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Esse é um breve resumo do Violeta de Outono, conjunto liderado e administrado por paixão pelo vocalista, guitarrista, compositor e produtor Fabio Golfetti, que mesmo sem um grande esquema de divulgação mantém seu fãs sempre em constante comunicação graças a um dos sites mais bem bolados de uma banda brasileira (seja ela de uma grande gravadora ou não) e um dos mailists mais bacanas, comandado por ele mesmo. Fabio não esmorece mesmo com a crescente falta de interesse por bandas preocupadas apenas em tocar o bom rock, sem modismos ou frescuras. E essa paixão já dura mais de 20 anos. Vamos então falar um pouco de como surgiu o Violeta... Em 1981, Fabio fazia parte de uma banda chamada Lux. O grupo consistia em Zico e Ivan Rocha (bateria), Adalberto Baggio (baixo), Fabio e Nelson Coelho, nas guitarras e Giles Eduar (sax alto). O grupo que fazia um som voltado para o jazz experimental durou de maio daquele ano até março de 1982 e se você acha que não deixaram nenhum registro... bem, isso conto no final desse texto.
Juntos, os dois tocaram na primeira formação do Zero (lembram da banda de Guilherme Isnard que teve aquele hit dividindo os vocais com Paulo Ricardo? É a essa mesma...). Fabio e Claudio ficaram de janeiro de 1984 até maio de 1985, e chegaram até a gravar um single com o grupo, "Heróis", antes de sairem para formar uma banda com outra sonoridade, mais ligada aos Beatles e anos 60. Chamaram dois amigos, o fotógrafo e baixista Angelo Pastorello e Scot (pseudônimo do jornalista José Augusto Lemos, e ex-integrante posteriormente do Chance). Nascia assim o Violeta de Outono. Scott ficou apenas de junho a outubro de 1985, quando o grupo virou um trio e sedimentou sua sonoridade. O resultado era algo inédito no rock brasileiro: juntando a paixão por Pink Floyd, Led Zeppelin com bandas oitentistas do calibre de Echo and the Bunnymen, começaram a fazer shows, conquistar uma audiência dedicada e toparam um convite da loja de discos Wop-Bop para lançarem um EP. Fabio conta melhor a história: "Eu era cliente da loja desde 1975. Lá por 85, 86, nós mantinhamos um contato com a Wop-Bop, inclusive o Claudio escrevia para um fanzine deles chamado Spalt. Aí o René quis fazer um brinde para os clientes, com uma banda nova. Ele gostava muito de bandas dos anos 60 e viu na gente um som similar. Tivemos que escolher entre a proposta de participar do álbum Não São Paulo da Baratos Afins, um selo que já estava no mercado, e o projeto do René, um EP do Violeta de Outono com 3 músicas e capa própria do nosso gosto. Decidimos fazer com o René."
A faixa "Outono" virou um mini-hit e o grupo acabou caindo nas graças de uma major, a RCA. Era a época do Plano Cruzado, e os selos estavam atrás de novas caras. A RCA criou um selo menor chamado Plug e contratou diversos grupos, incluindo o Violeta. Nessa época eles poderiam ter virado um estouro de mídia, pois tiveram um convite da Rede Globo para colocarem "Outono" em uma abertura de novela. A gravadora delirou, mas a banda hesitou, e recusou o convite. Ele explica como foi a decisão: "Era para entrar 'Outono', mas não quisemos. O Violeta sempre se manteve reservado com relação a divulgação na TV, achávamos talvez equivocadamente, que o som nosso, não iria fazer sucesso com o grande público e perderíamos nossa audiência cult."
Em 1989 lançaram o segundo disco pela Plug, Em Toda Parte, que foi muito trabalhado e acabou ficando confuso e meio distante do som original que pretendiam fazer. Fabio confessa que as idéias eram muitas e elas acabaram sendo mal traduzidas. Logo após o disco, o selo Plug acabou e a banda ficou sem o apoio de uma gravadora. Os dois discos venderam aproximadamente 40 mil cópias, sendo 25 mil do primeiro e 15 mil do segundo. Um ano antes, o músico RH Jackson começou a participar do grupo como produtor e o Violeta lançou um produto diferente no mercado brasileiro, mas que era muito comercializado na Europa: uma fita cassete, junto com um libreto que continha fotos, história e um single, em formato flexi-disc de Fabio Golfetti, Numa Pessoa Só, sob o nome de Opera Invisivel, um projeto que Fabio abraçou paralelamente ao longo dos anos, e que lançou por selo próprio, batizado também de Invisivel.
