Faith and The Muse

Na segunda metade dos anos 90, quando todos imaginavam que a cena gótica estava morta, ou que só animava meia dúzia de “vampirões saudosistas”, eis que surge uma série de grupos dispostos a fazer ressurgir das cinzas o legado de Siouxsie Sioux, Robert Smith, Sisters of Mercy e Bauhaus (por bem ou por mal). Gravadoras como Cleopatra, Hyperium e Projekt surgem como verdadeiros baluartes dessa nova onda dark e tornaram célebres bandas como Rosetta Stone, Mephisto Walz, Faith and the Muse, Nosferatu, Die Laughing, Inkubus Sukkubus, Corpus Delicti, Switchblade Symphony e Das Ich. Trazendo uma nova cara, um novo som e acima de tudo um novo significado a um movimento que nunca foi visto como movimento e a uma cena que nunca foi vista como cena. Enfim, nada mais será como antes. E quanto aos “vampirões saudosistas”, que se mordam de raiva, ou aproveitem o sangue novo…


William Faith e a musa Monica RichardsO Faith and The Muse é considerado por muitos como uma das bandas mais criativas da cena gótica atual e realmente quem tiver a oportunidade de assistir a um show da banda poderá confirmar isso, pois o apuro técnico, a paixão dos músicos e a interpretação cênica proporcionam um espetáculo inesquecível.
O grupo foi criado em março de 1993 na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, pela dupla de músicos Willian Faith e Monica Richards. O grupo foi formado, segundo seus integrantes, com a intenção de levar a música a novos extremos. Tanto Monica como Richards já eram músicos veteranos quando resolveram trabalhar juntos.

William Faith e seu Shadow ProjectWillian, por exemplo, já havia participado de grupos como Christian Death, Shadow Project, Mephisto Walz e Sex Gang Children. Seu interesse pela música vinha desde criança. Ganhou sua primeira guitarra quando tinha apenas 12 anos de idade e aprendeu a tocá-la muito rápido. Estudou jazz e música clássica por muito tempo antes de começar a ouvir bandas de glam e punk rock. Tinha especial interesse por grupos como The New York Dolls, Alice Cooper, Sex Pistols, The Buzzcocks, The Damned, Crass, Conflict e The Subhumans. Quando a cena punk começou a decair passou a se interessar por artistas como Gary Numan e Ultravox, então começou a se envolver com a cena dark e iniciando uma produtiva carreira como músico.
Monica na época em que era do Strange BoutiqueQuanto à Monica, começou sua carreira musical cantando em bandas punks durante a década de 1980, na cena hardcore da cidade de Whashington D.C. Sua primeira experiência foi como vocalista da banda punk, Hate from Ignorance, em 1982. Entre outros projetos fez parte do Madhouse (1983), uma banda originalmente punk. Entretanto, Monica queria mudar os rumos musicais do grupo em direção a uma musicalidade mais dark. O Madhouse foi obrigado a parar suas atividades em 1986, quando Monica perdeu completamente a voz e teve que fazer vários meses de terapia vocal para se recuperar. Na mesma época o artista antes conhecido como Prince e que agora não sei mais como se chama (acho que Prince de novo) ofereceu um bom dinheiro em troca do nome Madhouse que ele pretendia, a princípio, usar em um projeto. Prince acabou de fato lançando um disco intitulado Madhouse em que tocava todos os instrumentos, tratando-se de um trabalho voltado ao jazz.
A banda, ao aceitar o acordo, resolveu além do nome mudar também seu estilo. Assim surgiu o Strange Boutique, uma banda de som mais dark e ethereal criada em 1987. O nome era inspirado em uma loja de roupas de estilo pós-punk. Nessa banda Monica pode também explorar outros gêneros musicais pelos quais sempre teve grande interesse como a música barroca, clássica e renascentista.

