The Sisters of Mercy

Quando se discute o que seria afinal o gótico surgem muitas controvérsias. Afinal, existiu de fato um movimento gótico ou estilo gótico, como alguns fazem questão de afirmar? Seriam bandas como Bauhaus e Siouxsie and Banshees realmente góticas? Para alguns essas questões parecem óbvias, mas para outros, não. Antes de falar desta banda considerada por muitos como “um dos ícones do gótico” vamos tratar de algumas questões preliminares…


Em primeiro lugar conforme já tratei do tema em outra coluna, a maioria das ditas bandas góticas nunca se viram como tal. O próprio Andrew Aldritch, chegou a declarar certa vez sobre o SoM que “os Carpenters eram mais góticos que eles”. Mesmo tratando-se de mais um rótulo usado pela imprensa musical para designar o tipo de música que faziam, artistas como Siouxsie Sioux (Siouxsie and the Banshees) e Ian Astbury (The Cult) utilizaram realmente o termo gótico para referir-se a fases de suas carreiras ou ao tipo de música e visual que adotavam. Ainda em 1978, o empresário do Joy Division, Anthony H. Wilson (fundador do Clube Hacienda e um dos fundadores da Factory Records) declarou em um programa de televisão na BBC que o som da banda seria gótico se comparado às bandas do pop mainstream da época. Na verdade, a estética sombria que esses grupos adotavam era uma maneira de se contrapor às luzes e ao brilho da disco music dos anos 70.

As primeiras bandas que adotaram esse estilo tiveram sua origem no punk rock que também se contrapunha à ostentação e excessos do hard rock e do progressivo, e ao discurso “paz e amor” dos hippies; com sua mensagem direta e agressiva.
Deixando a controvérsia de lado, vou falar dessa banda que, gótica ou não, influenciou dezenas de bandas nas décadas que se seguiram.

Apesar da contundente e hilária declaração de Aldritch que citei no início, o Sisters of Mercy é considerada a mais tipicamente gótica das bandas dos anos 80, com seu som atmosférico, símbolos macabros, referências a catacumbas e rituais esotéricos. Entretanto, eles fogem totalmente ao estereótipo se considerarmos que seu som original era cheio de guitarras distorcidas, misturando heavy metal e hard rock com ritmos eletrônicos, um híbrido de metal e psicodelia, às vezes incorporando batidas de dance beats. As referências musicais de Craig Adams (baixista) estavam mais próximas do heavy e do hard rock, sendo um grande fã de Hawkwind e Motorhead. Quanto a Andrew Eldritch e Gary Marx, estes eram fãs ardorosos dos Stooges, The Fall e Pere Ubu. Craig inclusive afirmou certa vez que seu objetivo no início era formar uma banda de heavy metal, mas percebeu que seus dotes como baixista eram muito limitados para isso. O mesmo pode-se de dizer de Eldritch, que afirmava no início da banda querer tornar o The Sisters of Mercy o melhor grupo de Heavy Metal do mundo. Em suas primeiras declarações à imprensa afirmava: “Só houve um grande grupo de Heavy Metal, os Stooges, e há somente duas bandas que podem alcançá-los: Motorhead e Birthday Party . Nós não somos tão bons quanto Motorhead, mas somos melhores do que Birthday Party, o que nos faz miseravelmente bons”.

A trajetória da banda The Sisters of Mercy foi bastante acidentada, cheia de egos e disputas judiciais. Durante seu percurso teve como membros realmente fixos apenas Andrew Eldritch e o onipresente Doktor Avalanche (ex-Dr. Rhythm), na verdade um equipamento de bateria digital que aparece creditado em todos os trabalhos da banda como o seu “baterista oficial”, e que passou por inúmeras “mutações” tecnológicas, sendo à princípio uma bateria eletrônica DMX,depois uma Yamaha RX5 e um seqüenciador.

