| Após
outra turnê exaustiva promovendo Vol. 4, o Sabbath retornou
à Los Angeles para gravar um novo LP. O grupo, porém,
vivia o auge em termos de drogas, mulheres e diversão e
levou um tempo enorme para gravar. Apesar disso, o resultado foi
espantoso e há quem o considere o melhor disco do quarteto:
Sabbath Bloddy Sabbath. Em grande forma ainda, o grupo lançaria,
em 1975, outro excepcional disco, Sabotage.
O
sucesso de Vol. 4 fez a banda retornar à
Los Angeles para novas horas de estúdio. O resultado, porém,
não seria fácil.
Primeiro, o grupo descobre
que o estúdio que normalmente usavam no Record Plant Studios,
havia sido substituído por um "gigante sintetizador".
Assim, a banda se mudou para uma casa alugada em Bel Air.
O grupo, porém,
estava completamente incapaz de escrever algo. Exaustos pela vida
na estrada e abusando de todo tipo de substâncias ilegais,
o quarteto simplesmente não conseguia produzir nada.
E quem mais sentia a pressão
era Tony Iommi, porque, na incapicidade de produzirem, os demais
olhavam para ele, esperando que ele desse uma direção.
O guitarrista se lembra bem daqueles dias: "nada acontecia
e todos olhavam para mim, suplicantes, mas eu não conseguia
pensar em nada.
Após um período
pouco frutífero, voltam para a Inglaterra e alugam o castelo
Clearwell. O lugar possuía uma atmosfera sombria, mas os
músicos começaram a produzir, especialmente Iommi
que escreveu o riff de "Sabbath Bloody Sabbath".
Além do quarteto,
a banda teve uma ajuda do tecladista do Yes, Rick Wakeman, nas
faixas "Sabbra Cadabra" e "Who Are You?".
O
novo disco trazia arranjos mais complexos, com sintetizadores,
cordas e arranjos mais sofisticados.
O disco levou meses para
ser completado - em comparação com o primeiro
álbum da banda, Black Sabbath, feito em
apenas três dias - e, finalmente, no dia 1º de
dezembro é editado Sabbath Bloody Sabbath.
Inicialmente a produção
levava o nome de Patrick Meehan, empresário da banda e
que lançou-o pelo seu selo, World Wide Artists, mas logo
os créditos voltaram para a banda. Iommi diz que o produtor
assinou a produção por causa de seu imenso ego,
sem consultar o grupo.
Musicalmente, o novo álbum
era muito mais complexo e mostrava uma grande evolução
musical. A faixa-título tornou-se um dos clássicos
eternos do grupo nos shows, apesar de ter sido um single de pouco
sucesso.
O álbum trazia as
seguintes faixas:
Lado 1
1. "Sabbath Bloody Sabbath" 5:45
2. "A National Acrobat" 6:16
3. "Fluff" 4:11
4. "Sabbra Cadabra" 5:59
Lado 2
1. "Killing Yourself
to Live" 5:41
2. "Who Are You?" 4:11
3. "Looking for Today" 5:06
4. "Spiral Architect" 5:29
A
capa do disco causou polêmica devido ao formato do "S"
imitando o estilo da letra do período nazista.
Feita por Drew Struzan,
o artista desenha um homem, aparentemente tendo um pesadelo, enquanto
é atacado por demônios com formas humanas. Na cabeceira
da cama está desenhada uma caveira com os números
666 (o número da Besta) logo abaixo.
E o disco mostrava que
o Sabbath pretendia disputar com os grupos progressivos em termos
de arranjos. "Who Are You?", por exemplo, trazia Moogs,
instrumento típico de grupos progs. O momento mais "doce"
da nova fase seria "Fluff", onde Iommi se destaca no
teclado.
Uma das faixas mais interessantes
é "Killing Yourself to Live" , escrita pelo baixista
Geeze Butler enquanto estava no hospital se tratando por causa
das bebidas.
O
disco, também trazia momentos de grande intensidade, como
a clássica ""Sabbra Cadabra".
Sabbath Bloody
Sabbath se tornou um sucesso, ficando em quarto lugar,
na Inglaterra e, em 11º, nos EUA, onde conseguiu cinco discos
de platina consecutivos.
E, pela primeira recebeu
elogios favoráveis em revistas que o sempre criticavam,
como a Rolling Stone, que considerou o disco nada menos
que um sucesso.
Enquanto o single Sabbath
Bloody Sabbath era editado, a banda já caía
novamente na estrada.
Ironicamente,
a canção foi pouco tocada na década de 70
pela banda, talvez, por falar dos problemas que tiveram com o
antigo empresário e a sensação de traição
que sentiam.
A nova excursão
mundial começa em janeiro de 1974, sendo o ápice
no California Jam Festival, onde dividiriam o palco com
Emerson, Lake & Palmer, Deep Purple, Earth, Wind & Fire,
Seals & Crofts e Eagles, frente a mais de 200 mil espectadores.
O Sabbath não queria
se apresentar por não se sentirem em boa forma, mas foram
obrigados devido a multa que teriam que pagar de US$ 100 mil,
caso se negassem.
Algumas
partes da apresentação foram mostradas ao vivo pelo
canal ABC, dando ótima visibilidade à banda.
No mesmo ano, o grupo
resolveu trocar de empresário, assinando com Don Arden,
o que gerou uma enorme briga com os antigos empresários,
que processaram o grupo.
Ozzy acabou sendo intimado
judicialmente, em pleno palco, em um caso que levou dois anos
para ser resolvido.
A exaustiva turnê
e as brigas judiciais deixaram o quarteto fora dos estúdios
durante o ano de 1974. Outro fator para o atraso de um novo lançamento
aconteceu porque o grupo estava deixando o selo Vertigo e assinou
com a poderosa Warner.
