A Chegada a Alexandria

A Chegada a Alexandria

Depois de uma viagem de quase dois meses  chegamos finalmente à costa de Alexandria, eu havia partido de Portugal no dia vinte e oito de abril e aportamos em Alexandria no dia onze de junho.

Lá estava o seu famoso farol.  Claro que não era nada que lembrasse aquele que foi conhecido como a sétima maravilha do mundo antigo. Mas mesmo danificado por três terremotos, ele continuava lá, uma ruína abandonada mas ainda imponente do alto dos seus mais de 100 metros de altura. Mas sua luz não mais brilhava nem orientava ninguém. Eu estava no convés do Le Grifon e fiquei boquiaberta. Não tinha como não ficar admirada. E eu cheguei na hora mais bela, a hora dourada do alvorecer. O sol batia suavemente derramando sua luz sobre a cidade. E a cúpula do grande templo, onde estava a grande biblioteca era atingida em cheio, a grande cúpula e os dois minaretes resplandeciam intensamente. A luz se esparramava pela cidade de tal forma que por um instante eu tive sim a impressão que todos os telhados eram feitos de ouro. Mas não, apenas esse prédio fantástico tinha esse aspecto. O que me deixou um pouco surpresa foi o número de embarcações encalhadas nos rochedos, certamente haveriam mais ao fundo, mas ver os barcos ali avariados era assustador. Isso me fez ver que era uma travessia realmente perigosa, mas eu já estava lá, sã e salva. Suspirei de alívio, ainda que estivesse tão distante de casa. Certamente se o grande farol ainda brilhasse alguns desses acidentes seriam evitados.

 Depois que desembarcamos fiquei sabendo que o barco ficaria ali apenas por três dias. Aquilo me exasperou, não apenas porque eu queria conhecer a cidade e visitar a grande biblioteca, mas principalmente porque três dias, seria inviável para que eu conhecesse e fizesse meus estudos com “A Agulha”, o velho amigo de Gennaro e o grande mestre da arte tecelã. Enquanto caminhava ao lado do Maese Gennaro Amatucci, quebrando a cabeça por esse problema, sentia-me meio atordoada e deslumbrada pelo lugar. Eram pessoas diferentes em tantos costumes. As roupas, os rostos, os cheiros do mercado. Tudo parecia novo e fascinante.  Eu caminhava ao lado do italiano preocupada e ele mal falava comigo. Então do nada ele se virou pra mim e disse.

“Dane-se o barco! Arranjamos outro pra voltar. Eu vim aqui com você por um motivo e não saio daqui sem isso. Custe o tempo que custar.” 

Ele decidiu de maneira prática, e eu tive que concordar. Não estávamos lá a passeio, afinal. A primeira coisa que fizemos então, foi despacharmos nossa bagagem e avisar que não seguiríamos com eles na volta. Agora estaríamos por nossa conta e risco.

Então, Gennaro arranjou dois quartos em uma hospedaria e sugeriu que descansássemos ao menos por um dia. Ele mesmo sentia-se desgastado, e realmente era o melhor a fazer.