Monica e William se conheceram quando o Strange Boutique abriu um show para o Shadow Project na cidade americana de Norfolk durante uma turnê realizada em outubro de 1992. Desenvolveu-se entre eles uma admiração mútua em relação ao trabalho que ambos faziam, e nos meses que se seguiram após a turnê, passaram a se corresponder e trocar fitas com melodias e idéias para novas músicas. Em 1993, Monica que morava em Washington D.C, decide então se mudar permanentemente para Los Angeles onde Willian morava, para que assim pudessem começar a desenvolver um novo projeto juntos.
ElyriaEm março de 1994 o duo entra em estúdio para gravar seu álbum de estréia, chamado Elyria. Lançado em junho do mesmo ano pela Metropolis Record, alcançou um sucesso surpreendente, sendo bastante elogiado pelos fãs e pela crítica devido a sua interpretação diversificada misturando estilos novos e tradicionais.
Este álbum superou todas as expectativas que a dupla poderia ter em relação a uma estréia. Destaca-se o estilo místico e musical do grupo, que mistura elementos clássicos, étnicos e de gothic rock tradicional a uma atmosfera ambient eletrônica, em uma fórmula bastante usual entre os grupos darkwave da chamada “nova estética gótica”. O misticismo fica por conta dos temas, Elyria é inspirado especialmente no folclore irlandês e nos mitos celtas. A atmosfera mítica é um tema muito precioso para o grupo tanto que Monica Richards chegou a escrever e publicar alguns livros de contos e poesias com essa temática. Quase sempre, como veremos mais adiante, haveria uma ligação muito grande entre esses livros e os projetos musicais do grupo. Aliás, uma característica muito peculiar do F&M é a soma de várias linguagens artísticas utilizadas simultaneamente para representar as idéias musicais da dupla. As apresentações montadas pelo grupo têm uma carga dramática muito forte, utilizando diversos elementos cênicos com a intenção de promover uma catarse estética. A arte de capa do álbum é obra de Monica, que além da música sempre se dedicou às artes plásticas, e aproveitou seus dotes para produzir não só esse mais vários trabalhos posteriores.
As canções do álbum Elyria tornaram-se verdadeiros hits em rádios universitárias e pistas de dança do meio alternativo.
O Faith and The Muse e sua primeira formação de palco.Devido ao sucesso alcançado com o disco resolveram embarcar em sua primeira turnê nos Estados Unidos, chamada “Procession Tour”. Essa turnê organizada pela Metropolis, contava além do F&M com outros grupos de seu casting, entre estes, a banda de industrial alemã, Das Ich. Para produzir ao vivo os sons de estúdio convidam uma série de músicos para acompanhá-los. Essa pratica seria constante, pois a banda sempre se resumiu a Monica e Willian acompanhados de músicos convidados. Essa primeira turnê contou com a participação dos músicos Tyler Duncan, na guitarra e violino, Glenn Petteys no baixo e violoncelo, o baterista Chad Blinman e a backing vocalista Terri Kennedy (Stone 588).
Após a turnê americana que durou dois meses, recebem um convite para abrir os shows da banda Das Ich em uma turnê européia de duração de um mês. Aceitam o convite e fazem apresentações em sete países, divulgando o seu trabalho e tendo uma boa aceitação no meio alternativo europeu, especialmente na Alemanha, onde na noite de apresentação, os ingressos esgotaram-se rapidamente. O sucesso se deu graças à instrumentação diversificada do grupo e suas performances teatrais bem construídas, conquistando vários fãs por onde passavam.
Em 1995, a banda é convidada pela Buena Vista Europe para uma participação no evento de lançamento do filme “The Crow” na Alemanha. Na verdade, foi uma verdadeira turnê em que a banda se apresentava depois da exibição do filme, percorrendo cerca de seis cidades alemãs. O projeto da Buena Vista era atrair a atenção do público gótico, o maior público alvo do filme, que trazia uma série de referência ao universo gótico, tanto no título (O Corvo é o nome de um famoso poema de Poe), quanto na temática, estética e trilha sonora. Segundo Willian “acompanhar Brendan Lee (ator principal do filme) nessa incursão cinematográfica foi uma experiência de amor e ódio”. Além da jogada de marketing da Buena Vista (empresa ligada à Disney) ter sido bem sucedida, a experiência abriu mais um espaço para o F&M divulgar seu trabalho e conquistar ainda mais o público alemão. Também possibilitou ao grupo travar maiores contatos com bandas locais e até mesmo agendar uma nova turnê que se realizou com a banda Mephisto Walz, aproveitando o fato do F&M já estar na Alemanha.

