Ou os fãs
do Fall são ricos ou Mark E. Smith não tem mais
o que fazer na vida. Por que? Olhe para a monstruosa e desumana
discografia da banda e me responda: qual fã, em sã
consciência pode ter tudo? Só se vendeu a casa, a
mãe, hipotecou a sepultura da família e cometeu
outras barbaridades. Não pode ser normal alguém
gravar tanto e ter tantos lançamentos por tantos selos
simultâneos. Mas essa é apenas uma das facetas do
grupo, um dos mais irônicos e mutantes surgidos nos anos
70, em Manchester. Apesar de serem menos conhecidos por aqui do
que os colegas do Joy Division, The Smiths, New Order, o Fall,
é um dos mais importantes e significativos e um dos grupos
favoritos do finado radialista inglês John Peel, o mais
importante da rádio inglesa. É com muito atraso,
e já esgotado por digitar essa discografia insana, que
falo de Mark e seu zilhões de companheiros. Porque se tem
uma coisa que o Fall tem maior do que sua discografia é
a lista de quem já passou pela banda. Esse Mark não
dorme não?
Mark
E. Smith não pode ser considerado uma pessoa comum. Líder
de um grupo totalmente caótico, com seus vocais anasalados,
cantando de maneira incompreensível suas letras cheias
de cinismo e com movimentos espasmódicos em cima do palco.
E Mark nunca gostou muito de estabilidade, já que o número
de músicos que passaram pelo The Fall é enorme.
Na verdade, pode-se considerar o grupo de apenas um integrante,
mais convidados. E o mais impressionante de tudo isso é
que ele produz de uma maneira avassaladora, compulsiva, ainda
que erre a mão em muitas das vezes.
Mark é uma dessas
lendas que você pouco ouviu falar ou mesmo ouviu suas músicas.
Mas, para surpresa de muitos, ele já esteve no Brasil,
no final da década de 80. Tudo por causa do disco The
Frenz Experiment, o segundo lançamento do grupo
por aqui e que continha o sucesso “Victoria”, uma
regravação do clássico dos Kinks, uma das
maiores referências de Mark. E muitos ainda vêem o
Fall como um filho bastardo do Velvet Underground pelo extremo
caos de suas melodias. Mas o Fall acabou sendo mais do que um
simples casamento (e que já seria por demais de bizarro)
das duas bandas. E Mark é muito mais do que um filho bastardo
de Ray e Lou...
Quando
o movimento punk explodiu na Inglaterra, Mark era apenas um jovem
que trabalhava nas docas de Manchester e que havia tentado, sem
sucesso, entrar em uma das bandas de heavy metal locais. Mark
odiava o estilo e preferia os sons mais experimentais do Velvet
Underground e do grupo alemão Can. Resolveu então
sair à caça de algumas pessoas para formar um grupo
e ver o que podia conseguir. Foi assim que conheceu o guitarrista
Martin Bramah, o baixista Tony Friel, o tecladista Una Baines
e o baterista Dave, que ficou poucos dias e foi substituído
por Karl Burns. Nascia assim o The Fall, nome tirado de uma novela
do escritor franco-argelino Albert Camus.
Em
junho de 1978 se apresentam no Peel Sessions de John Peel, na
BBC, já com a formação bastante modificada.
Peel acabaria sendo um dos maiores fãs do grupo e considerado
quase um membro da banda, tamanha a amizade e o apoio que daria
a eles. Em agosto o grupo lança o primeiro EP pelo selo
Step Forward, Bingo Master's Break-Out!. O Fall
havia assinado anteriormente com o selo New Hormones criado pelos
integrantes e conterrâneos do Buzzcocks, mas o disco acabou
sendo engavetado e só conseguiu lançaram o EP após
assinarem com a Step Forward, de Miles Copeland, que ficaria famoso
como irmão de Stewart Copeland, baterista do The Police.
Preocupado
em criar uma banda mais coesa e menos precária em termos
musicais, Mark começaria uma verdadeira mutação
nos integrantes, fixando Marc Riley (guitarra, baixo e teclado)
e Yvonne Pawlett (teclados) no grupo. Assim, lançam um
segundo compacto, It’s The New Thing. Em
dezembro fazem uma nova aparição no programa de
John Peel.
