Siouxsie and the Banshees – Join Hands

Parceria com Rubens Leme da Costa

Join Hands é uma extensão natural e uma evolução a The Scream e começa a formar a personalidade do grupo, que vai se distanciando dos contemporâneos. Embora mantenha a raiz punk, os Banshees não soam raivosos ou políticos como o Clash, Jam, Buzzcocks… Ao invés disso, vão construindo uma obra mais pessoal, mais densa.


Após o lançameto de The Scream, o grupo saiu em uma grande turnê e logo se tornou uma das estrelas de um movimento posterior ao puk, que a imprensa britânica batizou de cold wave, post-punk etc…

Os Banshees eram colocados ao lado de outros nomes emergentes, casos de Cabaret Voltaire, The Cure (Robert Smith tem uma longa e intricada ligação com os Banshees) e se tornaram modelos para novos nomes, casos do Joy Division.

A diferença dos Banshees para eles, é que já rumavam ao estrelato, vendo a base de fãs crescendo, graças às ótimas performances ao vivo, particularmente ao carisma de Siouxsie Sioux.

Sem a pressão de uma grande gravadora, o grupo se sentia livre para fazer um disco mais ousado do que o álbum de estréia. Siouxsie não era mais uma simples cantora. Com sua beleza enigmática, sua performance sensual e suas ótimas letras, começou a se tornar modelo para os jovens britânicos. Nada mais comum do que ver centenas de clones da cantora nas apresentações.

Embora não fossem pressionados pela Polydor, segundo o baixista Stevenn Severin, o selo perguntou quando a banda começaria as gravações de um novo disco. “Começamos a trabalhar dobrado, já que as novas músicas eram feitas durante os shows.”

Ao mesmo tempo, o grupo ganhava uma consistência natural pelo tempo de convivência. As gravações de Join Hands, no entanto, não foram fáceis. Insatisfeitos com o produtor Mike Stravou. A chegada de Stavrou marca o início do rompimento interno.

Enquanto o empresário Nils Stevenson conseguia integrar o ex-engenheiro de Marc Bolan com Siouxsie e Severin, Kenny Morris e John McKay eram isolados dentro da banda.

Siouxsie sonhava em ter John Cale como produtor, mas ele estava ocupado com o novo disco do Squeeze e acabou aceitando Stavrou, masis por ter trabalhado com um de seus ídolos.

“A nossa vida se tornou dura com ele, já que era um merda, um verdadeiro chato”, confessa Morris. E segundo o baterista, outro problema foi a capa do disco. “Sequer fomos consultados pelos demais para a aprovação dela”, chiou Morris.

Severin concorda que os dois ex-companheiros foram isolados aos poucos por ele e Siouxsie. “Sim, fizemos isso, na verdade. Na pressa, simplesmente nos esquecíamos dos dois. E isso os magoou.”

O grupo começou a tocar as novas canções nos shows e quando gravaram o novo LP, em maio e junho de 1979, já tinham uma base bem sólida do que queriam.

Em setembro é editado Join Hands, recebido com espanto e críticas maravilhadas.

Um disco bem mais opressivo, denso e com uma longa e definitiva versão de “The Lords Prayer”, a canção que a banda debutou no 100 Club Punk Festival, em setembro de 1976.

“Fizemos uma versão que consideramos definitiva para não ter mais que tocá-la em shows”, confessa Severin.

O disco chegou ao 13º lugar da parada britânica – The Scream foi o 12º – e mostrava uma grande evolução ao antecessor.