Annwyn, Beneath the wavesApós o termino da turnê alemã, neste mesmo ano iniciam o trabalho de pré-produção para o lançamento do próximo álbum do grupo, intitulado Annwyn, Beneath the Waves. A princípio deveria ser apenas um EP com seis canções, entretanto ao começar o trabalho a dupla se empolgou tanto que logo surgiram músicas suficientes para produzir um novo álbum. A boa recepção dos shows durante as últimas turnês e as novas experiências trazidas da viagem intensificaram ainda mais a criatividade da dupla. A bela arte da capa foi, mais uma vez, obra de Monica, que demonstrou dotes para a pintura, tornando-se uma artista cada vez mais completa. O trabalho de estúdio contou com a participação do talentoso produtor e engenheiro de som, Chad Blinman, que na época trabalhava com a banda Das Ich. O álbum foi lançado apenas em junho de 1996, pois se tratava de um projeto bastante ambicioso do grupo. Assim como Elyria, Annwyn, Beneath the Waves também era um álbum conceitual que abordava de forma bastante livre os mitos celtas galeses. Apresentava um conceito teatral que se tornaria cada vez mais visível nas apresentações da banda. Como criação artística ultrapassou seu predecessor abordando uma gama ainda mais variada de influências estético-musicais, diferentes texturas, e climas emocionais mais diversos ainda. Talvez este seja até hoje o álbum mais conhecido e apreciado pelos fãs da banda, contando com canções inesquecíveis como “Cantus”, música dançante, ainda que solenemente épica, acompanhada de bateria tribal e vocal dramático e a explosiva “Silver Circle”, engrandecida pelo belo vocal de Monica, que soa cada vez mais límpido e refinado. As guitarras-base bem trabalhadas conferem a este disco mais força e energia que o trabalho anterior. A faixa título oferece uma dinâmica mistura entre os sons darks pesados e a saborosa e rica música celta. “Cernunnos” de inspiração mitológica apresenta uma construção notadamente neoclássica, e está entre as canções mais lembradas pelos fãs do grupo. “The Birds of Rhiannon”, de sonoridade rica e brilhante lembra muito os trabalhos da banda Dead Can Dance. É importante destacar que nas gravações de estúdio Monica e Willlian tocavam sempre todos os instrumentos, apenas nas apresentações ao vivo costumavam contar com músicos convidados.
William tocando na Alemanha Esse foi mais um trabalho aclamado pelos fãs e pela crítica, e graças ao esmero da dupla e ao sucesso alcançado nas turnês alcançou maior repercussão que o disco anterior, atingindo os primeiros lugares nos charts independentes da Europa, em especial na Alemanha, país em que a banda sempre teve seu maior público.
Para os shows que se seguiram ao lançamento do novo disco, a dupla mais uma vez convidou um talentoso elenco para acompanhar suas performances “musico-teatrais”, incluindo Jeremy Meza (Element) e John Koviak (Sub Version) nos instrumentos de corda e Chad Blinman nas baterias e sequenciadores. Com essa formação participam da abertura do Germany’s Zillo Open-Air Festival. Após essa participação iniciam sua segunda turnê pelos Estados Unidos. A “Apparition Tour” também era uma turnê com várias bandas e contou com a participação de Rosetta Stone, Corpus Delecti e Das Ich.