Em 1979 lançam,
no mês de janeiro, o primeiro LP, Live At The Witch
Trials, ainda pela Step Forward. Já nessa época
o grupo promove vários shows pelo país, tocando
em pequenos clubes e em qualquer buraco em que fossem aceitos.
Contribuiu,
e muito, para o crescente número de fãs, a ajuda
de John Peel, que começou a colocar as músicas do
grupo em sua programação normal. Mark começava
a atrair um culto imenso, com sua maneira maníaca no palco
e sua postura agressiva. Sobre Peel, Mark afirmaria, de forma
irônica, que John apenas se tinha tornado um obcecado pelo
grupo e que tinha a mania de tocar as músicas no ar, sem
parar. “É um cara legal, mas um pouco esquisito”,
diria Mark em uma entrevista para o próprio Peel, anos
depois.
Em
junho lançam outro compacto, Rowche Rumble
e em outubro sai o segundo disco do grupo, Dragnet,
dois meses antes da primeira excursão do The Fall aos Estados
Unidos. Ao longo dos anos, Mark estabeleceria uma relação
dúbia em relação à América.
“Eu gosto do estilo de vida dos Estados Unidos, mas isso
não quer dizer que eu vá comer cinco hambúrgueres
por dia.”
Além dos novos integrantes,
o The Fall também muda de casa, deixando a Step Forward
e indo para a Rough Trade. Na década de 90, a Step passaria
a se chamar I.R.S. e contrataria o R.E.M. e relançaria
os dois primeiros discos do The Fall em CD.
Totale’s
Turn (It’s Now Or Never) é o terceiro disco,
o primeiro pela nova casa, em 1980. A banda segue tocando por
todo país e fazem o primeiro show na Holanda, em junho
e em agosto aportam novamente no programa de John “Obcecado”
Peel. Em novembro lançam um novo disco Grotesque.
O som do grupo evolui para um caos planejado, com Mark alternando-se
entre vocais, violinos e edição de fitas, alterando
os tons e freqüências de sua voz, deixando-a mais incompreensível,
modorrenta e ininteligível. Uma das melhores canções
desse disco é irônica “How I wrote ‘Elastic
Man’”. As letras de Mark costumam ser quilométricas,
cheias de gírias e referências difíceis de
serem traduzidas e compreendidas. Eis a letra da canção...
How I wrote "Elastic
Man"
I'm eternally grateful
To my past influences
But they will not free me
I am not diseased
All the people ask me
How I wrote "Elastic Man"
Life should be
full of strangeness
Like a rich painting
But it gets worse day by day
I'm a potential DJ
A creeping wreck
A mental wretch
Everybody asks me
How I wrote "Elastic Man"
His soul hurts
though it's well filled up
The praise received is mentally sent back
Or taken apart
The Observer magazine just about sums him up
E.g. self-satisfied, smug
I'm living a fake
People say, "You are entitled to and great."
But I haven't wrote for 90 days
I'll get a good deal and I'll go away
Away from the empty brains that ask
How I wrote "Elastic Man"
His last work was
"Space Mystery" in the Daily Mail,
An article in Leather Thighs
The only thing real is waking and rubbing your eyes
So I'm resigned to bed
I keep bottles and comics stuffed by its head
Fuck it, let the beard grow
I'm too tired,
I'll do it tomorrow
The fridge is sparse
But in the town
They'll stop me in the shoppes
Verily they'll track me down
Touch my shoulder and ignore my dumb mission
And sick red faced smile
And they will ask me
And they will ask me
How I wrote "Elastic Man"
O
ano de 1981 é novamente dividido entre shows e estúdio.
Apresentações pela Alemanha, Islândia, Holanda,
Reino Unido e os Estados Unidos acabam sendo uma constante. Lançam
em abril, o disco Slates e tocam mais duas vezes
no Peel Sessions. O ano seguinte é um ano importante para
o grupo já que lançam o aclamado Hex Introduction
Hour, lançado pela pequena Kamera Records, já
que o grupo havia brigado com a Rough Trade. E também se
apresentam, pela primeira vez na Austrália, Nova Zelândia,
Grécia e Bélgica.
Em
1983, durante um show em Chicago, Mark conhece Laura Elise Smith,
que acabaria virando sua esposa e adotaria o nome Brix Smith.