A história da banda começa em 1980 na cidade de Leeds. Andrew Eldritch (Andrew Taylor – 15.05.1959) era estudante de Letras (estudou francês, alemão, italiano, galês, latim, russo e chinês ), havia estudado literatura francesa e alemã na Universidade de Oxford e mudou-se para Leeds para estudar Chinês e Ciência Política. Além de línguas, ele também tinha interesse por Computação, Filosofia e Ciência Cognitiva. Em Leeds, Eldritch foi morar em um apartamento que ficava em cima de uma farmácia da cidade. Na época ele já começara a ouvir Pere Ubu, The Fall, Stooges e Velvet Underground. Um dia, por acaso, encontrou uma bateria largada no porão da dita farmácia e achando que seria fácil decidiu que aprenderia a dominar o instrumento e que se tornaria um baterista. Eldritch conheceu Gary Marx (Mark Pearman), que além de também morar no mesmo local, tinha grandes afinidades musicais. Resolvem formar uma banda. Assim nasce o The Sisters of Mercy, originalmente como um duo, com Eldritch como baterista e Gary como guitarrista. O nome da banda The Sisters of Mercy foi escolhido em uma noitada etílica regada a muita cerveja, e o nome foi tirado de uma música de Leonard Cohen que faz referência a um grupo de freiras católicas. Entretanto a intenção dos dois não era nada religiosa, pois na verdade tratava-se de uma referência ambígua à prostitutas. Segundo Eldritch, havia muito em comum entre a prostituição e o comportamento das bandas de rock da atualidade, sendo essa uma excelente metáfora para a cena rock de uma forma geral. Apesar do autor evidentemente discordar desta interpretação, a própria letra de Cohen é realmente ambígua. Confiram por si mesmos…

Sisters of Mercy

Oh the sisters of mercy
They are not departed or gone
They were waiting for me
When I thought that I just can’t go on
And they brought me their comfort
And later they brought me this song
Oh I hope you run into them
You who’ve been travelling so long

Yes you who must leave everything
That you cannot control
It begins with your family
But soon it comes around to your soul
Well I’ve been where you’re hanging
I think I can see how you’re pinned
When you’re not feeling holy
Your loneliness says that you’ve sinned

Well they lay down beside me
I made my confession to them
They touched both my eyes
And I touched the dew on their hem
If your life is a leaf
That the seasons tear off and condemn
They will bind you with love
That is graceful and green as a stem
When I left they were sleeping
I hope you run into them soon
Don’t turn on the lights
You can read their address by the moon
And you won’t make me jealous
If I hear that they sweetened your night:
We weren’t lovers like that
And besides it would still be all right
We weren’t lovers like that
And besides it would still be all right.

