113 - Johnny Marr - The Messenger
Desde que deixou os Smiths, em 1987, muito se perguntou sobre Johnny Marr, afinal Morrissey partiu imediatamente para uma carreira-solo lançando dezenas de discos até hoje, enquanto a outra metade da mais talentosa parceria dos anos 80 entrava num período se, não de total reclusão, mas com trabalhos esporádicos, sempre como músico convidado.

Passados mais de 25 anos, Marr parece ter cansado da função de eterno sideman, que ajudou Bryan Ferry, Keith Richards, Talking Heads, The The, Pretenders em seus discos.

O único projeto mais famoso havia sido ao lado de Bernard Sumner (New Order), o Electronic, com participação do Pet Shop Boys, no primeiro disco.

Depois disso, um monte de bandinhas obscuras, com alguns discos, mais interessantes do que realmente bons: Johnny Marr and the Healers, Modest Mouse e The Cribs.

A virada, o começo verdadeiro de sua carreira-solo só aconteceu agora, em 2013, com The Messenger, seu primeiro álbum solo.

The Messenger é um disco essencialmente europeu e para gravá-lo, Marr deixou a cidade de Portland, no estado de Oregon, nos EUA, onde vive há anos e voltou para a Inglaterra. "Queria voltar à minha adolescência, reconectar meu passado e por isso precisava voltar para casa", disse em uma entrevista.

Primeiro ponto: não espere nada remotamente parecido com os Smiths ou qualquer outro trabalho dele. The Messenger é um disco autoral de um dos mais talentosos guitarristas que o mundo já viu. Assim, suas letras podem parecer ingênuas ou simplórias demais se comparadas às de Morrissey.

Segundo ponto: Marr canta bem e por isso não convidou nenhum vocalista para o disco. Uma boa prova disso está em vários shows no youtube, onde se apresentou ao vivo, tocando, inclusive, clássicos dos Smiths, onde se saiu muito bem no papel que cabia ao homem mais triste de Manchester.

Trata-se de um bom disco de rock, com uma sonoridade bem européia como desejou e letras diretas, falando de consumismo, de cidades e fetiche sobre tecnologia, assunto que adora, já que se considera um grande viciado em internet.

O disco parece ter sido pensando um "formato LP" pois traz 12 canções e 48 minutos de músicas, ao invés de gastar mais de 70 minutos como muitos o fazem hoje.

Considero a faixa título, "The Right Thing Right", "European Me", "Generate! Generate!", "Lockdown" e a linda e gélida "Say Demesne" como as melhores. Na verdade, não há um ponto baixo.

O álbum recebeu vários elogios no exterior e fez Johnny Marr ser uma das estrelas em várioas festivais na Europa, onde não se furta em cantar "How Soon Is Now?", "There Is A Light That Never Goes Out", entre outros clássicos smithnianos, afinal ele é co-autor em todas elas.

A boa notícia é que o disco saiu o Brasil e é fácil de ser encontrado. Agora é torcer para que ele tome gosto pela vida e não demore outros 25 anos para lançar o segundo disco.

Faixas:

01. "The Right Thing Right" 3:41
02. "I Want the Heartbeat" 2:47
03. "European Me" 3:56
04. "Upstarts" 3:38
05. "Lockdown" 3:58
06. "The Messenger" 4:29
07. "Generate! Generate!" 4:21
08. "Say Demesne" 5:37
09. "Sun and Moon" 3:23
10. "The Crack Up" 3:52
11. "New Town Velocity" 5:11
12. "Word Starts Attack"