Sobre as apresentações ao vivo e a participação de músicos convidados na banda Willian declara: “Nós sentimos ser essencial para a energia e a atmosfera de nossos shows ao vivo que músicos de verdade toquem conosco. Eu não tenho interesse em pôr tudo em tapes ou seqüenciadores, pois sinto que a apresentação perde algo no processo. Nós podemos usar um monte de tecnologia no estúdio, mas ao vivo quero algo ‘orgânico’. Também costumamos mudar os músicos convidados a cada nova turnê, pois queremos sangue novo e grande entusiasmo em nossas apresentações ao vivo”. Além do cuidado com a estrutura musical dos shows e com a escolha dos músicos, outro ponto de destaque no F&M é o apuro cênico das apresentações. Segundo Mônica: “A importância que damos às nossas apresentações ao vivo está em oferecer às audiências uma fuga do dia a dia. Nosso gênero é realmente escapista. Nossa música ajuda a criar uma atmosfera sonhadora e dramática. Quando aparecemos no palco queremos produzir essa atmosfera onírica ao vivo. Então para melhor criar isso, usamos técnicas teatrais e dramáticas, como roupas, maquiagem e efeitos de palco, tudo para produzir um estado ideal de encantamento”. Willian sempre foi o mais detalhista com o visual chegando a demorar até três horas para fazer sua maquiagem e cabelo para os shows, ficando praticamente irreconhecível depois do processo.
Ainda em 1996 participam da gravação de uma coletânea organizada pela gravadora Cleopatra, em que vários músicos convidados executavam canções consagradas da banda Bauhaus, em um disco tributo. O F&M então gravou uma versão da música “Hollows Hills”.
William e Monica como duoEm 1997, Willian e Monica deixam um pouco de lado sua parafernália teatral e fazem uma série de apresentações acústicas apenas como um duo, dispensando a presença de músicos convidados. Começam essa série de shows com uma apresentação no Projekt Records Darkwave Festival realizado em Chicago.
Após este evento a dupla iniciou sua turnê acústica intitulada “Vera Causa”. Durante as apresentações foram feitas versões das canções dos trabalhos anteriores utilizando-se apenas instrumentos tradicionais como bandolim, dulcímer, violino e violoncelo, em uma atmosfera bastante pessoal e intimista. A turnê prosseguiu através da Europa e durou quatro meses. Os shows incluíam versões acústicas de canções do repertório do F&M como “Annwyn, Beneath the Waves” e “Drown”, acompanhadas de algumas canções da antiga banda de Monica, o Strange Boutique e covers dos grupos favoritos da dupla. Algumas dessas músicas em formato acústico foram incluídas no quarto álbum do grupo lançado apenas em 2001, chamado também de Vera Causa, pois foi produzindo durante a turnê de mesmo nome. Entretanto antes de chegarmos a esse quarto álbum temos ainda que falar de Evidence of Heaven.
F&M em LeipzigA turnê européia do Faith and The Muse em formato duo encerrou-se em Paris em 29 de novembro. Em dezembro Monica aproveita uma pequena pausa nos shows para visitar sua família em Carmarthenshire, País de Gales, na Grã-Bretanha, terra de seus antepassados.
No início de 1998, William e Monica voltam novamente ao formato anterior das apresentações, com performances teatrais e vários instrumentistas de apoio. Os convidados para a nova empreitada são Jeremy Meza e JT Murphy (Sunshine Blind), nas cordas, e o celebrado retorno de Stevyn Grey na bateria. É importante lembrar que Grey já havia tocado com William no Mephisto Walz, no Shadow Projekt, e também no Christian Death.
Monica em ParisCom essa estrutura o F&M realiza várias aparições em festivais góticos nos Estados Unidos, Canadá. Apresentam-se também no famoso Wave Gotik Treffen na cidade de Leipzig, Alemanha, conhecido simplesmente como o maior festival gótico da Europa, com participação de mais de 15000 pessoas. E pela primeira vez realizam uma turnê no Reino Unido e na Irlanda.
Ao final da turnê decidem fazer um tributo a Rozz Williams vocalista do Christian Death que havia se suicidado em abril daquele ano, enforcando-se em seu apartamento em Hollywood.
Gravam assim uma arrebatadora versão de “Romeo’s Distress” com Monica nos vocais (essa canção também faria parte do álbum Vera Causa). Para as apresentações que se seguiriam no Projekt and Convergence Festivals, realizado nos Estados Unidos, convidam a violoncelista Mera Roberts (Oblivia).

