Siouxsie and the Banshees – Juju

Parceria com Rubens Leme da Costa

Após o caos de Kaleidoscope, os Banshees já eram uma nova unidade, com John McGeoch na guitarra e Budgie na bateria. Dessa maneira, o quarteto se trancou para escrever as novas composições e lançaram aquele que é, provavelmente, o melhor disco do grupo, Juju. Um disco bem mais soturno e tenso do que os anteriores e recheado de grandes momentos.


Após o grande sucesso de Kaleidoscope, Siouxsie and the Banshees entra para começar as gravações do novo disco com grande cacife.

Utilizando aquela que é considerada a formação mais clássica do grupo, a banda tirou um mês de férias da vida na estrada para gravar um novo disco.

Nesse momento, Siouxsie já era uma grande estrela na Inglaterra e copiada à exaustão pelas fãs, nos shows.

Usando um cabelo mais espetado e vestindo couro preto e peças de seda, Siouxsie havia criado um modelo copiado por 10 entre 10 meninas, estabelecendo-se como uma estrela que sempre quis ser.

O ano de 1981 foi uma mudança grande para as bandas que haviam começado no movimento punk. Johnny Rotten seguia a toda com o PiL, agora como John Lydon, o Clash abandonara a violência dos dois primeiros discos e investira mais em ritmos jamaicanos e passava a maior parte do tempo na América; o Cure começava a ficar maior e o Joy Division havia terminado com o suicídio de Ian Curtis.

Por isso o novo disco precisaria ser mais abrangente do que o anterior e para isso, foi exaustivamente tocado em shows antes de entrarem em estúdio.

“Não queríamos mais saber daquele caos do LP anterior, por isso resolvemos escrever as músicas durante a excursão para que pudessem ficar perfeitas quando fosse a hora de gravá-las”, conta o baixista Severin.

E Juju nasceu com a idéia de ser um álbum conceitual. Ele não foi planejado com antecedência, mas tão logo as canções eram escritas, elas ganhavam uma unidade e se tornavam mais sombrias.

A idéia de usar uma estátua africana na capa foi usada após verem o objeto no Horniman Museu, em Forest Hill e ajudou muito a construir o imaginário correto.

As gravações aconteceram entre março e abril de 1981, novamente com a produção de Nigel Gray e o disco teve poucas experimentações em estúdio, uma vez que estavam quase prontas. Segundo o baixista, “nós sabíamos exatamente o que queríamos em cada uma, como seriam os overdubs, tudo”.

Siouxsie conta que, pela primeira vez, se sentia dentro de um grupo de verdade: “o entrosamento era tão grande que quase nem falávamos em estúdio, não era necessário.”

A idéia sonora do disco, segundo Severin nasceu de várias conversar com McGeoch e eles queriam soar psicodélicos como o disco Their Satanic Majesties Request, dos Rolling Stones ou mesmo como o Small Faces.

Ao ser lançado em junho de 1981, Juju chegou ao sétimo posto no Reino Unido, contra a quinta posição de Kaleidoscope e viu os dois compactos do álbum “Spellbound” e “Arabian Knights”, alcançarem a 22ª e 32ª posições na parada de compactos, respectivamente.

O disco trazia as seguintes faixas:

Lado 1

1. “Spellbound” – 3:17
2. “Into the Light” – 4:13
3. “Arabian Knights” – 3:07
4. “Halloween” – 3:42
5. “Monitor” – 5:35

Lado 2

1. “Night Shift” – 6:06
2. “Sin in My Heart” – 3:38
3. “Head Cut” – 4:24
4. “Voodoo Dolly” – 7:04

Ao ser editado em 2006, em CD, ganhou as seguintes faixas extras:

10. “Spellbound” (12″ Mix) (4:43)
11. “Arabian Knights” (12″ Vocoder Mix) (3:09)
12. “Fireworks” (unreleased Nigel Gray Version) (4:15)

Sem singles óbvios e difíceis de serem assimilados, as vendagens de Juju foram mais modestas, mas ajudou a sedimentar o mito do grupo, especialmente nos shows.