Depois de um ano parado,
entram no Morgan Studios, em Willesden, na Inglaterra para gravarem
um novo LP.
A
primeira providência era fazer um disco diferente do anterior,
radicalmente mais pesado.
Segundo Tony Iommi, "nós
poderíamos continuar o som anterior e investido mais na
parte técnica, usar arranjos orquestrais e tudo mais, mas
não queríamos isso. Decidimos que queríamos
um disco de rock, pois Sabbath Bloody Sabbath
não foi exatamente um."
No entanto, era Ozzy quem
sofria uma pressão maior do que os outros.
Primeiro, por ser o vocalista,
a voz. Segundo porque ele estava cheio de ser o showman,
mas ter que ficar na lateral do palco, enquanto Tony tomava o
centro do palco, justamente o elemento mais quieto, ao vivo, e
que quase não se movimentava.
As brigas entre Ozzy e
Tony, além das drogas mostravam que a vida do vocalista
no grupo estava com os dias contados.
O Sabbath era o grande
nome do heavy metal e um dos poucos grupos que ainda levantava
a bandeira do estilo. O Deep Purple, por exemplo, perdera muitos
fãs ao embarcar em um estilo mais funk.
Mas
o grupo queria fazer um disco bem pesado e fez, talvez, o mais
feroz de todos, a ponto da Rolling Stone dizer que era
o melhor LP desde Paranoid, senão o maior
de todos.
Após três
meses de gravações, ao lado do produtor Mike Butcher
é editado Sabotage, no dia 28 de julho
de 1975.
O lançamento demorou
meses para acontecer por conta do perfeccionismo de Iommi na produção,
que gerou mais brigas com Ozzy. O resultado, no entanto, foi excelente.
O LP trazia as seguintes
músicas:
Lado 1
1. "Hole in the Sky" 3:59
2. "Don't Start (Too Late)" 0:49
3. "Symptom of the Universe" 6:29
4. "Megalomania" 9:46
Lado 2
1. "The Thrill of It All" 5:51
2. "Supertzar" 3:44
3. "Am I Going Insane (Radio)" 4:16
4. "The Writ" 8:09
O
álbum abre com a pesada "Hole in the Sky", mostrando
que o volume estava todo lá. O disco continua com a curta
instrumental "Don't Start (Too Late)", antes de cair
em outra faixa pesada, "Symptom of the Universe".
Curiosa é o título
da quarta faixa, "Megalomania", que mais parecia uma
crítica ao ego de cada um dos membros. Impressiona ainda
os cantos gregorianos em "Supertzar". A próxima
seria o single Am I Going Insane (Radio), antes
de fechar com a longa "The Writ".
O disco teve ótimas
críticas, mas as vendas não foram tão boas
quanto as de Sabbath Bloody Sabbath. O álbum não
ficou entre os 20 mais dos Estados Unidos e marca um período
de grandes brigas, especialmente depois que Ozzy machucou as costas
em um acidente de moto, encurtando a turnê, que era aberta
pelo Kiss. Ainda assim, as vendas somaram mais de 2 milhões
de cópias na América.
Após Sabotage,
o Black Sabbath começava um período difícil,
sendo que a maioria dos fãs o considera a última
grande obra do grupo com Ozzy, ainda que o vocalista tenha gravado
mais dois discos de estúdios, marcado por imensa confusão.
Mas isso é papo
para outro dia. Um abraço e até a próxima
coluna.
Discografia
Discos
Black Sabbath (1970)
Paranoid (1970)
Master of Reality (1971)
Black Sabbath Vol. 4 (1972)
Sabbath Bloody Sabbath (1973)
Sabotage (1975)
We Sold Our Soul For Rock 'N' Roll (1975)
Technical Ecstasy (1976)
Never Say Die! (1978)
Heaven & Hell (1980)
Mob Rules (1981)
Live Evil (1982)
Born Again (1983)
Seventh Star (1986)
The Eternal Idol (1987)
Headless Cross (1989)
Tyr (1990)
Dehumanizer (1992)
Cross Purposes (1994)
Cross Purposes Live (1995)
Forbidden (1995)
The Sabath Stones (1996)
Reunion (1998)
Past Live (2002)
Symptom of the Universe: The Original Black Sabbath (1970-1978)
(2002)
Black Box: The Complete Original Black Sabbath (1970-1978) (2004)
Greatest Hits (1970-1978) (2006)
The Dio Years (2007)
The Dio Years UK Tour Edition (2007)
Live at Hammersmith Odeon (2007)
Singles
Evil Woman (1969)
Black Sabbath (1969)
N.I.B. (1969)
The Wizard (1970)
Paranoid (1970)
Iron Man (1971)
War Pigs (1971)
Fairies Wear Boots (1971)
Sweet Leaf (1971)
Children of the Grave (1971)
After Forever (1972)
Snowblind (1972)
Tomorrow's Dream (1972)
Supernaut (1973)
Changes (1973)
Sabbath Bloody Sabbath (1973)
Sabbra Cadabra (1974)
Am I Going Insane? (1975)
Hole in the Sky (1975)
Symptom of the Universe (1975)
Rock 'n' Roll Doctor (1976)
Dirty Women (1976)
Never Say Die! (1978)
A Hard Road (1978)
Neon Knights (1980)
Die Young (1980)
The Mob Rules (1981)
Turn Up the Night (1982)
Voodoo (1982)
Trashed (1983)
No Stranger to Love (1986)
Headless Cross (1989)
Devil and Daughter (1989)
Feels Good to Me (1990)
TV Crimes (1992)
Pshycho Man (1998)
Selling My Soul (1999)
The Devil Cried (2007)
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