The Book of AnnwynNesse ano Monica lança seu primeiro livro de contos e poesias, intitulado “The Book of Annwyn”, inspirado nas canções do álbum lançado em 1996, Annwyn, Beneath the Waves. Tratam-se na verdade de releituras de mitos celtas. Monica fala um pouco sobre como se deu essa identificação dela e da banda com a cultura celta. “Não há nenhum mistério nisso, pois, nós americanos estamos atualmente órfãos. Eu sou meio-galesa e meio-alemã, e cresce cada vez mais na América a necessidade de buscarmos um caminho mais significativo que a atual ‘cultura do lixo’. É importante resgatar a cultura dos meus ancestrais e as minhas raízes e saber realmente quem eu sou. Este aspecto explica o porque da influência européia em nossa música. (…). Eu fico feliz em ver o quanto a música celta é ainda popular. Uma influência que remonta mais de 200 anos atrás. Os Estados Unidos têm uma forte influência irlandesa, percebemos isso especialmente na música popular do Tenesse e Kentucky.”
O interesse de Monica por mitologia e folclore já era antigo. Ela sempre foi uma artista apaixonada e antes de escrever os contos do livro já havia lido e pesquisado muito sobre o tema. Monica graduou-se em Artes e também estudou Literatura, antes de se dedicar à música.

Quanto a Willian, apesar de ter nascido em Los Angeles, sua família possuía fortes relações com a cultura celta, pois seu pai era galês e quando William era criança aprendeu com ele várias antigas canções folclóricas galesas, o que fez despertar nele desde cedo o gosto e o fascínio pelas tradições e a cultura de seus antepassados.

Apesar dos elogiados shows e do sucesso alcançado pelo grupo e pelo livro de Monica o ano terminaria com um ar de tristeza, marcado pelo suicídio de JT Murphy, baixista e guitarrista que acompanhou a banda durante os shows de 1998.

No início de 1999, o F&M começa a produção de seu terceiro álbum, dessa vez em seu próprio estúdio em Los Angeles. É também o primeiro disco lançado pelo selo Mercyground de propriedade de Monica e Willian. Evidence of Heaven é um trabalho de grande sensibilidade e intimismo. Marcado pela trágica perda de JT Murphy e por sentimentos de nostalgia e tristeza pela ausência de familiares e de velhos amigos como Rozz Williams, também falecido no ano anterior. Trata-se de um momento de reflexão sobre os próprios sonhos e sobre a vida.
As canções são marcadas por influências estéticas dos passado, as melodias seguem uma estrutura elizabetana e vitoriana, resgatando as canções da Renascença. Esse é evidentemente um dos trabalhos de clima mais sombrio do grupo, contrastando com os discos anteriores, que traziam canções mais dançantes. Para atingir a qualidade proposta pela dupla o CD teve que ser masterizado duas vezes. As faixas incluem muitas pistas para garantir uma atmosfera ainda mais diáfana e delicada. A arte de capa (mais uma vez feita por Monica) combina com a suavidade e leveza das canções do álbum. Entretanto mesmo dentro desse clima aparecem duas faixas com lugar reservado nas pistas de dança: “Scars Flown Proud” (um espécie de hino da juventude descontente da cena underground) e a eletrônica “Shattered In Aspect”.
O álbum é lançado em julho de 1999, em seguida iniciam uma nova turnê, intitulada “Blackout AD”, através dos Estados Unidos e Europa. Dessa vez integrariam o elenco da banda os músicos Jeremy Meza, Mera Roberts, Christopher David (Judith), Andrea DiNapoli (Venus Walk), e Geoff Bruce (Sunshine Blind). Uma curiosidade dessas apresentações é a utilização de roupas brancas por parte dos membros da banda com o intuito de proporcionar uma atmosfera etérea na cenografia dos shows.
Em 2000 realizam uma nova turnê pelos Estados Unidos e Europa, dessa vez intitulada “Evidence of Heaven Tour 2000”, que coincide com o lançamento do álbum na Europa. O Faith and the Muse se apresenta com um elenco brilhante que incluía Stevyn Grey, Jeremy George, Kenton Holmes (guitarrista dos grupos Gitane DeMone, Rozz Williams), Cynthia Coulter (This Ascension e Low Pop Suicide), e Brian Necro (Shadow to Ashes). Pela primeira vez em muito tempo voltam a cantar as canções antigas do grupo e as mais queridas pelos fãs como “Elyria”, “Cantus”, “The Unquiet Grave” e “Arianrhod”. Estas performances ao vivo mais as da turnê “Vera Causa” são lançadas no inicio de 2001 em um álbum de canções ao vivo e acústicas também intitulado Vera Causa.

