05 - Iggy Pop - 4º capítulo

parceira com Creedance Kiddo


Tesão Pela Vida – A História de Iggy Pop


Capítulo 4 – Casa da Alegria

O Quinto Stooge

Steve McKayApesar de não gostariam da politica e ideais de John Sinclair, não se pode subestimar a influência que este teve com várias bandas de Detroit e Ann Arbor, incluindo os Stooges. Seus conhecimentos de jazz trouxeram a oportunidade de Iggy e os irmãos Ashetons ouvirem vários artistas, como Pharaoh Sanders, John Coltrane e Sun Ra foram alguns dos apresentados a eles. Outro músico que claramente fala da influência de Sinclair é Steve McKay, saxofonista da banda Carnal Kitchen, grupo que acabaria fazendo parte da cartela de bandas empresariados por ele. Sinclair apresentou-lhe Archie Shepp e uma mudança em seu estilo de tocar o saxofone, bem mais experimentalista, passou a chamar atenção.

Assistindo Carnal Kitchen em sua noite de estreia ao vivo, Iggy Pop ficou extasiado com os improvisos deste jovem saxofonista e prontamente o convidou a vir tocar em um ensaio com os Stooges no Fun House. Iggy queria dar mais corpo ao som dos Stooges e após o fim daquele ensaio, convidou o saxofonista Steven MacKay para juntar-se a eles. The Stooges busca explorar as possibilidades de uma banda com um ar diferente, Iggy definindo suas pretensões músicais como “se Coltrane ou Shepp fossem incorporados por um grupo de rock.” MacKay que já era um saxofonista experimentalista, caiu como uma luva no som da banda.

McKay passa a acompanhar os Stooges para as suas gigs, tocando em apenas algumas músicas. “Fun House” foi a primeira, entre as novas músicas, que nascera praticamente pronta naquele primeiro ensaio. Refinamentos dos arranjos, assim como também da letra, viriam aos poucos em algumas apresentações em Ann Arbor antes da ida da banda para Califórnia, estado onde iriam tocar pela primeira vez.

Imagina você agora estando lá em uma dessas apresentações. Um público de bar aguardando com o semblante demonstrando curiosidade e expectativa. Entra a banda no palco, os Stooges começando suas apresentações agora com “Little Doll”. Destaca-se o baixo de Dave Alexander tocando pesado. Ron Asheton então passa a soltar acordes dilacerantes enquanto Scott Asheton faz sua imitação de Elvin Jones dos pobres. O saxofone de Steve McKay está agora esgoelando a todo volume, imaginando todas as pessoas presentes gritando em agito frenético equivalente. Então, a guitarra se solta em um chaos à lá John Coltrane; feedback pra-que-te-quero e Ron arrancando à unha os mais diversos sons e dissonâncias de seu instrumento. Tudo isso com Dave Alexander ainda segurando o riff, sozinho. E, depois que a coisa acalma um pouco..., só então entra Iggy Pop, esfaquiando o público com um olhar. É quando o show realmente começa.

San Francisco

“Tão mal-amada. Tão bela. Que se dane.”

Em maio de 1970 a banda toda estava na Califórnia, onde se apresentariam duas noites em San Francisco no Fillmore West e uma noite em Los Angeles no Whiskey A-Go-Go. Os dois locais são casas notórias, onde as melhores bandas já tocaram. The Doors, por exemplo, se fez no Whiskey A-Go-Go e vários LP’s ao vivo foram gravados lá. O mesmo pode ser dito do Fillmore West em Frisco, local onde surgiram Gratefull Dead, Big Brothers & the Holding Company e o Santana Band. Nesta ocasião no Fillmore, os Flaming Groovies seguidos então por Alice Cooper, abrem para os Stooges.

Iggy no FilmoreConversando nos bastidores, Iggy conhece Augustus Owsley Stanley III, um dos mais famosos químicos e fabricante de LSD nos Estados Unidos. Iggy que, até então nunca tinha visto o mar, quanto mais conhecer a costa oeste e suas celebridades, não acreditou em metade do que Owsley falou. Durante o show, Iggy ficou impressionado com um grupo de cavalheiros vestidos com o que lhe parecia mantas árabes.

Eram integrantes de um grupo teatral chamado Cockettes, vários de seus integrantes travestis. Conversaram depois do show e o convidaram para uma festa que estava para rolar na casa de uma destas pessoas. Durante a festa, ficou cada vez mais claro que tratava-se de uma festa gay. Iggy que praticamente desconhecia homossexualidade até então, passou a se sentir estranhamente intimidado com homens lhe dando o olhar.

Nesta festa, Iggy também conheceu Tina, uma latina de quatroze anos que se prostituía para poder comprar heroína. Baixinha, com olhos grandes e uma boca carnuda, Iggy colou nela e tentou levá-la para seu hotel com propósitos claros. E Tina topou. Durante o ato, Tina suplicava para que ele batesse nela, implorando que ele a machucasse. É a primeira vez que Iggy conhece sado-masoquismo em uma experiência pessoal. Iggy deixou Tina e San Francisco, indo para Los Angeles, trazendo consigo uma infestação de piolhos, lêndeas, chatos e, segundo o próprio, dois tipos de doenças venéreas.

L.A. Tropicana

Em Los Angeles, The Stooges ficaram hospedados no Tropicana Hotel, onde por acaso, estava o escritor beat e ex-Fugs, Ed Sanders. Escrevendo um livro sobre uma comunidade alternativa chamada A Familia, Sanders recebia diariamente vários de seus membros em seu quarto que ficava a frente do quarto de Iggy. A Familia ficaria conhecida pelo seu carismático líder Charles Manson, e os assasinatos hediondos que cometeram. Porem em maio de 1970, a polícia ainda não suspeitava da Familia de Manson.

