Marina Colasanti

Marina ColasantiMarina Colasanti (Sant’Anna) nasceu em 26 de setembro de 1937, em Asmara (Eritréia), Etiópia. Viveu sua infância na Africa (Eritréia, Líbia). Depois seguiu para a Itália, onde morou 11 anos. Chegou ao Brasil em 1948, e sua família se radicou no Rio de Janeiro, onde reside desde então. Possui nacionalidade brasileira e naturalidade italiana.

"A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma. "

 

Entre 1952 e 1956 estudou pintura com Catarina Baratelle; em 1958 já participava de vários salões de artes plásticas, como o III Salão de Arte Moderna. Nos anos seguintes, atuou como colaboradora de periódicos, apresentadora de televisão e roteirista.

Ingressou no Jornal do Brasil em 1962, como redatora do Caderno B, desenvolveu as atividades de: cronista, colunista, ilustradora, sub-editora, Secretária de Texto. Foi também editora do Caderno Infantil do mesmo jornal. Participou do Suplemento do Livro com numerosas resenhas.
No mesmo período editou o Segundo Tempo, do Jornal dos Sports. Deixou o JB em 1973.
Assinou seções nas revistas: Senhor, Fatos & Fotos, Ele e Ela, Fairplay, Claudia e Jóia.
Em 1976 ingressou na Editora Abril, na revista Nova da qual já era colaboradora, com a função de editora de comportamento.

De fevereiro a julho de 1986 escreveu crônicas para a revista Manchete.
Deixa a Editora Abril em 1992, como editora especial, após uma breve permanência na revista Claudia, tendo ganho três Prêmios Abril de Jornalismo.
De maio de 1991 a abril de 1993 assinou crônicas semanais no Jornal do Brasil.
De 1975 até 1982 foi redatora na agência publicitária Estrutural, tendo ganho mais de 20 prêmios nesta área.

Atuou na televisão como entrevistadora de Sexo Indiscreto – TV Rio, e entrevistadora de Olho por Olho – TV Tupi.

Na televisão foi editora e apresentadora do noticiário Primeira Mão -TV Rio, 1974; apresentadora e redatora do programa cultural Os Mágicos -TVE, 1976; âncora do programa cinematográfico Sábado Forte -TVE, de 1985 a 1988; e âncora do programa patrocinado pelo Instituto Italiano de Cultura, Imagens da Itália– TVE, de 1992 a 1993.

Em 1968, foi lançado seu primeiro livro, Eu Sozinha; desde então, publicou mais de 30 obras, entre literatura infantil e adulta. Seu primeiro livro de poesia, Cada Bicho seu Capricho, saiu em 1992. Em 1994 ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia, por Rota de Colisão (1993), e o Prêmio Jabuti Infantil ou Juvenil, por Ana Z Aonde Vai Você?. Suas crônicas estão reunidas em vários livros, dentre os quais Eu Sei, mas não Devia (1992) que recebeu outro prêmio Jabuti, além de Rota de Colisão igualmente premiado.

Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Dentre outros escreveu E por falar em amor; Contos de amor rasgados; Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher (que vendeu mais de 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento.
Colabora, atualmente, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna com quem teve duas filhas: Fabiana e Alessandra.

Em suas obras, a autora reflete, a partir de fatos cotidianos, sobre a situação feminina, o amor, a arte, os problemas sociais brasileiros, sempre com aguçada sensibilidade.

 


OBRAS
Eu sozinha (1968)
Nada na Manga – crônicas (1975)
Zoológico – Contos (1975)
A morada do ser – contos (1978)
Uma idéia toda azul – contos de fadas (1979)
A Nova Mulher – coletânea de artigos (1980)
Mulher Daqui Prá Frente – coletânea de artigos (1981)
Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento – contos de fadas (1982)
A menina Arco-Iris – infantil (1984)
E por falar em amor – ensaio (1984)
O Lobo e o Carneiro no Sonho da Menina – infantil (1985)
Uma Estrada junto ao Rio – infantil (1985)
O Verde Brilha no Poço – infantil (1986)
Contos de Amor Rasgados – contos (1986)
O menino que achou uma estrela – infantil (1988)
Um amigo para sempre – infantil (1988)
Aqui entre nós – coletânea de artigos (1988)
Será que tem asas? – infantil (1989)
Ofélia a ovelha – infantil (1989)
A mão na massa – infantil (1990)
Intimidade pública – coletânea de artigos (1990)
Agosto 91, Estávamos em Moscou (1991)
Entre a espada e a rosa – contos de fadas (1992)
Ana Z, Aonde vai você? – juvenil (1993)
Rota de Colisão – poesia (1993)
Um amor sem palavras – infantil (1995)
O homem que não parava de crescer – juvenil (1995)
De Mulheres sobre tudo – citações (1995)
Eu sei mas não devia – (1997)
Gargantas abertas – poesia (1998)
O Leopardo é um animal delicado – contos (1998)
Um espinho de marfim e outras histórias – antologia de contos de fada (1999)
Esse amor de todos nós – coletânea de textos (2000)
 


TEXTOS

Às seis da tarde

Ás seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução

Eu Sou uma Mulher

Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar.

Os homens vertem sangue
por doença
sangria
ou por punhal cravado,
rubra urgência
a estancar
trancar
no escuro emaranhado
das artérias.

Em nós
o sangue aflora
como fonte
no côncavo do corpo
olho-d’água escarlate
encharcado cetim
que escorre
em fio.

Nosso sangue se dá
de mão beijada
se entrega ao tempo
como chuva ou vento.

O sangue masculino
tinge as armas e
o mar
empapa o chão
dos campos de batalha
respinga nas bandeiras
mancha a história.

O nosso vai colhido
em brancos panos
escorre sobre as coxas
benze o leito
manso sangrar sem grito
que anuncia
a ciranda da fêmea.

Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar.
Pois há um sangue
que corre para a Morte.
E o nosso
que se entrega para a Lua

Vincent

Ciprestes de Van Gogh
imóveis labaredas
verdes incêndios sobre a tela
verdes mulheres nuas
em seus cabelos.

Ciprestes de Van Gogh
bizantinas colunas
da paisagem
vórtice
remoinho erguido
como o grito
o fallus
o arremesso de gozo
do pintor.


 

 FONTES

Bibliografia

COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico da literatura infantil e juvenil brasileira, 1882/1982. São Paulo: Quíron, 1983. p.661-667.

CUNHA, Fausto. Sair da Floresta. In: Colasanti, Marina. Nada na manga. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1973. p.11-13.

PAIXÃO, Sylvia. Clarice Lispector e Marina Colasanti: Mulheres de Jornal. In: REZENDE, Beatriz (org.). Cronistas do Rio. Rio de Janeiro: J. Olympio: CCBB, 1995. p. 99-116.

Links

Panorâma de Poesia: site do Itaú Cultural
Marina Colasanti: site sobre a escritora

 

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