sToa

Antje Buchheiser, Olaf Parusel e Fischer O grupo alemão sToa foi fundado em 1991 por Olaf Parusel (compositor/arranjador.) que tinha em mente criar um projeto em que pudesse relacionar suas idéias sobre música e filosofia. O nome escolhido para denominar o projeto tem, aliás, uma relação profunda com a filosofia. Stoa em grego significa “pórtico”, os filósofos estoicistas ficaram assim conhecidos porque costumavam discutir suas idéias no pórtico da Ágora de Atenas. O pórtico é uma construção com colunatas paralelas formando uma espécie de corredor. Na Grécia antiga marcavam a entrada de um templo, um museu (salão das musas) ou de uma ágora.

O sToa apresenta uma mistura de elementos da música erudita com toques contemporâneos, como a presença de sintetizadores e efeitos eletrônicos. O som é suave e melancólico, às vezes místico, compondo climas oníricos de rara beleza. As texturas são ricas e variadas convidando a uma espécie de passeio por terras desconhecidas e distantes.

Apesar de possuirem mais de dez anos de carreira lançaram ao todo apenas três discos. Uma banda bissexta sem dúvida, mas que soube reunir, sem pressa, nessas três obras primas, verdadeiras pérolas da música etereal (ou neoclássica como eles preferem).

Com essa banda e muitas outras que surgiriam nos anos 90 começou um certo estilo musical que passou a ser conhecido como “heavenly voices” ou “ethereal voices”, nome extraído de uma coletânea criada pelo selo Hyperium que reunia bandas com certas características em comum, grupos que apresentavam um estilo ligado ao neoclássico, à música medieval ou ao darkwave, tendo vozes femininas como destaque. Muitos desses grupos tiveram como inspiração a banda Cocteau Twins e o Dead Can Dance, além de seus músicos muitas vezes terem formação musical erudita.

Olaf conheceu a cantora e violinista Conny Levrow e convidou-a para ser vocalista da banda. Assim no mesmo ano gravam sua primeira canção chamada “Stoa”, que foi lançada na coletânea “From Hypnotic … to Hypersonic” da gravadora Hyperium. Em 1993 gravam o disco Urthona pela mesma gravadora. Este disco teve mais de 14.000 cópias vendidas, considerado um excelente desempenho para uma banda iniciante e praticamente desconhecida. O disco traz canções em latim e inglês (arcaico e atual), e ao contrário dos trabalhos posteriores da banda não apresenta um tema comum, apesar de um dos assuntos mais trabalhados no disco ser a relação entre nascimento e morte, princípio e fim, e auto-conhecimento. Aliás, a morte é um dos temas mais caros ao trabalho de Parusel, como certa vez afirmou em uma entrevista, ele teria de fato um verdadeiro fascínio sobre a morte, um assunto recorrente em suas composições.

Apresentação ao vivoAntes do sToa, Parusel e Levrow já haviam trabalhado em outros projetos ligados à música. Conny teve formação musical erudita e tocou violino por mais de 10 anos, tendo se apresentado em diversas orquestras. Além disso, ela havia cantado em diversos corais de música erudita e se apresentado também como solista. Conny estava bastante familiarizada com o repertório musical barroco e romântico, especialmente de compositores como Handel, Grieg e Pergolesi.
Olaf Parusel durante a infância foi membro de um coral bastante tradicional, o “Stadtsingechor Halle”, conhecido como o mais antigo coral do mundo em atividade contínua (tem mais de 880 anos de existência). Depois disso ele tocou em vários projetos musicais e bandas. Ele também compôs para a TV e estudou Musicologia e Filosofia.

Antje Buchheiser e  Olaf Parusel Em 1994 o segundo disco do sToa é lançado, também pela Hyperium, e chamou-se Porta VIII.
Trata-se de um álbum conceitual que tem como tema um conto do escritor belga Maurice Maeterlinck, intitulado “Ariadne e Barba Azul” (“Ariadne et Barbe Bleue”). Nesse conto de fadas famoso, um homem casa-se com várias mulheres matando uma após a outra. A esposa era morta após fracassar em um teste feito pelo Barba Azul. O teste consistia em resistir a curiosidade de abrir uma determinada porta que guardava segredos terríveis. A esposa não resistia de curiosidade e acabava abrindo a porta, se deparando com os cadáveres de suas antecessoras. Quando o Barba Azul procurava as chaves e perguntava a esposa se havia aberto a porta, ela mentia, mas acabava desmascarada pela chave que após colocada na fechadura da porta ficava sangrando. Entretanto, Porta VIII é uma espécie de continuação do conto original. Este álbum alcançou uma vendagem superior a 10.000 cópias, e atingiu os primeiros lugares na parada mexicana! O que talvez explique o reconhecimento que a banda conseguiu em países tão diferentes quanto México, Rússia, Japão e Brasil, seja a beleza e a qualidade das suas composições.