Com essa formação gravam o seu primeiro single com a esperança de um dia poder ouvir seu som no rádio. Como não tinham muito dinheiro e nem equipamento, tudo foi feito de forma bem tosca, com apenas uma guitarra, um amplificador de segunda mão e, é claro, Doktor Avalanche. Damage Done
Com essa nova formação a banda faz sua primeira apresentação ao vivo no dia 16 de fevereiro de 1981. Marx conectou sua guitarra a um aparelho de som, e como não havia caixa de retorno, Eldritch provocou uma enorme microfonia nos amplificadores, tornando o som inacreditavelmente ruim. Mesmo assim conseguem tocar uma cover de Leonard Cohen “Teachers” e as músicas “Silver Machine” ou seria “Sister Ray” (Velvet Underground), pois o grupo se atrapalhou um pouco com o set list e trocou o nome de algumas músicas. Mesmo com todos esses tropeços, o público presente gostou do show. No final do ano, Benn Gun é recrutado como segundo guitarrista. Em 1982 com essa formação gravam seu segundo single,Body Electric. Neste disco a banda gravou seu hino, “Adrenochrome”, uma canção com fortes imagens religiosas que traz no refrão o nome do grupo, além da pesada faixa título que a crítica musical da época classificou de voodoo-rock. Este segundo trabalho da banda é eleito o “Single da Semana” pela revista inglesa “Melody Maker”. é lançado pelo próprio selo do grupo “Merciful Release”, pois não conseguem que nenhuma gravadora se interesse por eles. Conta-se que um alto executivo da gravadora Rough Trade teria recusado o grupo após ouvir esse primeiro demo tape, por considerá-los uma cópia do Bauhaus. O incidente é negado por Eldritch, que detestava esse tipo de comparação. Contudo, a negativa das gravadoras contribuiu para a criação do selo Merciful Release, de propriedade dos Sisters, e responsável por seus lançamentos. Após conseguirem algum dinheiro, são prensadas por esse selo 1000 cópias do disquinho que trazia as músicas “Watch” e “Home of the hit-men”. Nem precisa dizer que esse é, hoje em dia, item de colecionador. Apesar de ser um trabalho ainda cru, já traz as principais características da banda: bateria seca, baixo hipnótico, atmosfera opressiva, guitarras distorcidas e voz cavernosa. São vendidas pouquíssimas cópias da gravação, entretanto o grupo não desiste, e resolvem recomeçar a banda com uma nova formação. Ao perceber que tocar bateria não era assim tão fácil quanto imaginava, Eldritch troca as baquetas pelos vocais e a percussão fica a cargo de uma bateria eletrônica, o famoso Doktor. Avalanche. Gary Marx concentra-se na guitarra e o baixista Craig Adams, um fanático por cerveja e que costumava usar três cordas em seu baixo (porque uma das cravelhas estava quebrada), é convidado a integrar a banda.

A banda faz algumas apresentações em Londres e Tony James do Generation X convida Eldritch para se juntar a sua banda (oferta que é gentilmente recusada por ele). São convidados para tocar na BBC e iniciam uma turnê britânica em conjunto com a banda Psychedelic Furs. Em novembro do mesmo ano começam as gravações do seu terceiro single, Alice. O single traz o som habitual da banda aliado a uma irresistível melodia e riffs hipnóticos que logo dominam a parada independente.

Em 1983, dão continuidade à turnê britânica, que incluía em seu set list várias e audaciosas seleções de covers, incluindo “Gimme Shelter” (Rolling Stones), “Sister Ray” (Velvet Underground), “1969” (Stooges) e “Emma” (Hot Chocolate). Gravam uma segunda BBC session e em março lançam o single Anaconda. Sai a primeira gravação da banda na América, o EP Alice. Segue-se a isto o lançamento do EP The Reptile House, uma sofisticada mistura de crueldade e sutileza.

Após uma longa turnê européia, fazem o seu primeiro show na América e decidem gravar um novo trabalho, em um excelente estúdio de 24 pistas o que permite acrescentar às gravações várias pistas de guitarras, dando ainda mais peso ao som. Gravam assim o aclamado EP de três faixas Temple of Love, o último trabalho independente da banda. Além da faixa-título, comparecem “Heartland” e “Gimme Shelter”. Este disco é considerado uma verdadeira obra-prima da banda, com suas guitarras pesadas de hard rock, batida tribal alucinante e canções assustadoramente doentias.

Em 1984, Benn Gun deixa o grupo, e é substituído por Wayne Hussey (Jerry Lovelock – 26.05.1958) , ex-guitarrista do Dead Or Alive. Continuam o ano em turnê e nesse meio tempo são contratados pelo selo Elektra, atual East West, um dos braços da Multinacional Warner. Assim, na nova gravadora, e com nova formação regravam o single Body and Soul, dessa vez em formato de quatro faixas, incluídas “Train”, “Body Electric” e “Afterhours”. Segundo declaração de Eldritch esse disco seria “uma visão do paraíso, mas com muita velocidade”. Gravam uma terceira BBC session e começam a selecionar material para o primeiro álbum dos Sisters. Após gravar algumas demos das canções que integrariam o álbum, viajam para New York, em agosto para tocar em dois concertos com lotação esgotada. O trabalho no álbum é postergado em virtude do esgotamento físico de Eldritch. Mesmo assim, a banda continua a fazer apresentações ao vivo, culminado na “Black October tour”. O público europeu da banda continua a crescer, particularmente na

