A falta de senso crítico, aliada à ignorância por parte de certas pessoas, às vezes cria situações esdrúxulas, como a que aconteceu no interior de Goiás. Um grupo de senhoras religiosas levou anos cuidando do que julgavam ser a cova de um pobre homem, que fora enterrado quase como indigente, já que o infeliz, nunca fora visitado por parente algum. Inexplicavelmente, embora houvesse um cemitério nas proximidades, o indulgente foi sepultado bem ao lado da estrada de terra batida que cortava o lugarejo. Dona Genésia e suas amigas beatas eram as únicas pessoas que cuidavam do túmulo, aparando o mato em volta, depositando flores e acendendo velas no Dia de Finados.

Durante a noite, muita gente evitava passar pelo trecho. Até que um dia, o novo Delegado de Polícia recebeu uma denúncia sobre o estranho ritual daquelas senhoras, resolvendo entrar em ação, e acabar com aquele mistério. Depois de algumas diligências, a verdade veio à tona. O defunto, em questão, não passava de uma obra de uma empresa do setor de telecomunicações, que havia instalado uma linha de fibra ótica, ligando o interior à capital do estado. A fibra ótica foi passada por baixo da terra e para evitar que alguém danificasse o equipamento, surgiu então, da noite para o dia, uma placa com os dizeres. “Atenção! Cabo Ótico enterrado aqui.” Esse mal-entendido custou muitas velas, flores e muitos sustos às pessoas que por ali transitavam. Houve até quem jurasse ter visto o fantasma do cabo ótico perambulando pelas cercanias.
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Por Maurílio Silva - silmaster@yahoo.com.br Extraído do site Usina de Letras