Collection D'Arnell-Andrea

Collection D’Arnell-Andrea nasceu na cidade de Gien (uma pequena cidade francesa às margens do Loire, 130 km ao sul de Paris). Eles produzem uma música de tons melancólicos combinando cello e teclados, acompanhados pela vocalista Chloé Saint-Liphard. Seu trabalho é freqüentemente comparado ao Cocteau Twins e Dead Can Dance.

“Automne éternel automne…fragile berceau de ma peine…”

O grupo formou-se em 1986, inicialmente como um trio, formado por Jean-Christophe D’Arnell (compositor, percussionista e pianista), Pascal Andréa e Chloé St Liphard. Entretanto curiosamente Pascal Andréa saiu logo da banda e não chegou de fato a participar de nenhuma gravação, permanecendo sua lembrança apenas no nome do grupo que daí tirou o seu “Andrea”, e obviamente o D’Arnell vem do nome de Jean-Christophe. Realizam com essa formação em trio o seu primeiro concerto para logo a seguir gravar a primeira demo tape tentando mostrar seu trabalho a várias gravadoras, inclusive fora da França.

Em 1988 já sem a presença de Pascal Andrea, são contratados pelo selo inglês Valotte Records, pelo qual fizeram sua primeira gravação, “Autumn’s Breath for Anton’s Death”, trabalho composto de apenas quatro músicas que constavam na fita demo que ficou praticamente dois anos mofando na gaveta de um executivo da Valotte.

O conceito inicial da banda era misturar poesia e romantismo com algo de música minimalista, concedendo uma certa importância aos vocais e a harmonia das cordas e do cello (instrumento aliás onipresente nas composições da banda, funcionando praticamente a guisa de um baixo contínuo). Procuram confrontar a sonoridade de instrumentos clássicos com outros eletrônicos, em uma mistura que às vezes soa lírica, gótica, ethereal, pop e até rock ou industrial.

O segundo aspecto definido pelos integrantes do grupo era reunir diferentes pessoas com suas diversificadas influências musicais, o que garante ainda mais riqueza sonora. O que também explica a ampliação no número de participantes do projeto que nos trabalhos seguintes aumentaria para cinco componentes semi-fixos, fora a presença constante de convidados.

Esta particular mistura deveria criar uma atmosfera especial, carregada de sentimentos nostálgicos, compreensíveis para qualquer pessoa no mundo (!). A proposta era simplesmente criar um tipo de linguagem emocional de caráter universal expressa através da música.

A escolha do nome “Collection” foi feita guiada por esse mesmo conceito: coleção de sentimentos, coleção de influências, de pessoas, de imagens, etc… e também pela pronuncia e significado universais. (conforme dito anteriormente “Andrea” é o nome de um dos fundadores do grupo e “D’Arnell”… vem do nome de Jean-Christophe).

As letras do grupo fazem constante referência ao outono sendo este quase um tema obsessivo da banda, o seu “leitmotiv”. Sua presença faz-se sentir quer pela evocação de imagens outonais de fenecimento da natureza, quanto de sentimentos intensos como amor, paixão, dor, nostalgia, medo e tristeza. Para o CDAA, o outono é uma estação intensa e de forte carga emocional.

Também há constantes referências em seus trabalhos a obra de Van Gogh. Aliás, a visão de natureza presente nas canções do grupo evoca verdadeiros quadros, obras de arte, com pinceladas vigorosas e cores intensas como nos famosos quadros do mestre holandês. Não se pode ainda deixar de citar as influências estéticas e sentimentais do cinema francês, e do cinema alemão, em especial da obra de Winn Wenders , além da influência do teatrólogo francês Antonin Artaud. Artaud é inclusive tema de uma das mais famosas músicas da banda (e a mais conhecida no Brasil), “Anton’s mind’s getting blind”, que fala sobre o seu confinamento em um manicômio.

A banda é atualmente formada por cinco integrantes: Chloé St Liphard (Vocal ), Carine Grieg (canto e teclados), Franz Torres-Quevedo, Franck Lopez do Opera, (Baixo), Xavier Gaschignard (Cello) e Jean-Christophe d’Arnell (Teclados e Percussão).

