Sua face

Seus olhos são como as nuvens que passam levando a alegria dos dias serenos, seu sorriso é como o brilho dias ensolarados em busca daqueles que querem sentir sua presença, sua face é como a vida que se passa em busca de sua essência e motiva aqueles que esperam dias melhores, cada gota de suas lágrimas valem por milhares de palavras, pois o que saí do seu coração firma em…

Silhoueta Maldita

A única coisa que eu consigo sentir agora é medo! Medo do escuro. Medo de ficar exposto ao negrume da noite, que apenas me faz sentir repulsa pelo que se esconde atrás da humanidade. Medo do estranho, do indizível. Medo de ficar só, aqui nessa cela. Tenho até questionado a minha própria sanidade, acreditando até nos mais céticos para os quais contei sobre o ocorrido. Ninguém acredita em mim. Crêem…

O anjo estuprador

Na parada Maria espera o ônibus. São 23:00h da noite. O motorista do ônibus, que se esqueceu que há moças e rapazes que dependem da condução pra retornar ao lar, parou no bar pra tomar umas com os amigos. Ora, quinze minutinhos não vão matar ninguém! Mas, o que Maria tem a ver com isso? Alguém bonita como Maria não pode ficar esperando. O marido dela é um homem insuportavelmente…

O inepto

Não entendo porque um garoto queira ser goleiro. Antigamente, eu até entenderia. Costumávamos colocar no gol o pior de nós: o inepto. O inepto não tinha domínio de bola, não sabia passar e não sabia driblar, aliás, era driblado com freqüência pela bola. Com muita sorte, o inepto dava um bom goleiro. Aqueles que obtiveram sucesso na posição, tinham relativa preferência dos peladeiros de fim de semana: – Inepto, pega…

A virgem sanguinária

Há tempos ele não ia à missa. Não é que tinha perdido a fé no Senhor Jesus Cristo ou mudado de religião. Não, não é o caso. Antes fosse. A verdade é que não ia à missa porque era muito cedo. Imagina! Edvaldo é um sujeito da noite, um vampiro. Finge que trabalha, pois é funcionário público, e cai na gandaia à noite. Para ele, acredite, acordar cedo é o…

Jonath

Jonath repousava em sua poltrona em frente a lareira, enquanto degustava de uma taça de vinho tinto seco, não apreciava mais nada do que era doce e suave, preferia refletir em sua boca como a vida era para com ele, assim podia senti-la descer pela garganta, fingindo conseguir digeri-la assim como ela é. Nessa noite havia algo de especial em sua casa, sua neta Ester o visitara, ele tinha muito…

Vermelho

Eram duas da madrugada, e ele lia algo sem sentido, suas pernas suadas como sua vista, um calção quase sem cor, em suas mãos tudo o que um ser humano poderia desejar em vida e morte, tudo lhe pertencia, ele era o centro do Universo. — Não, todos eram iguais. — Essa era a certeza que ele havia chegado depois de ler atrapalhadas páginas do livro. Na cabeça nada entrava….

Atonia

A CABEÇA MEXIA freneticamente, para frente e para trás. A boca besuntada de batom sugava com força o falo ereto hiper-exitado. Na estreita parte dianteira do automóvel, os dois corpos se aglutinavam em uma dança surreal. Ele, jovem e viril, retorcendo-se em espasmos. Ela, velha e decadente, estática em seu ofício. Minutos perdidos em um tempo suspenso no espaço, quando os dois seres, em uma animalidade erótica, conectavam-se sem interação.

O mito de Celinho

O sabor de saber Era um pai dedicado, bom amigo e irmão. Celinho era o açougueiro mais famoso de Campo Belo, digo, não famoso por brilho próprio mas por celebrizar os outros. Não havia nada que Celinho não soubesse. “Quando Tancredo morreu”, dizem, “ele foi o primeiro a saber” e, é claro, o primeiro a espalhar.Não lembro onde eu li, talvez numa revista ou num jornal, que o substantivo sabor…