A paixão instantânea fez com que se casassem no dia
19 de julho do mesmo ano e Brix faria parte do grupo entre setembro
de 1983 a julho de 1989 e agosto de 1994 a outubro de 1996. Com
ela, o grupo entraria em sua fase mais produtiva e mais elogiada
e Brix contribuiu muito para dar uma direção mais
acessível e pop ao grupo. O primeiro trabalho do casal
é o disco Perverted By Language. O disco
contém um dos maiores clássicos do grupo, a cáustica
e perturbadora canção “Garden”. Veja
a letra...
Garden
The first god had
in his garden
From the back looked like a household pet
When it twirled round was revealed to be
A three-legged black-grey hog
See what flows
from his mushy pen
Garden
Garden
That person is
films on TV five years back at least
He's the young generation dancing troupe
Try'na perform Country And Western
Do a dance here
Never since birth
not eaten in a day
Never since courtship stayed up some nights
He had a "Kingdom Of Evil" book under a German history
book
He was contrite like that
See what flows
from his slushy pen
Garden
Garden
Small, small location
on huge covenance sodomised by presumption
Crooked traitor past revealed at last
Godzone
Godzone (Jacob's Ladder)
Godzone
Godzone
[?] this entails
explosive charges left to me by a dead sailor from Bury being
wired up under every window sill in close proximity to my ears.
When friends ring and are inconvenient to readers, I just press
table lamp light button next to my bed and they blow up. I got
the idea from [?]. Yours sincerely, Mr Reg Barnes [1]
The same thing
[?] could have been taken for a spoilt slate with largesse resource.
His ferry stopped at the 'Pool port. Wild Bill Hick shaves and
charts at last. The second god's sad - he's coming up - he's waiting
number four with a [?]. Less stylish porch, we have the second
god's influence. Wild Bill Hick shaves and charts at last.
Shotgun shotgun
Shotgun shotgun
Shotgun shotgun
The best firms
advertise the least
The second god
lived by mountains that flowed
By the blue shiny lit roads
Had forgot what others still tried to grasp
He knew the evil of the phone
He knew the evil of the phone
The bells stopped on Sunday when he rose
The bells stopped on Sunday when he rose
He's here
He's here at last
I saw him
I swear
He's on the second floor
Up the brown baize lift shaft
He's here
He's here at last
I saw him
I swear
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
He's here
I saw him
I swear
Up the brown baize lift shaft
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Jew on a motorbike
Em
1984 assinam com a gravadora Beggars Banquet, que havia sido o
selo do Bauhaus e por eles lançaram excelentes discos até
1989.
O primeiro deles é
The Wonderful And Frightening World Of...The Fall,
onde se percebe uma busca por melodias mais redondas. Nesse ano,
Mark faz uma inusitada parceria com o coreógrafo Michael
Clark, que acabaria resultando no disco I Am Kurious Oranj,
lançado em 1988. Mas antes desse trabalho que mereceu inúmeros
elogios, o Fall lançou discos simultaneamente por outros
selos. Em 1985 saiu pela Banquet o disco This Nation’s
Saving Grace e pela Situation Two, o LP Hip Priest
And Kamerads.
Aos
poucos, Mark foi permitindo que Brix participasse mais das composições
e principalmente das letras. Em 1986, o grupo surpreendeu os fãs
por não lançar nada nos primeiros seis meses do
ano, mas em julho, o grupo vai – novamente – ao programa
de John Peel promover o novo single, “Living Too Late”.
Dois meses depois seria
a vez de Mr. Pharmacist e em outubro um novo disco, Bend
Sinister.
Bend Sinister
é uma obra-prima do grupo, a mistura perfeita entre a cacofonia
e o pop, na medida exata e ainda rendeu um dos grandes clássicos
do grupo, “Mr. Pharmacist”, uma sátira aos
famosos farmacêuticos que sempre possuem a cura que a pessoa
necessita, uma espécie de "Dr. Robert" dos anos
80. Essa foi a primeira canção do grupo a entrar
entre as 40 mais da paradas de sucesso. Vale dizer que esse foi
o primeiro disco do Fall a sair no Brasil, no ano seguinte.
No
ano seguinte, o grupo conseguiu outra canção entre
as 40 mais com “Hit The North”, em outubro, uma canção
que mais parecia um single do New Order.
