Eu
sou totalmente suspeito para falar de Steve já que sou
macaco de auditório do homem. Desde que o entrevistei para
a minha coluna, três anos atrás (foi a segunda
matéria que publiquei na Mofo) mantenho contato regularmente
com o homem, via e-mail. O coitado não agüenta mais
ver mensagens em um inglês macarrônico. Fazer o que
né? A fama tem seu preço...
Mas eu não devo
ser tão chato assim, pois ganhei dois cds dele de presente.
Um é de 1993 e esse, que vou resenhar, é de 2001,
e de longe, o mais interessante. O projeto para conceber o álbum
foi bem bolado. Steve fez um acordo com a Emusic: iria gravar
uma nova canção por mês durante o ano de 2000,
disponibilizá-la na internet e no final do ano, o selo
lançaria as doze novas canções com o nome
de Singles Collection.
No encarte, ele conta que
a motivação para esse projeto foram as histórias
de bandas dos anos 60, como Beatles e Who, que entravam no estúdio
de manhã para escrever uma canção na parte
da manhã, gravavam de tarde e de noite já estavam
disponíveis nas lojas. Steve fala que o processo de composição
é muito mais longo, penoso e complicado do que jamais imaginou.
O maior desafio para ele foi ter um prazo obrigatório para
entregar as canções para a Emusic. E confessa: cumpriu
rigorosamente todos, com exceção da última
canção, que acabou a gravação na noite
de 31 de dezembro. Para o desafio, chamou vários amigos
como Johnette Napolitano (vocalista do Concrete Blonde), Richard
Lloyd (ex-guitarrista do lendário Television). O encarte
é um espetáculo à parte, já que o
próprio conta como foi a produção de cada
canção. Entre as maiores curiosidades, está
a faixa Merry Go-Round, realizada nos Alpes Suíços
em agosto daquele ano com o artista local Polar, que o convidou
para passar uns dias em sua casa e resultou numa bela parceria.
Steve mostra profundo respeito
por Richard (“quando tinha 19 anos ficava tentando imitar
o estilo de Lloyd no porão da casa de meu pai”, conta)
ou comentando como foi fazer uma cover de uma canção
do Gutterball, ou a parceria com os Fleshtones.
Faixas destaques: “Last
House on the Right” com sua amiga Napolitano; “The
Last One Standing”, com o guitarrista Paco Loco, da banda
Australia Blonde, da Espanha. Steve conta que gravou os vocais
e escreveu a letra em sua casa em Manhattan e depois enviou para
a Espanha, onde Paco e sua banda fizeram o arranjo e mandaram
para Steve em formato mp3.
Vale conferir ainda a parceria
com Richard Lloyd na linda “Melinda”, um belo duo
de guitarras. O disco foi lançado pelo selo bluerose (www.bluerose-records.com).
Caso queira mais informação sobre Wynn, vá
ao site pessoal, www.stevewynn.net.
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