Alemanha e no Reino Unido. Lançam o EP Walk Away, que é gravado em clima de desentendimentos constantes entre os membros do grupo. Devido à crescente tensão que começa a surgir entre os integrantes, algumas apresentações são canceladas. Apesar dos rumores de que algo ia mal com a banda, é lançado em fevereiro de 1985 o single No Time to Cry, com as faixas “Bloody Money” e “Bury me deep”. Em março, iniciam a turnê “Tune In, Turn On, Burn Out”. Logo a seguir sai, finalmente First And Last And Always, o esperado álbum de estréia da banda, que alcança imediatamente a vigésima posição na parada britânica. Esse trabalho é considerado por muitos fãs como o melhor já realizado pelos Sisters. Traz a melhor formação da banda e uma seleção de canções clássicas. Nesse álbum, Wayne Hussey se tornou o principal compositor dos Sisters, mas Eldritch continuou a escrever todas as letras mantendo-se o líder do grupo.

Durante a turnê de divulgação do álbum acontecem mais problemas entre os membros da banda. Gary Marx, o guitarrista e co-fundador do Sisters , é o primeiro a se desentender com Eldritch e abandona o grupo logo após o último show da turnê. Ao falar sobre isso à imprensa, Eldritch foi, como sempre, sarcástico: “Eles me perguntaram: Well, OK, o que vamos fazer pelas novas canções? Eu disse: Que tal isto, isto e isto? Mas, infelizmente, o primeiro ‘isto’ que eu citei tinha muitos acordes por minuto e Craig não quis tocá-lo” .

Apesar de Marx ter sido o primeiro a anunciar seu desligamento da banda, a situação estava ainda pior entre Eldritch e Hussey, em virtude de, em alguns momentos, Hussey querer se meter também nas letras das músicas, deixando Eldritch furioso. Segundo declarações de Eldritch: “Wayne já tinha se tornado um problema, porque ele queria fazer mais por sua canções e eu as achava particularmente vazias. Eu costumava brigar com ele para tirar alguma espécie de sentido gramatical delas. Eu nunca cantei uma letra de Wayne. Eu nunca achei uma que pudesse cantar!”.

Já Hussey daria uma outra versão da história: “A maioria das canções que estamos tocando no The Mission são canções rejeitadas por Eldritch para o segundo álbum dos Sisters. Isso é irônico, porque atualmente ele vê nossos shows e me diz o quão boas elas são”. As últimas composições de Hussey não haviam agradado a Eldritch, além deste querer se impor mais no grupo chegando até mesmo a cantar, coisas que definitivamente não agradaram ao ego de Andrew. Este via a separação como algo inevitável. Em julho, quando fazem o show de encerramento no Royal Albert Hall, em Londres, que foi também um concerto de celebração do lançamento do primeiro álbum do Sisters of Mercy, (sem dúvida um passo importante na carreira do grupo), no final da apresentação, em vez de dar o tradicional “Boa Noite!” ao público, Eldritch diz apenas “Adeus”. Ele realmente havia decidido que aquela seria a última apresentação do grupo. Esse show foi filmado e lançado em um vídeo chamado Wake. A banda ficaria simplesmente cinco anos sem pisar em um palco novamente.