Com o fim do contrato com a Plug, a banda deu uma desaparecida do mapa e o grupo entrou em um processo de quase hibernação, fazendo somente alguns shows e de forma esporádica, onde Claudio Fontes substituiu Claudio Souza na bateria, durante os anos de 1990 e 1991. Fabio resolveu abraçar de vez o projeto "Invisible Opera of Tibet", conceito idealizado por Daevid Allen, do Gong, e que tinha como princípio a junção de uma visão em comum do universo e uma evolução espiritual, ligando músicos de vários pontos do planeta. Começou a aquecer o selo Invisivel, que depois do single solo de Fabio, lançou (ao lado de Renato Mello e da cantora May East), o disco The Eternal Voice.
O Invisible Opera of Tibet começou a tocar em pequenos lugares em São Paulo. Mas os shows eram quase vazios por causa do experimentalismo do projeto e Fabio conta, divertido, uma idéia que teve e que foi responsável pela volta do Violeta: "Em 1994, estávamos fazendo shows com o projeto Invisible Opera. Mas como os shows estavam sempre vazios, resolvi fazer uma coisa diferente em um show de quarta-feira. Ao invés de escrever Invisible Opera no cartaz, convidei o Angelo e coloquei o nome Violeta de Outono com a abertura do Invisible Opera, o que na verdade eram os mesmos integrantes. O resultado foi que lotou o Centro Cultural, tinha gente saindo pelo ladrão. Eu não acreditava que tínhamos esse público ainda. Comecei a bater na porta da RCA, então BMG-Ariola, e pedi para relançarem os discos. Falei com eles em outubro e o disco saiu em junho do ano seguinte. A BMG, que sempre foi muito atenciosa e carinhosa com a banda, organizou uma entrevista coletiva para nós. Oferecemos um novo disco para eles, mas eles acabaram não se interessando. Foi uma pena, porque o Mulher na Montanha tinha músicas para tocar em rádio."
O disco só saiu em 1999 e nessa época o trio já não mais existia porque Claudio e Angelo deixaram o grupo, frustrados com a pouca receptividade comercial. Fabio ficou angustiado com a separação e formou um novo trio, com dois membros bem mais jovens do que ele, Sandro Garcia (baixo) e Gregor Izidro (bateria) e de uma maneira inusitada. "O Sandro gostava muito do Violeta, ia aos shows e mandava cartas para a nossa caixa postal. Ele quis lançar uma coletânea e queria uma música do Violeta e eu dei a ele. Um dia, surgiu uma possibilidade de tocarmos em um lugar. Então resolvi agitar uma banda. Nisso, fui convidado para tocar na MTV, no Lado B. O Claudio e o Angelo não puderam comparecer e acabei tocando de maneira improvisada e divertida com dois funcionários da casa. No programa começaram a me perguntar se o Violeta iria voltar. Convidei então o Sandro para tocar baixo. Ele acabou trazendo o Gregor. Três ensaios depois, o nosso som estava pronto. Já tinham aprendido as músicas. E existia um fato curioso, porque o Sandro tem dez anos a menos do que eu, e o Gregor tem dez anos a menos que o Sandro."
Enquanto Gregor era um baterista mais vigoroso e rápido do que Claudio, Sandro usava um baixo Rickenbacker que dava uma sonoridade mais sensual ao som do grupo em comparação ao som do baixo Fender de Angelo. Com essa formação a banda, infelizmente, não lançou nenhum trabalho. Em julho de 2001, Sandro deixou o Violeta e Angelo acabou voltando. Começou então uma etapa de reaproximação com os antigos fãs, que sabiam dos shows da banda através das listas que Fabio mandava aos usuários cadastrados no site do grupo. Ainda que não muito freqüentemente, o grupo fez dezenas de apresentações, chegando a abrir para o Focus em São Paulo e tocando com o ex-Mutante Sérgio Baptista no Rio Art Rock Festival.
