíduo sentia uma verdadeira                  sensação de iluminação, de descoberta,                  de ter dado à luz algo de valioso que havia dentro de si,                  mas de que não tinha a mínima consciência.                  Foi assim que Sócrates conquistou fervorosos discípulos.                  Mas se a pessoa entregava-se ao orgulho ferido, tornava-se um                  inimigo feroz. E esta foi a razão que lhe custou a vida.</p>
<p>                 A liberdade de seus discursos, a feição austera                  de seu caráter, a sua atitude crítica, irônica                  e a conseqüente educação por ele ministrada,                  criaram descontentamento geral, hostilidade popular, inimizades                  pessoais, apesar de sua probidade. Diante da tirania popular,                  bem como de certos elementos racionários, aparecia Sócrates                  como chefe de uma aristocracia intelectual.                 </p>
<p align="justify"> Esse estado de ânimo hostil a Sócrates                  concretizou-se, tomou forma jurídica, na acusação                  movida contra ele por Mileto, Anito e Licón: de corromper                  a mocidade e negar os deuses da pátria introduzindo outros.                  Sócrates desdenhou defender-se diante dos juízes                  e da justiça humana, humilhando-se e desculpando-se mais                  ou menos. Tinha ele diante dos olhos da alma não uma solução                  empírica para a vida terrena, e sim o juízo eterno                  da razão, para a imortalidade. E preferiu a morte. Declarado                  culpado por uma pequena minoria, assentou-se com indômita                  fortaleza de ânimo diante do tribunal, que o condenou à                  pena capital com o voto da maioria.</p>
<p align="justify"> Tendo que esperar mais de um mês a morte                  no cárcere &#8211; pois uma lei vedava as execuções                  capitais durante a viagem votiva de um navio a Delos &#8211; o discípulo                  Critón preparou e propôs a fuga ao mestre. Sócrates,                  porém, recusou, declarando não querer absolutamente                  desobedecer às leis da pátria. E passou o tempo                  preparando-se para o passo extremo em palestras espirituais com                  os amigos. Especialmente famoso é o diálogo sobre                  a imortalidade da alma &#8211; que se teria realizado pouco antes da                  morte e foi descrito por Platão no Fédon com arte                  incomparável. Suas últimas palavras dirigidas aos                  discípulos, depois de ter sorvido tranqüilamente a                  cicuta, foram: &#8220;Devemos um galo a Esculápio&#8221;.                  É que o deus da medicina tinha-o livrado do mal da vida                  com o dom da morte. Morreu Sócrates em 399 a.C. com 71                  anos de idade.</p>
<hr title="Método de Sócrates" alt="Método de Sócrates" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong>MÉTODO DE SÓCRATES</strong></p>
<p align="justify">                 É a parte polêmica. Insistindo no perpétuo                  fluxo das coisas e na variabilidade extrema das impressões                  sensitivas determinadas pelos indivíduos que de contínuo                  se transformam, concluíram os sofistas pela impossibilid<br />
ade                  absoluta e objetiva do saber. Sócrates restabelece-lhes                  a possibilidade, determinando o verdadeiro objeto da ciência.</p>
<p align="justify"> O objeto da ciência não é                  o sensível, o particular, o indivíduo que passa;                  é o inteligível, o conceito que se exprime pela                  definição. Este conceito ou idéia geral obtém-se                  por um processo dialético por ele chamado indução                  e que consiste em comparar vários indivíduos da                  mesma espécie, eliminar-lhes as diferenças individuais,                  as qualidades mutáveis e reter-lhes o elemento comum, estável,                  permanente, a natureza, a essência da coisa. Por onde se                  vê que a indução socrática não                  tem o caráter demonstrativo do moderno processo lógico,                  que vai do fenômeno à lei, mas é um meio de                  generalização, que remonta do indivíduo à                  noção universal.</p>