O LP trazia as seguintes faixas:

Lado A

1. “Poppy Day”
2. “Regal Zone”
3. “Placebo Effect”
4. “Icon”
5. “Premature Burial”

Lado B

1. “Playground Twist”
2. “Mother” (lyrics by Sioux) / “Oh Mein Papa” (John Turner, Geoffrey Parsons, Paul Burkhard)
3. “The Lords Prayer” (Traditional, arrangement by Siouxsie & the Banshees)

Ao ser editado em CD, trazia duas faixas extras:

9. “Love in a Void” (7″ AA-Side)
10. “Infantry” (Unreleased track)

Musicalmente, o grupo se mostrava mais rico, com McKay tocando sax em “Regal Zone. O novo trabalho trazia algumas composições pessoais, como “Mother”, que Siouxsie escreveu pensando em sua mãe.

A canção traz, ao fundo, um som de caixinha musical e mostra a relação que tinha com ela. “Eu a amava profundamente, mas às vezes ela tínhamos discussões homéricas e eu ficava louca com isso, e a chamava pelo primeiro nome.

“Premature Burial” era inspirada em Edgar Allan Poe. Playground Twist foi o único compacto extraído do disco.

A estrada era o caminho natural após o lançamento. A excursão, porém, se mostraria traumática. Irritados com a cantora e com Severin, McKay e Morris se isolaram cada vez mais, o que já acontecia antes mesmo de se iniciarem as gravações.

Siouxsie reclamava cada vez mais dos dois: “eles pareciam duas velhas. Tudo era ruim, tudo era motivo para reclamações. Participavam cada vez menos da vida do grupo, enquanto eu e Steven tínhamos toda a pressão. Simplesmente se omitiam.”

O ápice da briga aconteceu em Aberdeen, Escócia, no dia 7 de setembro. Após uma discussão em uma loja de discos de nome The Other Record, voltaram para o hotel e pegaram o primeiro trem de volta à Londres.

Siouxsie e Steven não acreditaram no que eles tinham feito: “eles tiveram a cara-de-pau de simplesmente se mandarem, sem pensar nas conseqüências e que tínhamos lutado juntos, durantes três anos. Em um momento de ódio, se mandaram e nos deixaram com vários shows marcados no início de uma turnê”, revoltou-se Siouxsie.

A salvação foi apelar para a banda que abria os shows do grupo, um trio novato de nome The Cure. Robert Smith acabou sendo o guitarrista e para a bateria contrataram um músico, de nome Budgie.

E, desse caos, nasceria outro trabalho primoroso, Kaleidoscope. Mas isso é papo para outro dia. Um abraço e até a próxima coluna.

Discografia

Singles

“Hong Kong Garden” (1978)
“The Staircase (Mystery)” (1978)
“Playground Twist” (1979)
“Mittageisen (Metal Postcard)” (1979)
‘Happy House” (1980)
“Christine” (1980)
“Israel” (1980)
“Spellbound” (1981)
“Arabian Knights” (1981)
“Fireworks” (1982)
“Slowdive” (1982)
“Melt!” (1982)
“Dear Prudence” (1983)
“Swimming Horses” (1983)
“Dazzle” (1984)
“Overground” (1984)
“Cities in Dust” (1985)
“Candyman” (1986)
“This Wheel’s on Fire” (1986)
“The Passenger” (1987)
“Song from the Edge of the World” (1987)
“Peek-a-Boo” (1988)
“The Killing Jar” (1988)
“The Last Beat of My Heart” (1988)
“Kiss Them for Me” (1991)
“Shadowtime” (1991)
“Fear (of the Unknown)” (1991)
“Face to Face” (1992)
“O Baby” (1995)
“Stargazer” (1995)

Discos e CDs

The Scream (1978)
Join Hands (1979)
Kaleidoscope (1980)
Juju (1981)
Once Upon a Time (1981)
A Kiss In The Dream House (1982)
Nocturne (1983)
Hyaena (1984)
Tinderbox (1986)
Through The Looking Glass (1987)
Peepshow (1988)
Superstition (1991)
Peel Sessions (1991)
Twice Upon a Time (1992)
Rapture (1995)
The Best of Siouxsie and the Banshees (2002)
Seven Year Itch (2003)
Downside Up (Box, 2004)
At the BBC (2009)