Embora a banda odeie o termo “gótico” – segundo eles invenção da mídia para aglutinar várias bandas parecidas, mas não iguais – o lado B do disco é um dos maiores exemplos dessa estética. “Voodoo Dolly” se tornaria um dos maiores clássicos em shows, invariavelmente usada para fechar as apresentações, como está registrada do álbum ao vivo, Nocturne, de 1983.

Particularmente assustadora é “Night Shift”, inspirada no assassino de Yorkshire, que aterrorizou a Inglaterra, no início dos anos 80. “Eu não sei se era verdade se ele era necrófilo, mas ele era coveiro e por isso gostava de trabalhar no turno da noite.”

Uma curiosidade é que essa foi a canção menos ensaiada pela banda e como “ela lembrava o clássico ‘Kashmir’, do Led Zeppelin, achamos que seria um bom modelo e decidimos fazer uma ‘Kashmir’ mais ‘Kashmir’ que a original”, conta a cantora.

A estrada era o caminho natural e Siouxsie se tornava mais teatral do que nunca nas apresentações, aumentando cada vez mais seu carisma e sua persona.

Em dezembro daquele ano é lançado a primeira coletânea do grupo, Once Upon a Time, com texto de Paul Morley e que encerra a primeira fase da banda.

O disco alcançou a 21ª posição no Reino Unido e trazia todos grandes clássicos do grupo:

Lado 1

1. “Hong Kong Garden” (Sioux/Severin/McKay/Morris)
2. “Mirage” (Sioux/Severin/McKay/Morris)
3. “The Staircase (Mystery)” (Sioux/Severin/McKay/Morris)
4. “Playground Twist” (Sioux/Severin/McKay/Morris)
5. “Love in a Void” (Sioux/Severin/Morris/Fenton)

Lado 2

1. “Happy House” (Sioux/Severin)
2. “Christine” (Sioux/Severin)
3. “Israel” (Siouxsie and the Banshees)
4. “Spellbound” (Siouxsie and the Banshees)
5. “Arabian Knights” (Siouxsie and the Banshees)

Se 1981 foi o ano da confirmação, 1982 seria o ano do estrelato. Mas isso é papo para outro dia. Um abraço e até a próxima coluna.

Discografia

Singles

“Hong Kong Garden” (1978)
“The Staircase (Mystery)” (1978)
“Playground Twist” (1979)
“Mittageisen (Metal Postcard)” (1979)
‘Happy House” (1980)
“Christine” (1980)
“Israel” (1980)
“Spellbound” (1981)
“Arabian Knights” (1981)
“Fireworks” (1982)
“Slowdive” (1982)
“Melt!” (1982)
“Dear Prudence” (1983)
“Swimming Horses” (1983)
“Dazzle” (1984)
“Overground” (1984)
“Cities in Dust” (1985)
“Candyman” (1986)
“This Wheel’s on Fire” (1986)
“The Passenger” (1987)
“Song from the Edge of the World” (1987)
“Peek-a-Boo” (1988)
“The Killing Jar” (1988)
“The Last Beat of My Heart” (1988)
“Kiss Them for Me” (1991)
“Shadowtime” (1991)
“Fear (of the Unknown)” (1991)
“Face to Face” (1992)
“O Baby” (1995)
“Stargazer” (1995)
Discos e CDs

The Scream (1978)
Join Hands (1979)
Kaleidoscope (1980)
Juju (1981)
Once Upon a Time (1981)
A Kiss In The Dream House (1982)
Nocturne (1983)
Hyaena (1984)
Tinderbox (1986)
Through The Looking Glass (1987)
Peepshow (1988)
Superstition (1991)
Peel Sessions (1991)
Twice Upon a Time (1992)
Rapture (1995)
The Best of Siouxsie and the Banshees (2002)
Seven Year Itch (2003)
Downside Up (Box, 2004)
At the BBC (2009)