Logo após o fim dos Sisters houve muita baixaria tanto na imprensa quanto nos tribunais, chegando a circular, inclusive, boatos de que, além de Eldritch, os outros músicos também escreviam canções e não eram creditados. Mas o pior seria a batalha sobre o nome The Sisters of Mercy, pois, a princípio, todos os músicos da banda haviam descartado a possibilidade de usar o nome, caso montassem algum projeto musical. Entretanto Craig Adams e Hussey após tentarem, sem sucesso algum, um contrato com gravadoras, decidem apelar para a magia do antigo nome e se auto-denominam “The Sisterhood”. Com esse nome chegam até mesmo a fazer alguns shows ao vivo. A utilização do nome “The Sisterhood”, uma evidente alusão ao antigo Sisters (e também o nome de um fã clube da banda), deixa Eldritch extremamente irritado, pois considerava isso uma quebra do antigo acordo. Porém, judicialmente falando, ele não poderia fazer nada para evitar isso. Decide pôr um fim na pretensão dos antigos colegas, e simplesmente tornar-se “The Sisterhood” primeiro, e assim lança com esse nome um single intitulado Giving Ground que sai pela Merciful Release, o selo dos Sisters. Curiosamente nesse trabalho e no que viria a seguir, Eldritch não canta, atuando mais como produtor do equipamento eletrônico. Ainda assim, muitos confundiram a gravíssima voz de Lucas Fox com a sua. Além de Lucas, os discos contariam com várias participações especiais, inclusive Patrícia Morrison que integraria uma das posteriores encarnações do Sisters. Ainda como Sisterhood, Eldritch lança Gift (uma palavra alemã para veneno). Eldritch confessou que seu único objetivo com o projeto era “provocar” os ex-colegas. Dessa forma, Hussey e Craig Adams não tiveram escolha, a não ser trocar de nome e passaram a se chamar “The Mission”.

Mesmo assim Eldritch não perdeu a chance de dar uma das suas alfinetadas: “Qualquer um pode sair e se tornar Alarm ou The Cult, que é exatamente o que eles são”. E sobre as covers dos Sisters realizados pelo The Mission ele declarou “Eles apenas as fazem soar como um tosco Echo and the Bunnymen”. Distante de todo esse bate boca um outro ex-membro dos Sisters também fez sua carreira solo: Gary Marx, co-fundador dos Sisters, segue tranqüilo com seu projeto “Ghost Dance” ao lado de Anne Marie, ex-Skeletal Family.

Em 1987, Eldritch muda-se para Hamburgo, na Alemanha, onde passa algum tempo, totalmente desaparecido da cena musical. Mesmo não se apresentando mais ao vivo, The Sisters of Mercy era a banda mais pirateada do ano. Antes do final do ano é lançado o primeiro single da nova fase do Sisters: This Corrosion. Esse single entra direto no “Top 10”, na Inglaterra, atingindo também o primeiro lugar na parada alternativa americana. Para fazer parte da nova encarnação do Sisters, Eldritch convida Patricia Morrison (ex-Bags, Fur Bible e Gun Club) para ser a nova baixista do grupo. Morrison explicou o convite: “há uns cinco anos, minha banda, Gun Club, fez uma turnê com os Sisters pela Grã-Bretanha. Eu e Andrew ficamos amigos. Assim, como eu deixei a minha banda ao mesmo tempo que os Sisters se separaram, nós decidimos trabalhar juntos”. Sobre a volta da utilização do antigo nome da banda ela declarou “Para mim não é nada estranho usar o nome porque o Andrew é o Sisters. Mas eu não me importaria se nós fossemos ‘Andrew Eldritch’, simplesmente”.

Em novembro de 1987, é lançado o segundo álbum do Sisters of Mercy (o primeiro com a nova formação), Floodland (o nome significa Terra do Dilúvio), que é aclamado mundialmente, por público e crítica. No tempo em que ficou aparentemente sumido da cena musical, Eldritch na verdade estava se dedicando de corpo e alma a esse projeto, e o disco chegou a ser gravado inteiro duas vezes devido ao perfeccionismo do vocalista. Com estilo bem diferente do disco anterior, traz verdadeiros hinos como “Dominion”, “Mother Rússia” e “This Corrosion”. Entretanto, a faixa mais radical é 1959 (ano de nascimento de Eldritch), uma balada com apenas voz e piano, feita em homenagem a um fã que escreveu uma carta sugerindo a criação da música. Segundo Eldritch, “a ausência total de guitarras é para ser tomada seriamente.Guitarras só confirmam o quão lúdica pode ser uma canção. ‘1959’, porém, ao contrário, de todas as canções do disco, não possui um pingo de ironia”. No formato CD do álbum foram incluídas como bônus as músicas “Torch” e “Colours”, esta última originalmente lançada em “Gift”, agora com a voz de Eldritch.

