Morrissey – Live at Earls Court

 

Se você pensa que Morrissey está morto, não canta mais nada e que seu carisma fugiu por algum ralo, tome cuidado ao ouvir esse CD porque levará um susto!

O homem mais triste do planeta lançou um disco ao vivo – o segundo de sua carreira-solo – mostrando que ainda sabe cativar uma imensa audiência. E, incrível!, é capaz ainda de cantar (e bem!) aos 44 anos. Live at Earls Court vem em um estojo luxuoso (capinha digipack, acabamento raro em se tratando de lançamento nacional) e mostra Morrissey cantando 18 músicas de sua carreira-solo, dos tempos dos Smiths e até algumas covers.

 

 

O disco abre com a eterna “How Soon Is Now”, clássico de Hatful Of Hollow, segundo disco de sua ex-banda e do longínquo ano de 1984. É claro que falta Johnny Marr na guitarra e que bate a saudade do grande grupo daquela década, mas há ainda Morrissey!

Em seguida, é a vez de “First Of The Gang To Die” de You Are The Quarry, que é acompanhada com grande entusiasmo pelos 17.183 fãs presentes. A temperatura esquenta com “November Spawned A Monster”, uma das peças mais torturadas já escrita pelo bardo. Após a divertida “Don’t Make Fun Of Daddy’s Voice”, o clima pega fogo com outro clássico smithniano, “Bigmouth Strikes Again”, onde Morrissey atualiza a letra ao cantar “… and her Ipod started to melt”, ao invés de “her walkman to melt”.

As homenagens começam com “Redondo Beach”, clássico de Horses, disco de estréia de Patti Smith e o favorito do cantor. Aliás, “Redondo Beach” foi lançado recentemente como single. Após “Let Me Kiss You”, Morrissey cita “Subway Train” dos New York Dolls na introdução de “Munich Air Disaster 1958” e cai em “There Is A Light That Never Goes Out”, arrancando lágrimas dos histéricos fãs.

A temperatura volta a esquentar com a seqüência final iniciada com “I Have Forgiven Jesus”, e terminando com “Last Night I Dreamed That Somebody Loved Me”, jamais tocada ao vivo pelos Smiths e que encerra o CD.

Morrissey mostra ótima presença de palco e que ainda controla uma grande audiência apenas com seu dedo mindinho. Apesar dos anos a mais e alguns quilinhos extras, o velho bardo coroa a apresentação com uma grande apresentação escorada por uma competente banda de cinco músicos – os guitarristas Boz Boorer (que toca clarineta, congas e até faz backing vocals) e Jesse Thomas; o baixista Gary Day, o baterista Deano Butterworth e o tecladista, trumpetista Mike V. Farrell. Gravado sem overdubs (ou seja, sem retoques de estúdio), Live at Earls Court merece ser ouvido bem alto e mostra que o pedido ao público no encerramento do disco (“don’t forget me!”) tão cedo não ocorrerá. Morrissey continua bem vivo para seu público e para todos aqueles que amam a música pop. Para esquecermos essas canções, precisaríamos apagar boa parte de nossas vidas ou sofrermos uma lobotomia.

Faixas

1. How Soon Is Now
2. First Of The Gang To Die
3. November Spawned A Monster
4. Don’t Make Fun Of Daddy’s Voice
5. Bigmouth Strikes Again
6. I Like You
7. Redondo Beach
8. Let Me Kiss You
9. Munich Air Disaster 1958
10. There Is A Light That Never Goes Out
11. The More You Ignore Me
12. Friday Mourning
13. I Have Forgiven Jesus
14. The World Is Full Of Crashing Bores
15. Shoplifters Of The World Unite
16. Irish Blood, English Heart
17. You Know I Couldn’t Last
18. Last Night I Dreamed That Somebody Loved Me

Por Rubens Leme da Costa