<p align="justify"> Praticamente, na exposição polêmica                  e didática destas idéias, Sócrates adotava                  sempre o diálogo, que revestia uma dúplice forma,                  conforme se tratava de um adversário a confutar ou de um                  discípulo a instruir. No primeiro caso, assumia humildemente                  a atitude de quem aprende e ia multiplicando as perguntas até                  colher o adversário presunçoso em evidente contradição                  e constrangê-lo à confissão humilhante de                  sua ignorância. É a ironia socrática. No segundo                  caso, tratando-se de um discípulo (e era muitas vezes o                  próprio adversário vencido), multiplicava ainda                  as perguntas, dirigindo-as agora ao fim de obter, por indução                  dos casos particulares e concretos, um conceito, uma definição                  geral do objeto em questão. A este processo pedagógico,                  em memória da profissão materna, denominava ele                  maiêutica ou engenhosa obstetrícia do espírito,                  que facilitava a parturição das idéias.</p>
<hr title="Filosofia" alt="Filosofia" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong>FILOSOFIA</strong></p>
<p align="justify"> A introspecção é uma característica                  da filosofia de Sócrates e exprime-se no famoso lema &#8220;conhece-te                  a ti mesmo&#8221; &#8211; isto é, torna-te consciente de tua ignorância                  &#8211; como sendo o ápice da sabedoria, que é o desejo                  da ciência mediante a virtude. E alcançava em Sócrates                  intensidade e profundidade tais, que se concretizava, se personificava                  na voz interior divina do gênio ou demônio.</p>
<p align="justify"> Como é sabido, Sócrates não                  deixou nada escrito. As notícias que temos de sua vida                  e de seu pensamento, devêmo-las especialmente aos seus dois                  discípulos Xenofonte e Platão, de feição                  intelectual muito diferente. Xenofonte, autor de Anábase,                  em seus Ditos Memoráveis, legou-nos de preferência                  o aspecto prático e moral da doutrina do mestre. Xenofonte,                  de estilo simples e harmonioso, mas sem profundidade, não                  obstante à sua devoção para com o mestre                  e a exatidão das notícias, não entendeu o                  pensamento filosófico de Sócrates, sendo mais um                  homem de ação do que um pensador. </p>
<p align="justify">Platão, pelo contrário, foi filósofo                  grande demais para nos dar o preciso retrato histórico                  de Sócrates; nem sempre é fácil discernir                  o fundo socrático das especulações acrescentadas                  por ele. Seja como for, cabe-lhe a glória e o privilégio                  de ter sido o grande historiador do pensamento de Sócrates,                  bem como o seu biógrafo genial. Com efeito, pode-se dizer                  que Sócrates é o protagonista de todas as obras                  platônicas embora Platão conhecesse Sócrates                  já com mais de sessenta anos de idade.</p>
<p align="justify"> &#8220;Conhece-te a ti mesmo&#8221; &#8211; o lema em                  que Sócrates cifra toda a sua vida de sábio. O perfeito                  conhecimento do homem é o objetivo de todas as suas especulações                  e a moral, o centro para o qual convergem todas as partes da filosofia.                  A psicologia serve-lhe de preâmbulo, a teodicéia                  de estímulo à virtude e de natural complemento da                  ética.</p>
<p align="justify"> Em psicologia, Sócrates professa a espiritualidade                  e imortalidade da alma, distingue as duas ordens de conhecimento,                  sensitivo e intelectual, mas não define o livre arbítrio,                  identificando a vontade com a inteligência.</p>
<p align="justify"> Em teodicéia, estabelece a existência                  de Deus: a) com o argumento teológico, formulando claramente                  o princípio: tudo o que é adaptado a um fim é                  efeito de uma inteligência; b) com o argumento, apenas esboçado,                  da causa eficiente: se o homem é inteligente, também                  inteligente deve ser a causa que o produziu; c) com o argumento                  moral: a lei natural supõe um ser superior ao homem, um                  legislador, que a promulgou e sancionou. Deus não só                  existe, mas é também Providência, governa                  o mundo com sabedoria e o homem pode propiciá-lo com sacrifícios                  e orações. Apesar destas doutrinas elevadas, Sócrates                  aceita em muitos pontos os preconceitos da mitologia corrente                  que ele aspira reformar.</p>
<hr title="Gnosiologia" alt="Gnosiologia" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong>GNOSIOLOGIA</strong></p>