Em dezembro é lançado
um novo título, Palace of Swords Reversed,
um disco pirata que se tornou oficial e saiu pela gravadora Cog
Sinister.
Em fevereiro de 1988 lançam
o que pode ser considerada a grande obra-prima pop da banda, The
Frenz Experiment. O disco trazia, além de “Hit
The North” (na versão americana e alemã),
uma cover de “Victoria”, dos Kinks, que se tornou
o maior sucesso da carreira do grupo, disparado.
Esse
disco também saiu por aqui, sendo a cópia brasileira
semelhante à americana. Após o lançamento
de I Am Curious Oranj, o Fall encerra o ano de
1988, que foi excelente tanto comercialmente como em produção.
Em 1989, o grupo esteve
tocando no Brasil e Mark mostrando sua postura avessa a entrevistas
disse que a banda não iria tocar “Victoria”
que era o cartão de visitas da banda por aqui. Apesar de
reiterar várias vezes que a cover do Kinks não seria
executada, ela foi. E se 1988 foi um ano ótimo para o grupo,
1989 ficou marcado pela saída de Brix, após lançarem
o disco Seminal Live e pela saída da Beggars
Banquet.
O
final do casamento foi o fator determinante para a saída
da musa do grupo. O final da relação deixou profundas
marcas em Mark, que desceu a lenha na ex-companheira na canção
“Sing! Harpy”, no disco Extricate.
Esse, aliás, deve ter sido o principal motivo para a má
vontade de Mark com o público brasileiro, já que
o show, realizado em abril, acontecia quando o casamento já
estava praticamente encerrado.
Extricate é o primeiro disco após
o final do acordo com a gravadora e a partir daí a banda
soltaria discos por vários selos.
Em
dezembro, a Beggars resolve ganhar mais algum trocado em cima
do grupo e lança duas coletâneas simultâneas
458489 A Sides e 458489 B Sides.
Os títulos, apesar de parecerem complicados, são
simples de serem entendidos: 45 é a rotação
de compactos, geralmente de 12 polegadas. 8489 seriam os anos
em que estiveram na gravadora. A Sides seriam os lados A dos compactos,
as músicas de trabalhos e B Sides, as canções
que ficam no lado B dos mesmos. O de Lado A foi lançado
no Brasil, em CD, no final da década de 90.
Na década de 90,
o grupo continuou lançado discos e em agosto de 1994 foram
surpreendidos com a volta de Brix. Ela conta que sentia muita
falta de Mark para compor novas músicas. “Mark é
um cara brilhante. Um dia eu liguei para ele e disse que se ele
quisesse, eu poderia voltar para tocar e escrever algo em conjunto.
Ele me disse ok e não nos falamos mais, e quatro horas
depois me telefonou dizendo que não acreditava que eu havia
feito isso porque ele havia pensado em me chamar, já que
sentia falta de mim, da minha guitarra. E assim voltei.”
Brix conta que nos primeiros
shows teve enorme dificuldade com novas e antigas composições
e alguns fãs sacavam de seus bolsos notações
e davam a ela, para que não se sentisse tão perdida
com as novas composições. “Eles foram muito
amáveis comigo, como sempre, aliás.” Mas Brix
não ficou muito tempo, pois saiu em 1996, mas desta vez,
em termos amigáveis.
Mesmo sem Brix, Mark continuou
reformando o grupo e lançando dezenas e dezenas de títulos,
e alguns com qualidade técnica duvidosa, especialmente
alguns títulos ao vivo. Ele chegou a fazer uma ponta no
filme 24 Hour Party People filme que conta a
história da gravadora Factory e do Joy Division.
Mesmo
estando com apenas 47 anos (nasceu em 1957), Mark parece ter sentido
muito o peso dos anos, como mostra essa foto tirada em um concerto
meses atrás, sem, no entanto, darem mostras de que irão
parar de gravar e tocar tão cedo, já que o Fall
é uma instituição inglesa tão forte
e influente.
Deixo vocês com a
letra de "Mr. Pharmacist" e a imensa discografia do
grupo. Um abraço e até a próxima coluna.