Mas Fabio gosta de ressaltar que a saída de Gregor foi absolutamente pacífica e que continuam amigos, sendo que até poderá ser convidado em futuros projetos. Com Gregor, lançaram em 2003 o EP Sessions 2002/2003, que segundo Fabio poderia ter ficado melhor se tivessem tido tempo para gravar as partes de Gregor.
Em 2004, os projetos para o grupo foram muitos e dos mais variados. Fabio reativou o selo Invisivel e lançou ao longo do ano, mais de 30 CDs reunindo tudo que já gravou e tocou desde o longínquo Lux até gravações perdidas com o trio original, o Invisible Opera e projetos solos. O primeiro lançamento já deixou os fãs alucinados: Early Years Complete, contém nada menos do que 14 canções, passando por sobras de estúdios e versões ao vivo.
E além desses lançamentos há uma possibilidade de sair um DVD reunindo diversos momentos da carreira da banda. E os lançamentos da Invisivel continuam saindo, com várias preciosidades do grupo em sua fase, final, sendo o mais curioso a primeira apresentação do trio, no distante ano de 1985, no extinto teatro Lira Paulistana. E o melhor de todos até agora é o impecável registro de um show do disco Mulher na Montanha, gravado em 1995, mostrando todo o amadurecimento do grupo, que ainda contava com Claudio e Angelo.
Segundo Fabio, a entrada de Fernando deu uma nova musicalidade ao grupo e dificilmente o Violeta voltará ao estilo anterior e como trio. Ilhas mostra uma banda mais madura e com grandes momentos, caso de "Blues" e a abertura com "Língua de Gato em Gelatina". O grupo começou a realizar uma série de apresentações, ressucitando a velha magia, chegando a gravar um DVD com uma orquestra, que saiu em 2006.
O estilo de Gabriel é mais ligado ao som de Canterbury e segundo relata Fabio, a sonoridade está mais próxima agora do Soft Machine. Tudo isso pode ser notado no novo trabalho do agora quarteto, Volume 7, que deixou Fabio radiante com os resultados. Todo esse material foi retirado do site oficial do grupo e das várias entrevistas que realizei com Fabio e incontáveis papos via email e telefone e que tem ainda uma grande novidade, mas que será revelada mais para frente... quem sabe, em outra entrevista... Para saber mais sobre o Violeta de Outono, acesse também o link http://voiceprint.com.br/invisivel/. Abaixo, a discografia do grupo e a extensa árvore genealógica de Fabio e companhia (desde os primórdios com o Lux até a última formação)... Discografia EP Violeta De Outono (1986),
em vinil Árvore Genealógica LUX #1 Maio até Novembro
de 1981 LUX #2 Janeiro até Março
de 1982 AMT-1 #1 Abril de 1982 até
Junho de 1983 ULTIMATO #1 Agosto até
Dezembro de 1983 ZERO #1 Janeiro até Julho
de 1984 ZERO #2 Agosto de 1984 até
Maio de 1985 VIOLETA DE OUTONO #1 Junho até
Novembro de 1985 VIOLETA DE OUTONO #2 Janeiro
de 1986 até Agosto de 1988 VIOLETA DE OUTONO #3 Setembro
de 88 até Março de 1989 VIOLETA DE OUTONO #4 Abril de
1989 até Agosto de 1990 VIOLETA DE OUTONO #5 Novembro
de 1990 até Agosto de 1991 VIOLETA DE OUTONO #6 Julho de
1992 até Outubro de 1995 VIOLETA DE OUTONO #7 Novembro
de 1995 até Junho de 1998 VIOLETA DE OUTONO #8 Marco de
2000 até Junho de 2001 VIOLETA DE OUTONO #9 Julho de
2001 até Agosto de 2003 VIOLETA DE OUTONO #10 Setembro
de 2003 a Maio de 2005 VIOLETA DE OUTONO # 11 Maio de
2005 a Outubro de 2005 VIOLETA DE OUTONO # 12 a partir
de Outubro de 2005
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