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por Pedro Damian
O
grupo britânico Garfields Birthday é daqueles que,
como os escoceses do Teenage Fanclub e do Cosmic Rough Riders,
faz um power/indiepop cristalino, recheado de belas melodias e
vocais harmonicamente arranjados. No estilo Beach Boys/Byrds,
para ser mais exato.
Sem se apegar às
fórmulas do britpop, certamente mais rentáveis,
o Garfields segue sua dura vida na independência, onde começou
em 1995 e permanece até agora. Se o quesito para o sucesso
no mundo musical atual fosse qualidade, com certeza, o GB já
teria estourado há muito tempo. Talvez a melhor definição
de sua ideologia esteja na frase que colocam abaixo do nome da
banda em seu site (“Indie Pop for the Lost Romantics Souls”)
A banda é formada
por Shane Felton, Simon Felton, James Laming e Adrian Payne, e
um disco bastante representativo da qualidade da banda é
Famous When Dead, de 2004. São 20 músicas,
quase todas passeando do power ao indie pop, com alguns raros
momentos de neo-psicodelia. O disco abre com a deliciosa “Ambulance”,
indie pop na linha Acid House Kings, vocais delicados, backings
com o típico “pa-pa-pa” nos refrões,
e bateria bem marcada.
“Everything”,
a segunda faixa, é menos inocente e carrega tons pós-punk,
principalmente no baixo marcado e riffs de guitarra “orientalizados”.
Em algumas passagens lembra R.E.M. do começo. Em outras,
até Echo & the Bunnymen.
Já “Thick
Ear”, canção que a sucede, estaria bem colocada
nos melhores discos do Matthew Sweet, um dos grandes nomes do
power-pop norte-americano. Há também referências
à Byrds.
“Jennifer”,
como toda música “dedicada” deste gênero,
esbanja inocência e romantismo, com vocais suaves e violão
dedilhado, no melhor estilo indiepop sueco.
O começo de “Better
Things” lembra muito uma banda bacana dos “early”
90’s, e injustiçada, chamada Birdland. Com um vocal
menos agressivo e mais sessentista, é verdade, mas nem
por isso menos agradável.
“Mad Old Bird”
é uma ode ao Teenage Fanclub. Obrigado, Garfield’s
(o TFC é minha banda preferida “all of times”).
Tiveram até a sensibilidade de colocar umas palminhas entre
uma estrofe e o refrão.
“Eye to Eye”
agrada, mas faz mais o gênero pós-punk que o indie/powerpop
dominante no resto do disco.
Outra faixa que traz uma
referência surpreendente é a décima, chamada
“The Norm Old England”, onde o refrão lembra
muito, intencionalmente ou não, “Pure”, clássico
dos Lightning Seeds.
E assim as canções
vão se sucedendo, raramente mudando o tom, porém
sempre mantendo a qualidade. Famous When Dead
não é daqueles discos que você gosta de uma
ou outra faixa e vai ‘pulando’ as que são menos
agradáveis para ouvir as preferidas. Não há
grande diferença entre as canções prediletas
e as menos prediletas. O alto nível se mantém constante,
e o único pulo que eu consigo fazer é da última
música para a primeira, para escutar o disco de novo, de
cabo a rabo.
No site
da banda há várias delícias para serem apreciadas.
Corra para baixá-las.
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