O Faith and the Muse realizou shows em Bremem, Alemanha (um dos mais importantes e inspirados shows do ano); e em dois grandes festivais da Europa, o EuroRock na Bélgica e o M’era Luna na Alemanha.
Em 2001 assinam um contrato com a Metropolis Records para o lançamento de Vera Causa. A Metropolis também relançou o primeiro album da banda, Elyria, na Europa. Vera Causa é um álbum duplo.

O primeiro disco intitulado “The Night CD” traz apresentações ao vivo da turnê “Evidence of Heaven Tour 2000” e remixes de canções clássicas do F&M. O disco dois chama-se The Morning CD e traz participações em coletâneas, covers, versões acústicas realizadas durante a turnê “Vera Causa Tour”, além de gravações raras. Este é o único disco do grupo a contar com um elenco de músicos convidados, mesmo nas faixas de estúdio. Participaram das gravações Thomas Rainer (L’ame Immortelle), Rodney Orpheus (The Cassandra Complex), Chad Blinman, Michael Ciravolo, Kenton Holmes (guitarras, teclados e percussão),Cynthia Coulter (baixo, dulcimer, violino e percussão), Jeremy George (percussão e teclados) e Stevyn Grey (teclados e percussão), entre outros.

.Durante o ano de 2001 e 2002 o grupo participa de uma série de festivais nos Estados Unidos e Europa, além de várias coletâneas dedicadas ao gênero darkwave. Também individualmente tanto William quanto Monica participaram de apresentações de outras bandas a exemplo das ocasionais colaborações de William, nos grupos The Living Jarboe Collide, Purr Machine e Frankenstein. Já Monica colaborou com os grupos Viva Death, Face To Face, A Perfect Circle, In The Nursery e Lamé Immortelle. Além das atividades musicais, Monica continuou se dedicando a pintura. Suas obras, aliás, podem ser apreciadas no site oficial do grupo. Também continuou se dedicando à literatura e publicou mais dois livros: The Little Red Book of Poetry e The Garden Book of Ghosts.
The Burning SeasonSomente em 2003 surge um novo álbum da banda, The Burning Season, uma mistura de sons acústicos e eletrônicos com influências de trance, tribal, punk, e, atmosferas futurísticas. Mais uma vez aparece a contribuição de Chad Blinman, que havia trabalhado como produtor de Annwyn, Beneath the Waves. Blinman é responsável pela mixagem do disco. Também há a participação do músico convidado Matt Howden, violinista e engenheiro de som. Apesar da forte influência eletrônica, a canção “Sredni Vashtar” é um autentico gothic rock no estilo tradicional. Temas míticos e melodias neoclássicas não podem ser esquecidas e surgem nas faixas “Visions” e “Whispered in Your Ear”. Apesar de não ser um álbum tão marcante quanto os anteriores com certeza agradou aos fãs da banda.
O Faith and Muse continua se apresentando e rolam boatos de que talvez para o ano que vem apareça seu quinto álbum com novas canções. Então é torcer para que o F&M continue por muito tempo a sua missão de encantar e mesmerizar as platéias de darkwave mundo afora. Quem quiser acompanhar e saber mais novidades sobre a banda é só acessar o site oficial do grupo http://www.mercyground.com/ . Uma página muito bem produzida e que traz uma série de arquivos com amostras do som da banda, além de vídeos. Vale tanto para os fãs como para quem quiser conhecer melhor o grupo.