Mr. Pharmacist
Mr Pharmacist
Can you help me out today
In your usual lovely way
Oh Mr Pharmacist I insist
That you give me some of that vitamin C
Mr Pharmacist
Dear Pharmacist
won't you please
Give me some energy
Mr Pharmacist
Hey Mr Pharmacist
I'll recommend you to my friends
They'll be happy in the end
Mr Pharmacist can you help
Send me on a 'delic kick
Mr Pharmacist
Dear Pharmacist
use your mind
You better stock me up for the wintertime
Mr Pharmacist
Hey Mr Pharmacist
Words cannot express
Feeling I suggest
Oh Mr Pharmacist I can plead
Gimme some of that powder I need
Mr Pharmacist
Dear Pharmacist
I'll be back
With a handful of empty sack
Mr Pharmacist
Discografia
Bingo-Master's Break-Out!
/ Psycho Mafia / Repetition (single, 1978)
It's The New Thing / Various Times (single, 1978)
Live At The Witch Trail (1979)
Rowche Rumble / In My Area (single, 1979)
Dragnet (1979)
Totale's Turns (It's Now Or Never) (1980)
Grotesque (1980)
Slates (1981)
77 – Early Years – 79 (1981)
Live In London 1980 (1982)
Hex Enduction Hour (1982)
A Part Of America Therein, 1981 (1982)
Room To Live (Undilutable Slang Truth!) (1982)
Perverted By Language (1983)
In A Hole (1983)
The Wonderful And Frightening World Of... The Fall (1984)
Hip Priest And Kamerads (1984)
This Nation's Saving Grace (1985)
Nord-West Gas (1986)
Bend Sinister (1986)
Palace Of Swords Reversed (1987)
The Frenz Experiment (1988)
I Am Kurious Oranj (1988)
Box One (caixa de 4 CDs, 1988)
Seminal Live (1989)
Box Two (caixa de 4 CD, 1989)
Extricate (1990)
458489 A Sides (1990)
458489 B Sides (1990)
Shift-Work (1991)
Code: Selfish (1992)
The Collection (1993)
The Infotainment Scan (1993)
BBC Radio1 Live In Concert (1993)
Middle Class Revolt (1994)
Cerebral Caustic (1995)
The Twenty Seven Points (1995)
The Legendary Chaos Tape (1996)
Sinister Waltz (1996)
Fiend With A Violin (1996)
Oswald Defence Lawyer (1996)
The Light User Syndrome (1996)
In The City... (1997)
Archive Series (1997)
The Other Side Of The Fall (CD triplo, 1997)
The Less You Look, The More You Find (1997)
15 Ways To Leave Your Man, Live (1997)
Levitate (1997)
Oxymoron (1997)
Cheetham Hill (1997)
Smile...It's The Best Of (1997)
Live To Air In Melbourne 1982 (1998)
Northern Attitude (1998)
The Post Nearly Man (1998)
Live Various Years (CD duplo, 1998)
Nottingham 92 (1998)
Peel Sessions (1999)
The Marshall Suite (1999)
Live 1977 (2000)
A Past Gone Mad (2000)
I Am As Pure As Orange (2000)
Psykick Dance Hall (2000)
Live In Cambridge 1988 (2000)
The Unutterable (2000)
Austurbaejarbio (Live In Reykjavik 1983) (2001)
Backdrop (2001)
A World Bewitched (CD duplo, 2001)
Liverpoll 78 (2001)
Live In Zagreb (2001)
Are You Are Missing Winner (2001)
2G+2 (2002)
Totally Wired - The Rough Trade Anthology (CD duplo, 2002)
Pander! Panda! Panzer! (2002)
High Tension LIne (2002)
Listening In (2002)
Early Singles (2002)
It’s New Thing! The Step Forward Years (2003)
Time Enough At Last (2003)
Words Of Expectation - BBC Sessions (CD duplo, 2003)
Touch Sensitive... Bootleg Box Set (Caixa com 5 CDs, 2003)
The Idiot Joy Show (2003)
Live At The Phoenix Festival (2003)
The War Against Intelligence - The Fontana Years (2003)
The Real New Fall LP Formerly 'Country On The Click' (2003)
Rebellious Jukebox (CD duplo + DVD, 2003)
50,000 Fall Fans Can't Be Wrong - 39 Golden Greats (CD duplo,
2004)
Interim (2004)
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