Outra banda hospedada no Tropicana era Shiloh, que logo teriam o seu álbum de estreia lançado. Quatro de seus cinco integrantes formariam The Eagles dentro de dois anos. Igualmente estava hospedado neste hotel todo o elenco da peça Heat produzida por Andy Warhol. Existe inclusive, uma pequena historia de Warhol ficar admirando a distância Iggy nadando na piscina do hotel, impressionado com suas braçadas. Quando Iggy finalmente saiu da piscina, foi elogiado pelo preparo físico e convidado a visitá-lo em seu quarto. Iggy mais tarde foi de fato vê-lo, porém deixa claro que trocaram uma amigável e educada conversa e que a porta do quarto ficou o tempo todo aberta.

Mas a principal razão para os Stooges estarem na Califórnia era a gravação do seu segundo álbum. Este foi muito bem pensado por parte da banda, Iggy deixando claro que não quer fazer nada como no primeiro álbum. “Eu não quero fazer um segundo álbum que soa como algo do primeiro porque o primeiro álbum já foi feito.”

Entra Don Galucci

Holzman determinou que o grupo tivesse um produtor com uma visão mais “comercial” e descartou de cara John Cale, que provavelmente não iria querer trabalhar mais com Iggy de qualquer maneira. Foram estudados vários nomes como Madeira que produzira Chubby Checkers e Danny & the Juniors; Jim Peterman, o ex-tecladista de Steve Miller, agora trabalhando para Elektra; e Eddie Kramer, que trabalhara com os Rolling Stones e Led Zeppelin até então. Acabaram optando por Don Galucci, tecladista dos Kingsmen, cujo acorde inicial daquela canção o faria famoso. Ele tinha quinze anos na época. Ao fim daquela banda, Galucci formou Don & the Goodtimes que seria a banda da casa no programa American Bandstand de Dick Clark.

O nome de Galucci agradou a todos pois o conhecia como Little Donnie Galucci da banda do American Bandstand. A principio, acreditava-se que haveria uma harmonia artística maior entre a relação produtor-artistas. Galucci procurou assistir um show dos Stooges para conhecer melhor o som da banda dentro de seu próprio reduto. Baseado em o que ele ouviu e comparando ao primeiro álbum, Galucci logo deixou claro que pretendia dar outra cara ao som gravado da banda. Argumentava que queria transmitir a mesma vitalidade e energia dos shows, e que não iria mexer tanto na essência do que considerava o som básico do grupo.

capa do disco FunhouseAs gravações foram realizadas no Elektra Studios, situada na Santa Monica Boulevard. Chamado de Funhouse, o segundo disco demorou duas semanas, entre 11 de maio até dia 24, para ser gravado. Apesar de Iggy e companheiros viverem chapados o tempo inteiro, quando entravam no estúdio com Galucci, apareciam limpos e sóbrios, já que o produtor não usava aditivos químicos. Como prova de respeito e gratidão pela simpatia e generosidade, os integrantes procuraram facilitar a vida de Don o máximo possível.

Como Iggy desconfiava de técnicas de gravação, todas as canções do álbum foram gravadas ao vivo no estúdio, incluindo voz. A cada dia Iggy escolhia uma canção e esta era a canção que gravavam e regravavam até estarem satisfeitos com o resultado final. Ao lado de Don Galucci estava Byron Ross-Myring, o engenheiro de som, que é igualmente responsável pelo som final do álbum, eliminando vazamentos que naturalmente ocorrem em uma gravação realizada desta maneira.

Lançado exatamente um ano após o primeiro, em agosto de 1970, Funhouse teve repercussão e vendas um pouco superior ao disco anterior, embora bem longe do que a Elektra desejava. O som do disco era totalmente diferente que o primeiro, como Iggy sonhava. Don conseguira um excelente resultado ao tentar capturar a química da banda ao vivo dentro de um estúdio. O som era mais cru, potente, os vocais de Iggy ficaram mais enterrados do que no anterior, e Steven fez seu sax soar às vezes como uma guitarra, ou como um Coltrane mais ensandecido do que nunca.

Presepada no Palco

Uma das razões que o disco vendeu melhor foi a exposição que The Stooges, mormente Iggy, recebeu graças a sua apresentação na cidade de Cincinnatti, Ohio. Realizado em Crosley Field, um estadio de beisebol, no dia 13 de junho de 1970, este festival contava com shows de Alice Cooper, Stooges, Traffic, e, uma das mais populares bandas americanas do momento, Grand Funk Railroad. Durante a apresentação dos Stooges, Iggy começa a andar sobre o público, literalmente colocando o pé sobre o ombro de um rapaz e depois outro, seguindo assim, escorado pelo público, cantando o show alguns metros a frente do fim do palco. Em determinado momento, alguem lhe passou uma garrafa com pasta de amendoim e Iggy começou a fazer loucura com ela, se melecando todo e depois lançando nacos do produto sobre o povo.

Iggy no Cincinnatti Pop FestivalA apresentação do festival foi todo filmado e uma edição, dando muito destaque a esta apresentação dos Stooges, passou na televisão, costa a costa, pela NBC sob o titulo de A Midsummer Night’s Rock. Foi a sorte grande, dando aos Stooges uma publicidade inesperada e muito bem vinda. O nome The Stooges e a fama de louco no palco de Iggy Pop passam a ser conhecidas por todo o país entre a rapaziada e não só entre algumas poucas pessoas que viram a banda abrindo para seu grupo predileto. A Midsummer Night’s Rock seria depois retransmitido na Inglaterra, onde David Bowie vê e ouve pela primeira vez os nomes Iggy Pop e os Stooges.