<p align="justify"> O interesse filosófico de Sócrates                  volta-se para o mundo humano, espiritual, com finalidades práticas,                  morais. Como os sofistas, ele é cético a respeito                  da cosmologia e, em geral, a respeito da metafísica; trata-se,                  porém, de um ceticismo de fato, não de direito,                  dada a sua revalidação da ciência. A única                  ciência possível e útil é a ciência                  da prática, mas dirigida para os valores universais, não                  particulares. Vale dizer que o agir humano &#8211; bem como o conhecer                  humano &#8211; se baseia em normas objetivas e transcendentes à                  experiência. O fim da filosofia é a moral; no entanto,                  para realizar o próprio fim, é mister conhecê-lo;                  para construir uma ética é necessário uma                  teoria; no dizer de Sócrates, a gnosiologia deve preceder                  logicamente a moral. Mas, se o fim da filosofia é prático,                  o prático depende, por sua vez, totalmente, do teorético,                  no sentido de que o homem tanto opera quanto conhece: virtuoso                  é o sábio, malvado, o ignorante. O moralismo socrático                  é equilibrado pelo mais radical intelectualismo, racionalismo,                  que está contra todo voluntarismo, sentimentalismo, pragmatismo,                  ativismo.</p>
<p align="justify"> A filosofia socrática, portanto, limita-se                  à gnosiologia e à ética, sem metafísica.                  A gnosiologia de Sócrates, que se concretizava no seu ensinamento<br />
     dialógico, de onde é preciso extraí-la, pode-se                  esquematicamente resumir nestes pontos fundamentais: ironia, maiêutica,                  introspecção, ignorância, indução                  e definição. Antes de tudo, cumpre desembaraçar                  o espírito dos conhecimentos errados, dos preconceitos,                  opiniões; este é o momento da ironia, isto é,                  da crítica. Sócrates, de par com os sofistas, ainda                  que com finalidade diversa, reivindica a independência da                  autoridade e da tradição, a favor da reflexão                  livre e da convicção racional. A seguir será                  possível realizar o conhecimento verdadeiro, a ciência,                  mediante a razão. Isto quer dizer que a instrução                  não deve consistir na imposição extrínseca                  de uma doutrina ao discente, mas o mestre deve tirá-la                  da mente do discípulo, pela razão imanente e constitutiva                  do espírito humano, a qual é um valor universal.                  É a famosa maiêutica de Sócrates, que declara                  auxiliar os partos do espírito, como sua mãe auxiliava                  os partos do corpo.</p>
<p align="justify"> Esta interioridade do saber, esta intimidade da                  ciência &#8211; que não é absolutamente subjetivista,                  mas é a certeza objetiva da própria razão                  &#8211; patenteiam-se no famoso dito socrático &#8220;conhece-te                  a ti mesmo&#8221; que, no pensamento de Sócrates, significa                  precisamente consciência racional de si mesmo, para organizar                  racionalmente a própria vida. Entretanto, consciência                  de si mesmo quer dizer, antes de tudo, consciência da própria                  ignorância inicial e, portanto, necessidade de superá-la                  pela aquisição da ciência. Esta ignorância                  não é, por conseguinte, ceticismo sistemático,                  mas apenas metódico, um poderoso impulso para o saber,                  embora o pensamento socrático fique, de fato, no agnosticismo                  filosófico por falta de uma metafísica, pois, Sócrates                  achou apenas a forma conceptual da ciência, não o                  seu conteúdo.</p>
<p align="justify"> O procedimento lógico para realizar o conhecimento                  verdadeiro, científico, conceptual é, antes de tudo,                  a indução: isto é, remontar do particular                  ao universal, da opinião à ciência, da experiência                  ao conceito. Este conceito é, depois, determinado precisamente                  mediante a definição, representando o ideal e a                  conclusão do processo gnosiológico socrático,                  e nos dá a essência da realidade.</p>
<hr title="Moral" alt="Moral" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong>MORAL</strong></p>
<p align="justify">É a parte culminante da sua filosofia. Sócrates                  ensina a bem pensar para bem viver. O meio único de alcançar                  a felicidade ou semelhança com Deus, fim supremo do homem,                  é a prática da virtude. A virtude adquire-se com                  a sabedoria ou, antes, com ela se identifica. Esta doutrina, uma                  das mais características da moral socrática, é                  conseqüência natural do erro psicológico de                  não distinguir a vontade da inteligência. Conclusão:                  grandeza moral e penetração especulativa, virtude                  e ciência, ignorância e vício são sinônimos.                  &#8220;Se músico é o que sabe música, pedreiro                  o que sabe edificar, justo será o que sabe a justiça&#8221;.</p>
