Morrissey – Ringleader of the Tormentors

Está mais do que na hora de colocar Morrissey no trono dos grandes e imortais cantores e compositores do rock. Já é mais do que hora de reverenciá-lo como o grande nome dos anos 80 (xô, Bono!) e vê-lo ao lado de Bob Dylan, Van Morrison, David Bowie, etc… Morrissey é grande, genial e, ao que parece, inegostável.

Ringleader of the Tormentors é mais uma prova do seu enorme talento, tanto que alcançou o número 1 das paradas britânicas. Há quanto tempo um verdadeiro disco de rock não alcançava esse mérito (xô, U2!)?

 

Classificado como o “disco mais rock’n’ roll feito por Morrissey”, o novo trabalho – lançado em 3 de abril de 2006 – mostra que o bocudo continua afiado e com músicos igualmente afiados, que deram Morrissey uma sonoridade muito distante de seus pares.

O disco conta com algumas particularidades: a primeira foi ser gravado fora do eixo América-Reino Unido. O local para a empreitada foi Roma, capital da Itália. A missão de comandar os trabalhos ficou com o lendário produtor Tony Visconti, velho conhecido dos fãs de David Bowie, um dos grandes ídolos do ser mais miserável do planeta. Visconti entrou no projeto depois que Jeff Saltzman não pôde aceitar o convite. E Visconti conduziu Morrissey ao um tremendo disco, com forte influências do próprio Bowie e até de T. Rex.

Como todo bom polemista, Morrissey já deixa alguns ouvintes com o cabelo em pé na faixa de abertura, “I Will See You in Far-off Places”. Muitos acreditam que ela se refere a Osama bin Laden. Outros acham que ela pode ter sido dedicada a um amante (embora Morrissey tenha jurado mais de uma vez que jamais teve algum relacionamento amoroso com outro ser humano…)

A segunda faixa, “Dear God Please Help Me”, conta com um excelente arranjo de cordas, cortesia de Ennio Morricone, autor de várias trilhas-sonoras para o cinema. “You Have Killed Me” foi a primeira faixa a ser escolhida como single e alcançou a terceira posição nas paradas e traz outra das grandes letras de Morrissey sobre dor e rejeição. A mesma cita ainda o cineasta italiano Pier Paolo Pasolini e a cidade de Roma.

Tony Visconti conta que o disco foi feito em um clima de grande paz, alegria e camaradagem: “foi um dos melhores discos que já produzi. Morrissey é impressionante e canta com grande paixão e confiança. É certamente um dos melhores discos, senão o melhor, de sua carreira.”

Morrissey usou também um coro de vozes infantis em duas faixas – “At Last I Am Born” e “The Youngest Was The Most Loved” e deixou clara suas influências dos anos 70 nos arranjos. Ouça a faixa oito – “I’ll Never Be Anybody’s Hero Now” – e perceba um piano idêntico ao de Mike Garson, na fase Aladdin Sane, de Bowie.

Trabalhando com uma base de longa data – os guitarristas Alain Whyte e Box Boorer e o baixista Gary Day – Morrissey disse que foi o novo guitarrista de sua gangue – Jesse Tobias – que deu nova alma ao trabalho.

Com o novo disco e shows costumeiramente lotados, é rezar para que Morrissey apareça novamente por aqui e faça a alegria dos fãs. Porque se há um artista que soube envelhecer com dignidade e melhorou com o tempo, esse artista é Morrissey.

Ah, e xô, U2!

Faixas

1. I Will See You in Far-off Places
2. Dear God Please Help Me
3. You Have Killed Me
4. The Youngest Was the Most Loved
5. In the Future When All’s Well
6. The Father Who Must Be Killed
7. Life Is a Pigsty
8. I’ll Never Be Anybody’s Hero Now
9. On the Streets I Ran
10. To Me You Are a Work of Art
11. I Just Want to See the Boy Happy
12. At Last I Am Born

Por Rubens Leme da Costa