Se a brincadeira com o pote de pasta de amendoim foi uma bobeira divertida que todo mundo gostou, tiveram outras presepadas que foram menos gloriosas. Uma das mais, ou no caso, menos memoráveis foi quando Dave Alexander tentou imitar Jimi Hendrix. O baixista dos Stooges levou consigo para o palco uma latinha de fluido e em dado momento do show, deitou seu instrumento no chão cerimoniosamente, pegando sua lata e esguichando o fluido pelo baixo. Quando Dave ascendeu o fósfero e jogou-o sobre o baixo, o instrumento explodiu em chamas de quase dois metros de altura, imediatamente queimando parte de sua vasta cabelerieira. Apavorado, ao mesmo tempo sem querer pagar mico no palco diante de seu público, Dave matuta a melhor forma de apagar o incendio que iniciara. Em sua infinita sabedoria, resolve abafar o fogo se jogando por cima das chamas, queimando a camisa nova emprestada pelo Iggy e chamuscando um pouco seu peito.

Teto Preto

“Não tenho nenhum comentário ou opinião sobre o que as pessoas falam sobre as coisas que eu tenha feito.” - Iggy Pop

O verão de 1970 segue com mais festivais. Os Stooges se apresentam em festivais em Atlanta, Monterey, Maryland, Central Park (em Nova York), seguindo depois para o Canadá onde se apresentaram em festivais realizados em Winnipeg e Toronto. E durante toda esta rotina exaustiva de viajar e tocar, o consumo de entorpecentes era uma constante, a ponto de, no inicio de agosto, durante um festival em Goose Lake, Michigan; Iggy Pop apaga antes do show.

O festival contava com atrações de Michigan como, Bob Seager, SRC, The Stooges, e Brownsville Station; além de atrações maiores como Canned Heat, Savoy Brown, Jethro Tull, Joe Cocker, Ten Years After, Alice Cooper, Chicago, James Gang, John Sebastion, The Flying Burrito Brothers e Mountain. Três dias de festival, o que atraiu um público considerável de cerca de cem mil pessoas.

Iggy e Zeke Zettner, seu amigo e mais um roadie dos Stooges, estão cheirando um pouquinho de tudo durante o primeiro dia do festival. Os Stooges só irão se apresentar na noite seguinte. Pulando de tenda e tenda, conversando, fumando, bebendo e cheirando passam-se as horas. Segundo o próprio, de uma hora para outro Iggy teve amnésia total. Toda noção de ser ou propósito havia sumido, Iggy agora estando em um estado de transe, feito zumbi. Sem consciência de absolutamente nada. Seu mundo naquele momento era exclusivamente aquela tenda. Foi ouvindo a música que tocava lá longe no palco, que aos poucos Iggy foi trazido a consciência, lembrando que ele tinha algo a fazer. Iggy então acordou, levantou, deu boa tarde para todos, e voltou para o seu hotel. Sua imagem de um completo alucinado ganha um número maior de testemunhos.

Durante o show naquela noite, Iggy, ainda alto, aquecido pela adrenalina natural de estar no palco apresentando, se irrita com a muralha construída para separa o público do palco e monitorado por policiais com cães e policiais, a cavalo. Iggy passa então a convidar o pessoal a chegar mais perto, imediatamente iniciando uma invasão dos alucinados sobre a parede. A policia vendo o artista como um mero maluco perigoso, manda tirar a banda do palco, ato realizado ao apertar de um botão, graças a um palco giratório, movido a um motor. No entanto, Bernie, outro roadie da banda, que antes deste emprego dirigia um tanque no Vietnã, deu uns socos em quem controlava o palco, deixando-o desacordado. Imediatamente os Stooges, que se recusara a parar de tocar, voltava para o centro do palco, lá continuando até o final de sua apresentação.

Sai Alexander

Pouco depois disto, o show seguinte em Saginaw, Michigan; The Stooges tocaria pela ultima vez com sua formação original. Dave Alexander, cada vez mais tenso se apresentando para multidões, e mostrando sinais de fadiga de estrada, resolveu encher a cara antes do show, fumou uma quantidade exorbitante de maconha e ainda por cima tomou dois calmantes. Quando chegou a hora de tocar, Alexander não se lembrava de nenhuma das canções, nada do que ele deveria estar fazendo, portanto ficou de pé lá, embromando enquanto a banda atacou os números feito trem lotado. Depois da apresentação, Dave Alexander acabou sendo expulso por Iggy, que não agüentava mais ver o companheiro bêbado no palco e sem conseguir tocar o material.

A principio Ron e Scott ainda tentaram colocar panos quentes, mas Iggy não quis nem saber. Dave acabaria morrendo no dia 10 de Fevereiro de 1975, de pneumonia, contraído após uma operação de pâncreas. Para o seu lugar Iggy buscou pessoas que já trabalhavam com ele, entrando assim dois roadies: Zeke Zettner, que assumiria o baixo e Billy Cheatham, o ex-companheiro de Ron no Dirty Shames, passa a tocar uma segunda guitarra. Os Stooges eram agora um sexteto. Com essa formação, fizeram quatro shows no Ungano, em Nova York, onde foi realizado uma outra entre tantas historias de excessos praticados por Iggy Pop.

Adiantamento Para Pagar o Aditivo

O primeiro show dos Stooges com a nova formação foi no Ugano’s de Nova York, com a banda sendo convidado para uma serie de quatro noites. Após o sucesso da apresentação em Cincinnatti, evento televisionado e visto ao redor do país, e as vendas melhoradas do seu segundo disco “Funhouse”, os Stooges foram obrigados a deixar o formato de um show de vinte minutos para apresentações completas que duravam cerca de quartena-cinco minutos. No entanto, Iggy e a banda continuam os mesmos: preguiçosos e cada vez mais chapados do que nunca. Esta é literalmente a primeira vez que eles se apresentam quatro noites em seguidas, o dobro de seu máximo, até então.