A produção dos singles ficou a cargo de Jim Steinman, que trabalhou com Meatloaf e Bonnie Tyler. Segundo Eldritch, “nós o usamos porque queríamos corais e aquele som grande e claro. Se nós chegássemos e pedíssemos tudo isso para a gravadora, nos mandariam embora, mas se ele pede, ninguém diz não. Nós temos um coral de 45 vozes! Nós queríamos pompa”. Apesar de ter cerca de 11 minutos, portanto um formato bastante inapropriado, o primeiro single This Corrosion foi um estrondoso sucesso.

Entretanto, apesar de todo o esse sucesso alcançado, em vez de embarcarem em uma turnê internacional, preferem voltar ao estúdio para a gravação de um novo disco. Em 1988 são lançados dois singles, DominionLucretia My Reflection que atinge a 3ª posição. O álbum FloodlandFloodland, mais um clipe adicional de “1959” (feito durante as gravações de “Lucretia…”). O vídeo de “Dominion” foi gravado na cidade de Petra, na Jordânia, e “Lucretia My Reflection” foi gravado na Índia. que alcança a 13ª posição na parada britânica, e alcança o disco de ouro, vendendo mais de 200.000 cópias nos Estados Unidos. No ano seguinte é lançada a primeira coletânea de vídeos dos Sisters, chamada Shot, que traz os clipe de três músicas do álbum

Em 1990, o guitarrista Andreas Bruhn (11.05.1967) se junta à banda. Ele e Andrew Eldritch escrevem as músicas para o próximo álbum. Tony James (ex-Sigue-Sigue Sputnik), vem para substituir Patricia Morrison no baixo e nas guitarras, Tim Bricheno (06.07.1963 – ex- All About Eve), além de Doktor Avalanche, na bateria. Com essa formação gravam o single More e o álbum Vision Thing, que é lançado em novembro. A faixa título é a música mais rápida e pesada que a banda já fez, enquanto “When You Don’t See”, pode ser considerada um autêntico hard rock. A canção “Doctor Jeep”, presente neste álbum, é posteriormente relançada como um single, acompanhado de algumas gravações raras da banda. Para a divulgação do novo álbum, os Sisters saem em turnê mundial, chegando inclusive a tocar no Brasil, onde se apresentaram em São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Em 1991, para comemorar o décimo aniversário da primeira apresentação como Sisters of Mercy, realizam um show exclusivo na cidade natal, em Leeds. Fazem um show surpresa na Irlanda, iniciando depois uma turnê européia. Lançam o material da turnê na forma de um EP que é lançado na Alemanha, When you don’t see me. Em março, iniciam uma nova turnê na América do Norte e em abril e em maio começam outra turnê européia, seguida de um aclamado retorno à América, quando saíram em turnê acompanhados das bandas Warrior Soul, Gang of Four e Public Enemy.

Em maio 1992 é lançada a coletânea Some Girls Wander by Mistake(reunindo os primeiros EPs do inícío da carreira do grupo), cujo título foi tirado da letra da canção “Teachers” do primeiro disco de Leonard Cohen. É feita uma regravação do single Temple of Love, dessa vez com o vocal da cantora israelense Ofra Haza. A canção alcança a 3ª posição na parada britânica e torna-se um verdadeiro hit internacional. Fazem shows em festivais na Alemanha, na Inglaterra e na Bélgica. No ano seguinte, saem em turnê pela Europa acompanhados da banda Depeche Mode.