A primeira vez que ouvi uma canção do grupo foi através de um amigo que gravou uma coletânea de bandas de darkwave em uma fitinha cassete. O sToa comparecia na tal fitinha com a belíssima canção “Partus”, que faz parte do disco Porta VIII. A canção anônima medieval é escrita em latim, e o arranjo feito belo grupo é lindo, com a bela voz de Levrow e um sintetizador que imita o som de uma espineta (desculpe obrigá-los a consultar um dicionário às vezes, mas isso é inevitável tratando-se de grupos que produzem um som que pode ser considerado no mínimo anacrônico).

Eis a letra:

PARTUS

sic aetatis ver humanae
iuventutis primo mane
reflorescit paululum
reflorescit paululum

mane tatem hoc excludit
vitae vesper, dum concludit
vitale crepusculum
vitale crepusculum

Além de “Partus”, as outras quatro músicas do disco (“LUVAH”, “THARMAS”, “URIZEN” e “SCRUPUS”) também são em latim.
Christiane FischerEm 1996, o sToa ganha mais um membro, Christiane Fischer, que além de tocar violoncelo, também adicionou mais uma voz às apresentações do grupo.
Em 1997, Conny resolve deixar o sToa e retomar a sua carreira de musicista erudita. Para substituí-la Parusel convida Antje Buchheiser, que assim como Conny também possuía formação erudita, tendo tocado violino por mais de 11 anos, além de ter participado do coral clássico The “Hallenser Madrigalisten”. Buchheiser apresentou-se como musicista erudita em vários países como Alemanha, Japão e Cuba.
Neste ano, o sToa deixa a Hyperium e são contratados pela gravadora alemã Alster Musikverlag.
Nos anos seguintes o sToa apresentou-se esporadicamente em uma série de eventos. Tocaram por exemplo no festival Wave-Gotik-Treffen, em Leipzig, na Alemanha, para mais de mil pessoas e no Zeche Carl em Essen. Fizeram em 1998 e em 2002 uma pequena turnê no México. À partir de 2001 Mandy Bernhardt passa a ser a nova vocalista do sToa.

Mandy BernhardtEm 2001 finalizam seu terceiro álbum Zal, que foi lançado primeiro no México pela Samadhi-musik.
Neste mesmo ano o sToa assina contrato com o selo alemão “Alice in …”. O novo disco distribuido mundialmente na Europa, Asia, América, Africa e Austrália, é lançado em junho de 2002.
Este também é um álbum conceitual cujo tema é a vida do pianista e compositor romântico Frederick Chopin. Zal é uma palavra de origem polonesa que descreve um estado emocional extremo quer de felicidade ou de tristeza. O disco conta com a participação da pianista Barbara Uhle. Entre as canções estão a bela “Puisque Tout Passe”, cuja letra é na verdade um poema de autoria do escritor tcheco Rainier Maria Rilke. Outros escritores homenageados no disco são: James Joyce (“Alone”), Paul Verlaine (“Chanson d’Automne”), William Shakespeare (“Ariel´s Song”) e William Blake (“Soft Snow”).

Em junho de 2003 o grupo fez uma participação no disco Alabaster de Louisa John Krol, com uma canção de autoria de Louisa e de Olaf gravada em 2001 no the sToa-studio. A canção é intitulada “The Seventh Ingress”.

Em maio de 2004 a “Alice in…” resolveu relançar em CD os dois primeiros disco da banda Urthona e Porta VIII, que já estavam foram de catálogo. Além das novas mixagens feitas por Maik Hartung (Love Is Colder Than Death), os álbuns contam também com nova arte gráfica. A banda continua se apresentando, e apesar de não haver rumores sobre novos lançamentos, novidades podem ser conferidas no site oficial da banda (conferir links no final da matéria).
Deixo com vocês a canção que deu o nome a banda.

STOA

Bene est viro qui
miseretur et commodat-
qui disponit res suas
cum justitia.
In aeternum non vacilabit.

Distribuit, donat pauperibus,
munificentia ejus manebit semper,
cornu ejus
extolletur cum gloria.

(Mittelalterlich / Medieval)

Discografia


Urthona (1993)

Porta VIII (1994)

ZAL (2001)

Participações

Zauber of Music, Vol. 2
Autumn

Of These Reminders, Vol. 1
I wish you could smile

Of These Reminders, Vol. 2

Heavenly Voices I – (1992)
Infant Joy

Hy! From Hypnotic – (1992)
Stoa

Heavenly Voices III – (1994)
Partus

Heavenly Voices IV
My Inner Labyrinth

Change (Asia, único lançamento)
Infant Joy

Audio Nr.5 (Grécia)
Luvah

Musica Celestia (Brasil)
Partus

Moonraker II
Tharmas


Links:

sToa: site oficial (em inglês)

Wormfood: página americana dedicada a banda (em inglês)

Project: página do selo distribuidor dos discos do sToa (inglês)

Brazilian Ethereal Homepage: página em português.

Por Beatrix Algrave

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