Para o esforço, uma vez em Nova York, Iggy conhece no Chelsea Hotel onde a banda ficara hospedado, um contato chamado Billy, que oferecia cocaína de excelente qualidade. No entanto, a banda vivia dura, sem recursos para quase nada. A solução inusitada de Iggy foi ir até os escritórios da Elektra e conversar com Bill Harvey, vice-presidente do selo. Com muito tato, Iggy passa a explicar que, para ele poder se apresentar em quatro noites em seguida, seu corpo só poderia aceitar esta exigência com o auxilio de cocaína. Portanto era do interesse da gravadora, para proteger seu investimento com a banda, bancar a despesa, providenciado os $400 dólares necessários para comprar uma onça (28.3g), quantidade suficiente para abastar toda a banda durante a realização destas datas.

Estupefato de inicio, Bill Harvey logo ficou histérico com o pedido do cantor, e disse que em nenhuma hipótese iria sustentar o vício de drogas ilícitas de Iggy ou da banda. Porém, Iggy sendo Iggy, ficou pulando pelo escritório exigindo o dinheiro e criando uma situação tão insuportável que Bill Harvey deu os $400 dólares só para se livrar dele. Em troca, Iggy assinou um documento declarando o dinheiro como um adiantamento por royalites devidos da venda do álbum. Os quatro dias e noites foram à base de cocaína, ninguém comendo praticamente nada durante toda a estadia.

Quatro Noites no Ugano’s

Iggy no Ugano'sMiles Davis veio para assistir a banda e ficou até o final. No camarim, conversando com a banda, Miles foi convidado a cheirar com eles. Ron Asheton com o maior orgulho de ter a sua cabeça ao lado a de Miles Davis, cafungando carreiras de pó. Durante o show, Miles sentou ao lado de Johnny Winter. Iggy estava vestido com uma calça toda rasgada que deixava sua cueca a mostra. Cueca que, aliás, era uma calçinha vermelha de mulher, que de tão pequena, seus bagos ficavam de fora e amostra. Winter odiou a figura de Iggy Pop, mas Patti Smith, também presente ficou impressionada e até excitada ditante de tanta energia bruta e incontrolável. O fotografo Dustin Pittman tirava fotografias chamando atenção de Iggy que pulou em cima dele e passou a encenar uma serie de coitos. O fotografo apenas continou tirando fotos.

Steve Kempner falou o seguinte sobre os shows que ele assistiu: “Eu fiquei amedrontado ao assistir Iggy e os Stooges em Ungano’s. Eu fui buscando ver esta banda incrivel e preparado para tudo, mas foi dez vezes mais do que eu esperava. Esse cara Iggy, é inacreditável – pequena figura, tão elétrico – conseguia fazer um estrago pior do que todos os rufiões que eu conhecia na minha vizinhança. Voltamos na noite seguinte e eram exatamente as mesmas músicas. Mas eram todas novas. O show de hoje à noite tem nada a ver com o show de ontem à noite, nada a ver com o ensaio, nada a ver com a checagem de som. Eram canções com vida, nascendo a cada vez que executadas, bem na sua frente... E cada vez que eu assisti a banda, era a mesma sensação. Não havia ontem; não havia o antes. Iggy colocava vida e membros em cada apresentação. Ele sangrou em todos os shows. Cada show ele literalmente deu sangue para o espetáculo. Dali em diante, rock ‘n’ roll nunca poderia ser menos do que isso para mim. Não importa o que eu escrevo ou toco, tem que ter sangue no papel ou nas cordas, se não é uma perda de tempo, um embuste.”

Em outra noite, Danny Fields convidara toda o pessoal de Andy Warhol para assistirem Iggy & The Stooges. Presentes estavam alguns dos nomes mais representativos do alternativo chique. Nomes como Gerard Malanga, Brigid Polk, Donald Lyons, Leee Black Childers, Jackie Curtis, Wayne County, Holly Woodlawn, Glen O’Brien e Taylor Mead, além do próprio Warhol. Diria Leee Childers, “Sua sexualidade esatva então totalmente aparente e, no entanto, dava medo. Ele tinha um cérebro! Havia tanta gente no meio rock ‘n’ roll que eram lindos, mas não tinham um cérebro. (...) Você sabia que se você for para cama com Iggy Pop, ele depois, mais tarde, vai querer conversar com você. (...) Iggy sabia explorar muito bem o lado gay das coisas. Eu não tenho nenhuma experiência própria com ele, mas todos nós conhecemos um milhão de estórias.”

Na terceira noite, Iggy estava tão elétrico que resolveu se dependurar em um cano no teto, que fazia parte do sistema contra incêndio. Pendurado de cabeça para baixo, feito macaco, o cano cedeu, e Iggy, o cano, e parte do teto caíram no chão. Danny Fields a quem Iggy Pop define como seu mentor naquela época, atuava praticamente como um segundo empresário da banda. Presente em todos os shows, ele contornou a situação com os donos da casa e apesar do prejuízo causado, todos concordaram que as apresentações dos Stooges são excelentes e estão trazendo um bom movimento para o lugar. Iggy pôde assim se apresentar a quarta noite, sem maiores estresses.

O repertório da banda a esta altura era composto das canções “I’m Loose”, “Down On The Street”, “Dirt”, “Fun House”, “TV Eye”, “1970”, “You’re Alright”, “Private Parts”, “Dog Food”, e “Searching For Head.” A noite foi boa, o público receptivo e com Iggy totalmente cheirado de cocaína. Ao final do set, o povo pede mais e embora Iggy nunca desse bis, nesta noite abre exceção.