<p align="justify">Sócrates reconhece também, acima                  das leis mutáveis e escritas, a existência de uma                  lei natural &#8211; independente do arbítrio humano, universal,                  fonte primordial de todo direito positivo, expressão da                  vontade divina promulgada pela voz interna da consciência.</p>
<p align="justify"> Sublime nos lineamentos gerais de sua ética,                  Sócrates, em prática, sugere quase sempre a utilidade                  como motivo e estímulo da virtude. </p>
<p align="justify"> Como Sócrates é o fundador da ciência                  em geral, mediante a doutrina do conceito, assim é o fundador,                  em particular da ciência moral, mediante a doutrina de que                  eticidade significa racionalidade, ação racional.                  Virtude é inteligência, razão, ciência,                  não sentimento, rotina, costume, tradição,                  lei positiva, opinião comum. Tudo isto tem que ser criticado,                  superado, subindo até à razão, não                  descendo até à animalidade &#8211; como ensinavam os sofistas.                  É sabido que Sócrates levava a importância                  da razão para a ação moral até àquele                  intelectualismo que, identificando conhecimento e virtude &#8211; bem                  como ignorância e vício &#8211; tornava impossível                  o livre arbítrio. Entretanto, como a gnosiologia socrática                  carece de uma especificação lógica, precisa                  &#8211; afora a teoria geral de que a ciência está nos                  conceitos &#8211; assim a ética socrática carece de um                  conteúdo racional, pela ausência de uma metafísica.                  Se o fim do homem for o bem &#8211; realizando-se o bem mediante a virtude,                  e a virtude mediante o conhecimento &#8211; Sócrates não                  sabe, nem pode precisar este bem, esta felicidade, precisamente                  porque lhe falta uma metafísica. Traçou, todavia,                  o intinerário, que seria percorrido por Platão e                  acabado, enfim, por Aristóteles. Estes dois filósofos,                  partindo dos pressupostos socráticos, desenvolverão                  uma gnosiologia acabada, uma grande metafísica e, logo,                  uma moral.</p>
<hr title="Educação" alt="Educação" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p align="justify"><strong>EDUCAÇÃO</strong></p>
<p align="justify">Sócrates não deixou textos escritos, embora se lhe atribua a autoria de alguns poemas. Ele parecia não querer ensinar; pelo contrário, dava a impressão de querer aprender. Em vez de dar aulas, como um mestre tradicional, debatia, simplesmente fazia perguntas &#8211; principalmente para começar uma conversa &#8211; como se nada soubesse.</p>
<p align="justify">Segundo o seu discípulo Platão, Sócrates                  achava que um livro era um mestre que falava mas não respondia                  e, talvez por isso, Sócrates preferisse debater os assuntos                  nas praças. &#8220;Ensinar o homem é cuidar da sua                  própria alma&#8221; &#8211; esta seria a principal tarefa a ser                  desempenhada por Sócrates.</p>
<p align="justify">Através da retórica e não                  sendo sofista, Sócrates tinha autoconfiança no que                  falava, podendo tanto arrebatar como irritar os seus ouvintes.                  Talvez por isso, Sócrates nada tenha deixado escrito; ele                  podia mudar a opinião dos ouvintes e a &#8220;dele&#8221;                  através da retórica &#8211; o que seria mais difícil                  se tivesse usado a escrita. Ele convencia os que o escutavam de                  que o ponto de partida, na procura do saber, era o mesmo para                  todos: saber que não se sabia. O diálogo permite                  que as idéias fluam mais facilmente do que através                  da escrita. Nesta, divaga-se e dispersa-se muito m<br />
ais do que através                  da dialética.</p>
<p> A vida de Sócrates foi inteiramente dedicada à educação. Era paciente, simples e tinha um perfeito domínio sobre si mesmo. Levantava-se cedo e encaminhava-se à praça pública (Ágora) para iniciar os seus debates esclarecedores. Dissera que tinha abandonado a profissão de escultor, porque, enquanto a sua mãe dava luz à criança, ele daria luz às idéias. Na vida política, participou de três campanhas militares. É considerado o criador do método em Filosofia.</p>