Ainda em 1993 lançam outra coletânea chamada A Slight Case of Overbombing, que incluia a inédita “Under The Gun” um dueto de Eldritch com Teri Nunn (Berlin), que é depois lançada como single. Essa faixa originalmente faria parte da trilha sonora do filme “O Corvo”. No fim do ano fazem um show com os Ramones. Um problema envolvendo a gravadora East West impedia que os Sisters lançassem um trabalho inédito. Eldritch declarou que só lançaria algo novo depois que a pendência com a gravadora fosse resolvida. Segundo o contrato mais um álbum deveria ser lançado com o nome The Sisters of Mercy. Em 1994, ficariam longe dos palcos e, no ano seguinte, Eldritch começou a fazer remixes para discos de dance industrial. Adam participa da gravação de trilhas sonoras. Em 1996, os Sisters fazem algumas apresentações em festivais pela Europa e o guitarrista Chris Sheehan junta-se à banda. Após uma briga de cinco anos com a gravadora chegou-se a um acordo, e em 1997, Eldritch gravou um trabalho com um outro nome, SSV Screw Shareholder Value. Go Figure seria um estilo que o próprio cantor definiu como “música eletrônica sem bateria”. O álbum de pretensões techno e com a voz de Eldritch repetindo versos mecanicamente, era propositalmente mal feito, com a intenção de apenas cumprir o contrato com a gravadora. Chris Sheehan resolve tirar férias da banda e Mike Varjak assume a guitarra em seu lugar.

Em 1998 e 1999 os Sisters participam de alguns festivais e shows na Europa e nos Estados Unidos. Em janeiro de 2000, Chris Sheehan lança um álbum solo, enquanto os Sisters excursionam pela Europa. Em 2001, seguem-se mais apresentações da banda em festivais na Alemanha, Suíça e Bélgica na turnê “Exxile on Euphoria”. Surgem especulações sobre a gravação de um novo álbum. Em 2002, Chris Sheehan começa a organizar uma compilação com shows gravados na Alemanha e na Suiça a serem lançados em um DVD. O material, ainda não lançado, deverá ter o mesmo título da turnê dos shows: “Exxile on Euphoria”.

Atualmente a formação completa da banda é Andrew Eldritch (vocais), Adam Pearson (guitarra e backing vocals), Chris Sheehan (guitarra e backing vocals) e o insubstituível Doktor Avalanche (bateria). Apesar de não ter lançado nenhum álbum novo até o momento, durante os shows a banda executou algumas músicas inéditas que poderão fazer parte de uma provável futura gravação. O melhor para os fãs é ficar atento e aguardar qualquer novidade sobre os Sisters. Por enquanto, o jeito é esperar e essa tem sido uma longa espera, já que a banda não grava nada novo há mais de 10 anos. Quem quiser conferir novidades é só visitar o endereço oficial da banda na Internet: http://www.the-sisters-of-mercy.com/.
Aproveite e divirta-se com a seção Dear Doctor, em que o famoso Doktor Avalanche responde as mais inusitadas questões sobre a banda…

Discografia:

The Damage Done, 1980 (single)
Body Electric, 1982 (single)
Alice, 1982 (EP)
Anaconda, 1983 (single)
The Reptile House, 1983 (EP)
Temple of Love, 1983 (single)
Body and Soul, 1984 (EP)
Walk Away, 1984 (single)
First and Last and Always, 1985
No Time To Cry, 1985 (single)
Floodland, 1987
Vision Thing, 1990
Enter the Sisters, 1991 (Coletânea)
Temple of love 1992, 1992 (single)
Some Girls Wander By Mistake, 1992 (coletânea dos cinco primeiros EPs)
A Slight Case of Overbombing, Greatest Hits vol. 1, 1993 (Coletânea)
Singles Compilation, 1993 (Coletânea)