A cigarra e a formiga – William Somerset Maugham

Quando eu era ainda muito pequeno, obrigaram-me a decorar algumas das fábulas de La Fontaine, e explicaram-me cuidadosamente a moral de cada uma. Entre elas, aprendi a da cigarra e da formiga, que pretende incutir nos jovens a útil lição de que num mundo imperfeito o trabalho é recompensado e a leviandade castigada. Nesta fábula admirável (peço desculpa por ir contar qualquer coisa que, por delicadeza, mas erradamente, se supõe…

O gato preto – Edgar Allan Poe

Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã posso morrer e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é…

A caçada – Lygia Fagundes Telles

A loja de antigüidades tinha o cheiro de uma arca de sacristia com seus panos embolorados e livros comidos de traça. Com as pontas dos dedos, o homem tocou numa pilha de quadros. Uma mariposa levantou vôo e foi chocar-se contra uma imagem de mãos decepadas.– Bonita imagem- disse ele.A velha tirou um grampo do coque e limpou a unha do polegar. – É um São Francisco.

Cemitério das almas marcadas – Hamilton Lima Souza

Tem um lugarejo entre as cidades de Quatro Barras e Morretes, cujo nome foge agora, onde a existência e o fim dela tem cores marcadas. Local de parada para turistas pela estrada da Graciosa. É uma estrada onde o terreno é íngreme, pela Serra do Mar, levando nos bons tempos da década de 50 a riqueza paranaense para o porto de Antonina, buscando os dólares preciosos do exterior.