<p>                 Segundo Sócrates, ele nada ensinava, apenas ajudava as                  pessoas a tirarem de si mesmas opiniões próprias                  e limpas de falsos valores, pois o verdadeiro conhecimento tem                  de vir de dentro, de acordo com a consciência. Até                  mesmo na atividade de aprender uma disciplina qualquer, o professor                  nada mais pode fazer que orientar e esclarecer dúvidas,                  como o lapidador tira o excesso de entulho do diamante, não                  fazendo o próprio diamante. O processo de aprender é                  um processo interno, e tanto mais eficaz quanto maior for o interesse                  de aprender. Só o conhecimento que vem de dentro é                  capaz de revelar o verdadeiro discernimento.                   </p>
<p align="justify">A influência imediata do ensino de Sócrates sobre a educação foi dupla. Em relação ao conteúdo constitui uma exaltação, sem precedentes, do conhecimento. Isto coincidiu com idêntica influência dos sofistas, que proclamam dar conhecimento exigido pelas novas condições da época. Mas, justamente porque o conhecimento, para Sócrates, continha uma inevitável projecção moral, encerrava, também uma concepção muito mais ampla do que o conhecimento dos filósofos primitivos, do que a informação dos sofistas é mesmo do que a concepção moderna do conhecimento. Tal distinção, porém, era dificilmente percebida pelo povo em geral.</p>
<p align="justify">Para ambos, Sócrates e Platão, pouco                  progresso mental se obtinha do simples fato de ministrar conhecimentos.                  Aos métodos populares dos sofistas, que almejavam disseminar                  informações por meio de prestações                  formais, estes dois filósofos opuseram o método                  dialético ou de conversação. O objetivo desse                  método era gerar o poder de pensar. O seu alvo era formar                  espíritos capazes de tirar conclusões correctas,                  de formular a verdade por si mesmos, em vez de dar-lhes conclusões                  já elaboradas.</p>
<p align="justify">As contribuições permanentes e imediatas de Sócrates para a educação são estas: </p>
<p align="justify">1) o conhecimento possui um valor prático ou moral, isto é, um valor funcional, e consequentemente é de natureza universal e não individualista;</p>
<p align="justify">2) processo objetivo para obter-se conhecimento                  é o de conservação; o sub-objetivo é                  de reflexão e da organização da própria                  experiência;</p>
<p align="justify">3) a educação tem por objetivo imediato                  o desenvolvimento da capacidade de pensar, não apenas ministrar                  conhecimentos.</p>
<p align="justify">Nesses aspectos sua influência tem sido tão                  ampla e é ainda tão poderosa quanto foi a influência                  das suas práticas nas escolas gregas daquele período.</p>
<p align="justify"> A reforma socrática atingiu os alicerces                  da filosofia. A doutrina do conceito determina para sempre o verdadeiro                  objeto da ciência: a indução dialética                  reforma o método filosófico; a ética une                  pela primeira vez e com laços indissolúveis a ciência                  dos costumes à filosofia especulativa. Não é,                  pois, de admirar que um homem, já aureolado pela austera                  grandeza moral de sua vida, tenha, pela novidade de suas idéias,                  exercido sobre os contemporâneos tamanha influência.                  Entre os seus numerosos discípulos, além de simples                  amadores, como Alcibíades e Eurípedes, além                  dos vulgarizadores da sua moral (socratici viri), como Xenofonte,                  havia verdadeiros filósofos que se formaram com os seus                  ensinamentos. Dentre estes, alguns, saídos das escolas                  anteriores não lograram assimilar toda a doutrina do mestre;                  desenvolveram exageradamente algumas de suas partes com detrimento                  do conjunto.</p>
<p align="justify"> Sócrates não elaborou um sistema                  filosófico acabado, nem deixou algo de escrito; no entanto,                  descobriu o método e fundou uma grande escola. Por isso,                  dele depende, direta ou indiretamente, toda a especulação                  grega que se seguiu, a qual, mediante o pensamento socrático,                  valoriza o pensamento dos pré-socráticos desenvolvendo-o                  em sistemas vários e originais. Isto aparece imediatamente                  nas escolas socráticas. Estas &#8211; mesmo diferenciando-se                  bastante entre si &#8211; concordam todas pelo menos na característica                  doutrina socrática de que o maior bem do homem é                  a sabedoria. A escola socrática maior é a platônica;                  representa o desenvolvimento lógico do elemento central                  do pensamento socrático &#8211; o conceito &#8211; juntamente com o                  elemento vital do pensamento precedente, e culmina em Aristóteles,                  o vértice e a conclusão da grande metafísica                  grega. Fora desta escola começa a decadência e desenvolver-se-ão                  as escolas socráticas menores.</p>
