Lord Byron

Lord ByronA obra e a personalidade romântica de Lord George Gordon Byron (1788-1824) tiveram, no início do século XIX, grande projeção no panorama literário europeu e exerceram enorme influência em seus contemporâneos, por representarem o melhor da sensibilidade da época, conferindo-lhe muito de sedução e elegância mundana. Lord Byron teve vida pessoal bastante conturbada, na juventude foi acusado de abuso sexual pela prima, homossexualismo e também foi um dos primeiros escritores a descrever os efeitos da maconha. Foi um dos principais poetas ultra-românticos,sua influencia chegou até o Brasil na obra de grandes escritores, como Álvares de Azevedo.

“There lies the thing we love with all its errors And all its charms, like death without its terrors.”

George Gordon Noel Byron nasceu em Londres em 22 de janeiro de 1788. Apesar de a princípio sua família ser bastante rica. A riqueza da família Byron foi destruída pelo Capitão John (“Mad Jack”) Byron o pai de Jorge Gordon. A mãe de Byron desesperada, enviou seu filho George Gordon Byron para Aberdeen.Logo depois disso o Capitão Byron, seu pai, morreu com a idade 36 anos na França. Entretanto, em 1798, com a idade de 10 anos, George Gordon herdou o título nobiliárquico do tio-avô William, tornando-se o sexto Lord Byron, herdou também as propriedades que pertenciam a seu tio-avô e mudou-se para Newstead Abbey, Nottinghamshire, para uma propriedade da família Byron.Conta-se sobre o lar da família Byron, que antes era a Abadia de Newstead, no condado de Norttingham, que este era assombrado pelo fantasma de um frade malvado que se deliciava com infortúnos alheios.
A Abadia serviu de mosteiro para os cônegos agostinianos durante quase quatrocentos anos. Mas no século XVI, irado com a oposição da Igreja Católica à anulação de sua união com Catarina de Aragão, Henrique VIII começou a confiscar os bens da Igreja e dividi-los entre alguns de seus nobres. A Abadia de Newstead coube aos Byron e ficou com a família pelos trezentos anos seguintes. O último Lord Byron a herdá-la foi ninguém menos que o dissoluto poeta romântico, George Gordon, que não só amava a propriedade como lá encontrou alimento para seus poemas no mais notável de seus vários fantasmas: o Frade Negro.

Após mudar-se para a antiga abadia, Lord Byron paasou a freqüentar primeiramente a escola em Dulwich, próximo a Londres.Depois frequentou a escola Harrowl. Costumava passar as férias com sua mãe, em Southwell.
Em 1803 conhece seu primeiro amor, Mary Chaworth de Annesley Hall, sobrinha neta do Lord Chaworth, este desafiou Byron para um duelo, e foi morto por ele. Apesar da gravidade do episódio não houve maiores complicações para Byron e o caso foi abafado.

Em 1805 Byron entra no Trinity College de Cambridge. Ainda estudante em Cambridge, publicou seu primeiro livro de poesia, Hours of Idleness (1807; Horas de ócio), mal recebido pela crítica da prestigiosa Edinburgh Review. Byron respondeu com o poema satírico English Bards and Scotch Reviewers (1809; Bardos ingleses e críticos escoceses). Aos 21 anos ingressou na Câmara dos Lords, partindo pouco depois em viagem pela Europa e o Oriente Médio.

Ao voltar à Inglaterra, em 1811, publicou os dois primeiros cantos de Childe Harold’s Pilgrimage (1812; Peregrinação de Childe Harold), longo poema em que narra as andanças e amores de um herói desencantado, ao mesmo tempo em que descreve a natureza da península ibérica, Grécia e Albânia. A obra alcançou sucesso imediato (entre 1812 e 1819 saíram 11 edições em inglês, além de várias traduções), e sua fama se consolidou com outros trabalhos, principalmente The Corsair (1814; O corsário), Lara (1914) e The Siege of Corinth (1916; O cerco de Corinto). Nesses poemas, de enredos exóticos e apesar das irregularidades, Byron confirmou seu talento para a descrição de ambientes.

Em 1816, o pedido de divórcio de Lady Byron (Anne Milbanke), após um ano de casamento, escandalizou a sociedade inglesa, que o associou aos rumores de incesto do poeta com sua meia-irmã Augusta Leigh, e Byron resolveu deixar a Inglaterra.

Na Suíça escreveu o canto III de Childe Harold’s Pilgrimage (1816), The Prisoner of Chillon (1816; O prisioneiro de Chillon) e o poema dramático Manfred (1817), enigmático e demoníaco. Em Genebra viveu com Claire Clairmont e fez-se amigo de Shelley. Radicou-se depois em Veneza, onde levou existência agitada e licenciosa, documentada em cartas cheias de verve.

Compôs então o canto IV de Childe Harold’s Pilgrimage (1818) e Beppo, a Venetian Story (1818; Beppo, uma história veneziana), poema em oitava-rima, de tom ligeiro e cáustico, em que ridiculariza a alta sociedade de Veneza. Em 1819 começou o poema herói-cômico Don Juan (1819-1824), sátira brilhante e atrevida, à maneira do século XVIII, que deixaria inacabada. No mesmo ano ligou-se à condessa Teresa Guiccioli, seguindo-a a Ravena onde, juntamente com o irmão dela, participou das conspirações dos carbonários.

Byron usou com igual mestria o verso curto de Walter Scott, o verso branco, a oitava-rima e a estrofe spenseriana. Seu aristocratismo se reflete na escolha de um estilo classicista pelo qual tratou uma temática fundamentalmente romântica. Toda a obra de Byron, que exprime o pessimismo romântico, com a tendência a se voltar contra os outros e contra a sociedade, pode ser vista como um grande painel autobiográfico. Foram novos, em sua postura, o tom declarado de rebeldia ante as convenções morais e religiosas e o charme cínico de que seu herói demoníaco sempre se revestiu.

Como moda literária, o byronismo se espalhou pela Europa até as últimas décadas do século XIX, com projeções crescentes e importantes nos países jovens da América. Foram sensíveis à influência de Byron, entre muitos outros, o espanhol Espronceda, os franceses Lamartine, Vigny e Musset, os russos Puchkin e Lermontov, o argentino Esteban Echeverría e o brasileiro Álvares de Azevedo.

Em novembro de 1821, tendo fracassado o movimento revolucionário dos carbonários, Byron partiu para Pisa, onde escreveu o drama The Deformed Transformed (1824; O deformado transformado). Em 1822 fundou, com Leigh Hunt, o periódico The Liberal. Foi a seguir para Montenegro e daí para Gênova. Nomeado membro do comitê londrino pela independência da Grécia, embarcou para aquele país em 15 de julho de 1823, a fim de combater ao lado dos gregos contra os turcos. Passou quatro meses em Cefalônia e viajou para Missolonghi, onde morreu em 19 de abril de 1824, após contrair uma misteriosa febre.


Fonte: Enciclopédia Britânica do Brasil


Um comentário

Comentários estão fechados.