Já gravaram cerca de oito álbuns, que são marcados pela serenidade e romantismo; pela tranqüilidade e lirismo; onde conseguem representar com perfeição toda a simplicidade da Natureza e seus dias de Outono.

Mas voltando a cronologia dos trabalhos analisaremos um por um os belos quadros outonais do CDAA.

O primeiro a vir logo após o “debut” da banda é o belíssimo Un Automne à Loroy, lançado em 1989 desta vez pela gravadora francesa Lively Art/ New Rose, e que traz a exemplo do trabalho anterior, em seu nome o “leitmotiv” da banda. Tanto nas letras quanto nas melodias o tom poético é constante, além de um certo ar sombrio com forte influência “darkwave”. Os vocais reforçam o clima intenso de réquiem ao outono e à natureza que aparentemente morre. A combinação entre cordas, teclados, vocais e percussão é delicada, de forte cunho sentimental, mas sem ser piegas, resultando bastante equilibrada, num tom intimista de “chamber music”. Além de Chloé e Jean-Christophe participaram desta gravação os músicos Thierre Simonnet nos teclados e Charlotte no cello (presenças constantes em outros trabalhos da banda).

O próximo trabalho a ser lançado é “Au Val des Roses”. Se o outono dessa vez não aparece no título do disco, o faz de forma imagética, na bela capa com uma alameda de árvores com suas folhas amareladas e prestes a cair, inclinadas sobre um lago de águas transparentes. Quanto à música, este trabalho traz os mesmos elementos presentes no disco anterior, um clima melancólico regado a belos arranjos de cello e a voz incomparável de Chloé St Liphard, que chegou inclusive a ser muitas vezes comparada a Lisa Gerrard e a Liz Fraser.

Em 1992 lançam aquele que é considerado um dos melhores trabalhos da banda, “Les Marronniers”, que conta com um belíssimo arranjo de piano (que em vez do cello, neste trabalho é o instrumento de destaque), obra de Jean-Christophe, que também, mostra uma evolução como compositor, apresentando um lirismo inigualável. Esse disco contou ainda com a colaboração de Franz Torrès-Quévédo em belas execuções de guitarra e baixo elétrico.

Apesar dos instrumentos elétricos há a intenção de soar como algo clássico, ao estilo de compositores eruditos como Fauré e Poulenc, o que é plenamente alcançado nas faixas “Les Temples Élevés” e “Les Chants de Peine”.

O trabalho seguinte Villers-aux-Vents (Février 1916), lançado em 1994, é temático e fala sobre a Primeira Guerra Mundial, cada composição é programática, e trata de um aspecto da guerra, uma espécie de tema dirigido (ao soldado, às vítimas, ao corpo sepultado, à cruz, e à vida nas rincheiras). As letras falam sobre a relação entre os sentimentos humanos, a violência de fato e a tristeza das paisagens destruídas.Musicalmente se destaca dos outros trabalhos por uma presença maior de dissonâncias e até mesmo guitarras distorcidas.

Em 1996 lançam o disco “Cirses des Champs”. Esse trabalho marcou uma fase de ruptura, mudança de estilo e até mesmo busca de identidade, e dentro do repertório musical do Collection Darnel soa um tanto estranho, uma tentativa de mesclar elementos eletrônicos e até mesmo dançantes ao som da banda. Mesmo com essas inovações, permaneciam os belos vocais e a presença constante do cello. Entretanto mesmo o álbum apresentando bons momentos essa foi uma fórmula que o grupo procurou abandonar em trabalhos posteriores.

A Coletânea Coll AGE é lançada em 1998, um álbum duplo reunindo os trabalhos da banda em dois períodos, de 1988-1992 e de 1992-1996. Fora esse relançamento a banda ficou praticamente seis anos sem lançar trabalho inédito. Em 2001 lançaram um vídeo com a apresentação que fizeram no mesmo ano em Orleans , ainda parte da turnê de lançamento da coletânea Coll AGE.

Somente em 2002 lançaram material inédito, o disco Tristesse des Mânes, o que não significa evidentemente que a banda tenha ficado inativa por todo esse tempo, pois fizeram várias participações em álbuns de outras bandas, além de integrarem algumas compilações de artistas do gênero Ethereal, incluindo a famosa “Heavenly Voices”.