<p align="justify"> São fundadores das escolas socráticas                  menores, das quais as mais conhecidas são:</p>
<p align="justify"> 1. A escola de Megara, fundada por Euclides (449-369),                  que tentou uma conciliação da nova ética                  com a metafísica dos eleatas e abusou dos processos dialéticos                  de Zenão.</p>
<p align="justify"> 2. A escola cínica, fundada por Antístenes                  (n. c. 445), que, exagerando a doutrina socrática do desapego                  das coisas exteriores, degenerou, por último, em verdadeiro                  desprezo das conveniências sociais. São bem conhecidas                  as excentricidades de Diógenes.</p>
<p align="justify"> 3. A escola cirenaica ou hedonista, fundada por                  Aristipo, (n. c. 425) que desenvolveu o utilitarismo do mestre                  em hedonismo ou moral do prazer. Estas escolas, que, durante o                  segundo período, dominado pelas altas especulações                  de Platão e Aristóteles , verdadeiros continuadores                  da tradição socrática, vegetaram na penumbra,                  mais tarde recresceram transformadas ou degeneradas em outras                  seitas filosóficas. Dentre os herdeiros de Sócrates,                  porém, o herdeiro genuíno de suas idéias,                  o seu mais ilustre continuador foi Platão.</p>
<hr title="Textos" alt="Textos" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"><strong><br />TEXTOS</strong></p>
<p align="justify"> Apesar de não ter deixado escritos, tudo que sabemos acerca de Sócrates vem da obra deixada por seus discipulos, principalmente Platão. Nelas podemos encontrar a essência do pensamento de Sócrates</p>
<p> Alguns textos necessitam de leitores de arquivos como o Acrobat Reader© da Adobe ou MS Reader© da Microsoft. Veja ao lado do texto qu<br />
al o tipo de arquivo necessário paar abrir e se necessário baixe o leitor específico (<a href="http://www.microsoft.com/reader/es/downloads/pc.asp" target="_blank">MS Reader© </a>ou <a href="http://www.adobe.com/products/acrobat/readstep2.html" target="_blank">Acrobat Reader©</a>). Também podem haver arquivos doc, html e rtf. Por isso fique atento, para baixar é só clicar com o botão direito do mouse e selecionar salvar como.</p>
<p align="justify"><a href="index.php/literatura/downloads/category/5-platao.html" target="_blank" title="Textos de Platão">Textos de Platão sobre Sócrates </a> </p>
<p align="justify"> </p>
<hr title="Fontes" alt="Fontes" class="system-pagebreak" />
<p align="justify"> </p>
<p><strong>FONTES</strong></p>
<p>Na Internet:  </p>
<p><a href="http://www.mundodosfilosofos.com.br/socrates.htm" target="_blank">Mundo dos Filosofos</a></p>
<p><a href="http://afilosofia.no.sapo.pt/referencias.htm%20" target="_blank">Navegando na Filosofia</a>  </p>
<p>Bibliografia:</p>
<p> ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. </p>
<p>ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.</p>
<p>ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2002.</p>
<p>CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995.<br /> DURANT, Will, História da Filosofia &#8211; A Vida e as Idéias dos Grandes Filósofos, São Paulo, Editora Nacional, 1.ª edição, 1926. </p>
<p> Coleção Os Pensadores, Apologia de Sócrates/Platão, Abril Cultural, São Paulo, 1999. </p>
<p> Coleção Os Pensadores, Defesa de Sócrates/Platão, Abril Cultural, São Paulo, 1972. </p>
<p> FRANCA S. J., Padre Leonel, Noções de História da Filosofia.</p>
<p> GAARDNER, Jostein. &#8211; &#8220;O Mundo de Sofia&#8221;, Companhia das Letras, São Paulo, 1995. </p>
<p> MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. </p>
<p>                 PADOVANI, Umberto e CASTAGNOLA, Luís, História da                  Filosofia, Edições Melhoramentos, São Paulo,                  1974.</p>
<p> ROSA, Maria da Gloria de. A história da educação através dos textos. São Paulo: Cultrix, 1999. </p>
<p> VERGEZ, André e HUISMAN, Denis, História da Filosofia Ilustrada pelos Textos, Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 1980.</p>
<div id="pfButton"><a href="http://www.beatrix.pro.br/index.php/socrates/?pfstyle=wp" title="Print an optimized version of this web page" style="text-decoration: none;"><img id="printfriendly" style="border:none; padding:0;" src="http://cdn.printfriendly.com/pf-print-icon.gif" alt="Print"/><span style="font-size: 12px; color: #55750c;"> Print <img src="http://cdn.printfriendly.com/pf-pdf-icon.gif" alt="Get a PDF version of this webpage" /> PDF </span></a></div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.beatrix.pro.br/index.php/socrates/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