Os Stooges tocam então, “Egyptian Woman”, uma raridade que nunca foi registrado pela banda. Percebendo que o público esperava algo a mais dele, que sua fama de anormal exigia, que faça algo diferente, ao final da canção, Iggy põe o pau pra fora. Um silêncio tomou o local em anticlímax colossal. Iggy então colocá-lo para dentro das calças e, junto com sua banda, deixam o recinto.

Ligadão ainda, o fiel roadie Bernie gostava de barbitúricos e ofereceu alguns anti-depressivos para ajudá-lo a dormir. Bernie deu a Iggy seu estoque, dois Tuenal e dois Seconal, mas com a explicita recomendação de tomar apenas um, quando quisesse ou precisasse de algo para ajudá-lo a dormir. Iggy até então nunca tinha tomado um anti-depressivo antes e Iggy sendo Iggy, desceu todos os quatro de uma vez. Na tarde do dia seguinte, a banda desistiu de tentar acorda-lo e seguiram sozinhos para Michigan. Iggy Pop só foi acordar dois dias depois que eles se foram. Sem dinheiro para pagar a conta do hotel, precisou telefonar para o pai para pedir o dinheiro emprestado. Com a chegada da verba, pagou a conta do hotel e a passagem de ônibus para Detroit.

Cavalgando o Cavalo Branco

Scott Asheton foi com um amigo que trabalhava para o MC5 assistir um show do Funkadelic/Parliament, grupo soul-rock do George Clinton. Freqüentando os bastidores, conversando com um dos integrantes, foram todos para um dos caminhões de som para fumar haxixe. Lá dentro, alguem começa a abrir papelotes de pó. Scott pensa, “que legal, pó”. Mas logo foi informado que não se tratava de cocaína, e sim cavalo (horse) ou seja, heroína. “Quer experimentar?”

Scott Asheton comenta que o que se lembra desta primeira viagem foi de acordar no mato em meio a chuva e tentando mijar. Não conseguia, mas a sensação era extremamente prazerosa, com a chuva caindo e tudo mais. Chegando em casa, foi conversar com John Adams, que tinha experiência no assunto. A repentina proximidade com heroína novamente, fundiu a cuca de Adams que estava vivendo uma vida totalmente macrobiótica até então. Sairam os dois imediatamente a procura de mais heroína. Iggy, ao encontrá-los cheirando, quis entrar na brincadeira também. Ron quando viu o pó, primeiramente pensou que se tratava de cocaína. Mas assim que lhe disseram tratar-se de heroína, disse decididamente que não queria absolutamente nada com o assunto. E passou a ser a figura destoante do grupo. Não demorou muito e John Adams estava ensinando os rapazes como injetar, pois usa-se muito menos do pó injetando nas veias do que cheirando pela a narina.

Mais Mudanças

Após seis apresentações, quatro no Ugano’s de Nova York, duas no Eastown Theatre de Detroit, os Stooges dispensaram Billy Cheatham, que sabia que não prestava como baixista e só aceitou a posição para ajudar a banda em um momento de aperto. No fundo, Cheatham estava louco para retornar a suas funções de roadie, o que fez.

Inciaram audições buscando alguém para substitui-lo Foi nesta época que James Williamson, velho conhecido da antiga banda The Chosen Few reapareceu em Ann Arbor. Ron preferiu trabalhar com James Williamson, que era um guitarrista mais melódico do que ele mesmo e infinitamente melhor do que Billy. Sua entrada deixou o som da banda com um cara ainda mais rock and roll do que antes.

Uma vez confirmada a entrada de Williamson para a banda, Billy vendeu seu amplificador e com o dinheiro, doou para a banda para ajudar com a comida. No entanto, Iggy exigiu que todos entregassem o dinheiro para ele que iria usá-lo para comprar heroína. Começavam as primeiras grandes brigas entre Iggy e Ron, que mesmo não consumindo, acabou tendo que abrir mão de sua parte da grana. Este é o ponto mais claro onde a banda começava a se desintegrar. Ron Asheton sendo o único integrante que não consome heroína, passou a ser tratado como o puritano em meio a uma órgia.

O Asheton mais velho se tranca em seu quarto com a namorada e a harmonia que existia entre ele e os Stooges, principalmente com o até então amigo Iggy, se acabara. No seu lugar, como amigo e parceiro, está agora a figura de James Williamson. Não demorou muito para Iggy, James e o Asheton caçula, Scott, passarem a usar heroína em excesso. A droga consumia o já pouco dinheiro do grupo, além da criatividade. Percebendo este declínio, e não gostando muito do astral geral depois da chegada de James Williamson, o saxofonista McKay opta por sair. Tanto melhor, uma vez que as inspirações jazzisticas que os Stooges, trilharam com relativo sucesso, já estavam sendo questionadas em prol da direção mais rock and roll crua e simples.

O ponto preferido da casa para os rapazes se injetarem era o quarto de Scott, onde o banheiro passava a expor desenhos abstratos feitos de esguichos de sangue. A cada vez que se limpa a seringa, uma nova demão é adicionado ao teto, parede ou chão. Com o tempo, as manchas mais antigas ganham coloração mais escura de magenta, indo do vermelho vivo, ao marrom fosco e encrostado. Mas morar no campo, distante da cidade e sem carro, agora passa a ser um problema.