Tristesse des Mânes saiu pela gravadora Prikosnovénie (especializada em bandas ethereal e de som neoclássico e medieval), e traz novas composições (sete) e regravações (sete) de trabalhos já lançados em outras compilações, mas dentro de uma proposta mais acústica e com arranjos mais sóbrios (a maioria talvez muito fiéis aos originais), a exemplo da faixa “Aux glycines defuntes”. Trata-se de um retorno às origens da banda, com o mesmo clima intimista de concerto de câmara.Uma volta às cores ocres e aos tons pastéis das suas canções neoclássicas de outono, com timbres melancólicos de piano e cello.

Entre as novas faixas estão “Kergal” que já pode seguramente constar entre as composições clássicas da banda, além é claro da faixa título “La tristesse des Mânes“, com um andamento lento, fluvial, e que em alguns momentos chega a produzir um tipo de beleza anestesiante. Esse senso de anestesia é explorado na faixa “Loire et lethe”, em que essa letargia é exposta em uma comparação entre o rio francês (Loire) e o rio mítico (Lethes) que atravessa a região do Hades, o rio do esquecimento e do sono eterno.

O constante “leitmotiv” da banda está de volta na faixa “Un automne restant”, que traz um vocal belíssimo (como sempre) de Chloé St Liphard. Mesmo sem grandes novidades é um álbum que não deve frustrar os fãs da banda, mesmo depois de uma espera tão longa.

Para quem tiver a curiosidade de conhecer outros trabalhos do CDAA aqui vai uma listinha com os álbuns lançados e participações em outras gravações e coletâneas.Ah! sim, infelizmente nenhum dos trabalhos foi lançado no Brasil…
Até à próxima! Um abraço!

Discos da Banda

1988 Autumn’s Breath for Anton’s Death
1989 Un Automne à Loroy
1990 Au Val des Roses
1992 Les Marronniers
1994 Villers-aux-Vents (Février 1916)
1996 Cirses des Champs
1998 Coll AGE 1988-1998
2002 Tristesse des Mânes

Participações e coletâneas:

1990 13
1990 Icare
1993 Dr. Death’s Volume 6: Floribundus
1994 Heavenly Voices (part 2)
1995 Knights Of The Abyss
1995 The Myths Of Avalon
1995 Taste This vol. 3
1996 Last Call 1996 Sampler
1999 Elegy n° 2
1999 French Club-Hits compiled by Sanctuary
2000 Mask of the People
2000 Elegy n° 9
2001 Kälte Container
2001 Belladonne 2
2001 CD-Side 7
2002 Odyssée

Vídeos:

2001 Concert Orléans 20 janvier 2001

Por Beatrix Algrave



DISCOGRAFIA COMPLETA


Un Automne à Loroy
1989

Aux Val des roses
1990

Les Marronniers
1992

Villers-aux-Vents
1994

Le Cirse des Champs
1996

Coll Age
1998

Tristesse des Manes 2002

Compilações

  • Knights Of The Abyss
    Deafining Breath
  • 13
    © 1990 Lively Art
    Anton’s Mind’s Getting Blind
  • Dr. Death’s Volume 6: Floribundus
    © 1993 C’est La Mort
    Une Attente Fragile
  • Heavenly Voices (part 2)
    © 1994 Hyperium Records
    L’Aulne + La Mort
  • The Myths Of Avalon
    © 1995 Talitha
    Collection
  • Taste this 3
    © 1995 Discordia [DISC 041]
    Les Cendre-Lisières from CD “Villiers-aux-Vents”
  • Mask of the People
    © 2000 Ramses/World Serpent Distribution
    L’ornière

COMPONENTES

A banda é formada atualmente por cinco integrantes:
  • Chloé St. Liphard (Vocais )
  • Carine Grieg (Teclados)
  • Peter Rakoto(Baixo, substituído por Torres-Quevedo)
  • Franz Torres-Quevedo(Baixo,Guitarras)
  • Xavier Gaschignard (Cello)
  • Jean-Christophe d’Arnell (Teclados e Percussão).

Participações:

  • Thierry Simonnet (teclados)
  • Franck Lopez (do OMS, Baixo)