Discografia:

Elyria (álbum, 1994, relançado em 2001)
Annwyn Beneath the Waves (álbum, 1996)
Evidence of Heaven (album, 1999)
Vera Causa (álbum, 2001)
The Burning Season (álbum, 2003)

Participações em Coletâneas:

“SONGS OF TERROR –
A GOTHIC TRIBUTE TO EDGAR ALLAN POE”
Label: CLEOPATRA
Música: “THROUGH THE PALE DOOR”
2001

“LADIES, QUEENS & SLUTS”
LABEL: HALL OF SERMON
Música: “SCARS FLOWN PROUD”
2001

“GOTHIC CLUB CLASSICS VOLUME 2”
LABEL: SPV
Música: “CANTUS”
2001

“TOWARDS THE SKY”
LABEL: NEUE €STHETIK MULTIMEDIA
Música: “PATIENCE WORTH”
2000

“DARKWAVE – MUSIC OF THE SHADOWS – VOLUME 2”
LABEL: K-TEL
Música: “SPARKS”
2000

“ELEGY NUMERO 6”
LABEL: ELEGY/KERCI
Música: “SCARS FLOWN PROUD”
1999

“A CAT SHAPED HOLE IN MY HEART”
LABEL: PROJEKT RECORDS
Música: “IN DREAMS OF MINE”
1999

“ELEGY”
LABEL: ELEGY
SONG: “CANTUS”
1999

“THE NATURE OF MOTHERDANCE”
LABEL: 4TH DIMENSION
Música: “ALL LOVERS LOST” (ao vivo)
1999

“BLACKOUT A.D.”
LABEL: NEUE €STHETIK MULTIMEDIA
Música: “CANTUS” and “SPARKS”
1998

“COMPE NOCTEM 1”
LABEL: BLEEDING EDGE MEDIA
Música: “MUTED LAND”
1998

“ORKUS”
LABEL: ORKUS
Música: “CANTUS”
1998

“ZILLO CLUB HITS II”
LABEL: ZILLO
Música: “ANNWYN, BENEATH THE WAVES”
1997

“THE BLACK BOX COMPILATION”
LABEL: BLACK BOX RECORDS
Canção: “CANTUS”
1997

“CALL ON THE DARK”
LABEL: NUCLEAR BLAST
Música: “ANNWYN, BENEATH THE WAVES”
1997

“DARK PROGRESSIVE SOUNDSAMPLER”
LABEL: ZILLO
Música: “MUTED LAND” (Faixa Exclusiva)
1996

“TOUCHED BY THE HAND OF GOTH” VOLUME II
LABEL: SUB TERRANEAN
Música: “ELYRIA”
APRIL 1996

“THE PASSION OF COVERS (A TRIBUTE TO BAUHAUS)”
LABEL: CLEOPATRA RECORDS
Música: “HOLLOW HILLS”
1996

“EXCELSIS (A DARK NOèL)”
LABEL: PROJEKT
Música: “A WINTER WASSAIL”
1995

“HEAVENLY VOICES III”
LABEL: HYPERIUM
SONG: “ELYRIA”
1995

“TOUCHED BY THE HAND OF GOTH”
LABEL: SUB TERRANEAN
SONG: “MERCYGROUND”
1995

“WHEN THE SUN SETTLES DOWN II”
LABEL: FOUNDATION RECORDS
SONG: “SPARKS”
1995

“THE DISEASE OF LADY MADELINE”
LABEL: ANUBIS RECORDINGS
SONG: “SPARKS”
1994