Iggy primeiro tentou alugar um carro, para poder ir a cidade comprar heroína e voltar rapidamente. Foi então até uma agência de automóveis, escolheu um novo Ford Galaxy, pediu para dar o chamado ‘test drive’ ou seja, uma volta para esperimentar o carro e nunca mais voltou, ficando com o veiculo por praticamente um mês antes de devolvê-lo. Ao dirigir chapado acabou colocando duas rodas na calçada, derrubando tudo que encontrou. Foi detido pela polícia, ganhando uma multa. Como Iggy estava indo comprar drogas, ele não tinha flagrante com ele. Foi perdendo a posse do carro que Iggy optou por deixar o Fun House e ir morar no centro.


University Towers

Iggy agora estava morando no único arranha-céu da cidade, o University Towers, com quem dividia com o baixista dos Stooges, Zeke Zettner. Trata-se de um pequeno apartamento na cobertura com aluguel pago pela Elektra. Seu apartamento era o 26G, que Iggy explicava pra amigos jocosamente se tratar de um ômen positivo, pois, este era também a capacidade máxima da seringa descartável que ele seguidamente reusava para injetar tóxico nas veias. Do outro lado da rua ficava Biff’s, um dinner, misto de restaurante e lanchonete, que ficava aberto vinte e quatro horas. De lá, conseguia seus contatos, comprava a droga, atravessava a rua e estava em casa injetando-se. Uma esquematização muito comoda.

Para manter o seu consumo pessoal, Iggy passou a revender uma parte, com lucro. Assim, o seu consumo acabava saindo de graça. Para aumentar a rede e o lucro, acertou com Wayne Kramer uma espécie de sociedade onde Kramer trazia mercadoria de fontes de Detroit e Iggy por sua vez oferecia a Kramer suas fontes de Ann Arbor, de forma que não ficavam sem mercadoria (heroína).

Quando a necessidade de dinheiro vivo era extrema, Iggy roubava cheques de seus pais, falsificava a assinatura e trocava na Discount Records, uma falcatura que acabou na polícia. Esta brincadeira acabou custando aos pais do Iggy uma grana violenta, que fizeram questão de honrar cada um daqueles cheques, evitando assim que o filho ficasse preso como estelionatário. Alguns cheques foram passados em valores na casa dos mil dólares.

Mas nenhum destes incidentes curvou o apetite de Iggy por quimica e destruição pessoal. Os Stooges faziam vinho se tornar água mais rápido do que podem supor. As drogas estavam destruindo qualquer possibilidade de sucesso na carreira. O uso indiscriminado de heroína fez com que Iggy caísse na cozinha da casa do baixista do MC5, Michael Davis, com uma suspeita de overdose. Desesperado, Michael conseguiu reviver o amigo, com um banho gelado e respiração boca-a-boca. Um susto grande a todos.

Golf em Miami

Seguindo a este incidente, Jimmy Silver e a Elektra entraram em um acordo para financiar um tratamento de desintoxicação para Iggy, em Miami. O tratamento consistia em doses de metadona, uma droga criada para substituir e surprir a necessidade do organismo por morfina ou heroína. O nome completo da droga é Metadona Hidrocloreto, cuja composição química é C21H27NO HCI. Trata-se de um sedativo parecido com a morfina, que anestesia o paciente, como um analgésico, porém, não gera um vício tão difícil de largar.

Junto com a metodona, doses regulares de Valium para deixar Iggy relaxado, uma vez que ele era dado a ataques histéricos quando ouvia a palavra ‘não.’ E para destraí-lo, muitas partidas de golf no Doral County Golf Club. O golfe é um jogo calmo e realizado em areas bucólicas. Iggy descobre ter certa habilidade com o jogo.

O tratamento foi considerado um sucesso, na medida do possível. Isto é, considerando que Iggy faria seguido uso de metadona, demonstrando não abandonar totalmente a proposta de buscar uma alternativa menos letal para a ância do seu organismo por química.

Retornando a Ann Arbor, a mãe de Iggy limpara o apartamento e deu ao comodo aquele tratamento de mãe. Wayne Kramer, que estava excursionando, foi visitá-lo querendo a sua parte dos lucros, que evidentemente se foi, junto com toda a ‘mercadoria.’ Mais uma dívida a sanar.

Com mais esta crise contornada, Jimmy Silver resolve que chegara a hora de abandonar a banda. Dizendo ser impossível bancar o empresário de drogados, concordou em deixar nas mãos de Danny Fields o destino do grupo. “Em minha visão, não sou o empresário adequado para os Stooges. Sou apenas o amigo certo na hora certa, mas não sei exatamente quais coisas um empresário deve fazer. Eu apenas fico consertando os erros, mais nada”, confessou Jimmy. Sua próxima atividade foi abrir um negócio de comida natural. Ainda viriam mais problemas pela frente; em Los Angeles, Paulette Benson, uma lesbica assumida que Iggy define como “uma gata muito gente boa e de cabeça feita”, está dando a luz a Eric Osterberg, primeiro e único filho conhecido de Iggy Pop.

Alcagüete

Iggy passou certo fim de semana no seu apartamento com o roadie John Adams, virando a noite injetando cocaína nas veias. Assistem o sol nascer enquanto aguardam a hora dos bancos abrirem, para sacar um cheque. O cheque foi passado por Jimmy Silver para pagar despesas e seguir, na segunda-feria, para Detroit com seu piano elétrico, onde os Stooges seguiriam para Windsor em Ontario, Canadá.

Apesar do calor de verão, Iggy está na fila do banco de mangas compridas para esconder as marcas de agulha nos braços. Quem conhece observaria que suas pupilas estavam enormes. Aguardando na fila e odiando por estar em uma tão cedo da manhã, é retirado dela por dois policiais enormes e fortes e literalmente o carregam para dentro de um camburão aguardando na rua. Iggy não tem a mínima noção do porque acabara de ser seqüestrado pela polícia e fica petrificado de medo.

Ao chegar na delegacia, olhando o detento em outra luz, a polícia logo percebe que este não é o assasino que buscavam. Mas, para melhor esquivar do engano, a julgar pela aparência de Iggy, levaram-o para dentro de qualquer maneira. A polícia ameaçou detenção por 72 horas caso Iggy não deixassem os policiais vasculhar sua residência. Em troca, eles o deixariam livre se nada encontrassem. Três dias em detenção policial é coisa demais para um junkie viciado em heroína, portanto não havia maneira de evitar a revista.

Levado para casa em um carro patrulha, acompanhado de um sargento e um tenete, acabaram encontrando apenas seringas, agulhas e metadona, uma droga legalizada e usada justamente em tratamento de viciados. John Adams, vendo da janela a polícia chegar e Iggy não retornando, concluiu o pior e resolveu sumir. Sem ter como prendê-lo legalmente, e sem querer ter perdido tempo com este aloprado à toa, os policias passam as próximas duas horas fazendo terrorismo psicológico com Iggy, exigindo que ele dê o nome de um fornecedor. Depois de duas horas, desistiram, pois Iggy simplesmente preferiu arriscar cadeia do que trair um amigo. Por sorte, a polícia cansou e foi embora, enquanto Iggy saiu do pesadelo com certo orgulho de sua firmeza em defender seu próprio código de honra. Cagüete merece cacete.

Electric Circus

Scott, James (sentado), Jimmy, Iggy e Ron No começo de 1971, Zeke Zettner, em uma aventura completamente maluca, se alistou no exército para lutar no Vietnã onde, acreditava, seria possível comprar heroína a preço baixo. Zeke acabaria morrendo em 1975, por overdose. Se foi devido à heroína vietnamita-da, ninguém soube dizer...

James Williamson convidou Jimmy Recca, antigo conhecido de Birmigham, para entrar em seu lugar. Recca não gostava de heroína e fez boa amizade com Ron Asheton. Também era muito melhor instrumentista e com isso, a formação com James e Ron nas guitarras, Scott, na bateria e Jimmy no baixo, pode ser considerada a formação mais sólida, músicalmente falando, dos Stooges.

Em Junho, voltaram para Nova York, onde iriam se apresentar no Electric Circus apresentação que pode ser considerada decisiva para o fim da banda. Enquanto Fields tentava negociar com Harvey, que o havia demitido da Elektra para a produção de um terceiro disco, Iggy promovera um espetáculo grotesco no camarim. Ele estava com o braço apertado por um elástico, batendo em suas veias, berrando “saiam fora, saiam fora” enquanto procurava desesperadamente encontrar uma veia para se picar. Muitas pessoas achavam que o cantor fosse morrer ali mesmo.

Iggy deu um espetáculo tenebroso. Danny foi encontrá-lo depois desmaiado ao lado da privada com a seringa ainda presa em seu braço. Depois de alguns tapas na cara para acordar, Iggy foi pro palco, a banda já tocando um riff e aguardando seu vocalista. Mal Iggy entra em cena que sente enjôo, vomitando no palco e em parte da plateia. Muita gente foi embora, chocado. Dee Dee Ramone comenta sobre aquela noite: “Foi a primeira vez que eu vi Iggy. Eles começaram bem tarde porque Iggy não conseguia encontrar uma veia para se picar e todos nós fomos obrigados a esperar. Quando ele entra, diz ‘Vocês todos me deixam doente.’ E então vomitou.”

Elektra dispensa o terceiro álbum

Para piorar, Danny não conseguiu convencer Harvey a investir mais nos Stooges, com Harvey já buscando uma desculpa para recindir o contrato ainda em vigor. Quando Fields finalmente consegue que Bill Harvey e Don Galucci viajem para Ann Arbor para ouvir as novas canções, Harvey o faz com pouca convicção. Em Ann Arbor, os Stooges, ensaiavam e preparavam alguns demos para o novo álbum. Nelas, ouvia-se canções como “Pin Point Eyes”, “Open Up And Bleed”, “Johanna”, “Rubber Legs”, “I Got A Right” e “Fresh Rag.”

Ron comenta sobre este encontro: “Eles não conseguiam acreditar no que ouviam, especialmente Bill. Ele estava quase com medo, mas Don permaneceu calmo. Nós os levamos para nosso local de ensaio e eles esperavam ver pequenos amplificadores e nós tínhamos duplos Marshall. Eles ficaram parados e foi muito difícil tocar, porque eu ria muito. Bill estava vestindo um terno e Gallucci estava com um sport italiano. Fiquei imaginando no que eles estariam pensando. Deviam nos achar os caras mais estranhos do mundo!”

Danny lembra o desprezo de Harvey ao ouvir algumas gravações das novas músicas: “Ficava perguntando no motel após assistirmos o ensaio se as canções novas não eram incríveis, mas Bill apenas disse que não via nada nelas. Acho que Harvey apenas não queria mais trabalhar com esta banda. De fato, eles nunca deram lucro.” A Elektra acabou dispensando a banda que nem ficou tão surpresa ou chocada como Fields imaginara. Embora Danny trabalhava para Atlantic Records, ele tentou firmar um contrato com a RCA, achando que teria melhor chances por lá, porém, sem nenhum sucesso.

Fim de um Ciclo

“Empresariar os Stooges foi um inferno!” – Danny Fields.

E os problemas continuavam galopando. Scott Asheton aos poucos vai vendendo partes de sua bateria para manter o seu vício, o som percussivo dos Stooges entrando lentamente em uma fase minimalista. Quando estiverem em Nova York, sem Ron saber, Scott e Iggy roubam sua guitarra, uma rara Stratocaster fabricado antes da CBS tomar conta, trocando-o em Harlem por $40 dólares de heroína. Depois lhe contaram apenas que a guitarra fora roubada; “...puxa que pena”, “pois é...”. Há até rumores que os Stooges ou pessoas ligadas à banda, andaram assaltando postos de gasolina para pagar o aluguel da casa. Assim, não é tão absurdamente idiota da parte de Scott Asheton de pegar dinheiro emprestado de gente ligado a uma gangue de motocicletas e nunca pagar. Isto deixou a Fun House de prontidão e armado com todas as portas e janelas lacradas com madeira, aguardando o inevitável duelo.

“Se alguem quer heroína, não se consegue interessá-lo em outra coisa, não é mesmo? O que Iggy ainda conseguiu realizar enquanto heroína era uma prioridade em sua vida ,...bem..., tem que se adimirar como ele conseguiu realizar qualquer coisa, chegar a qualquer lugar. Mas ele conseguiu. Ainda assim, era o grande monstro esmagando tudo. Tudo estava desmoronando. Não havia dinheiro, os discos não vendiam. Pouco adiantava serem considerados uma sensação pela crítica ou talentosos como eram.”

Em meio a isto tudo, os Stooges ainda estavam tocando sua tradicional media de duas vezes por semana. Retornando de uma destas apresentações, Scott, dirigindo o caminhão de equipamentos junto com os roadies Larry e Jimmy, sofrem um acidente em Detroit. Ninguem entendeu nada quando de repente foram jogados através do pára-brisa, seguido de um estrondo. Quando foram ver, perceberam que o viaduto da rua Washington tem uma altura menor do que a do caminhão. Scott tomou pontos na testa e na lingua, Larry perdeu dois dentes e também tomou pontos na testa e lingua, enquanto Jimmy teve marcas por todo o corpo.

Ron Asheton veio buscá-los de carro e antes de irem para casa, passaram primeiro pela ponte novamente. Entram entre os arbustos ali perto, e pegaram de volta alguns barbitúricos que tinham como flagrante, que esconderam. Depois ligaram para Danny Fields para saber o que ele pode fazer por eles. O resumo da ópera era que acabaram com o caminhão, portanto a firma estava os processando. Acabaram com os instrumentos que estavam no caminhão e eram alugados, portanto a loja de instrumentos os estavam processando, também. E finalmente destruiram parte do viaduto, sendo então processados pela prefeitura também.

A esta altura, noticia já chegara de que a Fun House seria demolida, a prefeitura comprara o terrano pois iriam criar uma estrada e um viaduto que passaria por ali. Era apenas uma questão de tempo, hoje estando construido no terreno uma auto-estrada e um banco.

Danny Fields chega em uma de suas últimas visitas ao local e despede John Adams. Aparentemente ele estava trafegando quantidade de entorpecentes durante as viagens da banda. Pouco depois, era a vez de Danny jogar a toalha. Cansado de tantos pepinos, desgastando o seu nome, seu próprio prestígio e o seu credito, em uma banda que devia perto de US$ 80 mil para a Elektra que cuidou dos recentes processos involvendo a banda, e que basicamente só queria saber de se drogar, liderados por um sujeito genioso com pouca ou nenhuma responsabilidade profissional e que basicamente vivia fazendo merda. Fields estava tão cansado de tudo que deixou a Atlantic Records e foi trabalhar para a revista teen, 16 Magazine. Estava mesmo terminado um ciclo. A banda saldou sua divida com a Elektra abrindo mão de toda futura grana que possa entrar pelas vendas dos seus discos com a gravadora.

“Quando o caminhão se espatifou me ligaram do hospital desesperados de madrugada e me contaram tudo. Eu não acreditava que eles tinham destruído tudo aquilo depois de tanto trabalho. O pior é que me perguntaram o que eu iria fazer. Apenas disse ‘vou voltar a dormir’ e tirei o fone do gancho. Eu já estava cheio deles”, conta Fields.

Últimas Apresentações

Sem dinheiro, gravadora e mergulhado em drogas, Iggy anunciou a saída dos Stooges após o último show em uma temporada no Teatro Eastown, em Detroit. Porém, as últimas duas apresentações dos Stooges foram em julho. No dia 16 de julho no Hollywood Palladium, em Hollywood, seguido por uma apresentação em Wampler’s Lake no dia 24 de julho. Era o fim da primeira fase músical de Iggy, que só voltaria ao cenário com a entrada e ajuda de um velho fã: David Bowie.

O cantor alegou que precisava curar da dependência química. “Eu nunca quis parar, mas me senti obrigado porque estava lotado de problemas. Mais e mais pessoas vinham para assistir os nossos shows, ao mesmo tempo em que eu estava me apresentando cada vez pior. Eu queria fazer bonito para eles. Eu me sentia infeliz e a desintegração dos Stooges me parecia o único caminho. A única coisa que sabia é que eu e James (Williamson) estávamos mais unidos e que voltaríamos a trabalhar juntos em breve. Nós sabíamos que poderíamos fazer melhor do que isso.”

Sem Iggy, os Stooges ainda realizaram mais um único show, no clube Punch Andrew, em Ann Arbor, no final daquele mês. Ron sobe ao palco e explica para a platéia que Iggy não fazia mais parte do grupo. “Foi uma coisa estranha, porque eles ficaram desapontados, mas em seguida, tudo parecia um show de um grupo amador, e um garoto de 15 anos subiu no palco e começou a imitar o Iggy melhor do que ele próprio faria. O desgraçado ficou atingindo meu joelho com o pedestal do microfone sem parar e durante o show, o espírito de Pop esteve sempre presente”, conta Ron. Os irmãos Asheton acabariam voltando para Ann Arbor, morar novamente com a mãe, já que não tinham emprego ou dinheiro.